quarta-feira, 26 de julho de 2017

eu caí no golpe do instagram

convenhamos que já faz muito tempo que eu tô na internet né, gente (não que fosse tudo mato quando eu cheguei, mas ainda era um lugar relativamente em construção). então me custa um pouco admitir que eu caí no golpe mais ridiculamente detectável de todos os que existem nessa famigerada rede mundial de computadores: o da vida perfeitamente feliz.

não é de hoje que a gente sabe que não dá pra confiar em tudo que a gente vê online, ainda mais no instagram. mas mesmo assim eu me deixei enganar. o twitter tá aí pra gente reclamar da vida, o facebook é um lixão a céu aberto, mas o instagram é uma desgraça!!! porque ali ninguém posta foto feia, ninguém coloca a parte ruim. é só comida gostosa, roupa bonita, role legal, viagem.. 

e que quantidade absurda de viagem, hein? eu fico com a impressão de que sou a única pessoa da história do brasil que tá em casa, absolutamente todas as outras tão viajando e se divertindo e conhecendo um monte de lugar lindo enquanto eu tô presa nessa rotina bosta de trabalho. 

só que a parte bizarra é que EU SEI que a vida de ninguém é assim tão maravilhosa. eu mesma só posto no instagram o que eu considero legal, não coloco foto minha em pé no ônibus às 20h30 chorando de fome. tem foto minha e do boy cheios de amor, tem selfie bonita de quando a autoestima tava alta, tem foto antiga de quando eu tava pagando de gatinha na praia. mas foto minha perdendo mais de uma hora no banco pra resolver um problema com o cartão é claro que não vai ter. a regra implícita do instagram é que ali a gente só expõe a parte boa.

e ainda assim, mesmo tendo plena consciência disso, eu fico mal vendo as fotos. mesmo que o meu próprio feed só tenha a parte bacana. parece que a vida de todo mundo é muito mais legal, muito mais interessante, muito mais divertida. a galera tá dando role na europa, tá conhecendo o brasil, tá indo pra restaurante caro. e eu tô na mesa do trabalho rolando as fotos e curtindo todas (todas mesmo, sou dessas que dá like indiscriminadamente) com aquele sentimento amargo de "não é possível que só eu tenha essa vidinha mais ou menos". 

já diria o ditado: todo mundo vê as pinga que eu bebo, mas não vê os tombo que eu levo. o problema é que, nesse momento, o que eu sinto é que só eu levo tombo. parece que a vida das pessoas só tem a parte da pinga. 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

sobre o que realmente importa

eu sou 100% meninas que não conseguem viver o presente e ficam pensando incessantemente sobre o futuro (ansiedade né, que coisa boa), então é óbvio que eu já tenho um milhão de planos - e que eu não tenho necessariamente a pretensão de colocar todos eles em prática, porque sou ansiosa mas não sou tão trouxa assim e já me basta de decepção nessa vida. 

daí que eu separo esses planos em algumas categorias. tipo: "meta de vida", "seria muito legal mesmo se de repente isso acontecesse em algum momento", "farei quando terminar a faculdade", "quero antes dos 30", e coisa e tal.

um dos meus planos pra um futuro de preferência próximo (digamos que a categoria desse seja "o mais rápido possível mas tudo bem se for daqui a alguns anos a vida é assim mesmo") é pegar minha mochilinha, dar a mão pro boy e caçar um cantinho pra chamar de nosso em algum lugar longínquo desse mundão de meu deus. e na verdade nem precisa ser tão longínquo assim, ali no uruguai eu já me dou por satisfeita, mas o plano é que o nosso cantinho se encontre em terras estrangeiras. 

preciso fazer um adendo pra dizer que amo d+ a minha terrinha, então mesmo querendo muito ir morar fora (porque afinal de contas o mundo é muito grande e não tem a menor graça passar a vida inteira no mesmo lugarzinho sendo que tem tanta coisa incrível pra ver por aí) eu pretendo voltar obviamente pois brasilzão véio de guerra melhor país de todos apesar dos apesares etc etc etc.

eis que eu e o digníssimo senhor boy estávamos conversando sobre como seria a nossa vida morando em outro país e começamos a pensar em coisas sérias, tipo como a gente ia fazer pra pagar as contas, que tipo de visto a gente ia precisar pra entrar nesse tal outro país e ficar morando lá ("mas será que já dá pra entrar com visto de trabalho sem ter um trabalho antes???"), esse tipo de coisa. até que a gente se deparou com a maior das nossas agruras e já começamos a pensar em soluções pra superar esse transtorno, mas ainda não sabemos como driblar de vez esse obstáculo.

no momento a nossa maior preocupação é: E O PÃO FRANCÊS? COMO QUE A GENTE VAI VIVER SEM PÃO NA CHAPA DE MANHÃ MEU DEUS DO CÉU ISSO NÃO VAI SER NADA FÁCIL

porque convenhamos que não ter como se manter em outro país é um problema grave, mas não ter aquele pãozinho francês esperto pra matar a fome de manhã é um problema GRAVÍSSIMO!

sábado, 15 de julho de 2017

torta de climão

título alternativo: o dia em que três adultas não deram conta de convencer uma única criança de 5 anos

eu falei no post sobre a nina (melhor pessoinha que esse mundo já viu) que eu dou aula pra ela e pra giovanna, né? só que agora a nina já tá toda independente, não precisa mais de atenção exclusiva, ela senta junto com os outros alunos e eu faço meu trabalho normalmente, só fico do lado dela porque afinal de contas a menina tem 6 anos e ainda precisa de auxílio em alguns momentos.

mas a giovanna ainda tá um tantinho longe de atingir esse mesmo grau de independência. ela ainda senta separada e eu preciso ficar unicamente com ela, porque tem dias que nem no lápis a criança quer pegar direito. mas enfim, não entrarei em muitos detalhes sobre isso porque senão eu fico nervosa hahaha

o fato é que as duas tem aula de terça feira. a gi vem as 16h e a nina vem as 17h. as duas fazem inglês e matemática aqui na escola, mas elas não se encontram. enquanto uma tá no inglês, a outra tá na matemática. só que nessa ultima terça a nina precisou vir mais cedo e ninguém se deu ao trabalho de avisar essa mudança pra nós, professoras do inglês (organização mandou dois beijos!), então as duas chegaram ao mesmo tempo, as 16h.

pra facilitar a vida de todo mundo, falei com a coordenadora pra trocar o horário da matemática da giovanna - a nina já tinha feito, então não tinha como alterar nada dela. a coordenadora concordou e a professora da matemática foi comigo buscar a gi, mas a criança simplesmente se recusou a ir. não queria fazer matemática de jeito nenhum, tinha que ser o inglês primeiro. a mãe dela - que também faz aula - simplesmente se limitou a dizer “ah, ela é assim mesmo, bem sistemática”. e depois fez a pêssega, fingiu que a criança não era filha dela e fez a própria lição bem linda enquanto a menina causava um climão.

já que ela não queria fazer a matemática, a professora se ofereceu pra acompanhar a giovanna no inglês mesmo - assim eu conseguiria corrigir a lição dos outros alunos e a outra professora do inglês não ficaria sobrecarregada (tá difícil de entender como funciona a escola né, eu sei, às vezes nem eu entendo). pois a criança se recusou de novo. tinha que ser inglês primeiro e tinha que ser comigo, não aceitou fazer com a outra professora dela. pra vocês terem uma ideia, nem respondendo mais ela tava. parecia que a criança tinha travado, uma coisa meio piripaque do chaves e tal.

daí a coordenadora da escola tentou intervir conversando com a giovanna, mas não teve jeito de convencer a criança. no fim das contas a gente fez o que ela quis: primeiro a aula de inglês e comigo, sem ninguém pra atrapalhar. e, por incrível que pareça, esse foi o dia em que ela mais produziu. e ainda ganhei um abraço no final da aula. NÃO ENTENDI NADA.

é por causa dessas coisas que eu repenso umas milhões de vezes a minha vontade de ser mãe. se lidar com o filho dos outros já é difícil, imagina com a minha própria cria??? porque a criança alheia a gente devolve pros pais quando a coisa complica, mas a nossa não dá pra mandar embora, né? foda. 

sábado, 8 de julho de 2017

aplicando a técnica da surdez seletiva

eu poderia real abrir uma categoria aqui só pra registrar os diálogos surreais que eu tenho com os meus colegas de trabalho. o pessoal é legal, eu gosto deles, mas pra sobreviver naquela empresa eu preciso abstrair pelo menos uns 70% do conteúdo das conversas senão eu fico louca. é bem naquela vibe "sorri e acena", sabe? não dá, não consigo. fico concordando com a cabeça e de vez em quando dou umas risadas, mas sem realmente ouvir o que tão me falando, porque aquelas pessoas falam cada absurdo que nem parece de verdade.

só pra contextualizar, eu trabalho numa escola num bairro de gente rica. interpretem essa informação como quiserem.

tem uma moça que trabalha comigo (que será chamada mais pra frente de pessoa B) que mora praticamente na esquina da escola, é muito perto mesmo. e ela é a rainha das pérolas, a moça realmente fala umas coisas que eu fico absurdada. daí que a gente tava falando de uma aluna em específico que quer correr com o curso e vive pedindo pra fazer mais e mais lições, mesmo que a gente tente convencer a bonita de que esse não é o melhor jeito de levar os estudos dela etc etc etc. eis que ela foi viajar e levou uma quantidade absurda de tarefas pra fazer nesse período. quando ela voltou pras aulas, disse que não conseguiu fazer tudo (cê jura, linda? pena que ninguém te avisou, né!!!). a moça aproveitou pra abrir o coração e dizer que a vida dela ficou muito corrida na viagem, porque tinha que fazer tudo sozinha e o marido não prestava nem pra ajudar a cuidar das filhas (aquela velha história bem conhecida da gente né, de pai que não faz o mínimo porque a nossa sociedade patriarcal ensinou pra ele que é assim mesmo) e o único momento que ela tinha pra fazer as tarefas era antes de dormir. a maioria das lições foram feitas entre 23h e meia noite. 

