segunda-feira, 22 de setembro de 2014

volta às aulas

118 dias, quase 4 meses, de paralisação na faculdade. funcionários, professores e alunos formando a maior greve da história da universidade com união dos três setores, em que os grevistas saíram vitoriosos. a causa foi justa, eu concordo com a luta deles e fiquei satisfeita em ver que o reitor teve que "dar o braço a torcer" depois de tanto bater o pé em sua ideia fixa - e maluca - de cortar tudo o que fosse possível e deixar os trabalhadores sem o dinheiro que lhes é de direito. mas poucos sabem o tamanho do meu alívio quando finalmente foi decretado o fim da greve e o retorno à sala de aula <3

voltei feliz e empolgada sim, apesar de todas as possíveis adversidades. eu não aguentava mais ficar em casa me sentindo inútil, eu tava morrendo de saudade de aprender coisas novas e de ter textos enormes pra ler e matérias confusas pra estudar. mesmo que acordar as 5 da manhã, pegar trem lotado e ônibus e depois dividir a classe com gente presunçosa e sem noção não seja algo muito animador, nada disso foi capaz de estragar o meu primeiro dia de aula pós greve infinita. e não tinha como ser diferente. dentre 2874 opções de curso e de universidade, aquela foi a que eu escolhi pra passar, pelo menos, cinco anos da minha vida. se eu não estivesse empolgada pra retornar, algo estaria absurdamente errado...

agora eu terei aula direto até janeiro (ou fevereiro, depende de cada docente) e, mesmo sabendo que minha cabeça pode entrar em parafuso por causa da correria com as matérias e dos inúmeros trabalhos e provas, eu tô confiante de que vou chegar ao final do meu primeiro ano da graduação bem orgulhosa de mim e da escolha que eu fiz. :')

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

coffee shop au

aquela era uma tarde fria, em que o vento gelado bagunçava o cabelo das meninas e causava um arrepio desconfortável nas nucas descobertas da maioria dos homens. o céu cinza se misturava aos prédios altos e monocromáticos, deixando um clima melancólico no ar. mas a população parecia não se importar com nada disso, talvez todo mundo já estivesse acostumado. todo mundo, menos ela.
bianca saiu de casa vestindo dois casacos e um cachecol de lã, porque o frio a incomodava intensamente. sua casa parecia um iglu, então ela resolveu que precisava caminhar até a cafeteria mais próxima pra aquecer seu corpo e sua alma com alguma das bebidas de lá. apressou seus passos pra não dar muita chance ao vento que batia forte contra o seu rosto e sentiu um grande alívio quando fechou atrás de si a porta da cafeteria. lá dentro estava tão confortável e quentinho que seus casacos já não se faziam necessários. após alguns minutos parada em frente ao quadro na parede, que servia de cardápio, ela se decidiu por um cappuccino do maior tamanho e por um pedaço de bolo de banana. só de estar em um lugar colorido, com cheiro de café e com pessoas falantes e, aparentemente, felizes ao seu redor, ela já se sentia melhor. bianca se dirigiu ao caixa, fez seu pedido e, após alguns instantes, ela já estava sentada em sua mesa de canto esquentando as mãos ao segurar seu copo. 
quando seu cappuccino já estava pela metade e seu bolo quase chegando ao fim, um garoto alto e de cabelos escuros entrou na cafeteria. seus olhares se cruzaram por uma fração de segundo e então ele foi ao balcão pedir seu chocolate quente. o menino sentou em uma mesa próxima a de bianca e tirou da mochila um livro de capa verde, que ela reconheceu instantaneamente, já que se tratava de um dos seus três preferidos no mundo. um sentimento engraçado foi crescendo dentro dela, um calor maior do que aquele proporcionado pelo café quente. seus olhos se iluminaram e ela sentiu que precisava conhecer melhor aquele garoto. tomada por uma coragem que surgiu sem mais nem menos, bianca o chamou e, interrompendo a sua leitura, começou a puxar assunto com ele. os dois se afinaram logo de cara e, em pouco tempo de conversa, já haviam descoberto várias coisas em comum. eles combinaram de se encontrar outras vezes naquela mesma cafeteria e um amor enlouquecedor cresceu entre os dois. 
tudo se passou tão rápido e repentinamente que bianca parecia estar sonhando. e, na verdade, ela estava mesmo. no ápice de um dos beijos apaixonados entre o casal, a menina acordou. estava deitada no sofá de sua casa, enrolada em uma coberta grossa para se proteger do frio que fazia. seu sentimento de frustração duplicou quando ela percebeu que, além de não ter realmente conhecido o suposto amor da sua vida, o clima lá fora estava igual ao de seu sonho. cinza e sem graça, do jeito que ela menos gostava. bianca fechou seus olhos com força e tentou ao máximo retornar pro sonho de onde ela jamais gostaria de ter saído, mas seu esforço foi em vão. vencida pelo cansaço, ela se levantou e foi até a cozinha tomar uma xícara de café. pelo menos o calor causado pela bebida quente poderia ser fielmente reproduzido na vida real.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

