sábado, 10 de julho de 2021
saí pra comer pastel e olha no que deu
sábado, 22 de maio de 2021
perdi o timing
por mais que eu não tenha mais a disciplina, a força de vontade e o tempo necessários pra continuar atualizando esse cantinho com a frequência que eu gostaria, continuo tentando.
pode até ser um esforço pequeno, não nego, mas não larguei mão não. escrevo no meu caderninho todas as minhas ideias pra post, até começo alguns, inclusive fico pensando durante o dia no que vou escrever, aí chega na hora e: não sai nada.
abro a página em branco decidida a postar, olho pro teclado e fico travada. já fiz muita autoanálise sobre isso, se eu fizesse terapia com certeza seria tema de sessão... como que pode eu simplesmente não conseguir fazer algo que eu QUERO fazer? qualquer mini motivo já é justificativa suficiente pra eu abandonar o rascunho pra lá e fingir que ele nunca nem existiu, mas sigo com vontade de superar esse bloqueio. até porque, ainda que eu não coloque nada no papel, continuo escrevendo dentro da minha cabeça.
principalmente quando tô tomando banho, que é sempre o meu momento preferido do dia. água bem quente (minha pele que lute), de preferência com a luz baixa e sabonete cheiroso. escrevo post, crônica, conto, carta de amor. dependendo do grau de inspiração, sai até romance calhamaço. mas não tiro nem uma mísera ideia de dentro da minha mente, fica tudo aqui, inacabado, misturado, juntando pó e teia de aranha dentro dessa cabecinha confusa e cansada.
às vezes até me arrisco a começar, escrevo um parágrafo, penso até no título! e paro de novo.
por exemplo: minha mãe faz aniversário em janeiro. esse ano a comemoração foi diferente de todas as anteriores. papai e mamãe vieram almoçar aqui em casa (privilégio demais a aniversariante ir até você, né? eu sei ♡), o cardápio foi pastel da feira da rua de cima. decoramos a parede branca da sala com fotos, pisca-pisca e bilhetinho escrito com marca-texto em folha de caderno, porque era o que tinha. foi um dia importante e eu quis muito registrar isso aqui, só que não consegui. comecei o post, mas depois de três meses sem sair do lugar eu até excluí o rascunho. já tinha passado tempo demais.
também teve a vez em que o boy e eu nos demos um fim de semana especial, inspirado no treat yo self day de parks and recreation. deixei de lado meu maior traço de personalidade (que é ser mão de vaca) e me permiti comprar coisas gostosas - e caras! - no mercado. foi uma sensação incrível e a gente se divertiu até na parte chata, higienizando e guardando as compras. me senti muito feliz, de um jeito que não me sentia há dias. quis registrar, o post tava pronto na minha cabeça, daqueles grandões em que eu dou voltas e voltas antes de efetivamente falar o que quero, mas nunca consegui criar coragem pra escrever. os dias foram passando, a euforia do momento morreu e parece que falar sobre isso perdeu o sentido. mais uma vez, perdi o timing.
isso sem falar no desafio de escrita que eu me propus a fazer, ainda que com menos rigidez do que o desafio realmente pede. comecei há mais de um ano e dá até vergonha de falar que ainda não passei do número quatro. os 30 dias de escrita evoluíram pra mais de 365... não nem sei o que falar da falta de timing desse aqui, sinceramente. e eu juro que comecei empolgada, achei mesmo que fosse dar continuidade.
tem tanta história que eu queria contar... mesmo que ninguém leia, mesmo que depois eu pense que poderia ter escrito melhor etc. etc. etc.
parece que ultimamente eu só consigo fazer as coisas por obrigação. tenho que trabalhar, tenho que fazer exercício, tenho que cozinhar e por aí vai. mas não tenho que escrever na internet. faço isso porque gosto, não porque preciso fazer. aí vou passando pra trás na listinha de tarefas e, quando vejo, ficou tão distante que já perdeu o propósito.
mas como sou muito disciplinada e responsável, no fim do mês eu volto aqui pra contar sobre os livros de maio. ai, ai... 🤡
sábado, 21 de novembro de 2020
a boa filha a casa torna
4. escreva sobre sua família.
sábado, 22 de agosto de 2020
home, sweet, home
no começo de agosto, saí da casa dos meus pais e passei a morar com o boy.
a gente namora há quase sete anos, já faz um tempão que falamos de morar juntos, mas nunca era a hora certa. "nossos salários não são bons o suficiente, podemos esperar mais um pouco, o imóvel precisa obrigatoriamente ficar num lugar assim ou assado", etc etc etc. porém agora, no meio de uma pandemia, depois de vários meses sem nos encontrarmos, decidimos encarar de frente essa próxima etapa. finalmente juntamos as escovas de dente.
viemos parar do outro lado da cidade, num bairro gostosinho e perto de tudo, numa rua sem saída e super tranquila! o apto não é grande e tá meio mal cuidado, mas era o que cabia no bolso. e vai ficar bonitinho (aliás, já tá ficando!), a gente só precisa se esforçar um pouco pra isso hehe
por aqui, as coisas estão tomando forma aos poucos. compra um eletrodoméstico aqui, um móvel ali, um negocinho acolá... agora até que já temos bastante coisa, mas chegamos só com fogão e geladeira na cozinha (gente, que caro geladeira, né? eu hein), nossas escrivaninhas pra gente conseguir trabalhar, duas cadeiras usadas dessas universitárias que meu pai arrumou e uns móveis que eu trouxe do meu quarto.