eu não vou muito com a cara dessa aluna, mas fiquei sentida com esse desabafo. empatia, né, mores? você vê uma pessoa passando por uma situação complicada e você faz o que? isso mesmo, você se solidariza com ela. a menos que você seja escroto, aí você acha bom que o outro tenha se ferrado. POIS BEM. aí é que vem o diálogo surreal.

pessoa A: gente, e a aluna x, ela não conseguiu mesmo fazer tudo aquilo de lição, né? a gente bem que avisou
eu: nossa, mas ela disse que tava fazendo tudo sozinha nesses tempos, fiquei até mal pelos horários das lições. teve umas que ela fez de madrugada quase!
pessoa B: mas bem feito né, ninguém mandou
eu: tudo bem, ela levou muita coisa, mas a mulher disse que não tinha tempo pra ela, que o marido não fazia nada, nem olhava pras crianças pra ajudar. e ele é o pai, né
pessoa B: é, mas ele trabalha, não tem mesmo que ficar olhando filho
eu: grande bosta, né? como se a mulher não tivesse nada pra fazer da vida dela além de criar as crianças
pessoa B: e empregada, ela não tem não? deu férias pra todo mundo? bem feito

(só um pequeno adendo: a pessoa B tem filhos.)

daí ficou um climão, porque eu olhei pra ela assim 😨, e a pessoa B continuou tentando justificar o que tava dizendo, mas eu basicamente tampei os ouvidos e preferi ignorar o resto da conversa. 

SURREAL ter que escutar da colega de trabalho em pleno 2017 que quem cria é a mãe e o pai tá certíssimo em não fazer porra nenhuma. sem falar da parte da empregada, né? aí eu fiquei sem palavras. que a deusa me dê força pra continuar nessa luta, porque fácil não tá!

quinta-feira, 6 de julho de 2017

livrinhos de 2017 - parte II

ei, você aí: cê viu quais foram os livros do primeiro trimestre do ano? caso a resposta seja não, clica aqui pra você ficar por dentro das leituras: livrinhos de 2017 - parte I 😉


* * *

ABRIL (4 livros)

 Presente do mar - Anne Morrow Lindbergh (1955)
esse eu li por recomendação de mamãe. aliás, vocês já perceberam que minha mãe vive me recomendando uns livros que eu jamais pegaria pra ler de vontade própria, né? hahaha ela me disse "lê esse aqui, é muito bonito. por mais que você não esteja nessa fase da vida, acho que cê já tem entendimento suficiente pra entender o que ele fala". até aí eu não tava convencida, mas decidi ler quando ela disse que foi um livro importantíssimo na vida dela, que fez uma diferença tremenda na forma dela enxergar certos aspectos da vida. quer me convencer a ler/assistir/ouvir alguma coisa, é só me falar que ele teve um impacto sobre você e eu tô dentro! hahah enfim.. realmente eu não sou o público alvo do livro, mas gostei de ler. você aí, mulher casada e com filhos (e que consiga entender que a autora escreveu isso nos anos 50 e fazer as devidas ressalvas): vai que é tua ;)

 Mayrig - Henri Verneuil (1985)
li pra minha aula de cultura armênia e, por mais que não seja nenhum primor da literatura, é uma história bem emocionante. o autor narra a trajetória da família dele ao chegar na frança, quando ele tinha só quatro anos, fugindo do genocídio armênio. esse é um livro bem importante da literatura armênia da diáspora, o verrneuil mostra de um jeito bem cru (e meio infantil, já que ele narra os acontecimento da infância dele) qual era a realidade dos refugiados em terras estrangeiras. pra quem se interessa em conhecer um pouquinho de outras culturas, fica aí a dica ;)

 A obscena Senhora D - Hilda Hilst (1982)
livro curtinho, menos de cem páginas, que eu li rapidíssimo mas que me causou uma confusão tremenda. cheguei ao final da história sem entender exatamente quem é que narra o livro, achei uma loucura. senti como se eu estivesse lendo clarice: não tô entendendo muita coisa, não sei se quero continuar, mas não consigo parar de ler. alguns trechos me deixaram com vontade de chorar, outros me fizeram dar risada.. terminei querendo abraçar a senhora d, pra ser bem sincera. mas não é um livro pra qualquer um não, já deixo bem claro. foi meu primeiro contato com a obra da hilda e, ainda que eu não tenha amado a leitura, fiquei curiosa pra conhecer um pouquinho mais!

 Vozes de Tchernóbil: a história oral do desastre nuclear - Svetlana Aleksiévitch (2016)
primeiramente: que capa linda essa da edição da companhia das letras, hein? e segundamente: que livrão!!!! eu demorei um pouquinho pra ler e fiquei dias com um desgraçamento na cabeça, pensando no quanto o ser humano é horroroso, mas valeu tanto a pena! nesse livro a autora transcreve os relatos das pessoas que, de alguma forma, fazem parte da história de chernobyl: quem trabalhou pra combater a explosão, quem morava lá perto do reator, quem teve parente que morreu em decorrência do acidente, quem fazia parte da comunidade científica da época, quem foi pra lá fugido de algum outro lugar... enfim, são diversas histórias e perspectivas diferentes e é um jeito bem impactante de descobrir "um outro lado" dessa história, uma versão diferente daquela que a gente aprendeu na escola - o lado humano da coisa. é bem emocionante, mas tem que ter estômago pra ler alguns dos relatos, algumas histórias ali são bem pesadas..


MAIO (5 livros e 1/4)

 Terra sonâmbula - Mia Couto (1992)
tô cursando literatura moçambicana de língua portuguesa na faculdade esse semestre e fiquei bem feliz quando vi que esse livrinho faz parte das obras que serão estudadas, eu realmente tava só esperando uma oportunidade pra ler :D vocês viram que eu fiz algumas ressalvas ao livro de contos do mia couto lá em fevereiro, né? mas os romances dele são uma coisa impressionante, não dá pra não amar. eu gostei muito da leitura, tem umas passagens muito bonitas no livro. vale bastante a pena <3 (mas é daquelas histórias em que o final fica meio em aberto, e eu odeio isso, então se eu tivesse que fazer alguma reclamação sobre o livro seria essa haha)

 O Evangelho segundo Jesus Cristo - José Saramago (1991)
eu tenho a impressão de que alguém me disse que esse era o seu livro preferido do saramago. minha professora de literatura portuguesa do semestre passado, talvez. enfim, fiquei com isso na cabeça e resolvi ler. mas assim... que livro difícil!!!!!!!! a leitura não tava fluindo de jeito nenhum, eu fiquei uma semana pra ler menos de 20%.... daí eu deixei de lado e fui ler outras coisas, porque não queria ficar empacada numa leitura que não tava saindo do lugar. li uns três livros e peguei esse aqui de novo, aí li mais um pouco e desisti de vez. pode ser que num futuro próximo eu pegue de novo, porque acho a premissa do livro bem boa de verdade e tenho esperanças de amar muito no final das contas, mas nesse momento não rolou. ô saramago, pra quê dificultar tanto a minha vida, hein? :~

 Coraline - Neil Gaiman (2002)
vocês tem noção de que esse é um livro pra crianças???????? neil gaiman, larga mão de ser descaralhado das ideias!!!! gente, que medo dessa porra! hahahaha eu nunca tive coragem de ver o filme, porque aqueles botões no lugar dos olhos das pessoas me deixam apavorada, mas sempre tive curiosidade pra saber sobre o que se tratava. daí fui lá na maior inocência pegar o livrinho, que é super curto, e quase morri hahahaha a história é ótima, a coraline é maravilhosa, mas dá medinho real. recomendo, inclusive hahaha

 A vida na porta da geladeira - Alice Kuipers (2007)
o que esse livrinho tem de curto ele tem de triste, sinceramente. quis chorar umas 837x ao longo da leitura, de tão mal que eu me senti. e ainda terminei de ler com cara de besta, porque fiquei esperando o final feliz e ele não veio.. hahah o livro é bem pesado, mas eu gostei da leitura. é escrito por meio de bilhetinhos entre mãe e filha que não conseguem conciliar as duas rotinas e, por isso, quase não se encontram. me deixou com vontade de agarrar a minha mãe e não soltar nunca mais...

 Para educar crianças feministas: um manifesto - Chimamanda Ngozi Adichie (2017)
só tenho 01 única coisa pra falar a respeito desse livro: para o que você tiver fazendo e vai ler! é rapidinho e é bem bom pra fazer pensar sobre o que a gente tá fazendo com as nossas crianças ;)  

 Strawberry Fields Forever - Richard Zimler (2012)
não sei bem o que eu achei desse livro.. hahaha eu achei legal, porque o livro aborda vários temas complicados (depressão, homofobia, morte, xenofobia, suicídio, abuso sexual...), mas talvez justamente por isso é que eu não tenha gostado tanto assim. sabe quando parece que a intenção do autor era simplesmente se utilizar de um monte de assunto importante e pronto? não que as coisas tenham sido mal trabalhadas no livro, mas acho que não precisava de tudo isso. dava pra focar em só alguns desses temas, não era necessário colocar um problema fodido pra cada personagem. é só um romancezinho YA, sabe? mas é um livro bacana, apesar dos apesares hahah


JUNHO (6 livros)

 Guia do herói para vencer dragões mortais - Cressida Cowell (2007)
livro 6 da série "como treinar o seu dragão" (que tem 12 volumes no total). a cada livrinho eu gosto mais ainda dessa história doida e das personagens <3 e pra deixar tudo ainda mais legal, esse aqui se passa dentro de uma biblioteca e o enredo meio que gira em torno de um livro - no caso, o tal do guia do herói pra vencer dragões mortais :D

 Harry Potter e a criança amaldiçoada - Jack Thorne (2016)
PIOR. HISTÓRIA. QUE. EU. JÁ. LI. NA. MINHA. VIDA! ! ! primeiro porque tem cara de fanfic, já que a história "não combina" com o resto da saga. segundo porque tem cara de fanfic RUIM, porque acontece uma sucessão de absurdos inverossímeis que definitivamente não iam aparecer em nenhuma fanfic decente. li até o final porque eu precisava saber como que aquela baboseira ia acabar, mas senti que só perdi tempo de vida. J.K., sério, COMO vc teve a coragem de autorizar um negócio desse?????