calma, mantenha a calma

há uns 2 anos, minha vida deu uma mudada legal. e eu já disse isso aqui infinitas vezes, mas gosto sempre de lembrar. foi uma das melhores coisas que já aconteceram comigo - apesar de eu ter sofrido pra caramba antes de eu me dar conta disso. enfim. uma das consequências dessa mudança é que eu decidi que evitaria ao máximo repetir os mesmos erros. se fosse pra errar, que acontecesse então de uma maneira nova, sem saber de antemão que aquilo não seria bom e tal. e, por isso, eu decidi que tinha que me controlar bem mais, já que grande parte dos meus desconfortos anteriores tinham sido causados pelo meu jeito explosivo e impulsivo. decidi que tinha que tentar viver sem me exaltar tanto, sem gritar, sem dar piti. e até que eu consegui amadurecer e melhorar bastante nesse quesito. mas o problema é que eu ainda sinto vontade de fazer tudo isso, ou seja, eu ainda não tô no nível em que eu queria estar na questão do auto controle. por mais que eu consiga respirar e ficar quieta, o que eu queria mesmo era xingar aos berros e chorar até não poder mais. queria brigar, queria discutir, queria me descontrolar. mas sei que não devo, logo, não faço. de vez em quando ainda dou umas respostas atravessadas, faço umas caras feias, falo umas grosserias. mas nada comparado ao que eu costumava fazer. 

eu tô relendo uma série de livros agora e a minha personagem preferida é passional e descontrolada. tudo pra ela é motivo pra sair distribuindo socos, chutes e xingamentos. quanto mais eu leio, mais saudade eu sinto de ser um pouquinho assim. por mais que eu esteja incrivelmente feliz e em paz com esse meu jeito mais contido, os sentimentos malucos ainda estão todos aqui dentro. e eu acho que não gosto tanto assim de guardá-los, sem despejar pra fora tudo o que eu tô sentindo. mas em vez de voltar a ser descompensada, acho que eu preciso encontrar outra forma de me "esvaziar". será que meditação funciona? :)

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

shit happens

por mais que você planeje, organize e deixe tudo certo pra que algo aconteça, quando não é pra ser, simplesmente não é. alguma coisa, por menor que seja, vai entrar no seu caminho e vai fazer com que tudo dê errado. e, às vezes, você não tem como controlar.
o que você pode fazer é tirar proveito da situação. é preciso entender que as coisas fogem da nossa alçada de vez em quando e é preciso enxergar o lado positivo, seja ele qual for. senão você acaba ficando maluco e desconta nos outros as suas próprias frustrações. 

a culpa não é de ninguém. não é sua que esqueceu algo em casa e teve que voltar. nem do elevador que nunca parava no seu andar. e nem do motorista à sua frente que estava um pouquinho devagar demais (na sua opinião, é claro) e então aquele farol fechou. se, no final das contas, você se atrasou e perdeu seu voo: paciência. acontece. pode ser que se você tivesse entrado no avião, algo de ruim acontecesse. ou não, também. você não tem como saber. o que importa é que ninguém consegue mudar o que já tá feito. o que nos resta a fazer numa hora dessas é engolir o choro, respirar fundo e aguardar o próximo voo. 

