sábado, 6 de agosto de 2016

50 tons de azul

mês passado foi um dos melhores messes desse ano - se não o melhor! -, sem dúvida alguma. julho de 2016 pode e vai ficar marcado pra sempre na minha vidinha por diferentes razões, mas eu poderia resumir tudo em um único termo e dizer que, acima de qualquer coisa, esse foi um mês repleto de primeiras vezes. 



a mais especial de todas (e que rendeu muitas outras primeiras vezes, já que foi tipo um combo delas todas) foi a minha viagem de férias. pela primeira vez, viajei com o meu dinheiro, sem precisar da ajuda financeira dos meus pais. meu namorado e eu tiramos quinze dias de férias do trabalho e fomos sozinhos e juntinhos passar uma semana em porto seguro, brincando de lua de mel mesmo.



pegamos quase sete dias de praia em pleno inverno, porque nosso país é tropical, abençoado por deus, bonito por natureza e coisa e tal. porto seguro não tem lá muita coisa pra fazer, mas ô lugar bonito aquele! a cada praia diferente era um suspiro a mais. e estar ali, com os pés na areia quente, debaixo do sol brilhante no meio do céu azul, sentindo a tal da brisa do mar batendo no rosto e o vento bagunçando todo o meu cabelo, enquanto eu segurava a mão da melhor pessoa de todas, sem mais ninguém com a gente, como se o mundo fosse só nosso, foi uma das sensações mais gostosinhas da minha vida.



nosso despertador tocava cedo, pra gente não perder o café da manhã. depois de comer a gente se trocava, enchia o corpinho de protetor solar (porque uma hora a gente aprende a não dar bobeira pras queimaduras de sol), entrava no nosso carrinho alugado que era bem nota 7/10 mas foi um companheiro e tanto e ia pra algum lugar diferente, lindo e azul. azul vibrante, esverdeado, acinzentado. azul do céu, do mar, da piscina, das roupas do meu namorado. um tom mais bonito que o outro, sempre fazendo os meus olhos brilharem.

a gente conheceu várias prais lindas, comeu um zilhão de coisas deliciosas (saudades, sorvete do coelhinho!), descansou de todo o stress acumulado por conta do trabalho e da faculdade, se aventurou pelas ruas desconhecidas da cidade e aproveitou ao máximo essa vida maravilhosa de casal que viaja sozinho e transborda amor por todos os poros. 



minha primeira viagem feita com o meu próprio dinheiro me rendeu uma quantidade enorme de outras primeiras vezes. ir pra porto seguro, comer bobó de camarão, ver uma estrela cadente, beber uma cerveja com 10% de álcool (e odiar), estar no mercado e acabar a luz, assinar meu nome no check-in de um hotel, ver uma bicicleta no meio do mar, pegar a maré tão baixa que dá pra andar pela água na altura do tornozelo até chegar num banco de corais (desviando de todos os ouriços do mundo), comer bolo de tapioca, atravessar um rio a pé pra chegar em uma praia... etc etc etc. 

de vez em quando as lembranças dessa viagem surgem na minha mente e é como se eu me teletransportasse pra lá instantaneamente, enquanto eu revivo por pensamento as nossas aventuras em terras baianas. a semana passou tão rápido, mas ao mesmo tempo durou uma eternidade. foi tempo suficiente pra eu confirmar que é assim que eu quero passar o resto da vida, rindo e dando a mão pra minha pessoa preferida de todas. 


digamos que durante aquela semana eu estivesse com esse sorrisão estampado na minha cara o tempo inteirinho (menos quando ficamos uma hora e meia dentro do carro sem ar condicionado ou rádio funcionando, debaixo do sol, na fila da balsa pra ir até a outra cidade. aí eu fiquei bolada). 