aliás, o boy e meu pai que desmontaram meu guarda-roupa pra transportar até aqui. pra montar, os dois contaram com a ajuda do meu cunhado. eu desacreditei do sucesso dessa empreitada, mas deu tão certo que até me surpreendi. não ficou 100%, até porque o bichinho já não era da melhor qualidade, mas ficou o melhor possível :)
passamos os primeiros cinco dias dormindo num colchão de solteiro no chão, esperando o novo chegar. o plano era dormir num inflável de casal, mas não rolou - tava sem a tampa que fecha o buraco por onde enche de ar. por sorte trouxemos esse aí de plano b, que na verdade era pra servir como sofá. e por mais sorte ainda tava um frio lascado nesses dias, porque seria inviável dormir tão juntinhos se tivesse calor. depois que o colchão de casal chegou a qualidade do sono melhorou de forma incalculável, mas ainda faltava a cama - que só chegou uma semana depois do colchão. se quiséssemos receber os dois juntos, só 14 dias depois da nossa chegada na casinha nova. melhor dormir no colchão de casal, mesmo no chão, do que passar duas semanas dividindo o colchãozinho que a gente trouxe.
demoramos um pouco pra ter o armário da cozinha (vou contar essa saga em outro post), então usamos umas caixas pra fazer uma despensa improvisada. cozinhar tava sendo um desafio. além de não termos espaço pra apoiar as coisas, também passamos alguns dias sem panelas, sobrevivendo com duas frigideiras e a panela de pressão. enquanto isso, como a sala tava vazia (só compramos sofá, mesa e cadeiras no fim de semana passado), ela foi eleita o cômodo oficial da bagunça. tudo o que ainda não tinha lugar definido ficava jogado por lá. tava um caos, meio desesperador mesmo, mas ainda assim dava um quentinho no coração de saber que aquela bagunça toda ficava na nossa casinha.
tá sendo incrível essa experiência de viver sob o mesmo teto que a minha pessoa preferida no mundo.
claro que sinto saudade de quando eu acordava e meu pai já tinha feito o café (e eu gastava bem menos dinheiro), mas dormir e acordar todo dia ao lado desse cara tá fazendo valer a pena demais os perrengues chiques que a gente passa todo dia!
em tempos normais, estaríamos aproveitando tudo o que o bairro novo tem pra oferecer - inclusive pegar metrô e descer na avenida paulista depois de três estações. por enquanto, o que a gente conhece se resume a: mercado, padaria, farmácia e a feira da rua de cima. como não dá pra passear, o que a gente tem feito é experimentar os restaurantes da região que fazem delivery. já tá sendo um bom começo ♡
domingo, 3 de maio de 2020
açaí e sorvete de frutas vermelhas
com muito esforço, os pais de rafinha conseguiram comprar o sobrado de número 52 antes mesmo de ele nascer. quando rafael tinha nove anos, aline mudou-se para o village. ele a viu pela primeira vez numa quarta-feira à tarde. em frente ao sobrado 48, havia um casal de adultos e uma menina baixinha, usando vestido roxo e tênis laranja. ele ficou curioso - será que aquela família se mudaria para lá? suzy, a mãe de rafael, acenou para os novos vizinhos. ele também sorriu e acenou, mas a menina era tímida: escondeu-se atrás da mãe e ficou espiando enquanto ele entrava em casa.
a princípio, aline tentou passar despercebida. a menina estava apavorada com a ideia de conhecer tantas pessoas novas! mas em poucas semanas esse cenário mudou: ela conquistou tranquilamente o seu espaço em meio às outras crianças do condomínio. assim como todo mundo, rafael ficou muito feliz por tê-la ali. lica era a melhor jogadora de queimada do village todinho!
durante anos os dois encontraram-se quase todas as tardes. junto com os outros amigos, formavam um grupo de dez crianças que estavam sempre juntas. rafinha ensinou aline a andar de bicicleta - e correu desesperado pra acudir quando ela caiu e ralou o joelho. mas lica não se deixou abalar! limpou as lágrimas e tentou de novo e de novo, até conseguir. as amigas bateram palmas e gritaram de alegria quando ela finalmente pedalou sozinha, sem as rodinhas da bike, e sem perder o equilíbrio nenhuma vez. aline largou a bicicleta no chão e correu pra abraçar rafael, como forma de agradecimento. tantos anos depois, ambos ainda tinham esse momento guardado na memória com muito carinho.
agora faltavam poucos meses pro aniversário de 15 anos de aline. ela não quis ganhar uma festa, preferiu viajar. na semana do seu aniversário, lica e seus pais iriam para um hotel no rio de janeiro. ainda que essa não fosse a sua viagem dos sonhos, a menina estava muito feliz. aline passava horas planejando a viagem e pesquisando passeios diferentes, ela estava muito empolgada! a avó paterna de rafael era do rio de janeiro, o menino já havia passado as férias muitas vezes nas praias cariocas. por isso, rafinha fez questão de dar a ela todas as dicas possíveis. no seu roteiro da viagem, registrado num caderno antigo, aline escreveu de caneta vermelha, no alto da página: "não deixar de conhecer a sorveteria preferida do rafa!!!".