 A amiga genial - Elena Ferrante (2011)
ô gente, que livrasso! confesso que só conheci a elena ferrante quando deu aquela polêmica com a mídia expondo quem a autora realmente era etc, mas ainda assim não dei muita bola pros livros dela. "a amiga genial" não é um nome muito convidativo, sinceramente.. mas a capa do livro me convenceu a dar uma chance e eu amei completamente! as protagonistas da história são uma coisa de louco, fiquei apaixonada por esse universo meio fictício meio real e já quero ler os próximos volumes da série pra ontem!

 Ciranda de pedra - Lygia Fagundes Telles (1954)
é o primeiro romance da lygia que eu li, até então eu só tive contato com os contos, e eu gostei muito! esse livro é bem melancólico, tem horas que dá vontade de pegar a protagonista no colo de tão triste, mas é muito bom. e eu achei ousadíssimo pra época em que foi escrito, o que deixa tudo muito mais legal hahaha mas ó, dica séria: deem chances pras autoras brasileiras, tá? sempre vale a pena <3

 O diário da princesa - Meg Cabot (2000)
meninas que nasceram nos anos 90 e nunca tinham lido nenhum livro da meg cabot me add pelo amor da deusa porque eu não posso ser a única!!! hahaha eu só conhecia os filmes da disney e já adorava a princesa mia, mas ler o diarinho dela foi uma experiência bem legal hahaha obviamente tive que fazer vista grossa pra algumas bobagens escritas ali, mas nada muito grave. enfim: michael moscovitz, me liga!!! ;)

 2001: uma odisseia no espaço - Arthur C. Clarke (1968)
que loucura essa história, gente! hahaha eu sou meio burra em física, então tem coisa na ficção científica que me deixa bem confusa, e esse aqui foi um dos livros que eu não consegui entender 100%. mas isso não estragou a minha experiência com a leitura não, gostei bastante e achei incrível o jeito que o livro começa!! agora quero ver o filme pra ver se fica mais fácil hahaha



e os resultados parciais desse trimestre são:

 livros terminados 15 x 1 livro abandonado

 literatura brasileira 2 x 14 literatura estrangeira (3 dos estados unidos, 1 armênio, 1 bielorrusso, 1 de moçambique, 1 de portugal, 1 nigeriano, 5 da inglaterra e 1 da itália) ((digamos que eu ainda esteja deixando bastante a desejar na quantidade de leituras nacionais.....))

 livros lidos no kindle 13 x 3 livros físicos (não tô sendo capaz de levar livro pesado dentro da mochila ultimamente)

 autoras mulheres 9 x 7 autores homens

 releituras 0 x 16 livros novos

quarta-feira, 5 de julho de 2017

nada além do que eu mereço

já faz um bom tempo que eu li as vantagens de ser invisível, um pouquinho antes de estrear o filme, e achei a história bem pesada. tem muito sentimento confuso naquela narrativa, a gente fica com o coração apertado enquanto lê. mas teve uma parte em específico que, pelo que eu andei vendo na época, todo mundo achou triste - menos eu. pra mim, esse é um dos trechos mais poderosos do livro. e eu, felizmente, enxerguei de maneira positiva:

"nós aceitamos o amor que achamos que merecemos"

lembro que cheguei até a conversar com uma amiga sobre isso e ela me disse que chorou real pensando no quanto isso era verdadeiro, como se fosse uma coisa ruim. fiquei mal quando percebi que as pessoas se autodepreciam dessa forma. baixa autoestima "tudo bem", também lido com isso e sei que nem sempre é fácil encarar o espelho e gostar do que vê, mas cresci ouvindo que "eu sou a pessoa mais importante da minha vida e eu tenho que me amar e me valorizar acima de qualquer coisa". e é isso o que eu sigo tentando fazer, por mais que às vezes as coisas se compliquem. 

eu concordo com a frase, também aceito o que eu acho que mereço. só que eu acho que mereço o mundo inteiro. não aceito nada menos do que um amor imenso e lindo e incrível. tenho que me sentir a pessoa mais amada e respeitada da história do universo, senão não tá bom o suficiente. falando assim pode parecer presunçoso demais, ou então pode passar a impressão de que eu quero uma relação "unilateral" em que eu tenho que me sentir superior ao outro. aí é que tá o pulo do gato: é justamente o contrário. eu dou aquilo que eu recebo. se a pessoa que tá comigo me trata como a rainha da porra toda, o tratamento que ela vai receber é absolutamente o mesmo. e por aqui o que eu vivo atualmente é o maior amor do mundo de ambas as partes, é uma relação completamente saudável e que melhora a cada dia.

já aceitei muita migalha nessa vida. agora eu quero a refeição inteira, sem faltar nem uma mordida.  

segunda-feira, 3 de julho de 2017

luz dos olhos


alice tá cada dia mais incrível. no alto dos seus 1 ano e quatro meses de idade, eu fico cada vez mais embasbacada com as coisas que essa menina já faz. esse cotoquinho de gente que precisa ficar na ponta do pé pra mexer nas coisas em cima do rack deixa todo mundo em volta dela de boca aberta e olhinho brilhando.  

é uma delícia acompanhar de perto uma pessoinha dessa se desenvolvendo, a gente fica com um tantinho a mais de esperança nessa humanidade que já tá tão perdida. e a tia postiça fica aqui torcendo de coração pra ela crescer e continuar levantando sem chorar depois de cada tombo. e pra aprender desde sempre a amar esse monte de cachinho doido que ela tem na cabeça! ;)

minha parte preferida é ver que ela já percebeu que o tio babão é o melhor amigo que ela vai ter na vida. aqueles dois juntos é a coisa mais linda do universo todinho, não tem a menor condição. alice se sente absolutamente em casa quando tá no colo dele. e ele só falta se derreter quando vê aqueles olhinhos apertados e os dentinhos pontudos enquanto ela sorri.  

ouso dizer que essa criança veio pra terra com uma missão muito séria pra cumprir - e, ao meu ver, já tá dando conta do recado. <3 

sábado, 20 de maio de 2017

faculdade é um lugar doido demais, bicho

ainda na vibe do post anterior, sobre não saber lidar direito com outros seres humanos, mês passado tava especialmente difícil pra mim. por alguma razão inexplicável, todos os meus conhecidos da faculdade cismaram que a gente era tipo MUITO amigo. mas amigo mesmo, daqueles de parar pra conversar e não se desgrudar mais. mas assim... eu não sei conversar sobre trivialidades com quem eu não tenho intimidade.

quer dizer, é claro que eu sei, né. cresci em prédio, o que a gente mais faz é puxar assunto tosco dentro do elevador porque não aguenta ficar 1 minuto em silêncio na presença de outra pessoa... mas enfim. o que eu quero dizer é que eu não gosto disso. eu cruzo com os conhecidos pelos corredores, dou um oizinho com aquele aceno de cabeça esperto (jout jout falou sobre isso aqui) e sigo em frente. às vezes até desvio o meu caminho pra não precisar cumprimentar, confesso. mas nesses tempos a galera tava fazendo questão de me parar, dar beijo no rosto, conversar, andar do meu lado até eu chegar no meu destino e ficar querendo sair mas a pessoa não para de falar (sabe?)... tava foda.

aí tem esses 3 conhecidos em especial que me deixaram confusa, me perguntando em que momento os nossos "oi!" no corredor se transformaram em amizade verdadeira e sincera (provavelmente nunca, mas eu gosto deles mesmo assim).

tem um cara que eu sei lá quando foi a primeira vez que conversei com ele, também não sei qual amigo em comum que nos apresentou, eu só sei que um dia ele cruzou meu caminho e a gente começou a conversar. mas ele é muito inteligente e fica falando sobre coisas sérias, tipo iniciação científica e mestrado e projeções para o futuro, e eu só fico lá com cara de paisagem sorrindo e deixando ele falar. eu gosto do moço, mas não sei interagir. enquanto ele quer ser o próximo noam chomsky, eu só quero me formar e me livrar daquela faculdade horrorosa. os papos não batem. só rola um assunto legal mesmo quando a gente fala mal da professora, aí sim dá pra conversar sem me sentir imprópria :) às vezes eu passo por ele e finjo que não vi pra evitar a fadiga, mas ele é tão 10 que já me fez até favor. moço, desculpa por nunca responder direito quando cê fala sobre o meio acadêmico, é que eu realmente não tenho condições!

também tem essa menina que apareceu na minha vida por meio de amigos em comum que dessa vez eu sei quais são hahaha ela é ótima, temos aulas juntas, dou bastante risada quando a gente conversa e tal mas nós definitivamente não somos amigas. somos colegas de sala e olhe lá, sabe? aí fica aquela coisa, a moça me mostra vídeo que eu acho sem graça e eu tenho que rir por educação, porque não tenho intimidade pra falar "miga, que bosta!". é uó. ela escreve no meu caderno no meio da aula e eu fico tipo "meu deus do céu qq tá rolando aqui quando que eu te dei essa intimidade socorro tô perdida" hahahaha ela é meio cansativa, mas apesar disso é ótima também. miga, eu não sei lidar muito bem com você num geral porque às vezes acho que cê pesa a mão numa amizade que meio que não existe. mas pode ser que um dia ela venha a existir com certeza, se não existe ainda é porque eu demoro pra me deixar cativar, me perdoa!!!!