sexta-feira, 24 de junho de 2016

12. uma surpresa feliz

as pessoas entram na nossa vida com diversos propósitos, alguns bem claros, outros mais misteriosos, alguns ficam por uma eternidade, outros vão embora depois de pouquíssimo tempo... enfim, cada história é diferente, mas se a gente prestar atenção, todas elas têm sua importância. e foi pensando nisso que eu percebi o quanto uma pessoa supostamente aleatória, que não causa nenhum impacto realmente marcante no meu dia a dia, entrou na minha vida com uma missão importantíssima: me ensinar que é essencial dar uma segunda chance pros outros.

conheci esse ser humano não lembro quando, não lembro como. só sei que foi por intermédio de amigos em comum. logo de cara, achei esquisito. um jeitinho problemático, insuportável, que não me descia de forma alguma. eu olhava pra pessoa e só conseguia pensar "qual a necessidade disso, hein?", não via muita razão pra continuar ali, interagindo. era muita presunção, muito "eu sou a melhor pessoa do planeta e vocês, reles mortais, devem se curvar a mim". ou pelo menos era assim que eu enxergava...

a nossa convivência nunca foi muita, mas o número de amigos em comum só crescia - não dava pra fugir, então aceitei. aos poucos, fui vendo um outro lado. mas bem aos poucos mesmo, o processo foi bem demorado. por muito tempo, eu senti bastante antipatia. achava que aquela postura não era real, que era tudo fingimento, um personagem. depois, isso me fez pensar que se eu tinha antipatia pelo personagem, então talvez eu fosse gostar da pessoa real, aquela por baixo dos panos. e foi o que aconteceu, mesmo.

algumas situações aleatórias nos aproximaram, nós acabamos conversando sozinhos, sem ter ninguém por perto, e eu vi que o ser humano por trás daquela máscara de arrogância era uma pessoa muito legal. uma pessoa completamente diferente do que eu imaginava. uma pessoa que merecia uma segunda chance, por mais que eu sempre sinta uma certa dificuldade em fazer isso.

hoje em dia não somos próximos, inclusive estamos longe disso, mas quando a gente se encontra é sempre uma coisa boa. fiquei feliz por ter queimado a língua! toda aquela empáfia da pessoa se transformou num poço de carinho e simpatia, hoje dá pra ver nitidamente o quanto eu me enganei (mas a culpa não é só minha não, já que a carapaça grossa e arrogante realmente esteve lá durante muito tempo).

já disse pra essa pessoa cara a cara que não era muito fã dela, mas também disse cara a cara que minha opinião mudou completamente. descobrir a verdade por trás do véu foi uma surpresa e tanto! :)

terça-feira, 17 de maio de 2016

felix felicis

às vezes eu acho que você tem gosto de café quentinho numa manhã fria, que me abraça por dentro e me dá a coragem necessária pra encarar aquele dia de frente. mas há momentos em que você também tem gosto de tequila (com limão e sal, claro), e desce quente, rasgando, num gole único e impactante; capaz de deixar as minhas pernas bambas, até. pensando bem, na maior parte do tempo você tem gosto de suco de morango, mesmo - docinho na medida certa, ideal pra mim.

quando estamos juntos eu sinto uma mistura louca de sensações, todas intensas e sobrepostas. mas quando você vai embora, eu sempre fico querendo mais. não me contento nunca. independente do sabor, eu não quero parar de beber. essa sede nunca morre.

minha vontade é de te engolir e te deixar guardado dentro de mim, protegido de tudo. mas sejamos sinceros: quem me protege das coisas ruins é você, aquele que me passa confiança até nos momentos mais absurdos. se eu segurar a sua mão, tá tudo bem. mesmo que eu morra de medo, ou que eu pense que não consigo, com você eu vou. bebo de olhos fechados (pode ser que eu dê uma espiadinha, mas bebo ainda assim).

obrigada.

