sexta-feira, 15 de maio de 2015

the amazing boat party

eu perdi umas oportunidades lá no meu intercâmbio. a maioria delas relacionadas a conhecer lugares diferentes e ir a festas/eventos. os motivos não cabem aqui - e nem são da conta de ninguém, na verdade - mas imaginem então o quanto eu fiquei feliz quando eu fiquei sabendo que a escola em que eu estudava ia dar uma Festa Muito Louca™ :D


o motivo da festa era o aniversário da escola. todos os anos eles comemoram da mesma forma: com um "esquenta" (entre aspas, porque não necessariamente rola bebida haha) com umas brincadeiras e tal, pra deixar o pessoal mais entrosado, em algum salão grande pra comportar todo mundo (no ano em que eu estive presente, alugaram o andar de cima do hard rock café) e depois, todos juntos, de metrô, eles levam a galera até o píer. a festa oficial de comemoração é num barco!! ele dá uma volta completa e a gente vê a cidade sob diferentes ângulos e presencia o céu mudando de cor muitas e muitas vezes... <3


isso já vai fazer dois anos (pqp, como o tempo voa!), então é óbvio que a maioria das minhas memórias já se perdeu. mas algumas coisas foram realmente bem marcantes, por mais bobinhas que elas possam parecer. foi nessa festa que eu comecei, de verdade, a ser amiga do francês mais chato feat. maravilhoso do planeta. foi nessa festa que meu amigo japonês de quase 30 anos fumou maconha pela primeira vez (e ele achou o máximo, digassi di passagi). foi nessa festa que o meu professor ficou tão bêbado que deixou minha amiga passar batom cor-de-rosa nele. foi nessa festa que uma intercambista asiática fez alguma besteira (não consigo lembrar o que foi ;~), levou bronca quando foi pega e chorou horrorres. foi nessa festa que eu e os outros brasileiros rimos bastantão dos gringos cantando e dançando "ai se eu te pego". foi nessa festa que eu vi um pôr do sol tão lindo que entra no top 5 da minha vidinha. foi nessa festa que eu me senti absurdamente abençoada e privilegiada por poder vivenciar aquilo tudo.


eu gostei muito desse dia! fui pega de surpresa, não fazia ideia de que a escola proporcionaria algo assim pros alunos. mas o que me deixou mais feliz foi a ideia de ter participado de algo diferente, que eu nunca tinha feito antes (no caso, uma festa dentro de um barco em movimento), e que eu teria poucas chances reais de fazer se estivesse no brasil. ah, canadá... que saudades de você e de tudo o que eu vivi por aí! já disse antes, mas não canso de repetir: um dia eu volto! fica esperando por mim!

um dia em toronto
(e suas diferentes cores, nuances e tons)



segunda-feira, 11 de maio de 2015

sinuosamente

meu coração anda tão apertadinho nesses últimos dias. e a garganta, ah, a garganta... essa aí nem se fala. de vez em quando tá que chega a doer. mas o problema mesmo são os olhos. esses eu não tô conseguindo controlar. eu me esforço, conto até dez, tento pensar em outras coisas. mas não há o que eu faça, meus olhos insistem em derramar lagriminhas inoportunas. são poucas, normalmente uma só. aquela filha única, que dá tchau sem olhar pra trás, e sai rolando pela minha bochecha antes que eu consiga contê-la. os motivos são muitos, mas se eu for reparar bem, parece que não há motivo algum. é uma palavra dita fora de hora, um silêncio que não devia existir, um pensamento meio torto. um não, vários. o que mais se encontra por aqui são pensamentos que chegam sem avisar, me pegam desprevenida e causam um desassossego chato na alma, uma tristeza levinha que não tá me dando folga. eu sou responsável pela maioria das coisas que me tiram do eixo - normalmente, minha imaginação cria motivos e possibilidades que não necessariamente são reais e eu fico maluquinha. eu sei que tudo não passa de invenção, eu sei que não há absolutamente nenhuma prova de que as coisas que se passam pela minha mente são verdadeiras. mas nada disso me impede de sentir um turbilhão de coisas que me esmagam o peito. ê, carência incessável que não larga do meu pé! tenho certeza de que a culpa disso é toda sua! se bem que, no fundo, a culpa é mesmo minha. eu digo que é dela pra me livrar do peso na consciência, pra fingir que não sei como consertar essa situação. só que a teoria é fácil demais se comparada à prática. por mais que eu tente, ainda não consigo largar a carência pra trás e preencher sozinha todo o meu vazio. já caminhei bastante, mas o caminho é muito longo. tô tão longe da metade que mal consigo vislumbrar o fim do túnel.