e por último tem esse ser humaninho que antes eu odiava, tinha birra mesmo, e agora a gente é tipo super best (mas como já é de se imaginar a relação é unilateral, eu sou a melhor amiga da pessoa mas meio que não abro a boca, tô ali só pra escutar e acenar). eu não sei em que momento essa amizade ~se consolidou~, olho pra trás e não consigo entender como fui deixar isso acontecer, mas agora não tem mais volta. não tenho como fugir, só me resta aceitar. sei tudo da vida da pessoa, é impressionante! mas às vezes eu desconfio que nem meu nome ela sabe, de tanto que a coisa é absurda hahaha mas enfim, dá pra me divertir nos momentos em que a gente se junta, então tá tudo bem também :)

e é isso. precisei abrir meu coração. não que algum leitor daqui tenha algo a ver com isso, eu só precisava desabafar mesmo.

e eu sei que o problema tá em mim que sou antissocial e não consigo interagir tranquilamente como uma pessoa normal, mas é o que temos pra hoje: desespero e falta de tato. ^^

terça-feira, 9 de maio de 2017

17 e 18. fazendo amigos no transporte público

não me sinto confortável conversando com gente desconhecida. pra mim é um sofrimento real ter que interagir com quem eu não conheço. fico sem saber o que fazer, o que falar, enfim. acho uó, de verdade. mas aparentemente tem algo na minha cara que faz com que toda e qualquer pessoa que passe pelo meu caminho puxe assunto comigo. não consigo entender o que rola, mas parece que eu tenho um ímã que realmente atrai as pessoas. apesar de andar na rua fazendo ~cara de poucos amigos~, bem fechada mesmo, pra tentar evitar ao máximo que os outros se aproximem (#meujeitinho), a galera continua me pegando pra cristo e vindo conversar.

daí que eu fiz "amigos" no ônibus esses dias.

eu tava de boinhas sendo meu livro até que sentou um adolescente do meu lado. a mãe dele tava junto e ficou em pé. falei pra moça que eu ia levantar pra ela sentar, porque tinha outro banco vazio e era só eu mudar de lugar. ela disse que não precisava, que não queria sentar. tentei voltar a ler o livro, mas o menino me ofereceu uma bisnaguinha pra comer. quis dar risada pelo absurdo da situação, mas só agradeci e voltei pra minha leitura. aí a mãe dele perguntou se eu podia abrir a janela, apesar de estar chovendo. ela fez uma piadinha sobre a água, eu dei risada por educação e desisti de voltar à leitura, porque percebi que aqueles dois não iam me deixar quietinha no meu canto.

guardei meu kindle na mochila e fui limpar meu óculos, porque as lentes estavam cheias de pinguinhos d'água (tomei chuva antes de chegar no ponto de ônibus). aí a mãe do menino começou a puxar assunto comigo - eu demorei pra perceber que era comigo, ignorei as primeiras duas frases da mulher - e contou que precisava fazer exame de vista, que o pai dela usava óculos e deveria ser hereditário. eu sorri, disse apenas "é, faz sim.." e acenei. ela continuou falando. daí o menino finalmente entrou na conversa e, desde então, não ficou quieto nem por um segundo.

primeiro ele me perguntou como eu fazia pra assistir a filmes 3d no cinema, já que uso óculos. depois, não sei como, o assunto mudou totalmente e ele me contou o dia dele inteirinho na escola. falou onde estuda, em qual série ele tá, qual matéria ele gosta, o que ele tinha comido no lanche... eu não sabia o que responder, só fiquei dando risada mesmo. primeiro porque rir é o que eu faço quando fico sem reação, segundo porque achei mesmo tão bizarro ele me falar tudo aquilo sem eu perguntar que dar risada foi meio natural. depois ele me contou onde mora, quantos ônibus pega pra chegar em casa, disse que tem um fluxo de funk na rua da casa dele de fim de semana que faz o ônibus mudar de rota e isso atrapalha o bairro todo... enfim. foram 30 minutos de ladainha. às vezes eu encorajava o menino a continuar, porque não dava mais pra fugir, às vezes eu me desligava da conversa e perdia uns dois minutos de fala. e assim fomos da hora em que eles entraram no ônibus até o ponto final, onde nós todos descemos.

eu não suporto conversar com quem eu não conheço no transporte público, mas também não consegui cortar o papo do menino e da mãe dele. os dois eram tão simpáticos que eu não pude evitar.

se eu preferia ter ficado quietinha lendo meu livro? definitivamente. se eu gosto de pensar na possibilidade de encontrar os dois de novo e retomar essa conversa? jamais. mas não foi de todo ruim. deu pra ver que eles ficaram felizes de encontrar um ouvido disposto a escutar tudo o que eles tinham pra dizer, ainda que não fossem lá grandes coisas.

vai ver a minha cara de poucos amigos não é tão eficiente quanto eu pensei que fosse...

sexta-feira, 21 de abril de 2017

"já que tá todo mundo fazendo..." ¯\_(ツ)_/¯

como eu sou meio contra esse tipo de coisa no meu* facebook, me recuso a postar isso lá. mas é aquela velha história, né: nois tem blog em pleno ano de 2017 pra passar vergonha mesmo, não tem outro jeito. então é óbvio que vai ter correntinha da  moda por aqui, né? 

* no seu cê faz o que cê quiser, inclusive postar corrente todo dia se isso te fizer feliz ;)

são 9 verdades e 3 mentirinhas, vamos lá:

1) ganhei meu primeiro celular com 8 anos

2) me perdi no beto carrero quando eu tinha 3 anos e fiquei 1 hora sumida pelo parque

3) expliquei pra uma canadense dentro do mercado que o brasil fica na américa do sul e não na europa

4) no ensino fundamental, quase rompi os ligamentos do dedão quando uma amiga sentou em cima da minha mãozinha

5) amo andar de chinelo na rua, acho super confortável

6) passei de primeira na prova prática da auto escola mas não dirijo nem por um decreto, tenho pavor de pegar no volante

7) já encarnei a pequena sereia e a princesa do conto de fadas da princesa e a ervilha em 2 feiras culturais diferentes

8) eu era ótima em geografia, sempre tirava notas boas sem muito esforço

9) sou tão medrosa que, quando pequena, assisti a um episódio específico do desenho do scooby doo e fiquei traumatizada por vários dias por causa do monstro

10) tirei os quatro dentes do siso de uma única vez e o processo todo não durou nem uma hora

11) já quis alargar a orelha, fechar os braços com tatuagem e colocar piercing no lábio

12) só consigo beber água na garrafinha, tenho agonia de beber no copo


talvez nem minha mãe acerte todas as mentiras, fica aí o desafio ^^ (e eu nem tô esperando que alguém comente com a resposta, pra ser bem sincera. tô só lançando a curiosidade no ar e soltando algumas infos sobre a minha pessoinha de forma misteriosa mesmo.)

quinta-feira, 13 de abril de 2017

é hora de jogar o lixo fora de uma vez por todas

vamos aproveitar o momento pra falar sobre relacionamento abusivo aqui nesse canal bloguinho, migas? ;)

pra começo de conversa, é sempre bom lembrar e deixar bem claro que violência contra a mulher não é só física. não é só soco na cara e estupro num beco escuro. você, boyzinho que compartilha nude com os brother sem o consentimento da menina, tem tanta culpa no cartório quanto qualquer outro. você que segura a menina pelo braço na balada quando ela fala que não tá afim de te beijar e só solta depois que ela ~prova que tem namorado~ também tá sendo violento. e você que fica falando por aí que a sua ex era louca, descontrolada e espalha um monte de bobagem sobre a menina? pois é, meu bem: violento também. e o marido que controla o cartão de crédito da esposa e joga na cara dela que quem coloca comida na mesa é ele, então ela não tem nem que opinar? desse aí eu não preciso nem falar, né? 


isso estando esclarecido, podemos seguir em frente.

* * *

o meu antigo relacionamento durou mais de dois anos e meio. nós eramos adolescentes, ainda estávamos na escola, então era muito diferente do que é agora. nenhum de nós tinha muita noção do que era a vida real, a gente ainda dependia dos nossos pais pra praticamente tudo... era um namorinho de escola, mas pra mim era a coisa mais essencial do mundo. na minha cabeça, ele era o que eu tinha de mais importante. e o verbo é esse mesmo, ter. a gente se achava dono um do outro, era sentimento de posse de verdade, uma coisa bem problemática.

como já dá pra perceber, o relacionamento era abusivo. mas não tinha nada de físico não. ele não era violento, não me xingava, não gritava comigo, não me forçava a nada... enfim, não tinha nada visível aos olhos dos outros - e nem aos meus, pra ser bem sincera. na época eu acreditava que aquilo era normal, que era a única forma possível pra um namoro acontecer. porque essa era a minha única realidade e eu não tinha uma referência pra me pautar, então pra mim era daquele jeito que as coisas eram e pronto. eu achava normal que a gente controlasse o que o outro fazia. eu achava normal que ele quisesse me impedir de ter certos amigos, porque tinha ciúmes. assim como eu achava normal falar pra ele que não era pra ele conversar com tal pessoa simplesmente porque eu não queria que ele fizesse aquilo. eu também achava normal que ele me pedisse permissão pra fazer algumas coisas, ou pelo menos me avisasse com uma semana de antecedência antes de ir em algum lugar, ou de cortar o cabelo, ou de comprar uma roupa. e, obviamente, pra mim também era normal fazer esse tipo de coisa. 

a gente brigava tanto, mas tanto, que teve uma época que a gente praticamente só se falava pra arrumar confusão mesmo. eu lembro de um dia em específico que a gente tava brigando pelo telefone por causa de ciúmes e eu tava sentada na minha escrivaninha, chorando e falando um monte de coisa, até que eu me olhei no espelho e pensei "o que é que eu tô fazendo da minha vida?". aí eu comecei a perceber que devia ter algo errado no nosso relacionamento, não era possível que namorar era um troço tão sufocante daquele jeito. também não era possível que meu namorado ficasse ofendido e irritadíssimo se eu tirasse notas mais altas que ele. "o professor só te deu nota mais alta que a minha porque você é menina e ele quer te agradar", ele disse uma vez. e eu cheguei quase a concordar, mas fiquei com aquela pulga atrás da orelha. "ué, o que tem a ver uma coisa com a outra? tá ficando doido, rapaz? tirei nota alta porque acertei tudo, pronto e cabô". mas não comprei essa briga não, a gente já brigava demais por causa dos amigos que eu insistia em ter mesmo que ele falasse que não era pra eu falar com essas pessoas...