um dia antes de viajar, a menina estava tão ansiosa que não conseguia se distrair. ela pegou o celular e mandou uma mensagem de texto pra rafael, perguntando se podia ir na casa dele jogar video game. rafinha demorou sete minutos pra responder. ela já estava impaciente, mas sorriu ao ver a resposta: "corre, estamos te esperando", acompanhada de uma foto do controle do video game e um balde de pipoca. sem perder tempo, aline calçou o primeiro chinelo que encontrou pelo caminho e deixou um bilhete escrito às pressas na mesa da sala: "tô no rafa, volto mais tarde. se precisar, me liguem!". quando chegou na casa 52, rafinha já estava esperando na porta.
foi uma tarde muito divertida! enquanto jogavam, os dois conversaram sobre vários assuntos, não apenas sobre a viagem. como sempre, com seu jeito mais tranquilo, rafael conseguiu fazer aline se distrair e relaxar. aliás, sempre que ela se sentia muito nervosa, era ele quem a ajudava a se acalmar. de noite, ao abraçá-lo na hora da despedida, lica lembrou-se do abraço que eles haviam trocado há tantos anos, quando ela aprendera a pedalar. naquele momento, seu sentimento de gratidão era o mesmo. antes de dormir, rafinha mandou uma mensagem desejando boa viagem. "não esquece, o sorvete de frutas vermelhas é o mais gostoso", ele escreveu. aline com certeza se lembraria disso.
aline voltou pra casa num sábado à tarde. quando chegou no condomínio, três amigas já estavam à sua espera. as meninas ajudaram-na a descarregar as bagagens do carro e foram convidadas por patrícia, a mãe de aline, a entrar em casa. juntas, enquanto conversavam sobre todas as novidades dessa última semana, as quatro adolescentes desfizeram a mala de aline, separaram as roupas para lavar e guardaram tudo o que precisava ser guardado. quando aline foi tomar banho, bianca correu até a sala para conversar com a mãe da amiga. enquanto isso, carol mandou mensagem pra rafael e tati foi até o salão de festas do condomínio. assim que o chuveiro foi fechado, bianca voltou para o quarto de aline e ficou conversando com carol como se nada tivesse acontecido. quando lica percebeu que tati não estava mais ali, estranhou. as meninas inventaram uma desculpa qualquer e convenceram aline a acompanhá-las até o parquinho do condomínio. ela não queria ir, sentia-se cansada da viagem e preferia ficar em casa. mas até mesmo os seus pais insistiram para que ela fosse se divertir e matar a saudade dos outros amigos, então ela aceitou o convite.
bianca e carol estavam agindo de maneira esquisita, mas como aline não conseguiu encontrar nenhum motivo pra isso, preferiu deixar pra lá. assim que passaram em frente ao parquinho, aline perguntou se elas não iam parar. carol respondeu prontamente que iam até a casa de tati, perto do salão de festas, para ver se a amiga podia sair novamente. quando elas estavam a pouquíssimos passos da porta do salão, as luzes se acenderam e, em uníssono, diversas pessoas gritaram "PARABÉNS, LICA!". aline levou um susto tão grande que quase tropeçou. com um misto de vergonha, alegria e irritação por ter sido enganada, ela começou a chorar. as amigas correram para abraçá-la - inclusive tati, que foi quem acendeu a luz do salão de festas.
os pais de lica, que sabiam da surpresa desde antes mesmo da viagem acontecer, também apareceram. visivelmente emocionados, eles abraçaram os amigos da filha, agradeceram a demonstração de carinho, disseram para aline aproveitar a festa sem hora pra voltar pra casa e foram embora. quando conseguiu conter as lágrimas e conversar com os amigos, lica descobriu que a ideia toda havia sido de rafael. ele e bianca combinaram os detalhes com os pais de aline e organizaram, junto com os outros amigos do grupo, essa festinha surpresa. "eu sei que você não queria uma festa normal, mas não dava pra gente deixar essa oportunidade passar", ele disse. aline sentiu seu coração bater mais forte. rafael puxou-a para um abraço e, dessa vez, foi diferente de tudo o que ela já havia sentido antes. até o perfume que ele sempre usava parecia mais cheiroso. lica sentiu as bochechas arderem.
já passava das dez horas da noite quando o grupo começou a arrumar o salão para ir embora. aos poucos, os amigos foram se despedindo e voltando para suas casas. quando tati percebeu que restavam apenas cinco pessoas ali, disse para bianca e carol que elas precisavam deixar lica e rafael sozinhos. "é hoje, gente, eu tenho certeza! rafinha precisa tomar uma atitude de uma vez por todas!". ao passar por rafael, carol lançou-lhe um olhar que dizia claramente pra ele não perder aquela oportunidade. assim que ficaram sozinhos, rafael respirou fundo. "lica", ele chamou. aline olhou pra ele com uma ansiedade quase palpável. seu estômago estava retorcido, como se houvesse uma família de borboletas morando ali dentro.
