domingo, 15 de março de 2015

rompante tragicômico

digamos que eu não estivesse exatamente de bom humor. e que as coisas não tenham saído exatamente como eu gostaria. muito pelo contrário, inclusive. mas cheguei num ponto em que aprendi que ou a gente dança conforme a música ou é vista como a mais chata de todas pelos outros. tem dias em que eu não estou nem aí, mas nesse caso eu preferi evitar a fadiga. sendo assim, deixei de lado o que eu tava sentindo e querendo - já que ninguém se interessava em saber - e fui. sem sorriso falso no rosto, sem fingir que tava tudo ok. 

foi tudo muito sem sentindo, sem nenhuma explicação. não fiz perguntas, não obtive respostas, não entendi nada do começo ao fim. ainda não estou entendendo nada, mas agora também não faz mais diferença. o que eu sei é que, ao final de tudo, quando eu já não esperava que nada mais pudesse melhorar ou piorar (sabe quando a gente chega no ponto crítico e praticamente espera que qualquer coisa aconteça?), eu comecei a rir. não sei se de nervoso, incredulidade ou por achar graça mesmo. mas tive uma crise de riso daquelas que a gente perde o ar, não consegue parar e tira todo o rímel por causa das nossas lágrimas.

e então tudo se dissipou. o bom humor voltou ao seu lugar devido, as chateações perderam força. e o dia chegou ao fim.

quarta-feira, 11 de março de 2015

é importante ler os sinais

normalmente eu saio de casa às 06h00. hoje, por causa do combo sono excessivo + desligar o despertador, eu acabei acordando 05h55. eu não podia me dar ao luxo de demorar 30 minutos pra me arrumar e ainda tomar café da manhã, então fiz tudo correndo e saí de casa 06h15. por conta do atraso, tive que pegar trem e depois ônibus - o que significa pagar 2 conduções. também significa andar bem mais e tomar chuva, já que quando desci do trem resolveu cair uma quantidade razoável de água do céu. pra me ajudar, puxei sem querer um fio da minha calça e ela descosturou. fiquei com um furo no meio da coxa, assim bem discreto e elegante. 

mas o fato é que eu vi um arco íris enquanto eu andava pela estação de trem. começar o dia assim tem que ser um sinal de que algo bom está por vir, mesmo que não seja nada tão grandioso. no caso de hoje, eu tive algumas surpresas positivas pra compensar a correria - as cores no céu já me indicavam que elas estavam por vir: consegui sentar no ônibus (se você pega a linha 7725-10 sentido rio pequeno às 6h50 da manhã, sabe bem como isso é difícil); comprei um cupcake de maracujá, que é minha fruta preferida pra doces; cheguei em casa meia hora mais cedo que o normal; tô comendo um pote de açaí com banana e granola enquanto escrevo isso aqui. 

então assim, mesmo quando tudo parece muito ruim pra ser verdade, quando a gente tá cansado das coisas que aparentemente só dão errado e quando a gente Queria Estar Morta™, talvez a gente esteja apenas de olhos fechados pros sinais positivos que a vida dá. pode não ser um arco íris pra todo mundo, mas com certeza algum indício de melhora sempre tem. :)


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

amadurecimento

criança arruma umas confusões meio sem sentido, né? briga por qualquer bobeira, chora e grita sem precisar, faz birra e fica de bico porque o coleguinha ganhou a brincadeira... mas aí a gente cresce, amadurece e muda (ou pelo menos é assim que deveria ser, sei bem que tem muita gente que continua agindo como se tivesse sete anos e meio).