daí eu cheguei no meu limite e nosso namoro terminou. não brigamos na hora do término, nós dois sabíamos que aquela era a melhor das escolhas, mas mesmo assim não foi fácil. foi difícil pra caralho. a gente tava tão dependente um do outro que parecia um absurdo não estarmos mais juntos, não estarmos mais controlando os passos um do outro. tanto é que mesmo separados, mesmo que ele já estivesse com outra menina, ele ainda vinha dar pitaco na minha vida e reclamar de quem eu beijava ou deixava de beijar. olha, não tá escrito o tanto que eu me ofendi quando o rapaz veio falar "você disse que nunca ficaria com ele quando eu disse que tava com ciúmes e agora você ficou, eu não acredito que você fez isso, você tá muito mudada". a gente já tinha terminado há meses, ele tava em outro relacionamento e ainda se sentia no direito de opinar sobre coisas que não tinham nada a ver com ninguém além de mim. isso porque a gente passou muito tempo acreditando que tínhamos o controle sobre a vida um do outro. mas ali eu já sabia que a coisa não era bem assim. e que, por sinal, um relacionamento saudável devia ser bem diferente daquilo.

aí nós paramos de conversar de vez porque já não tinha mais como sustentar aquela relação esquisita. depois de um tempão, no ano seguinte, eu comecei a me relacionar com o meu namorado atual. e vocês não fazem ideia do quanto eu penei pra deixar pra trás todos os maus hábitos do relacionamento passado...

eu sofri muito até entender que a gente não era dono um do outro, que a gente só namorava. pra mim era um absurdo que ele saísse e só me avisasse depois, sem me contar com antecedência o que ia fazer e por que ia fazer. eu queria narrar todos os meus passos pra ele, mas ele não sentia necessidade de ficar me falando tudo que tava fazendo. aliás, outra coisa que eu fazia no começo era querer saber tudo que ele tava pensando, porque com o meu ex era assim. até que ele me disse "acho que não tem necessidade disso, né? o que tá dentro da nossa cabeça é problema nosso, não é de mais ninguém". aquilo foi um balde de água fria tão grande bem no meio da minha cara que me deu até vergonha. eu acreditava que meu namoro era saudável, e era mesmo, mas eu ainda tava toda contaminada com os erros de antes. e demorei muito pra conseguir me livrar de todo aquele lixo psicológico que tava impregnado em mim. sendo bem sincera, ainda hoje eu me pego tentada a fazer/falar certas coisas que tão longe de fazer parte de um namoro saudável. mas a gente segue firme e forte na caminhada rumo à desconstrução, ainda que ela seja bem dolorosa.

e eu disse tudo isso pra falar que abuso psicológico é um troço muito doido e muito perigoso também. a gente não percebe, porque não deixa mancha roxa pelo corpo, mas é um negócio que te suga aos poucos pra dentro de um buraco sem fim. e quando cê chega lá embaixo, no fundo mesmo, cê acha que nunca vai conseguir sair. eu sentia um ciúmes desgraçado do meu namorado atual, sem motivo algum, só porque eu tava acostumada com isso. e ficava indignada por ele não brigar comigo quando eu conversava com algum menino que ele não conhecia. achava que ele não gostava de mim o suficiente pra se importar. é muito louco isso, né? enxergar o ciúmes como algo nocivo e não como algo bom foi um processo bem lento por aqui. precisei conversar muito com o meu namorado pra conseguir assimilar que amor e sentimento de posse são coisas absolutamente distintas. e, pra minha sorte, ele me ajudou absurdos nessa questão (e em tantas, tantas, taaantas outras).

hoje eu olho pra trás e vejo o tanto que eu mudei e cresci desde o meu relacionamento anterior. na época eu sabia que era ruim, mas acreditava que era daquele jeito que tinha que ser. ouvi muitas vezes das pessoas ao nosso redor que do jeito que eu era chata, só o meu ex mesmo poderia me aguentar. talvez isso tenha me influenciado a insistir no erro por tanto tempo... e o mais bizarro foi a reação das pessoas quando nós terminamos. elas diziam que nós eramos um casal perfeito, que não fazia sentido o namoro ter terminado. mas o relacionamento já tava horrível, desgastado, asfixiante. doía só de pensar. mas como os abusos (de ambos os lados) eram só psicológicos e não físicos, ninguém conseguia ver o quanto aquilo fazia mal pra gente.

se eu que não tenho nenhum trauma sério terminei de escrever isso aqui chorando e com uma dor de cabeça absurda, não quero nem pensar em como meninas que sofreram muito mais do que eu se sentem em relembrar e remexer nesse tipo de relacionamento... mas é importante que a gente faça isso. seja pra ilustrar a realidade das mulheres, seja pra ajudar alguém a enxergar a situação pela qual ela tá passando, ou seja só pra jogar fora esse lixo que a gente ainda guarda aqui dentro. dói bastante, mas no fim das contas faz bem.

que nós mulheres tenhamos cada vez mais força e mais apoio umas das outras pra sairmos desses relacionamentos problemáticos e conseguirmos seguir em frente com as nossas vidas de forma saudável. ESTAMOS JUNTAS! ♀

#euviviumrelacionamentoabusivo
#mexeucomuma #mexeucomtodas

quarta-feira, 12 de abril de 2017

desafio da vez: escrita e narrativa

é com muito orgulho e com um alívio tremendo que eu digo que: cheguei no meu quarto ano de graduação! (pro meu azar o meu curso dura cinco, mas gosto de ver pelo lado positivo e pensar que, finalmente, estou chegando ao fim dessa trajetória interminável.)

uma das coisas que mais me incomodavam no curso é que nós não temos nenhuma matéria de escrita. ok, eu entendo a vibe da minha faculdade, entendo que eles tão interessados em formar pesquisadores e não escritores, mas sempre achei que essa "não importância" era meio preocupante. e quando eu digo que faltam matérias de escrita eu não digo de escrita criativa, pra criar história de ficção. tô falando de redação mesmo. de novo, eu entendo o porquê de não existir essa matéria na grade obrigatória do curso, mas ainda assim acho bem ruim que profissionais de letras, que vão trabalhar diretamente com o texto escrito, passem cinco anos sem isso. MAS OK, SEGUE O BAILE, SAÍ DO ASSUNTO, O POST NEM É SOBRE ISSO.

eis que, ao me inscrever nas matérias pra esse semestre, eu descobri a existência de uma disciplina chamada escrita e narrativa em inglês, que faz parte da grade de optativas livres da minha habilitação. eu não pensei duas vezes: me inscrevi na hora! o sistema me agraciou com a vaga nessa turma e cá estamos nós cursando a disciplina.

antes de mais nada é preciso dizer que: o inglês, apesar de ser uma das habilitações mais concorridas e com o maior número de vagas na letras, é também uma das que tem mais problemas com falta de professores. ou seja, não há professor suficiente. então, consequentemente, nem todo semestre abrem todas as matérias pra gente cursar. sendo assim, essa é a primeira vez em uns cinco ou seis anos que essa matéria tá sendo dada. o que significa que eu me matriculei absolutamente no escuro, sem fazer a menor ideia do que ia encontrar ali. e como já era de se esperar eu fui um tantinho ingênua... (quando não, né, mores? ¯\_(ツ)_/¯)

o professor é novinho, todo ~descolado, deu até um curso de extensão sobre fanfic há um tempinho. e o conteúdo da aula também é um amorzinho, a gente basicamente estuda como se deve construir uma narrativa. personagens, ambientação, diálogos, etc etc etc. tudo bem legal. o problema mesmo tá no método de avaliação. a gente vai ter que escrever um conto de ficção em inglês de no mínimo duas mil palavras. e é isso. SIM, serei avaliada e ganharei uma nota de 0 a 10 em cima de um conto de ficção escrito em inglês HAHAHAHAH deus me ajude!

antes que alguém fale alguma coisa: eu sei que isso não é um problema de verdade. já tive muita matéria com método de avaliação horroroso (tipo fazer 20 páginas de análise filológica sobre um documento escrito a mão do século 16), mas não é muita responsabilidade deixar a nota do semestre todinho só nisso??? gente, eu já tô apavorada. eu gosto de escrever, vivo inventando história na minha cabeça, já tenho a minha história definida pra escrever o conto, mas ainda assim não me sinto boa o suficiente pra isso. até porque eu nem sei qual exatamente vai ser o critério do professor, né? acho difícil, mas já pensou se o cara for avaliar simplesmente de acordo com o que ele gostou ou não? "ah, bem legal sua história mas achei essa personagem aqui meio chata, nota 7.5 pra vc"???? aí fodeu.

mas de qualquer forma acho que vai ser uma experiência divertida. a versão final só vai ser entregue pro professor lá em junho, então tenho bastante tempo pra trabalhar no texto e conseguir criar algo legal o suficiente pra tirar uma nota decente. caso a minha short story seja realmente bacana, pode ser que eu dê um jeito de divulgar por aí nesse mundinho das internets. 😉

sábado, 8 de abril de 2017

16. "sabia que eu sou tagarela?"

uma das minhas funções no estágio novo é acompanhar duas menininhas pequenas, separadamente, enquanto elas fazem as tarefas de inglês. a gi tem 5 aninhos e é descendente de japoneses, a nina tem 6 e é descendente de coreanos. por mais que a japonesinha seja uma graça, a coreana é apenas o amor da minha vida e a salvação da minha semana. essa menina é um absurdo de tão maravilhosa.