"vamos conversar lá fora?", rafael perguntou. eles apagaram as luzes, trancaram a porta do salão e foram para o parquinho. sentaram-se lado a lado, um em cada balança. por regra do condomínio, maiores de 12 anos não poderiam ficar ali, mas eles sabiam que ninguém fiscalizava depois das 22h00. lica pensava nisso enquanto olhava para os próprios pés, tentando controlar o nervosismo, quando percebeu que rafael a encarava. com muito esforço, ela o encarou de volta. por mais que sempre tivesse se sentido completamente à vontade ao lado dele, aquela era uma situação completamente nova. aline sequer entendia tudo o que estava sentindo. assim que percebeu que ele iria falar alguma coisa, por impulso, ela falou antes: "o sorvete de frutas vermelhas foi o melhor que eu já comi". rafinha começou a rir.
- eu tô há dez minutos criando coragem pra falar uma coisa séria e, quando eu finalmente consigo, você me diz uma coisa dessa. aline do céu!
- o que foi? - ela perguntou, querendo rir, porém um tanto constrangida. suas bochechas estavam queimando novamente. por sorte, a luz da lua não era forte o suficiente para iluminá-la naquele momento. - desculpa... o que você ia falar?
- você jura que não sabe? - rafael queria rir, mas dessa vez era de nervoso. ele estava olhando fixamente dentro dos olhos dela. eram os olhos mais lindos que ele já tinha visto, apesar do seu tom de castanho completamente comum.
sem dizer nada, aline caminhou até um banco de madeira e chamou-o para sentar-se ali junto com ela. o coração de rafinha batia tão forte que ele tinha certeza que aline podia escutá-lo. sentados de frente um para o outro, em silêncio, eles encararam-se por alguns segundos. lica estava muito ansiosa, ela ainda não se sentia pronta para ouvir o que quer que rafael tivesse a dizer. mas ela sentia que queria a mesma coisa que ele. sendo assim, a menina inclinou-se alguns centímetros para frente, chegando mais perto de rafael. "desde quando?", ela perguntou. rafinha abriu um sorriso, o que fez o coração de aline saltar até a boca. "acho que desde sempre... mas no dia que você comeu todo o açaí depois de eu passar na prova de geografia foi que eu tive certeza", ele respondeu. aline gargalhou, essa resposta foi muito melhor do que ela estava esperando! sem pensar muito, ela fechou os olhos e projetou o corpo para frente, encostando os seus lábios nos dele.
esse não foi o primeiro beijo de nenhum dos dois, mas com certeza foi o mais especial até o momento. aline percebeu que rafinha sempre havia sido mais do que um amigo. por mais que não tivesse identificado isso antes, ela realmente também gostava dele de um jeito diferente. eles ficaram juntos ali no parquinho por mais uns quarenta minutos, conversando, dando risada e trocando beijos e abraços. rafael não queria se separar, mas aline estava caindo de sono. ela precisava mesmo descansar depois de um dia tão intenso. caminharam de mãos dadas até a casa 48, onde lica morava, e despediram-se com um selinho tímido. antes de dormir, ainda trocaram algumas mensagens de texto. rafael adormeceu com um sorriso de orelha a orelha pensando na última mensagem que ela enviara. "amo açaí e sorvete de frutas vermelhas, mas prefiro você. boa noite, a gente se vê amanhã! ❤️".
sábado, 28 de março de 2020
você assistiu errado, tenta de novo!
se você não assistiu ainda e não quiser ler spoilers, eu sugiro que você pare por aqui. e sugiro com ainda mais insistência que você assista a esse filme pra ontem porque ele é, de longe, um dos meus preferidos da vida inteira ♡
no filme, pra um morto conseguir atravessar a ponte pro mundo dos vivos e visitar a família, a foto dele precisa estar nesse altar. sem a foto, a passagem dele é barrada. além disso, pra que esse morto não desapareça pra sempre, ele não pode ser esquecido no mundo dos vivos. ou seja, a lembrança dele do lado de cá é o que faz ele continuar existindo do lado de lá. pois muito que bem.
já no mundo dos mortos, depois de mil encontros, desencontros e reviravoltas, miguel conhece seu tataravô e descobre que, se não voltar urgente pro mundo dos vivos, o tataravô vai sumir. isso porque a única pessoa da família que ainda tinha lembranças dele era filha, que é a bisavó do miguel, e ela já tava bem velhinha e perdendo a memória.
contando com a ajuda de todos os familiares no mundo dos mortos, miguelito consegue retornar e é aí que a gente tem a cena mais emocionante do filme. com um violão, contrariando todas as regras da família no mundo dos vivos, ele canta pra bisavó a música que o tataravô compôs pra ela. assim, ele reacende a memória da véinha, que volta a lembrar do pai dela com mais força. e a bisavó chora. e o miguel chora. e os outros familiares (que não queriam que ele tivesse cantado) choram. e você que tá assistindo chora MUITO.
a princípio, parece uma cena meio angustiante, porque se todo mundo tá chorando então a coisa é triste. mas a consequência disso é que o tataravô não foi esquecido e, portanto, não desapareceu. ou seja: FICOU TUDO BEM. daí o tempo passa, a bisavó também falece e a gente vê pai e filha juntos, se abraçando e sorrindo, no mundo dos mortos. miguel colocou a foto do tataravô no altar, então dessa vez todos os familiares falecidos conseguem atravessar a ponte pra comemorar essa data ao lado da família. eles dançam, cantam, brincam, dão risada... o filme termina feliz!