(o texto já tem um tempinho, mas agora faz tanto sentido quanto na época em que eu escrevi.)

sábado, 9 de maio de 2015

1. a intercambista que sente falta das sopas

eu descobri, por meio do blog da Analu, o 1001 pessoas que conheci antes do fim do mundo. eu sempre quis escrever posts que serviriam como cartas que eu jamais enviarei pras pessoas, mas eu só pensava naqueles com quem eu tenho um relacionamento maior. aí eu vi essa moça que escreve sobre qualquer um que tenha passado pela vida dela de forma minimamente significativa e me inspirei pra fazer mais ou menos a mesma coisa. e hoje eu tô dando início à brincadeira :)

***

ela, a escolhida pra abrir a nova coluna do blog, eu conheci simplesmente por obrigação. um professor da faculdade pediu pra formarmos grupos e entrevistarmos algum gringo que falasse português. meus colegas de grupo conheciam essa moça e perguntaram se ela podia ser a nossa entrevistada. ela aceitou. só que, de início, achei que a menina tivesse desistido de participar: marcamos num ponto de encontro e ela não apareceu. depois encontramos a coitada perdida pelos corredores confusos da faculdade. tava tudo bem.

a intenção era a moça falar por, pelo menos, 20 minutos corridos. precisávamos da gravação pra concluir o trabalho. ela começou tímida, falando o que parecia estar mais ou menos programado antecipadamente  na cabeça dela. contou da relação que tinha com a nossa universidade, disse que não sabia que seria tão difícil andar de ônibus e nem que ficaria fácil tão rápido de se entender com o metrô. também contou das diferenças do brasil e da colômbia, seu país de origem. no final das contas a conversa teve quase 1 hora de duração. e a intercambista lá, se esforçando pra dar sempre o melhor do seu português.

ai, a menina é uma graça, muito fofinha mesmo. mas o que me impressionou - e me deixou orgulhosa, até - foi descobrir que ela, no alto de seus 22 anos, sabe 4 idiomas e tá estudando mais 2. isso é o que eu quero pra minha vida, encher meu cérebro de informações e regras de diferentes línguas! e eu vi que é possível fazer isso mesmo com a pouca idade, é só a gente se empenhar e não desistir no primeiro "futuro do subjuntivo que eu não consigo entender quando usar" (palavras da própria intercambista).

moça, você é incrível! quero ser tão boa quanto você quando eu crescer. tomara que você consiga conhecer foz do iguaçu e manaus. tomara que seu namorado consiga arrumar um emprego logo. tomara que você continue estudando idiomas e consiga conciliar seus horários pra poder, finalmente, aprender alemão. sério, eu tô torcendo por você! :)

terça-feira, 14 de abril de 2015

recomeçar do zero, levantar e caminhar

"Renascimento e recomeços: ainda em clima de Páscoa mas sem chocolate, escreva sobre alguma situação que fez você renascer e recomeçar algo. Uma experiência, um novo estilo de vida, um novo desafio. O que fez você recomeçar do 0?"