fonte

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

sobre o dia em que eu mais ri na minha vida

acredito que a história se passe em outubro de 2012. ou talvez eu esteja confundindo as coisas e isso tenha ocorrido em algum momento do começo de 2013. o fato é que fui viajar com a minha família pra bombinhas, uma praia de santa catarina que é, provavelmente, um dos nossos lugares preferidos no mundo inteiro. meus pais viajam pra lá desde que meu irmão mais velho, que tem quase trinta anos (!), era pequeno. é tipo nossa segunda casa, só que num lugar absolutamente mais bonito do que são paulo. como a gente realmente vai muito pra lá, ainda mais agora que meu irmão tá morando numa cidade relativamente lá perto, é absolutamente compreensível que eu não consiga definir muito bem a data em que isso aconteceu. enfim.

meus pais, meu irmão, minha cunhada, a filha dela e eu saímos pra jantar. ainda lembro que eu usava uma camiseta laranja com um shorts azul escuro, estampado de corações brancos. e nossa janta envolveu uma quantidade assustadora de camarões nesse dia (saudades, inclusive). mas não sei dizer exatamente porque paramos na loja de conveniência de um posto de gasolina antes de voltarmos pro hotel. o que eu sei é que:::

meu irmão foi pra casa com a família dele, eu tava só com meus pais. entramos na loja, olhamos umas coisas, aí minha mãe foi ao banheiro e meu pai foi no balcão pedir um café. eu continuei procurando alguma tranqueira diferente que talvez valesse a pena comprar (aparentemente, não achei). eis que eu vejo que meu pai tá conversando com uma mulher que eu não reconheci. papai é realmente muito simpático, daqueles que faz amizade com as pessoas em questão de segundos, mas dava pra ver de longe que ele não tava confortável com a situação. daí que eu comecei a encarar os dois, né. de repente, sem mais nem menos, a moça deu um soco no braço dele. de um jeito amigável, dando risada e tal. mas, como eu disse, ela era desconhecida. meu pai tava em choque. eu fiquei em choque. "por que diabos tem uma maluca batendo no meu pai no meio da loja de conveniência do posto de gasolina?????? e nem é na cidade em que a gente mora??????".

e eu me aproximei dos dois, sem entender absolutamente na-da. meu pai tava rindo, mas ao mesmo tempo ele tava com cara de total desespero, tava estampado na testa dele o pedido de socorro. quando eu cheguei perto, ouvi a mulher dizendo "é claro que você é o pavão! você é ele, não é? lógico que é!". demorou um tempinho, mas aí eu entendi: meu pai tava sendo confundido com outra pessoa. mas a moça tinha plena convicção de que ele era sim obviamente com toda a certeza o bendito do homem conhecido como PAVÃO. ela tava tão confiante que perguntou pra mim e pro atendente "gente, é o pavão esse aqui, não é?" e continuou incrédula quando eu disse que não. o atendente provavelmente tava entendendo menos do que nós, mas as moças do caixa, ah... elas tavam rolando de rir.

então eu comecei a rir também. discretamente, pra moça não ficar sem graça, mas aquilo tudo tava tão surreal que eu não fui capaz de manter a pose. minha mãe voltou do banheiro já rindo um pouquinho e perguntando o que tava acontecendo, porque de lá ela sabia que tinha algo rolando. eu não me aguentei e corri pro fundo da loja, pra poder dar risada. mas não foi uma risadinha normal, contida, discreta. foi uma gargalhada tão alta e tão natural que as lágrimas escorriam sem parar pelo meu rosto, minha barriga já tava doendo e eu não conseguia parar. a moça que me perdoe pela falta de sensibilidade para com ela, porém: tava impossível.