na minha perspectiva, um dos pontos do filme é mostrar que essa é uma data positiva, que é uma forma muito bonita de celebrar a vida de quem já partiu e de manter viva a lembrança daqueles que já não estão mais aqui. mas teve muita gente falando que era uma das histórias mais tristes que a pixar já tinha feito, que não tinha condição de rever etc etc etc.
você aí que ficou tão impactado com a cena emocionante a ponto de não conseguir perceber a mensagem positiva que o filme deixa, vamo assistir de novo? garanto que você não vai se arrepender!
eu assisti pela primeira vez em 2018, achei incrível e amei cada segundo. fiquei bem sentida com a história, mas de um jeito bom. me emocionei com a determinação do miguel e achei linda a forma como a família dele volta a se entender depois de tanto tempo, sem contar no sorrisinho que eu abri quando vi que, no final do filme, ele tava lá bem pleno tocando seu violão. mês passado eu assisti de novo e gostei mais ainda! terminei de ver muito mais feliz do que eu tava antes de começar.
se você ficou triste quando viu, tenta mais uma vez. essa belezinha merece! ♡
sábado, 18 de janeiro de 2020
sorrir pra não chorar
antes de sair de casa pra trabalhar eu já tava mal humorada. não tem como ser feliz vendo esse monte de notícia ruim às 7h da manhã.
se tudo corresse bem, meu trajeto de casa até o trabalho - e vice-versa - durava 1h15. como isso raramente acontecia (bem-vindo à cidade de são paulo!), normalmente eu passava quase 3h/dia só nesse ir e vir. não há bom humor que aguente esse tempo todo em pé, num transporte caro, precário e lotado, ouvindo que a água gelada tá 2 reais e tendo que dar licença pra pastor maluco pregar gritando na orelha de todo mundo. socorro.
daí que eu perdi a vontade de fazer as coisas. basicamente, eu tava seguindo em frente porque não tinha outra opção. fiquei triste, desanimada, desacreditando de tudo. a vida tava pesada, ficou difícil mesmo. em 2019 eu só reclamei. quando alguma coisa boa acontecia, eu era a pessoa que falava (ou pelo menos pensava, quando não dava pra externalizar) "tá, MAS...". sabe? tava foda.
e eu tentava evitar ser uma pessoa horrível e ranzinza, então fazia piada e sorria o tempo todo. fingia que tava tudo bem, mas na verdade eu queria gritar.
o problema é que 2020 mal começou e já tá uma desgraça MAIOR do que o ano passado. aí fica complicado demais pra uma pobre mortal tentar encontrar positividade no meio desse mar de horror que a gente tá vivendo. me sinto até mal de tentar ficar feliz quando tá tudo dando tão errado. e o mais bizarro é que, aparentemente, as coisas não vão melhorar mesmo. daqui pra frente é só ladeira a baixo.
mas como não posso me afundar mais nas bad vibes (e pra não dizer que não tentei!!), vou tentar ser mais grata pelo que eu tenho, pelo que acontece de bom na minha vida e na vida das pessoas que eu amo. quero tentar recobrar um tantinho da fé nas pessoas, que eu perdi completamente. quero sentir coisas positivas - e me agarrar nisso - quando eu ver alguém fazendo algo de bom por outra pessoa ou pelo planeta... enfim. essas coisas que a gente costuma esquecer rápido porque tá muito ocupado prestando atenção nos absurdos que acontecem o tempo inteiro.
sábado, 22 de dezembro de 2018
stuck on a roller coaster
pra 2019 eu só quero continuar fazendo tudo o que tá dando certo e parar de fazer o que não funciona tão bem assim. só isso. vamos viver sem grandes pretensões além de ser feliz. acho que tá bom, né? tomara que daqui um ano eu volte e diga que as coisas foram melhores do que eu poderia imaginar. :)
espero que, apesar de todos os altos e baixos que sempre se fazem presentes, o ano de vocês também tenha pendido pro lado positivo da balança. e desejo mesmo, de coração, que todo mundo seja cada vez mais feliz!
vem, 2019! (mas vem com carinho, não precisa chegar com os dois pés no peito não, tá? grata desde já.)
sexta-feira, 14 de dezembro de 2018
beletrista
minha última aula foi em junho, porque teve greve na faculdade, mas em julho eu terminei de entregar todos os trabalhos finais e muito tempo depois, só em setembro, eu finalmente assinei minha colação de grau.
fiquei muito tempo pensando que eu deveria escrever sobre isso, porque foi um pedaço imenso da minha vida e porque eu não perdia tempo pra vir aqui falar mal do curso, dos colegas, dos professores etc. mas eu travei. comecei vários textos, mas larguei todos pela metade. eu não tava conseguindo me expressar, não sabia muito bem o que dizer.
mas basicamente é isso: depois de 09 semestres (um a menos do que o tempo padrão!) eu finalmente posso dizer em alto e bom som que sou graduada em letras pela usp, com habilitação dupla em português e inglês.