no nosso primeiro dia juntas ela já começou me avisando que não parava de falar. sendo ela uma criança muito sábia, tinha consciência de que já era melhor me avisar logo no começo que ela era tagarela mesmo e eu não podia fazer nada a respeito, apenas aceitar a vida como ela é. e a menina realmente não para de falar nem por um segundo, é impressionante. às vezes fico meio agoniada, porque vai dando a hora do pai dela chegar pra buscar os filhos e ela ainda não terminou as lições, mas nada que um "nina, seu pai vai chegar daqui a cinco minutos!" não resolva ;)

o tanto de risada que eu dou com essa criança não tá escrito! aliás, ela mesma já fala rindo porque sabe que é engraçada, por mais que às vezes eu tente manter a compostura pra ver se com a minha cara de séria ela se convence a parar de graça e voltar a fazer os exercícios. spoiler: nem sempre funciona.  ¯\_(ツ)_/¯

dia desses, enquanto ela fazia as lições em classe, eu tava corrigindo as lições de casa que ela trouxe. de repente senti que tinha algo diferente no ar. quando levantei os olhos do papel, dei de cara com ela a pouquíssimos centímetros de mim, segurando o riso, só esperando eu perceber que ela estava ali. é claro que eu me assustei quando vi e a doida desatou a gargalhar, como se aquela fosse a coisa mais engraçada do mundo. e naquele momento foi mesmo. deu vontade de roubar essa criança pra mim e não devolver nunca mais <3

é incrível o quanto a gente se apega rápido quando a criança é cativante, né? parece que a gente se conhece há tempos, de tanto que eu gosto dela. são cinquenta minutos juntas ensinando, aprendendo e rindo sem parar. é muito mais do que só o inglês. ela me pergunta o significado das palavras que não conhece (esses dias ensinei pra ela o que era uma empadinha e o que significava chamar uma pessoa de abelhuda) e ela me ensina como fala algumas coisas em coreano. eu obviamente não aprendo nada, mas ela se convence de que é uma ótima professora mesmo assim. aliás, a criatividade da menina é tanta que ela me ensinou como se desenha um porquinho sem usar nem lápis nem papel, só descrevendo quais os traços se deve fazer pro porco aparecer. achei genial, porque eu realmente consegui visualizar um porquinho na minha cabeça hahaha

às vezes eu me arrependo um tantinho por ter aceitado esse estágio de auxiliar de professora, é cansativo pra caramba passar a tarde inteirinha corrigindo lição e tirando umas dúvidas absurdas dos alunos que na maioria dos casos nem queriam estar ali. mas aí eu lembro que se não tivesse começado a trabalhar ali eu provavelmente jamais teria conhecido essa pequena maravilhosa e fico mais aliviada. nem sempre eu tô motivada a ir pro trabalho feliz, mas pelo menos de terça e quinta eu tenho um gás a mais, porque sei que a nina vai estar lá pra me proporcionar os melhores momentos da semana.

ela não faz a menor ideia disso, mas sempre que pega na minha mão ou me conta alguma coisa aleatória sobre o dia dela na escola o meu coração fica quentinho, quentinho. :)

sexta-feira, 31 de março de 2017

livrinhos de 2017 - parte I

JANEIRO (3 livros)
 Como mudar uma história de dragão - Cressida Cowell (2007)
melhor livrinho possível pra eu ~abrir os trabalhos~ de 2017! :D eu me dei uns bons 10 dias de folga de leitura entre o último livro que li no ano passado e esse aqui, porque tava querendo descansar a cabeça antes de entrar de novo das leituras, e resolvi começar o ano com algum livro tranquilo e gostosinho, que não me desse muito trabalho. ritmo de férias, né? bom, esse aqui é o quinto livro da série como treinar seu dragão e é facilmente o meu preferido até agora! a história é absurdamente legal, sério, gostei tanto que convenci meu namorado a ler também hahaha que delicinha de livro!!! :)

 As boas mulheres da China - Xinran (2002)
em oposição ao livrinho feliz de antes, esse aqui é tipo uma enxurrada de soco no estômago. o livro traz uma série de relatos sobre diferentes mulheres chinesas e mostra uma realidade tão crua e pesada que, às vezes, eu sentia dificuldade de acreditar que aquilo pudesse ser real. apesar de ser uma leitura muito difícil (cheguei a sentir dor de cabeça em algumas histórias) e de ter uma temática tão complicada, achei que o trabalho dessa autora/jornalista foi muito bonito - ela deu voz a essas mulheres silenciadas e negligenciadas por aquela sociedade machista que enxerga mulher como objeto sexual e moeda de troca. é uma leitura absolutamente necessária, recomendo forte!! ♀

 Anarquistas, graças a Deus - Zélia Gattai (1979)
confesso que peguei esse livro pra ler por causa do nome. não sabia muito o que ia encontrar ali, nem conhecia a zélia, mas sabia que era um livro sobre as memórias da família dela. no início eu tava achando chato e sem graça, não tava vendo muito sentido em continuar a leitura, mas fui me apegando àquelas personagens e à história delas. no fim das contas eu gostei. não é nenhuma leitura incrível não, mas achei que foi um jeito divertido de vivenciar são paulo nas primeiras décadas do século XX. sem contar que a história é narrada do ponto de vista da autora enquanto criança, o que deixa tudo muito mais legal :)



FEVEREIRO (4 livros)
 Fangirl - Rainbow Rowell (2013)
ESSE LIVRO PITA QUE PARIU EU TÔ SEM PALAVRAS!!!!! (tô escrevendo isso aqui imediatamente depois de terminar de ler e tô MUITO empolgada, sério mesmo) fazia muito tempo que eu não pegava um livrinho assim, sem nenhuma pretensão, e me envolvia tanto com a história! eu gostei muito do enredo e tô completamente apaixonada pelas personagens, queria muito mesmo que elas fossem reais. sério, eu queria muito ser amiga dessas pessoas!!!!! hahahha e o romance que tem aí no meio, afffff que coisa linda!! o livro é super leve, tem uma temática incrível, mas também consegue tratar de temas pesados sem perder a leveza. ai, nem sei explicar, só sei que amei completamente e deixo a recomendação do fundo da alma 💝💝 (ok, agora que a empolgação passou voltei pra falar que: o livro é uma delícia sim, mas 1) é romance YA e 2) se você não se identificar com a situação da personagem principal talvez cê não entenda a vibe da história hahaha)

 Estórias abensonhadas - Mia Couto (1994)
essa é uma coletânea de contos. eu não sou das maiores fãs desses livros, então demorei quase o mês todo pra terminar (tenho preguiça de ler vários contos seguidos), mas o mia couto merece um lugarzinho especial no coração da gente porque esse homem é um baita autor! a prosa dele é absurdamente poética, ele usa bastante neologismo pra falar de sentimento, então cê tem que se deixar levar em alguns momentos pra conseguir entrar na narrativa. realmente não é dos meus livros preferidos porque eu não curto muito esse formato, mas se cada um dos contos fosse um romance eu com certeza amaria uma boa parte deles <3 hahaha  

 Os 13 porquês - Jay Asher (2007)
li por indicação de uma amiga (fefa melhor pessoa da minha vida <3) e gostei muito! o livro conta uma história pesada, fala sobre suicídio, mas a estrutura narrativa é super diferente de tudo que eu já tinha lido e eu achei incrível ver a história sendo contada dessa forma. a gente tem 2 pontos de vista na narrativa e uma coisa complementa a outra, é bem ~interessante~ mesmo. e como é aquele tipo de narrativa que vai revelando as informações aos poucos, dá vontade de ler tudo sem parar pra descobrir de uma vez como as coisas aconteceram! AH, vai lançar uma série da netflix inspirada nesse livro ^^ (ou já lançou, não sei direito hahah)

 Persépolis - Marjane Satrapi (2000)
eu tenho uma certa dificuldade com qualquer história em quadrinhos que não seja da turma da mônica (real oficial), então fiquei meio apreensiva antes de começar. mas é impossível não gostar desse livro, eu acho. a história é muito boa, o jeito como ela é contada também é super legal, dá vontade mesmo de continuar lendo sem parar. ainda acho que se fosse em formato de prosa eu obviamente gostaria muito mais, mas ainda assim foi uma leitura bem bacana! ah, minha edição é aquela completa da companhia das letras, com os 4 volumes dos quadrinhos em um só ;)



MARÇO (4 livros e meio)
 Quatro estações - Stephen King (1982)
por muito tempo eu pensei que nunca fosse conseguir ler um livro desse cara, por mais que eu tivesse muita vontade. isso porque eu tenho um pavor absoluto só de pensar em ler histórias de terror, então só de ver a capa das coisas que ele escreve eu já fico meio apavorada hahaha daí meu namorado veio com essa indicação, um livro que une quatro histórias de não terror :D não é o meu livro preferido da vida, tenho algumas ressalvas a fazer em relação a alguns pontos das histórias, mas me serviu como um sinal de que vale MUITO a pena criar coragem pra encarar os romances escritos por ele! gostei muito da escrita do stephen king e já tô me preparando pra outras leituras :)

 Azeitona - Bruno Miranda (2016)
olha, foi uma surpresa e tanto quando eu descobri que esse era um livro de youtuber....... hahahaha eu resolvi ler porque 1) é brasileiro 2) achei a capa legal, mas como sempre eu peguei 100% no escuro, não sabia quem era o autor e muito menos qual era a história. antes de começar a leitura, vi um pessoal falando super mal do livro, pensei em desistir da ideia, mas achei que eu devia dar uma chance mesmo assim. e eu estava erradíssima, porque não consegui chegar até o fim hahah por mais que eu realmente estivesse curiosa pra saber o final da história, o sofrimento de continuar a leitura não tava valendo a pena.. desisti mesmo e até agora não sei como termina ¯\_(ツ)_/¯

 Histórias de Hogwarts: poder, política e poltergeists petulantes - J.K. Rowling (2016)
ok que chamar isso aqui de livro talvez seja um exagero né hahaha tá mais pra uma coleção de textos publicados pelo pottermore sobre algumas coisas do mundo mágico :) não tem nada de extraordinário não, mas como fã eu não poderia deixar de ler esse tipo de coisa. essas informações são tudo que eu sempre quis, pra realmente conseguir entrar um pouco mais nesse universo incrível e me sentir mais familiarizada ainda com as personagens da história. não é um livrinho que eu recomende, porque não tem absolutamente nada d+, mas quem gosta real oficial de harry potter e quer descobrir mais sobre o background das personagens não pode deixar de ler! :)