gente... segundo ela, o tal do pavão era um instrutor (ou dono, já não sei mais) de academia, novo, bombado. meu pai, na época, tava beirando seus sessenta aninhos. não que ele seja um senhor acabado, mas ele também tá longe de ter corpo de ~maromba~. como é que a moça tava jurando de pés juntos que eles eram a mesma pessoa??????? e, pra melhorar, meu pai pensou que fosse uma pegadinha quando a mulher abordou ele daquela forma, tão espontânea, como se conhecesse ele desde sempre. MEU PAI PROCUROU AS CÂMERAS DENTRO DA LOJA, de tanto que ele tava em choque jurando que aquilo não era real HAHAHAHAHAHAHAHAHAH

eu nunca ri tanto quanto nesse dia. nada na minha vida superou o grau cômico dessa cena. uma mulher maluca, desconhecida, abordando meu pai em outra cidade por achar que ele era um tal de pavão professor de academia. é aquele tipo de coisa que parece piada, que parece invenção, mas que AINDA BEM que é verdade. se eu pudesse voltar no tempo, eu cogitaria reviver esse momento, viu? QUE COISA MARAVILHOSA, meus amigos.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

9. "você é amiga do cobrador daquele ônibus?"

pego praticamente os mesmíssimos ônibus todo dia, então os motoristas e cobradores já me conhecem. nem todos são simpáticos, mas tem um cara que é tão fofinho que vale por uns dez. é o cobrador do ônibus que eu pego pra voltar da faculdade. fala com todo mundo, tá sorrindo o tempo todo, puxa uns assuntos... bem gracinha. 

já achava ele um amor só por causa dos "bom dia, moça! como você tá? faz tempo que não te vejo" se eu ficasse mais de dois dias sem aparecer, mas depois que ele me fez uma boa ação sem que eu sequer soubesse, o mocinho se tornou minha pessoinha preferida nesses transportes públicos da vida.

deixa eu explicar: uma amiga minha, maravilhosa, me deu um botton incrível de presente. coloquei na mochila na mesma hora. dali uns dias, percebi que o bonitinho tinha sumido. como eu não sabia onde ele tinha caído, procurei em casa mesmo. não achei pelo meu quarto, fiquei tristinha por ter perdido o presente e cheguei a pensar até que tinha sido roubado, porque ele é mesmo muito maravilhoso.


aí, quando eu já tinha até esquecido disso, o botton apareceu. uma moça da minha faculdade, que eu só "conheço" do ônibus mesmo, me parou esses dias pra perguntar se ele era meu. disse que sim, fiquei super feliz e perguntei onde ela tinha encontrado. pois não é que a moça disse que foi o tal do cobrador quem tinha achado e guardado pra mim? :D

já fazia quase uma semana que eu não pegava o ônibus no horário dele. naquele mesmo dia, quando fui passar pela catraca, antes mesmo de eu conseguir agradecer, ele me disse "a moça te entregou?". achei tão fofo que quase levei ele pra casa <3

obrigada, moço! pela gentileza, pela simpatia e pela educação de sempre. fico feliz quando a gente se encontra :)

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

8. o professor mais picareta que eu já tive

estudei na mesma escola por sete anos, da quinta série ao terceiro colegial. desde o ano em que eu entrei até o ano em que eu saí, eu só tive um único professor de biologia. desde que a matéria se chamava ciências, inclusive. o nome dele não será citado aqui por motivos de bom senso, então chamaremos o mocinho de júnior apenas.

menino júnior é um cara muito legal, bem daquele tipo de professor que todo mundo adora mesmo. os alunos se sentiam à vontade pra conversar, contar coisas, fazer brincadeiras... ele era amigo da gente. e isso era muito bacana, mas a gente só foi perceber tarde demais que também era uma coisa muito ruim.

sendo júnior um cara falante e engraçadão, durante 85% da aula a gente não produzia nada. ficávamos conversando, falando bobagem, dando risada. e conteúdo que é bom: nada. mas quando se está no colegial (antes do terceiro ano, claro), isso é o que o aluno mais quer. um professor que entra na classe, dá 10 minutos de aula e fim, cabô. e o cara sabia conquistar a confiança dos alunos! quando ele sentava com você pra conversar, ele te contava todas as fofocas que ele sabia, envolvendo os outros alunos. você, se fosse mais besta, ia cair na lábia dele e, em algum momento, contaria algo seu também. esse algo, obviamente, seria espalhado pra escola em questão de dias. eu, sabendo disso desde o princípio, desconversava de tudo o que ele me perguntava e apenas aproveitava as infos sobre a vida alheia. 