eu escolhi esse curso porque não sabia o que queria fazer da vida (agora eu acho que tô começando a descobrir). na escola, eu via meus amigos falando com certeza que queriam ser advogados, engenheiros, arquitetos, médicos... e eu só conseguia pensar "mas COMO você já sabe disso se a gente só tem 16 anos????". me senti pressionada a escolher, comecei a achar que o problema tava em mim, que talvez não levasse o meu futuro tão a sério ou sei lá.
fui pelo caminho mais óbvio: pensei nas matérias que eu gostava de estudar, vi em quais delas o meu desempenho era melhor e corri pro guia do estudante pra ver se me surgia uma luz no fim do túnel. no fim das contas, entrei na letras porque cismei que queria trabalhar com tradução. dei uma olhada na grade do curso e não entendi nem metade das matérias, mas achei que tava tudo bem. ia continuar estudando umas coisas que eu gostava e é isso, tava ótimo.
primeiro semestre e eu já tava querendo me esconder num buraco porque PELO AMOR DE DEUS NÃO É POSSÍVEL QUE É ISSO AQUI, socorro, alguém me ajuda etc. eram só quatro matérias: uma sobre ilíada e odisseia (eu nem sabia o que era isso), outra sobre linguística (eu também não tinha a menor ideia), a outra falava sobre a origem da língua portuguesa desde o protoindo-europeu (o quê?????) e sobre variação e preconceito linguístico, e a última era sobre poesia (que tinha tudo pra ser possível, estudar métrica, rima etc, mas o professor achou de bom tom colocar alunos recém saídos do ensino médio pra ler filósofo francês).
a carga de leitura do primeiro ano é tão grande que não tem aula de sexta feira, pro aluno dar conta de ler tudo o que os professores pedem.
eu não via a hora de começar logo a estudar gramática, mas esse dia nunca chegou. o primeiro banho de água fria com a letras veio quando eu descobri que esse tipo de coisa não fazia parte da grade curricular. aí você talvez esteja se perguntando: "mas se você não estudou gramática, você estudou o quê????". olha... muita coisa.
estudei livros clássicos gregos e latinos, muita literatura brasileira, muita literatura portuguesa, literatura americana, literatura inglesa, literatura africana de língua portuguesa e, de quebra, ainda li obras armênias, caribenhas e irlandesas. nesses quatro anos e meio eu li muitos romances, contos, poemas e peças de teatro nos dois idiomas. consequentemente, tive que ler muito texto teórico e de análise literária. e isso significa que também tive que estudar filosofia e história. cursei latim, cultura armênia, cultura italiana e pensamento da índia antiga. estudei sintaxe, morfologia, semântica, fonética e fonologia tanto em português quanto em inglês. também estudei teorias do texto e análise do discurso. cursei sociolinguística, psicolinguística e filologia. estudei teoria da tradução e tive muitas aulas práticas. fiz uma matéria de escrita criativa e, no final das contas, meu conto de ficção acabou sendo publicado na revista da faculdade (se quiser ler, tá aqui, na página 105).
por mais que eu tenha feito uma lista imensa, só dizer "os nomes" das matérias não faz jus a tudo o que eu aprendi nesse curso. estudar letras me enriqueceu muito como pessoa. tive contato com muita coisa que abriu meus olhos e me fez enxergar além do que eu conhecia. é óbvio que nem sempre eu gostava das aulas ou dos professores, mas o tanto de coisa incrível que eu estudei compensa as partes ruins.
quando eu decidi que queria ser tradutora, eu não imaginava que mudaria de opinião tantas vezes a respeito da minha carreira. pensei que eu entraria na faculdade, leria uns livros, estudaria língua portuguesa e inglesa e terminaria focada em traduzir. eu não fazia ideia do tanto de coisa diferente e incrível que a letras ia me proporcionar. não foi por isso que eu escolhi fazer o curso, mas foi por isso que eu escolhi continuar até o final.
pode ser que eu tivesse mais sucesso financeiro se tivesse feito qualquer outra coisa. ou que eu tivesse mais prestígio, que as pessoas olhassem pra mim e pro meu diploma com mais respeito e admiração. mas nada disso supera o calorzinho no coração de ter concluído uma graduação riquíssima, que efetivamente me deixou realizada e orgulhosa de mim e do que eu escolhi.
apesar de toda a parte ruim, eu digo com tranquilidade que é uma delícia ser beletrista.
quarta-feira, 21 de novembro de 2018
ah, se ela soubesse...
sexta-feira, 3 de agosto de 2018
20. pra fechar o curso com chave de ouro
| como não amar um homem que usa MEIA DE RAPOSA? |
eu tenho 0 interesse em estudar poesia, mas o último semestre é aquele momento em que você cursa o que tiver disponível pelo simples motivo de PELO AMOR DE DEUS DEIXA EU ME FORMAR!!! então corri o risco. primeiro dia de aula e só então foi que a turma (que era bem pequena, umas 20 pessoas no máximo) descobriu que o professor era nativo americano. foi um misto de yay! com deus me dibre e guarde. aí o moço contou que nasceu nos eua, mas a família é cubana então a primeira língua dele é espanhol e, por isso, ele tinha um nível mais ou menos ok de português. terminei a primeira aula animadíssima porque por mais que eu odiasse a ideia de passar um semestre estudando poesia em língua inglesa eu já tava decidida a amar este homem.