 O retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde (1890)
demorei um pouquinho pra entrar na história e, em alguns momentos, quis tacar o livro longe e não voltar a ler nunca mais ^^ mas no fim das contas eu gostei! tive problemas com as personagens principais e com as opiniões delas (aí levei em consideração a época em que o livro foi escrito e consegui passar por esse sentimento de desconforto), mas é uma história bem ~interessante. esse negócio de romance filosófico não é muito a minha cara, então obviamente esse livrin num conquistou meu coração, mas reconheço o valor dele! hahah

 Assassinato no Expresso do Oriente - Agatha Christie (1933)
agatha christie é agatha christie, né, gente? tudo que eu leio dela é basicamente a mesma coisa: um livro meio bobinho, sem nada de muito maravilhoso, mas que me prende completamente e eu não consigo parar de ler até descobrir finalmente quem foi que cometeu o crime hahaha CSI em forma de livrinho, impossível não amar! ;)




e os resultados parciais desse trimestre são:

 livros terminados 11 x 1 livro abandonado
 literatura brasileira 2 x 10 literatura estrangeira (3 da inglaterra, 1 da china, 3 dos eua, 1 de moçambique, 1 do irã e 1 da irlanda) ((vou melhorar esse número de livros nacionais, prometo!))
 livros lidos no kindle 6 x 6 livros físicos
 autoras mulheres 7 x 5 autores homens
 releituras 0 x 12 livros novos

sexta-feira, 24 de março de 2017

o ano só começa depois do carnaval

março foi um mês meio doido por aqui. tanto é que eu mal dei as caras, né? deixa eu explicar...

depois que meu estágio acabou, no ano passado (falei sobre isso aqui), me dei ao luxo de ficar sem procurar um trabalho novo por uns tempos. fim de semestre né, gente? eu tava lotada de provas e trabalhos enormes pra fazer, então aproveitei que eu não precisava ter pressa pra voltar a trabalhar naquele momento e resolvi esperar o ano virar pra correr atrás de um estágio novo.

todo mundo sabe que a busca por um trabalho é um estresse sem fim, né? a cada entrevista eu sentia mais vontade de mandar as empresas pra casa do chapéu, largar tudo e ir vender minha arte na praia (porém nem arte pra vender eu tenho, então fica complicado). daí que eu consegui um estágio como auxiliar de professor num curso de inglês e aceitei - mesmo que eu tenha falado 837x que não queria de modo algum trabalhar num curso de inglêseu ainda não sei se aceitar esse emprego foi uma ideia boa, mas estamos aí tomando decisões erradas na vida desde 1995 (and counting)!  ¯\_(ツ)_/¯

comecei o estágio novo no dia 01 de março, em plena quarta feira de cinzas. e, pra ajudar, minhas aulas na faculdade voltaram na segunda, dia 06. eu estava em casa desde o dia 20 de dezembro, foram 3 meses de férias fazendo na-da, e de repente voltei  acordar às 5h30 da manhã, pegar dois ônibus, passar várias horas tendo aulas cansativas, pegar metrô, andar a pé, trabalhar sem parar por 6h, pegar mais dois ônibus e chegar em casa de volta às 21h da noite. HAHAHAHAHAHA meu deus do céu que desespero que eu sinto só de pensar nisso!!! mas tudo bem, eu acho que consigo sobreviver sem muitas sequelas (assim espero).

e além de tudo isso ainda tenho que jantar, tomar banho e lavar/secar o cabelo, arrumar minha marmitinha e tentar adiantar alguma coisa da faculdade tudo antes das 23h30, porque depois disso eu já tô tão cansada que já não funciono mais. então é aquela coisa né... eu já tava num período de sentir dificuldade pra vir aqui escrever (vivo tendo umas travas, a essa altura do campeonato já considero normal), imagina agora então que mal tenho tempo - e disposição - pra respirar??? 😑 e a pior parte é que eu passo o tempo todo com vontade de postar, só porque eu "não posso". eita cérebro maravilhoso que gosta de ficar se torturando!

mas é isso aí, gente. março tá sendo uma loucura sem tamanho e, por conta disso, eu tenho um zilhão de histórias pra contar. se a minha força de vontade permitir, vou tentar aparecer por aqui nos fins de semana pelo menos, porque em dia útil eu não consigo nem que eu queira. torçam por mim! (e não desistam da minha pessoinha, please!)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

ousadia, alegria e 4 horas de aventura

por mais tosco que isso soe, essa aqui é SIM uma história de superação. :)

pra quem não sabe, o pico do jaraguá é o ponto mais alto da cidade de são paulo, com 1135 m de altitude. pra minha sorte, ele fica perto da minha casa, num bairro vizinho ao meu, e é o responsável por eu ser tão apaixonada pela vista da minha janela.



sério, olhar pra fora e ver uma coisa dessa todo santo dia é incrível de verdade! essa combinação de céu + cores bonitas + pico é um troço que não dá nem pra explicar de tão bonito. e ao vivo é muito melhor, eu garanto. 

o pico do jaraguá fica num parque enorme, cheio de área verde, que é só colar e aproveitar. tá meio abandonadinho, mas continua sendo um lugar muito legal. quando eu era pequena a gente costumava ir bastante, já fui inclusive com uma excursão da escola no fundamental I, mas depois que cresci nunca mais tinha ido. até que o meu namorado, que tá numa onda fitness sem fim, veio com uma ideia meio curiosa: subir o pico por uma trilha que tem 1.5 km de subida. e nós fomos realmente HAHAHAH

meu boy é ciclista, tá acostumado a subir o pico de bike pela via principal, que é asfaltada e toda cheia de curvas, mas também nunca tinha se aventurado por dentro da mata. e foi uma aventura e tanto pra nós dois! (talvez mais pra mim, é claro, porque ele é atletinha <3) 

já sabendo que meu corpo num tava exatamente preparado pra uma coisa dessa, fui munida de comida e água. e ainda bem que eu fiz isso, porque se não fossem minhas bolachinhas de água e sal eu tinha falecido ali mesmo no meio da trilha em cima da lama hahaha a gente foi de manhã, então o sol não tava tão forte, mas aquele era um dia bem quente de verão. mesmo que a gente tivesse rodeado de árvore e que o sol não pegasse diretamente na gente, o calor e a umidade daquela trilha tavam um absurdo. acho que eu nunca suei tanto na minha vida toda, de verdade hahaha 


durante a subida não tive disposição tempo pra ficar tirando fotos, mas tirei essa bem do finalzinho da trilha pra registrar essa natureza doida e linda que me abrigou por 1h30 :)

eu sou sedentária né, num posso negar, então já sabia desde o início que não seria fácil subir por quase 2 km. e eu obviamente fui reclamando do começo ao fim, porque além de sedentária eu sou reclamona, mas meu namorado é uma pessoa tão incrível e maravilhosa que foi me incentivando por todo o caminho e ainda deu um jeitinho de me distrair pra eu não perceber tanto assim o quão difícil aquilo tava. em alguns momentos a coisa ficava menos íngreme, então era mais fácil de continuar, mas quando a subida inclinava muito eu tinha vontade de chorar.

daí chegamos no finalzinho e minha perna resolveu que tava cansada demais e num ia mais me ajudar não, se eu quisesse continuar subindo eu tinha que me virar de outras formas (sério, foi quase isso hahaha). o problema é que tinham umas escadas no final da trilha. porra, cê já andou pra cacete, já desidratou, já tá pedindo arrego e querendo pular no colo da sua mãe e os cara ainda tem a moral de botar vários degraus pra você subir!!!! achei de um mau gosto sem tamanho, sinceramente. combinei com o boy que ele ia subir na frente, pra me servir de incentivo pra continuar e não ficar sozinha lá pra trás hahaha cheguei no final bem triste de tanta dor na perna, mas esse ser humano que eu tenho a sorte de chamar de namorado me tratou como se eu tivesse sido a campeã da são silvestre. e pra mim foi tipo isso mesmo, eu acho. :)

mas como a gente gosta mesmo é de sofrer, essa foi só a metade da aventura toda. saímos da trilha, tomamos uma água de coco enorme e geladíssima pra recobrar as energias que já tinham se esvaído hahaha e subimos uma escada imensa, com tantos degraus que eu obviamente perdi a conta antes de chegar no final, que dá pra umas torres de televisão e uma espécie de mirante. boatos que dali de cima a vista alcança mais de 50 km de distância, inclusive. 

  
e aí teve a volta, né. o carro ficou estacionado lá embaixo, no nível da rua, e nesse momento a gente tava no ponto mais alto da cidade. descemos a pé pela tal via asfaltada que tem 4.5 km de extensão hahahaha o ditado diz que na descida todo santo ajuda, mas isso não é necessariamente uma verdade depois que você já passou 2 horas subindo sem parar e o seu corpo tá implorando pra você deitar em posição fetal e ficar assim por mais ou menos uns três dias seguidos...

novamente o meu namorado foi a salvação da minha vida e colocou música pra gente ouvir no caminho, fez graça pra eu dar risada, ficou me contando como é fazer aquele trajeto de bicicleta, enfim. um homão da porra mesmo <3 essa brincadeira toda durou boas quatro horas e até hoje eu ainda não acredito que andei tudo isso e continuo com as duas pernas no lugar. entrei no carro agradecendo a todos os deuses existentes pela graça alcançada, pois em alguns momentos duvidei que eu fosse sobreviver hahaha

e é isso. 2017 é o ano da ousadia e alegria por aqui. é o ano de descobrir que a gente pode mais do que imagina e que no fim das contas vale a pena o sacrifício. (mas pra eu ir de novo num rolê desses só se eu tiver muito inspirada, viu? convenhamos...)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

sobre aquilo que sp não pode me dar

faz quatro anos que, pelo menos uma vez por ano, eu viajo pra uma cidade no paraná que é muito, muito, mas muito do interior. tipo muito mesmo. é uma cidade tão pequena e tão do interior que ela tem a mesma quantidade de habitantes que o condomínio em que o meu namorado mora aqui em sp, pra vocês terem uma noção. normalmente viajo pra lá pra passar o natal, é bem rolezin de família mesmo.