ALIÁS, fazendo aqui um (parênteses) pra contar um causo: certo dia, do nada, surgiu um boato meio tenso no intervalo das aulas. uma menina, anos mais velha que eu, estava grávida. foi uma tremenda comoção, não tinha uma única pessoinha falando de outra coisa que não isso aquele dia. depois de um tempo, descobriu-se que o pai da criança era um menino também da escola, que era meu conhecido. nossa reação (minha e dos meus amigos) ao descobrir esse casal inusitado foi: gargalhar. gargalhar e achar uma tremenda incoerência a ideia desse cara, que mal dava conta de si, criando um filho. mas como nada aconteceu, surgiu outro boato de que tudo tinha sido apenas um alarme falso, a mocinha não tava esperando um bebê. algum tempo depois, nosso queridíssimo professor de biologia, conversando com a minha classe, acabou contando que, na realidade, não tinha sido um alarme falso. tinha sido tipo um golpe da barriga mesmo. e a ideia tinha sido dele, do professor!!!!! o bonitão achou que seria de bom tom aconselhar a mocinha que queria ~segurar o boy~ a forjar uma gravidez. ANOS SE PASSARAM E EU AINDA NÃO ME CONFORMO COM O ABSURDO DESSA HISTÓRIA HAHAHAHA

mas ok, voltando ao cara... pra não dizer que ele nunca fez nada de bom quanto professor, eu garanto que todos os alunos do meu ano (e eu arrisco dizer que todos os alunos da escola) sabiam absolutamente bem a matéria de genética. afinal de contas, o cara só. ensinou. isso. do primeiro ao terceiro ano do colegial. a cada série nova, ele acrescentava umas informações a mais a respeito daquele mesmo assunto e fim, essa foi toda a matéria que tivemos no colegial ^^ (mas foi bem o que caiu na minha prova escrita da fuvest, ou seja, OBRIGADA PROF!!!)

além disso, esse cara inventou um trabalho final genial! os alunos do colegial, nas três séries, faziam apresentações de final de ano no teatro, pra toda a escola assistir. os temas eram escolhidos por ele e normalmente envolviam 1) doenças 2) coisas polêmicas (drogas, aborto...). como todo mundo assistia, eram feitas várias apresentações (por serem vários grupos apresentando e por serem várias pessoas assistindo), o que significava que no dia reservado pra cada classe, esses alunos não assistiam aula nenhuma. a turma a se apresentar chegava cedo e ia direto pro teatro, pra arrumar a decoração e preparar os últimos detalhes antes do início das apresentações. pra melhorar ainda mais, não sei como menino júnior conseguiu, mas esse trabalho tinha nota unificada pra todas as matérias. então se o seu grupo fosse bem, você já tinha quatro pontos garantidos pra ajudar a salvar todo o seu boletim do último bimestre. os professores de exatas odiavam essa dinâmica, já que ela livrava vários alunos da recuperação, mas a gente amava tanto que não sei nem explicar! 

eu já tive vários professores ruins (acho importante dizer que "ruim" tem várias categorias, já que cada um pode ser bosta por motivos diferentes), mas picareta que nem esse: nunca vi nenhum. é um absurdo pensar que eu nunca aprendi quase nada além das leis de mendel. biologia é uma das matérias mais interessantes, existe todo um universo a ser estudado e o cara lá, falando todo dia toda aula todo ano da mesma coisa e só. mas confesso que sinto saudade dele. querendo ou não, era super divertido descobrir em primeira mão um monte de fofoca besta das outras classes!