daí que hoje eu encontrei um vizinho que, quando pequeno, não era lá muito meu amigo. não faço ideia de como começou, não sei se tinha realmente algum motivo, mas ele e a irmã dele não eram exatamente meus fãs. e eu, sempre meio encrenqueira, obviamente que não deixava barato pros dois. lembro nitidamente de uma cena em que as crianças do prédio estavam brincando todas juntas na piscina e eu e esse menino estávamos guerreando pra ver quem conseguia afogar o outro primeiro - mas sem a parte amigável, a coisa tava feia mesmo. ele era mais velho e mais forte, mas penou pra me vencer. e, no final das contas, acho que nem conseguiu. assim, tenho um irmão com 8 anos a mais que eu: eu sabia me defender. depois de um tempo a gente acabou desistindo de se matar pra ir brincar de guerra de bexiga d'água com o resto do pessoal. e a irmã dele, nossa... já teve muita confusão entre a gente. pra ajudar, eu e ela eramos da mesma classe. tudo era motivo pra implicância. até que um dia isso tudo passou. a gente foi aprendendo a se aceitar, a conviver bem no mesmo espaço e chegou um momento em que não havia mais problema nenhum. 

atualmente a gente não se fala com regularidade, não mantem amizade, quase não se vê. mas quando a gente se encontra, a conversa flui normalmente. perguntamos como anda a vida, damos risada juntos, fazemos piada com assuntos corriqueiros. não que hoje em dia eu morra de amor por algum deles, até porque não temos nem contato o suficiente pra isso, mas gosto dos dois. acho legal pra caramba que a gente tenha superado toda e qualquer desavença besta do passado e agora seja assim, tudo tranquilo. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

a 1ª palestra a gente nunca esquece

eu tava tranquila na minha casa, numa bela manhã de sol, quando recebi uma mensagem da minha antiga professora de literatura me convidando pra participar de um evento na minha antiga escola. mais precisamente, o convite foi pra que eu ministrasse uma palestra. pa-les-tra. euzinha palestrando. vocês tão entendendo o que eu tô querendo dizer? palestra, sabe? então. euzinha. 

o tema seria o vestibular. eu teria que dar o meu depoimento a respeito do caminho que percorri desde o colegial até agora, estudando em uma das maiores universidades do país. fiquei muito feliz com o convite e aceitei sem pensar duas vezes. depois que eu já tinha me comprometido é que eu percebi que: morro de vergonha de falar em público. mas tamanha foi a empolgação que eu resolvi esquecer a minha timidez e pensar apenas "que legal que, dentre tantos, eu fui a escolhida!" :)

a princípio eu não tava chamando isso de palestra. pra mim era uma apresentação, uma conversa, sei lá. algo bem simples, uma participaçãozinha singela no projeto que o colégio montou pra incentivar os alunos. até o momento em que a professora me mandou outra mensagem falando "se você quiser levar um powerpoint pra sua palestra, sinta-se à vontade". aí eu percebi que a coisa era séria. aí eu tive uma crise de riso. aí eu pensei "esse pessoal do colégio é maluco, que mané powerpoint".

desde o convite até o dia do evento, uma semana se passou. nesse período, eu fiquei muito tranquila. tava me sentindo feliz e satisfeita, tava pensando na tal palestra como algo divertido. até que, no dia anterior à apresentação, me deu um choque de realidade. aí sim veio aquela sensação de frio na barriga e de nervoso, porque eu ainda não sabia o que ia falar pras pessoas no dia seguinte ¯\_(ツ)_/¯ então conversei novamente com a professora, esclareci melhor como seria a minha participação, confirmei o que exatamente eu deveria expor aos alunos e defini mais ou menos como minha ~palestra~ ia seguir. coloquei meu despertador pra tocar 9h15. mas na verdade acordei às 8h com a maior ansiedade já vista na história desse país. meu estômago revirava, era um nervoso que eu não consigo nem dizer. criei vergonha na cara, coloquei na cabeça que não tinha motivo pra surtar e fui. 