sábado, 26 de julho de 2014

assusta, mas encanta

o ser humano é uma coisa louca. todo mundo é presumidamente tão igual, mas ao mesmo tempo tão completamente diferente. cada um é único, cada um tem as suas próprias particularidades, cada um consegue ser a exceção em determinado aspecto.  e, ainda assim, todo mundo é capaz de se identificar com outro alguém - ou outros vários alguens - em infinitos pontos. 
por sermos seres pensantes, é incrível a quantidade de coisas maravilhosas que a gente consegue realizar. e, por esse mesmo motivo, é bizarro pensar na quantidade de destruição que a gente presencia por aí. a galera se deixa contaminar por um ódio cego e sai disseminando cada vez mais a discórdia, a guerra, a injustiça, a falta de amor (próprio e pelo próximo)... 

mas deixando tudo isso de lado e olhando só a parte boa, o ser humano é apaixonante! trazemos em nós tudo aquilos que somos, aquilo que fazemos, aquilo que gostamos, aquilo pelo qual passamos. estejam essas coisas estampadas no nosso corpo ou escondidas no nosso interior. 
cicatrizes, tatuagens, rugas, cabelos brancos, olhos tristes, sorrisos largos. trejeitos, tiques nervosos, vícios de linguagem, gestos inconscientes. uma pessoa é composta por tudo isso e muito, muito, muito mais. somos um emaranhado de sentimentos malucos e conflitantes que podem transbordar, mas que também podem viver aprisionados sem que ninguém perceba que nós estamos sentindo tais coisas. somos um contraste ambulante. vivemos mudando de opinião e de aparência. podemos ser vários em um só.

eu amo os detalhes que formam uma pessoa. os contornos do rosto dela, a maneira como as unhas dela são cuidadas (ou totalmente desleixadas), se ela fala com você te olhando nos olhos ou olhando pro que há em volta, se ela sorri mostrando os dentes ou não, a forma como ela cruza os braços, se ela consegue manter o foco em um único assunto ou se fica se interrompendo pra falar de outras coisas... tudo isso é tão importante! mesmo que pra maioria das pessoas isso não tenha relevância. é tão mais interessante reparar nesse tipo de coisa em vez de ficar procurando os supostos "defeitos" alheios. e daí se a pessoa tá acima do peso pré estabelecido pela mídia como o ideal? e daí se o cabelo dela não tá do jeito que você gosta? e daí se aquela roupa não é o que você considera como adequado? nada disso deveria receber tamanha atenção. nada disso deveria ser motivo pra alvoroço e crítica.

apesar de me assustar cada dia mais com o grau de maldade e de loucura que existe por aí, eu também me encanto cada dia mais com a beleza que existe dentro e fora de cada um de nós. torço muito pra que um dia a humanidade consiga se consertar e aí, quem sabe, o lado bom de todo mundo vai ser bem maior do que o ruim. 

quinta-feira, 24 de julho de 2014

no final das contas, sempre vale a pena

Certo dia, em uma terça-feira qualquer, Gustavo saiu de casa pra comprar pão. Não porque estivesse com fome, ou com vontade de ir. Simplesmente porque era isso que ele fazia todas as tardes. Há alguns anos sua mãe havia lhe designado essa função e, desde então, Gustavo faz isso sem pestanejar ou pensar a respeito. 
Todos os dias, no mesmo horário, o garoto pegava a mesma quantidade de dinheiro e se encaminhava pra mesma padaria, localizada na esquina de sua rua. Em questão de doze minutos ele já estava de volta à sua casa, colocando as compras sobre a mesa da sala, onde seria servido o café da tarde dentro de alguns instantes.

