sexta-feira, 17 de novembro de 2017

coisa de doido

todo mundo aqui já tá exausto de saber que se eu pudesse eu evitava interações sociais, mas como eu sou a rainha das contradições, vira e mexe me acontece um negócio que eu não controlo, que aparece do nada, vai embora sem maiores explicações e que também não consigo explicar: eu cismo com as pessoas. mas é de um jeito positivo, tipo o oposto do famigerado ranço que a gente vive pegando. sabe? 

não, né? tá, deixa eu desenvolver melhor essa ideia...

lembro que a primeira vez que isso aconteceu eu tava na sétima ou oitava série, por aí. tinha esse menino na minha classe que, por alguma razão que até hoje eu não sei, simplesmente não. falava. com. ninguém. ele estudava com a gente há uns 3 anos já e o bichinho não falava. não é que ele não tinha amigos na classe, é que ele não abria a boca mesmo, a gente nem conhecia a voz dele direito. e isso era uma coisa muito esquisita, porque meninos de 13 anos num geral tem tanta energia pra gastar que só num botam fogo na escola porque não conseguem. então ninguém entendia isso de o cara não falar, né? mas ele num sofria nenhum tipo de bullying, a gente respeitava o menino do jeitinho que ele era e pronto. ele ficava lá suave na carteira dele, ninguém incomodava o menino e a vida seguia sem maiores problemas. (ah, ele não tinha autismo nem nenhum outro tipo de distúrbio, era só falta de vontade de interagir com o resto da classe mesmo.)

até que um dia eu CISMEI que ia virar amiga dele. simples assim. não existe outra palavra pra expressar isso além de cisma, sério. um dia eu tava lá na escola, olhei pra cara dele e pensei "é isso, vou virar amiga do cara e ele NÃO TEM ESCOLHA, vai ser meu amigo e pronto". bem louca, né? hahaha e foram meses de esforço até que::: SIM, NÓS VIRAMOS AMIGOS REAL OFICIAL. a gente conversava normal, ele começou até a falar com o pessoal que andava comigo, mas continuava ignorando quem não fazia parte do nosso restrito grupinho de 5 pessoas hahaha ele até me trouxe presente quando viajou pra disney, olha só que amorzinho <3 daí o menino saiu da escola e a gente nunca mais conversou. ¯\_(ツ)_/¯

também rolou isso com um colega de faculdade. no primeiro semestre nós tínhamos aula de literatura clássica juntos (homero, virgílio etc). comecei a conversar com ele porque fizemos um amigo em comum, mas eu e o rapaz em questão tínhamos um total de 0 compatibilidade nos assuntos. o menino é católico fervoroso, só pra começar a indicar a falta de afinidade. mas enfim, por alguma razão desconhecida eu gostava dele. achava ele legal, mesmo que às vezes a gente não conseguisse conversar direito dependendo do assunto (tipo quando ele e um outro ficaram me falando "mas quando você namora é pra casar, né? namoro é isso, não faz sentido namorar sem ser pra casar depois" e tal). ele não era muito do contato físico, mas como eu cismava com o rapaz ele era obrigado a me abraçar sempre que a gente se encontrava, porque é assim que eu dou oi pros meus amigos. e é isso né, eu cismei que faria essa amizade se consolidar e ponto final. depois de uns três abraços forçados ele já vinha de boa vontade me cumprimentar como se fossemos Mais Do Que Amigos, Friends™, então meu plano funcionou. depois paramos de ter aulas juntos, eu não consegui mais seguir o rapaz no facebook porque não aguentava mais post defendendo as coisas boas do catolicismo e é isso, agora a gente se dá um oizinho de longe quando se esbarra no corredor e olhe lá. ¯\_(ツ)_/¯

e tem as pessoas que eu cismo que são bonitas, né. aí é todo um caso a parte, mas vale a pena mencionar. normalmente é alguém que eu até já vi antes e nem dei muita bola, mas de repente me dá uma coisa que eu fico "meu deus do céu essa pessoa é a mais linda do mundo inteiro puta que o pariu!!!!!!!!". e eu tenho plena consciência de que nem é verdade, assim como eu SEI que as amizades que eu cismo em fazer não serão verdadeiras e eternas, mas é inevitável. eu tô lá de boas e de repente me BROTA essa coisa, eu fico fissurada na pessoa achando ela simplesmente maravilhosa. costuma passar em uns 2 dias e depois eu volto a achar a pessoa normal como qualquer outra, mas durante aquele período é uma coisa de doido. e é com homem e mulher, não faço distinção. e esse tipo de cisma aqui não tem absolutamente nada a ver com achar a pessoa legal, na maioria das vezes eu nunca nem conversei com o ser humano, é só beleza física mesmo. não tem outra explicação, é coisa de doido mesmo. ¯\_(ツ)_/¯

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

se um dia eu for presidente...