revi meus professores, revi a coordenadora do colégio, as inspetoras, o porteiro. todo mundo muito amor dizendo que era bom eu estar de volta, mas agora com uma função diferente :) fomos pra sala reservada esperar os alunos. repassei na minha mente rapidinho o que eu pretendia dizer e fiquei lá, me fingindo de corajosa, esperando todo mundo chegar. percebi que eu não conhecia praticamente nenhuma das +/- 70 pessoas ali presentes. e me senti triste, porque nem faz tanto tempo assim que eu saí do colégio e os alunos já mudaram quase que completamente... enfim. a professora me apresentou, explicou pro pessoal o que eu ia dizer e me passou a palavra. AI MEU DEUS QUE NERVOSO QUE EU SENTI! mas eu já tava lá, né? não tinha pra onde correr. então comecei aos poucos, falando do jeitinho que eu tinha preparado. depois de uns 10 minutos e muitas expressões incentivadoras (dos professores e dos alunos <3), eu passei a me sentir confiante e tranquila pra falar o que eu quisesse. e foi aí que eu discursei por quase uma hora sem parar. respondi perguntas, fiz piadas (porque sou tonta e não resisto), contei coisas que eles não imaginavam a respeito do vestibular e do mundo universitário. e me senti super bem.

um dia eu coloquei na cabeça que, quando já tivesse definido a minha área de pesquisa e trabalho, eu me esforçaria pra ser importante o suficiente pra virar palestrante. nunca imaginei que a primeira palestra viria tão cedo, antes dos 20 anos de idade, sobre algo tão "simples". mas foi uma sensação muito gostosa a de discursar a respeito da minha própria vida com todas aquelas pessoas prestando atenção em tudo o que eu dizia. eu com certeza quero isso de novo. e de novo. e de novo... :)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

quem disse que amor de verão não sobe a serra?

começou bem discreto, aos pouquinhos, sem chamar muita atenção. quando ela percebeu, já não dava mais pra fugir. aquele menino tímido e quietinho que ela tinha conhecido há menos de uma semana já tinha se instalado num cantinho do coração dela. fazia pouco tempo, ela sabia bem disso, mas o contexto contribuiu muito pro nascimento daquela paixonite (supostamente) momentânea. os dois estavam hospedados no mesmo hotel em uma praia linda, de areia branquinha e água muito azul. isso sem contar o pôr do sol, que a cada dia se tornava mais bonito e era sempre apreciado pela dupla. o nome dele era matheus. matheus com th, como ela nunca mais poderia esquecer. no seu segundo dia de viagem, ela e outros cinco adolescentes hóspedes do hotel (incluindo matheus) foram à praia para se divertir. tomaram sorvete, jogaram bola, nadaram e escreveram seus nomes na areia. quando ela viu a letra torta e grande do menino, ela soube que tinha se apaixonado. em outro caso, ela jamais teria achado aquilo tão fofo assim. 
o jeito como ele arrumava o cabelo, o óculos de grau que quase nunca dava lugar ao óculos de sol, as bermudas coloridas que ele usava. tudo em matheus era motivo pra tirar pelo menos um suspiro de admiração de bárbara. os sentimentos se intensificaram quando ela percebeu que os olhares que ela tanto depositava em cima dele estavam sendo correspondidos. ah, aqueles olhos castanhos! tão comuns, tão profundos, tão cativantes... bárbara ficava vermelha sempre que seu olhar cruzava com o dele, mas nem por isso perdia a oportunidade de abrir o seu mais conquistador sorriso pra ele. sua tática deu certo: ao final da viagem, bárbara e matheus eram conhecidos pelos monitores do hotel como "o casal mais bonito do verão". no dia de voltar pra casa, a menina ficou muito chateada. imaginou que tudo fosse terminar ali, que o romance dos dois não poderia ir pra frente assim que eles deixassem a praia pra trás e voltassem pras suas casas.
ela não podia estar mais enganada. matheus não foi capaz de continuar sua vida como antes, pois a saudade que sentia de bárbara era muito grande. eles deram um jeito de se encontrar pelo menos uma vez por semana, mesmo que a distância entre suas casas fosse considerável. mas pelo menos eles moravam na mesma cidade e nenhum trânsito ou transporte público lotado foi suficiente para atrapalhar os planos daquele casal. depois de seis encontros, veio o pedido de namoro. no parque mais bonito da cidade, com muitas árvores ao redor deles, enquanto os dois observavam o pôr do sol - assim como faziam na praia. 
hoje faz três anos que eles estão juntos. bárbara continua encantada com a letrinha torta de matheus e ele não esconde de ninguém que o sorriso de sua namorada é o mais bonito que ele já viu em toda sua vida. 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