Especificamente nessa terça-feira qualquer, a rotina de Gustavo se modificou. Ao se aproximar da habitual padaria, ele se deparou com os portões fechados. Por cerca de dois segundos, ele ficou sem reação. "Como assim eles fecharam sem me avisar?", pensou o garoto. Então ele se deu conta de que havia um discreto cartaz colado na porta que deveria estar aberta. Andou em direção ao papel e leu a seguinte explicação: "ESTAMOS DE LUTO. Reabriremos normalmente amanhã". Gustavo sentiu-se envergonhado, já que se irritara por algo tão bobo enquanto aquelas pessoas haviam perdido algum ente querido. 

O menino lembrou-se da outra padaria mais próxima dali e sentiu um certo desconforto quando percebeu que demoraria pelo menos vinte minutos para chegar lá. Gustavo respirou fundo, conteve seus pensamentos raivosos e começou a caminhar rapidamente. Se ele se atrasasse demais, sua mãe ficaria preocupada. Apesar de sua tentativa de não se incomodar com a situação, o garoto não conseguia parar de reclamar. "Todos os dias eu faço a mesma coisa, nada nunca muda. Por que justo hoje as coisas saíram do controle? Eu sei, os donos da padaria estão passando por uma situação delicada, eu não deveria estar reclamando disso, é só uma caminhada a mais (...)".

Envolto em seus pensamentos, ele nem viu o tempo passar. Quando se deu conta, a padaria estava há apenas uma faixa de pedestres de distância de Gustavo. Ele se dirigiu à ela, entrou no estabelecimento e, pra sua surpresa, deu de cara com Camila, uma antiga colega de classe por quem ele fora secretamente apaixonado durante um ano inteiro. Um instante se passou e então a menina abriu um largo sorriso. Os olhos de Gustavo se iluminaram quando ele percebeu que ela ainda se lembrava dele. Os dois se cumprimentaram e conversaram rapidamente. Nesse meio tempo, ele descobriu que Camila também comprava pão para sua mãe todos os dias, no mesmo horário e na mesma padaria, assim como ele. Essa simples coincidência fez com que o garoto se sentisse estranhamente feliz. 

Camila se despediu de Gustavo - ela já estava de saída quando ele chegou. Após um rápido beijo na bochecha (que fez com que ele ficasse vermelho como um tomate), ela disse :
- Nos vemos amanhã? Gostei de te reencontrar! 
- É claro que sim! respondeu ele, sem conseguir conter seu misto de felicidade e surpresa.

Ainda com um ar sonhador estampado em seu rosto, Gustavo fez suas compras e voltou pra casa. No meio do caminho, tudo o que conseguia pensar era em como havia sido injusto com o Universo aquele dia. "Eu reclamando de ter que andar demais quando, na verdade, o motivo disso tudo foi a Camila. Ah, se eu soubesse!". Ao passar em frente a padaria de sua rua, com as portas fechadas, ele disse baixinho:
- Desculpa, gente, mas é impossível competir com uma padaria que me faz ver a menina mais bonita do mundo. Não vai dar mais pra eu comprar meus pães aqui...
E então ele continuou andando até em casa, chegando a conclusão de que nem tudo que sai do nosso planejamento é uma coisa ruim. Às vezes a coisa é boa até demais. 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

the lord is testing me

às vezes acontecem umas coisas que não parecem reais. eu fico até procurando as câmeras e aguardando alguém aparecer pra me dizer "olha ali o cinegrafista, é pegadinha, relaxa". infelizmente ninguém aparece e eu sou obrigada a admitir que minha vida poderia muito bem ser um daqueles filmes ruins que a gente assiste e depois se arrepende das 2-3h perdidas em frente à tela...
ainda bem que eu aprendi a lidar (mais ou menos) com esse tipo de maluquice. ignoro uns 90% do que poderia me fazer mal. quanto ao resto - os malditos 10% que chegam a me atingir - eu jogo rapidinho num lugar bem famoso chamado lixeira. não vale a pena, não me importa, não há motivos pra guardar dentro de mim. 
aí eu finjo que não aconteceu, que tudo continua exatamente como estava e minha felicidade não se abala. :)


quem é vivo
sempre aparece
no momento errado
para dizer presente
onde não foi chamado
Paulo Leminski