as aulas foram passando e eu só gostava dele cada vez mais, não tinha 01 defeito pra botar no professor. fofíssimo como pessoa, dava vontade de sentar pra tomar cafézin junto. a aula era boa, era divertida, ele realmente se interessava em ouvir os alunos e queria saber nossa opinião sobre várias coisas. o único problema é que essa matéria era dada às 8 da manhã às segundas feiras...... e, sendo assim, muita gente faltava. eu me sentia mal de faltar, porque aconteceu várias vezes de ter só umas dez pessoas na sala e ele obviamente já tinha decorado o nome de todo mundo, então eu me obrigava a ir hahaha mas eu nunca me arrependi :)
por conta da greve na faculdade, o método de avaliação foi um único trabalho de análise literária sobre o romantismo inglês. além de esse ser um tema insuportavelmente chato, eu sou HORRÍVEL analisando poesia. fiz um trabalho mental pra conseguir me convencer a continuar gostando do professor mesmo se eu tirasse uma nota média, porque a culpa de ir mal teria sido minha e não dele (tão fácil falar que o professor te deu nota ruim em vez de admitir que você fez um trabalho meia boca!), mas a cereja do bolo foi eu ter tirado 8!!!!!!!!! e ele ainda devolveu os trabalhos comentados ponto a ponto, justificando a nota e tudo mais. QUE HOMEM.
agora o bonitinho já voltou pros eua e quem não fez aula com ele infelizmente perdeu uma baita oportunidade. ele ficou pouco porque veio pro brasil pra estudar, se eu não me engano ele é especialista em romance latino-americano, daí aceitou o convite da faculdade pra assumir essa matéria. sentirei saudades reais do meu professor preferido da graduação todinha ♡ (e só dele mesmo, do resto eu quero mais é me distanciar!)
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fun fact: ele era VICIADO em guaraná zero (disse que o normal era muito doce) e passou uma aula inteira falando sobre isso sempre que surgia a oportunidade. e às vezes quando não surgia também, ele tava impossível, botava o refrigerante no meio do assunto a cada dez minutos. ^^
quinta-feira, 7 de junho de 2018
07 anos de pura resiliência
quinta-feira, 17 de maio de 2018
19. criança também é gente
lembrando que eu não sou formada em pedagogia, nem faço licenciatura, o que significa que a faculdade me preparou 0% pra lidar com crianças. pois bem.
tem esse menino que eu dou aula, o pedro. ele tem 07 anos. ele é um dos alunos que mais dão trabalho lá na escola (só não digo que é o pior de todos porque tem uma pequenininha que faz tanto escândalo chorando que alguns alunos já trocaram de horário só pra não estarem lá no mesmo momento que ela, mas ele fica fácil em segundo lugar no ranking).
"e qual é o segredo?", você me pergunta. pois eu te digo: é tratar o menino com educação e respeito, em vez de perder a linha. simples assim. :)
no dia em que ele me fez chegar no meu limite, eu botei a mãozinha na consciência e pensei "eu não vou me descontrolar com esse menino, ele só tem sete anos. tem muito adulto que me irrita tanto quanto e eu mantenho a pose, por que com ele tem que ser diferente? o bichinho é pequeno mas também é uma pessoa, né? se sou capaz de me controlar com adultos insuportáveis, por que não com as crianças?". e aí o pedro se transformou. ele passou de reclamão irritante pra um menino incrível.
pedroca realmente não é das crianças mais "fáceis" do mundo, daquelas que você manda e desmanda e a criança apenas te obedece, sem questionar. ele é inteligente e faz questão de saber os motivos de tudo o que acontece. por que aquela lição, por que ele tem que fazer as coisas de um jeito e não de outro, por que por que por que. e ele bate o pé e reclama sempre que não quer fazer alguma coisa, mas é só falar com o menino normalmente, respeitando a pessoinha que ele é, que tudo se ajeita.
antes o pedro ficava de cara feia a aula inteira, contando os minutos pra acabar e poder ir embora. ele mal respondia quando a gente perguntava alguma coisa. agora a gente conversa, brinca, dá risada e ele faz a aula feliz, porque se sente confortável naquele ambiente em que ele é bem tratado. pedroca virou uma das minhas crianças preferidas. <3
terça-feira, 20 de março de 2018
88 anos, 8 meses e 14 dias
sábado, 6 de janeiro de 2018
laranja, amarelo e azul
quarta-feira, 30 de agosto de 2017
memória olfativa e seus mistérios
quarta-feira, 26 de julho de 2017
eu caí no golpe do instagram
quarta-feira, 19 de julho de 2017
sobre o que realmente importa
terça-feira, 9 de maio de 2017
17 e 18. fazendo amigos no transporte público
daí que eu fiz "amigos" no ônibus esses dias.
eu tava de boinhas sendo meu livro até que sentou um adolescente do meu lado. a mãe dele tava junto e ficou em pé. falei pra moça que eu ia levantar pra ela sentar, porque tinha outro banco vazio e era só eu mudar de lugar. ela disse que não precisava, que não queria sentar. tentei voltar a ler o livro, mas o menino me ofereceu uma bisnaguinha pra comer. quis dar risada pelo absurdo da situação, mas só agradeci e voltei pra minha leitura. aí a mãe dele perguntou se eu podia abrir a janela, apesar de estar chovendo. ela fez uma piadinha sobre a água, eu dei risada por educação e desisti de voltar à leitura, porque percebi que aqueles dois não iam me deixar quietinha no meu canto.