... vou PROIBIR o amigo secreto de acontecer no brasil.

sério, essa vai ser provavelmente a minha única promessa de campanha. saúde, economia, educação... não vou prometer nada, porque sei que não vai dar pra cumprir, então é melhor ir aos poucos conseguindo as coisas. mas banir essa maldita interação de fim de ano vai ser o meu maior objetivo quando eu estiver no controle da nação, sinceramente.

eu sou hater declarada de amigo secreto, evito sempre que me é permitido. e quando sou obrigada a participar faço questão de deixar todo mundo ciente que eu odeio essa bosta e preferia mil vezes estar fazendo qualquer outra coisa, inclusive gostaria muitíssimo de estar poupando o meu dinheiro.

o constrangimento que é você ficar lá na frente das pessoas inventando discursinho furado pra adivinharem quem você tirou, meu deus do céu que sofrimento! o desgaste que é ter que ir atrás de presente pra alguém que você talvez nem goste tanto assim, mas é seu colega de trabalho e você deu o azar de tirar a pessoa. a certeza de que você vai ser trouxa a ponto de escolher um presente decente pra pessoa que você tirou, mas vai ganhar qualquer bobagem nada a ver do infeliz que tirou o seu nome no papelzinho... É UMA DESGRAÇA ATRÁS DA OUTRA.

eu abri mão de participar do amigo secreto da família e todo. santo. ano. tenho que lidar com a minha mãe putassa porque onde é que já se viu fazer uma desfeita dessas, mas eu fico é bem tranquila sentadinha no sofá apenas observando as pessoas interagindo e, supostamente, se divertindo. torço pra que um dia mamãe aceite que, se pras outras pessoas esse é um momento legal, pra mim é um momento HORRÍVEL. e eu é que não vou passar por um transtorno desse só pra não pagar de chata, né? chata eu sou mesmo gente, eu hein, me poupe.

mas do maldito amigo secreto do trabalho não dá pra fugir. no estágio antigo foi temático, era amigo-livro. e a gente ainda escolheu "o tema" (no meu caso, literatura brasileira). fiquei feliz, porque pensei que não tinha como dar errado. mas deu. ganhei livro de poesia e, como vocês já devem ter percebido, eu não gosto de poesia e não escondo isso de ninguém (afinal de contas NUNCA apareceu um livrinho de poesia nas leituras do trimestre por aqui né ^^). obviamente eu nunca li o livro que eu ganhei. mas ele tem a capa bonita e foi escrito por uma mulher, então pelo menos eu acho legal ter o livrinho na estante (livrasso, na verdade, porque ele é enorme). e eu tirei a minha pessoa preferida do trabalho, então também não achei ruim ir comprar o presente pra ela. mas mesmo assim, se eu pudesse, teria evitado.

esse ano, no estágio novo, o amigo secreto tá me dando nos nervos. isso porque o valor que estipularam pra gente gastar é muito alto (e eu fiz abaixar, porque disse que não ia gastar tudo aquilo) e porque as pessoas do meu trabalho são apenas insuportáveis. tem uma bendita lá que disse que se recusa a dar vale-presente, que é o que a maioria das pessoas tá escolhendo. ela teve a pachorra de dizer "se a pessoa que eu tirei escolher isso, eu vou dar outra coisa". eu fiquei PISTOLA. se a pessoa que me tirou me dá algo que eu não escolhi só de birrinha eu acho que eu só levanto e vou embora mesmo, sem nunca mais aparecer na porra do trabalho, porque não sei lidar com gente que se acha no direito de passar por cima dos outros dessa forma. que a deusa me livre desse momento. 

aliás, pedi um vale-presente de livraria ou um pijama (amo). de acordo com os meus cálculos, tem mais ou menos uns 87% de chance de dar MUITO errado. já tô me preparando psicologicamente pra sorrir e agradecer mesmo que eu ganhe o presente mais bosta de todos.


PELO FIM DO AMIGO SECRETO NO BRASIL¹, EU VOTO SIM!