teve um dia em que não deu mais. simplesmente isso. não, calma lá, não teve nada de simples nessa história. o processo foi longo, foi lento, foi dolorido. doeu pra caramba. até certo tempo atrás ainda doía um tiquinho, pra ser bem sincera (hoje em dia não mais, definitivamente não). o fato é que chegamos num ponto em que as coisas ficaram insustentáveis. não tinha mais progresso, não tinha mais saldo positivo. e então, de um jeito totalmente estranho e inimaginável, até um pouco indiferente, definimos juntos que era a hora do fim. eu estava decidida, me sentia mais do que pronta pra viver aquele momento novo. o que eu não sabia é que eu estava absolutamente despreparada, sem chão nenhum, e que cairia lindamente. até chegar no fundinho daquele tal de poço. 

me senti um lixo. eu me perguntava o que é que havia de problemático comigo, onde é que eu tinha errado, por que eu não fazia nada certo, como eu tinha deixado as coisas rolarem daquela forma. e no meio disso tudo, por questão de defesa, eu me fingi de forte. levantei a cabeça, me fiz de superior e agi como se nada de muito complicado estivesse acontecendo. com uma naturalidade assustadora, as pessoas pareciam acreditar nisso. mas eu tava um caco. não comia direito, emagreci vários quilos, chorava por tudo, vivia com uma dorzinha chata no peito me lembrando o tempo todo de que não importava o quanto eu desse risada e falasse "ah, não tô nem ligando pra isso!", a real é que eu tava me corroendo por dentro.

daí eu percebi que não dava pra continuar daquele jeito. percebi que o problema não tava comigo, parei de me culpar por coisas que não me diziam respeito, deixei de me maltratar e passei a cuidar melhor de mim. desde então minha postura mudou quase que totalmente. me reinventei e me fortaleci, porque a única certeza que eu tinha naquele momento era: não quero passar por isso nunca mais. eu aprendi que tenho que priorizar a minha felicidade e o meu bem estar, que tenho que pensar/agir positivo pro universo me responder na mesma vibração. e aprendi também que mesmo que o outro me agrida e me ofenda, a culpa não é minha. cada um reage de um jeito diferente. eu me afasto, tem gente que se impõe no grito, sei lá. cada um faz como sabe, como lhe parece mais conveniente.

mas depois que eu caí, levantei com garra e força de vontade pra não voltar mais pro chão. foi quebrando a cara que eu cresci. é tudo aprendizado.

tema sugerido pro mês de abril pelo Rotaroots :)

sexta-feira, 10 de abril de 2015

sobre o grupo do potinho

não sou uma pessoa assim de muitos amigos. digo, de amigos de verdade mesmo, daqueles que a gente conta os segredos, pede conselho e chama pra dormir em casa, sabe? mas isso não me impede de conversar com 3985 pessoas e gostar de todas elas mesmo assim. 
aliás, essa aí de gostar dos meus amigos é algo que eu também não sei explicar como é que rola. sempre tem aqueles preferidos, e tem também aqueles que a gente ama, mas um tantinho menos (dsclp aí se vcs não sabiam disso, mas eu só trabalho com vdds). e os meus critérios pra gostar mais de um ou de outro são totalmente desconhecidos e inconscientes. não tem a ver com ~afinidade, não tem a ver com alguma característica específica. sei lá, só sei que quando eu percebo a coisa já tá daquele jeitinho. tem uns que eu me apego mais fácil, só isso.