guardei meu kindle na mochila e fui limpar meu óculos, porque as lentes estavam cheias de pinguinhos d'água (tomei chuva antes de chegar no ponto de ônibus). aí a mãe do menino começou a puxar assunto comigo - eu demorei pra perceber que era comigo, ignorei as primeiras duas frases da mulher - e contou que precisava fazer exame de vista, que o pai dela usava óculos e deveria ser hereditário. eu sorri, disse apenas "é, faz sim.." e acenei. ela continuou falando. daí o menino finalmente entrou na conversa e, desde então, não ficou quieto nem por um segundo.
primeiro ele me perguntou como eu fazia pra assistir a filmes 3d no cinema, já que uso óculos. depois, não sei como, o assunto mudou totalmente e ele me contou o dia dele inteirinho na escola. falou onde estuda, em qual série ele tá, qual matéria ele gosta, o que ele tinha comido no lanche... eu não sabia o que responder, só fiquei dando risada mesmo. primeiro porque rir é o que eu faço quando fico sem reação, segundo porque achei mesmo tão bizarro ele me falar tudo aquilo sem eu perguntar que dar risada foi meio natural. depois ele me contou onde mora, quantos ônibus pega pra chegar em casa, disse que tem um fluxo de funk na rua da casa dele de fim de semana que faz o ônibus mudar de rota e isso atrapalha o bairro todo... enfim. foram 30 minutos de ladainha. às vezes eu encorajava o menino a continuar, porque não dava mais pra fugir, às vezes eu me desligava da conversa e perdia uns dois minutos de fala. e assim fomos da hora em que eles entraram no ônibus até o ponto final, onde nós todos descemos.
eu não suporto conversar com quem eu não conheço no transporte público, mas também não consegui cortar o papo do menino e da mãe dele. os dois eram tão simpáticos que eu não pude evitar.
se eu preferia ter ficado quietinha lendo meu livro? definitivamente. se eu gosto de pensar na possibilidade de encontrar os dois de novo e retomar essa conversa? jamais. mas não foi de todo ruim. deu pra ver que eles ficaram felizes de encontrar um ouvido disposto a escutar tudo o que eles tinham pra dizer, ainda que não fossem lá grandes coisas.
vai ver a minha cara de poucos amigos não é tão eficiente quanto eu pensei que fosse...
sábado, 8 de abril de 2017
16. "sabia que eu sou tagarela?"
no nosso primeiro dia juntas ela já começou me avisando que não parava de falar. sendo ela uma criança muito sábia, tinha consciência de que já era melhor me avisar logo no começo que ela era tagarela mesmo e eu não podia fazer nada a respeito, apenas aceitar a vida como ela é. e a menina realmente não para de falar nem por um segundo, é impressionante. às vezes fico meio agoniada, porque vai dando a hora do pai dela chegar pra buscar os filhos e ela ainda não terminou as lições, mas nada que um "nina, seu pai vai chegar daqui a cinco minutos!" não resolva ;)
o tanto de risada que eu dou com essa criança não tá escrito! aliás, ela mesma já fala rindo porque sabe que é engraçada, por mais que às vezes eu tente manter a compostura pra ver se com a minha cara de séria ela se convence a parar de graça e voltar a fazer os exercícios. spoiler: nem sempre funciona. ¯\_(ツ)_/¯
é incrível o quanto a gente se apega rápido quando a criança é cativante, né? parece que a gente se conhece há tempos, de tanto que eu gosto dela. são cinquenta minutos juntas ensinando, aprendendo e rindo sem parar. é muito mais do que só o inglês. ela me pergunta o significado das palavras que não conhece (esses dias ensinei pra ela o que era uma empadinha e o que significava chamar uma pessoa de abelhuda) e ela me ensina como fala algumas coisas em coreano. eu obviamente não aprendo nada, mas ela se convence de que é uma ótima professora mesmo assim. aliás, a criatividade da menina é tanta que ela me ensinou como se desenha um porquinho sem usar nem lápis nem papel, só descrevendo quais os traços se deve fazer pro porco aparecer. achei genial, porque eu realmente consegui visualizar um porquinho na minha cabeça hahaha
às vezes eu me arrependo um tantinho por ter aceitado esse estágio de auxiliar de professora, é cansativo pra caramba passar a tarde inteirinha corrigindo lição e tirando umas dúvidas absurdas dos alunos que na maioria dos casos nem queriam estar ali. mas aí eu lembro que se não tivesse começado a trabalhar ali eu provavelmente jamais teria conhecido essa pequena maravilhosa e fico mais aliviada. nem sempre eu tô motivada a ir pro trabalho feliz, mas pelo menos de terça e quinta eu tenho um gás a mais, porque sei que a nina vai estar lá pra me proporcionar os melhores momentos da semana.
ela não faz a menor ideia disso, mas sempre que pega na minha mão ou me conta alguma coisa aleatória sobre o dia dela na escola o meu coração fica quentinho, quentinho. :)