sábado, 22 de agosto de 2015

devaneios sobre um fim de semana qualquer

sabe quando você sente vontade de escrever sobre uma coisa específica, mas não consegue transformar aquilo num texto? sim, você sabe. todo mundo sabe. todo mundo já teve essa sensação esquisita de não saber como concretizar em forma de palavras uma ideia que se tem na cabeça. mesmo que seja no meio de uma prova de redação na escola, mesmo que seja na hora de tentar dizer algo pra alguém. mesmo que seja um post besta que nem esse, sobre um fim de semana qualquer.

me deu vontade de registrar um fim de semana, assim como eu já fiz outras vezes. esse aqui nem teve nada de especial, eu nem fiquei super feliz radiante empolgada agradecendo aos céus etc durante todos os minutos. foi bem normal, nada que já não tenha acontecido antes e que não vá se repetir várias vezes ainda. mas mesmo assim, sem nenhum motivo realmente bom, eu quis escrever sobre. só que eu tô ensaiando esse texto há dias e: nada. não sei por onde começo, não sei como eu conto as coisas, não sei como eu estruturo o texto, não sei quais coisas eu deixo de fora e quais coisas não podem faltar... e por aí vai.

a única coisa que eu sei é que eu não ia me aquietar enquanto não tivesse feito isso, mesmo que eu não me contente com o resultado final. coloquei na cabeça que eu queria fazer isso, que eu precisava fazer isso, que eu ia fazer isso. e agora eu tenho três parágrafos introdutórios falando sobre algo que nada tem a ver com o que virá nos parágrafos seguintes - eu espero. relendo o que tá escrito e pensando nessa mistureba de ideias soltas, muito me espanta que minhas notas em redação (incluindo vestibulares) sempre tenham sido tão boas. é difícil de acreditar que alguém que não consegue escrever sobre algo que sente vontade - e está enrolando há três parágrafos pra começar de fato - conseguia criar textos bons sobre assuntos normalmente chatos e desinteressantes. 

nem sempre era simples escrever. dependendo do tema (e do quanto eu entendia ou não sobre ele), o esforço pra preencher o número mínimo de linhas exigido podia ser gigante. mas tá muito mais complicado vir aqui e falar que, num fim de semana qualquer, eu fui numa festa e vi dois filmes novos. como se isso fosse surreal e impossível de descrever. como se eu já não tivesse ido a várias festas iguais e assistido a outros filmes esquisitos. nada de novo sob o sol. talvez o bloqueio na hora de escrever esteja um tantinho surpreendente, mas de resto: tudo mais do mesmo. a festa foi na sexta, um dos filmes foi no sábado e o outro foi no domingo. tudo assim separadinho organizadinho pra ficar ainda mais fácil na hora de contar. teoricamente né, porque a gente já vendo que na prática isso não adiantou de nada. 

acho que agora chegou a hora de tentar realmente. começar do começo me parece uma boa ideia, já que seguir a ordem cronológica tende a facilitar. sendo assim, comecemos pela festa. na verdade, pelo que aconteceu algumas horas antes dela. ainda na minha casa, escolhi qual roupa eu usaria, separei mais algumas coisas, guardei tudo numa mochila, peguei um ônibus e fui pra casa do namorado (não que essas informações sejam essenciais pra narrativa, mas achei importante registrar). chegando lá, teve beijo teve abraço teve amor teve o billy teve a revista superinteressante teve panqueca de janta. ah, teve coisa pra caramba. e teve a gente saindo antes das 20h pra pegar o trem e ir pro local da festa, longe longe longe, e chegar na hora marcada. chegamos. é claro que não tinha quase ninguém lá, as pessoas não cumprem horários. ficamos no frio, esperando esperando esperando. 