e eu sou dessas que quando gosta muito mesmo de alguém, tem aquela fixaçãozinha esquisita pela pessoa. tudo que ela faz é legal, é divertido, é maravilhouser socorro que pessoa sensacional etc. tem gente que eu queria, de verdade, guardar num pote aqui em casa e não deixar sair nunca mais. nun-ca. ia viver aqui comigo pra eternidade por motivos de amoooor. mas assim, a pessoa nem precisa fazer parte do meu grupo de amigos mais próximos pra estar inserida no grupo do potinho. também não sei como que essa bizarrice ocorre, mas tem gente que eu jamais na vida vou ser íntima o suficiente pra fazer uma ligação pro ser humano (vejam bem, eu só ligo pra quem eu me sinto absurdamente próxima, senão não me sinto a vontade), mas que eu fico absurdamente feliz sempre que eu vejo. quero abraçar, quero saber como anda a vida, quero só uns minutinhos ali do lado pra ter certeza de que tá tudo bem com aquele ser humano que, por algum motivo oculto, é queridíssimo por mim. é uma coisa meio maternal, eu acho. um sentimento de cuidado, de carinho. dá vontadinha até de engolir a pessoa e deixar guardada na minha pancinha, onde nada de ruim vai acontecer ^^



domingo, 15 de março de 2015

rompante tragicômico

digamos que eu não estivesse exatamente de bom humor. e que as coisas não tenham saído exatamente como eu gostaria. muito pelo contrário, inclusive. mas cheguei num ponto em que aprendi que ou a gente dança conforme a música ou é vista como a mais chata de todas pelos outros. tem dias em que eu não estou nem aí, mas nesse caso eu preferi evitar a fadiga. sendo assim, deixei de lado o que eu tava sentindo e querendo - já que ninguém se interessava em saber - e fui. sem sorriso falso no rosto, sem fingir que tava tudo ok. 

foi tudo muito sem sentindo, sem nenhuma explicação. não fiz perguntas, não obtive respostas, não entendi nada do começo ao fim. ainda não estou entendendo nada, mas agora também não faz mais diferença. o que eu sei é que, ao final de tudo, quando eu já não esperava que nada mais pudesse melhorar ou piorar (sabe quando a gente chega no ponto crítico e praticamente espera que qualquer coisa aconteça?), eu comecei a rir. não sei se de nervoso, incredulidade ou por achar graça mesmo. mas tive uma crise de riso daquelas que a gente perde o ar, não consegue parar e tira todo o rímel por causa das nossas lágrimas.

e então tudo se dissipou. o bom humor voltou ao seu lugar devido, as chateações perderam força. e o dia chegou ao fim.

quarta-feira, 11 de março de 2015

é importante ler os sinais

normalmente eu saio de casa às 06h00. hoje, por causa do combo sono excessivo + desligar o despertador, eu acabei acordando 05h55. eu não podia me dar ao luxo de demorar 30 minutos pra me arrumar e ainda tomar café da manhã, então fiz tudo correndo e saí de casa 06h15. por conta do atraso, tive que pegar trem e depois ônibus - o que significa pagar 2 conduções. também significa andar bem mais e tomar chuva, já que quando desci do trem resolveu cair uma quantidade razoável de água do céu. pra me ajudar, puxei sem querer um fio da minha calça e ela descosturou. fiquei com um furo no meio da coxa, assim bem discreto e elegante. 

mas o fato é que eu vi um arco íris enquanto eu andava pela estação de trem. começar o dia assim tem que ser um sinal de que algo bom está por vir, mesmo que não seja nada tão grandioso. no caso de hoje, eu tive algumas surpresas positivas pra compensar a correria - as cores no céu já me indicavam que elas estavam por vir: consegui sentar no ônibus (se você pega a linha 7725-10 sentido rio pequeno às 6h50 da manhã, sabe bem como isso é difícil); comprei um cupcake de maracujá, que é minha fruta preferida pra doces; cheguei em casa meia hora mais cedo que o normal; tô comendo um pote de açaí com banana e granola enquanto escrevo isso aqui. 

então assim, mesmo quando tudo parece muito ruim pra ser verdade, quando a gente tá cansado das coisas que aparentemente só dão errado e quando a gente Queria Estar Morta™, talvez a gente esteja apenas de olhos fechados pros sinais positivos que a vida dá. pode não ser um arco íris pra todo mundo, mas com certeza algum indício de melhora sempre tem. :)