falando nisso, posso dizer que uma parte da minha família mora lá - ainda que a gente não tenha nenhum laço sanguíneo. na verdade, eles são a família da esposa do meu irmão, mas como a relação da gente aqui de casa com o resto dos parentes não é lá das melhores, nós adotamos a família da minha cunhada. e, ainda bem, também fomos adotados por eles ♡ naquela casa, com aquelas pessoas, eu me sinto muito mais acolhida e muito mais à vontade do que com gente que divide o sangue comigo. acontece, né? já diria o ditado: parente não é família. definitivamente não.

além dessa cidade me proporcionar essa relação familiar, ela também consegue me deixar feliz de um jeito que eu não pensei que fosse possível: tem uma sorveteria que vende sorvete caseiro super gostoso e tão barato que nem parece verdade! o sorvete de palito feito com água é 50 centavos. CINQUENTA CENTAVOS! se for feito com leite é 80 - o picolé mais caro não chega a um real!!! duas bolas de sorvete de massa no copinho sai por dois reais. o milkshake de 400ml é quatro reais. SABE??? fui lá com o meu namorado e nós compramos uns 20 picolés + 1 sorvete no copinho + 1 sorvete de casquinha e deu R$ 17,50. NÃO DEU 20 REAIS MEU DEUS!! hasghagshg dias antes nós estávamos na praia, meu pai comprou 3 sorvetes de palito da kibon e pagou 19 reais (nunca me senti tão assaltada na vida, nem quando roubaram meu celular)........... pra coroar, lá vende o meu sabor de sorvete de massa preferido: sorvete de nata. aqui em sp a gente não encontra isso em lugar nenhum, então quando eu vou pra lá eu como até sair pelos olhos :)

o ápice dessa última viagem foi um dia incrível, cheio de coisa gostosa pra fazer: fomos na casa de uma tia da família, passar o dia na piscina. ficar na água num sol de 40º já seria maravilhoso por si só, mas como tudo que é bom ainda pode melhorar a dona da casa e as irmãs dela são daquele tipo de gente que gosta de encher a barriga das pessoas, sabe? bem tia do interior mesmo que faz um monte de comida boa e faz questão de ver todo mundo comendo até dizer chega. ou seja: nadei como se fosse uma sereia e comi como se não houvesse amanhã :) depois de passar o dia lá, fomos pra um bar numa cidadezinha ao lado, menor ainda do que essa que eu tava. e aí nós comemos mais um pouco, porque na minha família ninguém tem noção da hora de parar quando o assunto é comida ¯\_(ツ)_/¯

e pra fechar a noite com a chave mais de ouro possível nós fomos pra um lugar isolado, no meio da estrada, praticamente sem nenhuma iluminação em volta e vimos uma cacetada de estrelas. o céu tava tão, mas tão estrelado que parecia de mentira. eu nunca vi uma coisa igual! foi lindo, foi emocionante, foi surreal. e, como se já não bastasse, teve até estrela cadente ♡ tava tipo isso aqui:


peguei uma foto qualquer do google pra ilustrar, mas eu juro que o céu tava bem assim mesmo. o negócio foi tão bonito que num dá nem pra explicar 💖

eu sempre morro de tédio quando viajo pra lá e reclamo o tempo todo do calor e da falta do que fazer numa cidade tão minúscula (num tem nem semáforo e nem mcdonalds, gente, ceis tem noção disso????), mas me dá até um quentinho no coração quando eu paro pra pensar na quantidade de coisa bonita que esse lugar tem pra me oferecer. amo são paulo, mas minha cidade infelizmente não é capaz de me presentear com todo esse amor familiar, nem com sorvete delicioso e absurdamente barato e muito menos com esse monte de estrela maravilhosa. aqui a gente é obrigado a se contentar com pouco e ficar feliz por enxergar um mísero pontinho brilhante no céu :( num mundo ideal, eu teria tudo isso junto no mesmo lugar. como não é possível, eu fico aqui suspirando de saudade...

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

15. best teacher ever

preciso começar esse post com uma confissão: quando eu fui escrever, me deu o maior branco do mundo e eu esqueci nome do homem. daí entrei em desespero por conta disso e o meu cérebro ficou tão ocupado se preocupando com esse esquecimento que travou de vez e eu não conseguia lembrar de jeito nenhum!!! sabe aquele episódio do bob esponja em que a memória dele é apagada por completo, daí mostra os bob esponjas trabalhando dentro do cérebro dele (?) e vira tudo um caos porque eles não conseguem achar nos arquivos qual é o nome do próprio bob esponja? pois então:


provavelmente foi bem assim que as coisas aconteceram aqui dentro da minha mente. e no final dessa cena o cérebro do bob esponja ainda se parte ao meio, pra ficar mais parecido ainda com a minha situação. (esse desenho é tão maravilhoso!!!!!!!! <3)

o único nome que me vinha na cabeça era kevin, mas eu tinha certeza absoluta de que não era esse. eu também sabia que era algo parecido: um nome curtinho, duas sílabas, com o mesmo som do fonema /k/ etc. pra piorar, o bonitão do professor não tem facebook (ele disse que não gostava dessas coisas), então tive que entrar no perfil de outra professora, procurar fotos em que ele aparecia e torcer pra alguém ter comentado algo com o bendito nome dele. e num é que dei sorte? :D quando eu li o nome do professor me deu um misto de alívio e daquela sensação de "como é que eu pude esquecer uma coisa óbvia dessa meu deussss!!!" hahaha fiquei com vergonha real por ter esquecido, mas fazer o quê, né? ¯\_(ツ)_/¯ AH, é colin o nome dele ^^

***

o colin provavelmente foi a minha pessoa preferida no intercâmbio. cheguei na sala de aula apavorada, morrendo de vergonha dos colegas que eu não conhecia e morrendo de receio de falar alguma coisa errada e ser motivo de chacota (olha só a louca da baixa autoestima!). mas fui me acalmando aos poucos quando percebi que o professor era incrível. 

fazia piada o tempo todo, deixava todo mundo descontraído e super à vontade, sabia fazer a turma interagir e gostava de ver todo mundo se divertindo junto dentro da sala. afinal de contas, quando você tá num intercâmbio você quer ter a melhor experiência possível, né? ele tinha consciência disso e não poupava esforços pra arrumar atividades diferentes pra turma. assistíamos a um filme por semana, jogávamos algo diferente todo dia (de sexta feira era só jogo :D), aprendíamos um zilhão de expressões novas e de bobagens que você nunca vai encontrar nos livros das escolas de inglês por aqui... era legal de verdade ir pra aula desse cara.

daí teve um dia em que ele resolveu ser mais diferentão ainda: o professor cismou que "a sala não tava no clima pra aula" e levou todo mundo pro bar HAHAHAHA parece fanfic, eu sei, mas eu juro que é real! o esquema lá na escola era assim: a gente tinha aula com o mesmo professor a manhã inteira (as turmas eram separadas por nível) e o aluno podia ou não incluir aulas optativas no período da tarde, provavelmente com outro professor. a gente tinha um intervalo curtinho durante a manhã pra tomar café, depois tinha a pausa pro almoço que era um pouco mais longa e aí eu tinha mais duas aulas depois disso (uma ainda com o colin e então tinha a optativa - a minha era pra melhorar pronuncia, aprendi bastante coisa legal).

nessa aula pós almoço o colin normalmente passava algum jogo pra gente (foi aí que eu conheci cards against humanity, inclusive recomendo!), então era bem descontraído. daí que teve um dia que a gente voltou pra sala e ficamos lá conversando esperando todo mundo chegar - normalmente alguém se atrasava - até que todo mundo voltou e o professor não retomou a aula. em vez de dizer qual seria a nossa atividade, ele disse "hoje tá meio sem clima pra aula né, gente? e se a gente for no bar aqui do lado?" HAHAHAH meu deus, que homem!!!!

não lembro direito agora qual foi a reação dos alunos, mas sei que eu fiquei meio incrédula. dei risada, achei engraçadinho, mas não pensei que ele estivesse falando sério. até que o maluco do professor veio com um plano pra sala toda conseguir sair da escola sem que a coordenadora visse, porque ele precisaria avisar caso quisesse levar a turma pra uma excursão e digamos que ir ao bar não era exatamente o tipo de atividade que a escola estava acostumada a realizar durante o período das aulas (mas de noite sim hahahahaha).

o bar (que era tipo um restaurantezinho, na verdade) era vizinho da escola, tipo lado a lado mesmo. saímos todos (mais ou menos uns 10 alunos) de fininho, tentando não fazer barulho, dando um jeito de não chamar a atenção de ninguém etc e sentamos todos juntos numa mesa ao ar livre. pra ficar tudo ainda mais incrível, o colin ainda pagou uma bebida pra cada um <3 hahahahaha como eu sou uma pessoa muito cagona dentro da lei e ainda não tinha atingido a maioridade lá no canadá (eu tinha 18, lá é 19), acabei pedindo um suquinho de boas mesmo, mas obviamente teria sido muito mais divertido ingerir bebida alcoólica às custas do meu professor hahaha




essa foto é do dia da minha "formatura" no intercâmbio (olha o certificado ali na mão dele!). a gente tava rindo por um motivo específico, mas dar risada ao lado dele era algo muito natural. com ele eu me sentia confortável, era uma convivência muito boa, dava uma sensação de segurança mesmo ter alguém tão "amigável" (por falta de palavra melhor) ali comigo. sinto saudade de verdade desse cara pirado que me fez levantar, ir até o meio da classe e mostrar minha tatuagem pra sala toda só porque ele achou muito bonitinha quando viu :') hahaha