por que a gente tinha hora marcada pra chegar? porque meu namorado ia tocar nessa festa. o boy faz parte da bateria da faculdade dele, era uma cervejada da faculdade, a bateria ia tocar na festa, os integrantes deveriam entrar todos juntos. enfim, entramos. o lugar era esquisito, bem caído na verdade. mas eu fui de graça (vantagens de se namorar a atração da festa, meus caros), então não tinha muito do que reclamar. e era open bar, just for the record. ao longo da noite, a festa foi ficando cada vez mais e mais cheia de gente. quando chegou o momento de prestigiar o boy tocando seu repinique (ou seja lá qual o nome daquele tambor), a casa tava lotada. de cima do palco, eu enxergava um mar de gente cantando junto e pulando ao som das músicas de cunho duvidoso da faculdade do namorado (faculdade essa que não terá seu nome citado, mas fiquem vocês sabendo que: os alunos de lá idolatram, as pessoas de todos os outros lugares - eu inclusive - não são muito fãs... é uma coisa de louco). a bateria foi o ponto alto da noite, mas não posso negar que tirar uma foto com um anão famoso (que eu não conhecia) também foi divertido.

namorado artista e eu ficamos por lá até dar o horário do metrô abrir, por volta de 4h30 da manhã. na volta, passamos num habibs pra encher a pancinha e comemos várias esfihas. e bebemos o suco de maracujá mais doce da história da minha vida, que horror. e deixamos pra trás nossas canecas, coisa que só percebemos tempos depois, já no metrô. essa parte foi triste, a gente tava colecionando :( eu já disse que o lugar era super longe? pois digo de novo, de tão longe que era. a gente tava há mais de dez estações de metrô de distância de onde desceríamos pra fazer transferência pra outra linha, era muita coisa. sendo assim, é claro que deu tempo de dormirmos. e é claro que, quando acordamos, demoramos um tantinho pra perceber que tínhamos perdido nossa parada e já estávamos umas quatro estações pra frente. só nessa brincadeira demoramos mais meia hora pra chegar em casa, foi ótimo. rolou até corrida na rua pra ver se chegávamos mais rápido. entramos em casa, escovamos o dente, colocamos o pijama, deitamos na cama, ficamos abraçadinhos e dormimos. tudo isso em menos de dez minutos.

no sábado, assistimos pulp fiction. todo mundo ama, eu não gostei. não vou me estender, mas achei o filme todo sem pé nem cabeça - mesmo que todas as cenas sejam interligadas e se expliquem. genial, porém não faz meu tipo. namorado ficou ofendido, porque é o filme preferido da vida dele. a parte que eu mais gostei foi aquela em que ocorreu uma discussão sobre cachorros e porcos serem animais sujos ou não, OU SEJA. e domingo foi dia de ver 50 tons de cinza. péssima escolha, por motivos óbvios. ninguém tava esperando um filme bom, a gente só não tava esperando um filme tão ruim também. duas horas e nada acontece, duas horas e nenhum diálogo bom, duas horas e pura vontade de desligar a tv. nós até arriscamos assistir de cabeça pra baixo, pra ver se ficava um tantinho mais animado. não ficou, mas rendeu umas risadas legais. por conta disso, rolou uma tentativa de fechar um dos olhos pra ver se a legenda, de ponta-cabeça, ficava mais nítida. também não ficou. 

e foi isso. deixei tanta coisa de fora desse texto que nem parece que foi o mesmo fim de semana. não falei da comida que fizemos, não falei das gargalhadas que nós demos. bom, agora eu falei... mas mesmo sem falar sobre tudo, isso aqui ficou imenso. tão grande que, fosse essa uma redação de vestibular, os corretores sentiriam preguiça de começar a ler. e ficariam confusos com a falta de coesão. e me dariam uma nota baixa pelo meu desempenho. e deixariam de lado o fato de que eu tive de me esforçar de um jeito maluco pra conseguir devanear dessa maneira sobre um fim de semana qualquer, mas que eu gostei muito de ter vivido.