super sincero

eu tenho um amigo, o polvilho, que é super sincero. num nível que chega a ser até um pouco chato pra quem tá ouvindo. num nível que eu queria ser também.
ele não esconde o que pensa ou sente. independente da situação, independente da reação alheia. talvez ele omita algumas coisas, mas se for confrontado ele com certeza vai dizer na lata o que sentir vontade.
além disso, o polvilho não curte muito contato físico. e, como é de se pressupor, ele não é lá das pessoas mais sociáveis que eu já conheci. o moço é daqueles que se você esticar os braços na direção dele pra um abraço, ele vai te olhar com cara de "aff sai daqui" e vai se afastar de você. sem dó, sem constrangimento. pelo simples fato de que ele não quer e não liga se você vai se ofender com isso. é um direito dele não ser abraçado e pronto. você que tá passando dos limites, não ele.
polvilho apertou o botão do foda-se pras relações sociais. mas ele é muito maravilhoso. sendo assim, por incrível que pareça, o cara tem muitos amigos. um dia desses, um amigo dele disse "vamos combinar o dia e o horário pra irmos juntos em tal lugar". polvilho, delicadíssimo do jeitinho que só ele sabe ser, disse de bate-pronto: "então, eu prefiro ir sozinho mesmo. se der a gente se vê por lá, mas não quero ir com vocês não". assim, sem mais nem menos, sem problema algum. MA-RA-VI-LHO-SO. eu gargalhei loucamente, achei genial a naturalidade com que ele disse isso. e mesmo que os amigos tenham feito piadas do tipo "porra, cê é o pior amigo que eu já tive, sai daqui, fdp!" ele só deu risada e reforçou a ideia de que realmente não queria companhia. aliás, ele é desses que vira pros amigos e fala "ceis já tem idade o suficiente pra fazerem as coisas sozinhos, não preciso ir junto". sabe, é muita sinceridade pra uma pessoa só.
esse menino é minha inspiração de vida. mas às vezes eu sofro com vontade de abraçar ele, porque sei que não posso. acontece, né ¯\_(ツ)_/¯ 

* chamemos o moço de polvilho por motivos de 1) não vou citar o nome dele 2) ele mora nessa cidade e esse nome é muito bom pra não ser usado ^^

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

eu sou a maré viva

eu não entendo. me esforço, tento refletir a respeito, mas parece que fica cada vez mais complicado. cada vez mais nonsense. e cada vez mais pesado também. tá tudo muito bem, all fun and games, e de repente: FUÉN, vai tudo por água abaixo. sem mais nem menos, sem nenhum tipo de aviso prévio. inesperado e rude, ardido como um tapa na cara. 
out of nowhere me surge um desespero, uma sensação de impotência e vontade de fugir pra outro planeta. medo de não dar conta, medo de estar fazendo tudo errado, medo de vacilar e perder tudo. medo de ser deixada de lado, medo de não ser tão importante quanto acho que sou, medo de quebrar a cara na primeira oportunidade. aí o olho enche de lágrima. e elas escorrem loucamente, quase uma chuva torrencial. como se não bastasse a mente ficar confusa, o corpo vai lá e reforça o momento ruim. reações alérgicas a fortes emoções. e elas tão sempre aqui presentes. às vezes ficam represadas, guardadinhas por bastante tempo. até que a maré sobe, a onda cresce e vira praticamente um tsunami. chega rápido e devasta tudo. 
mas dali 5 minutos tudo passa. as lágrimas secam, eu me recomponho e finjo que tá tudo bem. mas esse é um fingimento de verdade, é de coração. tanto que, depois da intensidade da ressaca, quando eu menos espero, fica realmente tudo em paz e o mar volta a se acalmar.