_____

¹ até porque eu não tenho absolutamente nada a ver com o que acontece nos outros países né, então seria muita presunção da minha parte enquanto presidente querer que isso fosse algo mundial... ¯\_(ツ)_/¯

sábado, 7 de outubro de 2017

mais cansada que luciana gimenez

ontem cheguei em casa tão esgotada com as pessoas do meu trabalho que eu tava com a impressão de ter ficado naquele ambiente por 48h. ultrapassei os meus limites mesmo, foi horrível. parecia que eu tinha entrado num universo paralelo em que o tempo passa de um jeito diferente, porque fiquei com aquelas pessoas por 9 horas mas me cansei como se tivesse sido uma semana.  

só de pensar em voltar pra lá na segunda feira já me dá uma taquicardia. 



* * *

todos os dias eu enfrento dificuldades ao lidar com seres humanos. faz 22 anos que eu interajo com pessoas, todas elas, pensando que eu preferida estar evitando aquele contato. homem, mulher, criança, idoso... não importa. é sempre um momento complicado esse da interação. 

às vezes eu encontro umas almas abençoadas pelo caminho que me dão até vontade de realmente manter contato, mas no geral eu preferia evitar. pena que simplesmente não é possível, uma vez que a gente vive em sociedade. então eu tento me reeducar pra conseguir encarar esses momentos com mais naturalidade, sem ficar pensando "socorro alguém me salva" o tempo todo. mas é muito difícil, porque as pessoas costumam ser completamente tóxicas. ninguém se ajuda, ninguém fala nada positivo, ninguém se preocupa em tornar o clima melhor. tá todo mundo muito autocentrado procurando só o próprio benefício, sem se importar se quem tá em volta tá sendo prejudicado ou não. eu fico doida com essas coisas.

daí quando eu penso que já fiz algum progresso, as pessoas vão lá e tornam tudo muito mais complicado. como se fosse um jogo de video game mesmo. eu demoro 1 semana pra conseguir avançar na fase, pra entender como ela funciona, pra ir me adequando às dificuldades dela e ir driblando os obstáculos. só que quando eu acho que tô preparada pra passar pra próxima eu descubro que o chefão é um bicho 18x mais complicado de vencer do que o da fase anterior. 

pena que na vida real a gente não pode se irritar com o jogo, desistir e tirar o video game da tomada, a gente precisa continuar tentando até o final.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

livrinhos de 2017 - parte III

pra ver o que veio antes, é só clicar: parte I e parte II 😊

* * *

antes de mais nada, queria explicar uma coisa: eu tava com um ~projetinho~ de leitura pra esse trimestre. me inspirei na maratona literária de inverno, do geek freak, pra escolher meus livros. vou resumir a maratona e como eu adaptei isso pra minha realidade, mas quem quiser saber direitinho sobre ela dá uma assistida nesse vídeo aqui que o victor explica bonitinho ;) enfim. o projeto dele é ler o máximo de livros possíveis (de 3 a 9, dependendo do nível do desafio) dentro de um determinado período de tempo (2 semanas), "obedecendo" a certas categorias propostas por ele. pra mim seria absolutamente IMPOSSÍVEL encaixar um negócio desse na minha rotina, porque eu não tenho nem tempo e nem disposição pra isso, mas ficaria me cobrando pra conseguir e no fim das contas ia me frustrar. então surrupiei o projeto do rapaz e utilizei toda a minha licença poética pra expandir o período de duas semanas para três fucking meses. assim todo mundo (eu, no caso) sai feliz 😋

as categorias são: 1) ler um livro com a capa azul 2) ler um livro com menos de 200 páginas 3) ler um livro que você comprou pela capa 4) ler um livro escrito por uma mulher 5) ler um livro sem saber a sinopse, ou do que se trata 6) ler um livro nacional 7) ler um livro que se passe em um período histórico importante 8) ler um livro com pontuação no título 9) ler um livro que é muito criticado ou que alguém não gostou

esclarecido isso, vamos ao que interessa:

JULHO (4 livros)



 A cor púrpura - Alice Walker (1982)
a princípio eu me incomodei MUITO com o livro, porque ele é contado por meio de cartas e quem escreve é uma personagem sem muito estudo, então isso fica marcado na forma como ela se comunica. o que obviamente não é um problema, mas pra mim ficou muito forçado. imagino que no original soe mais natural, mas achei meio ""ruim"" a tradução dos ""erros"" que a personagem comete. tirando isso, que história!!!! terminei o livro apaixonada pelas personagens e pelo desenvolvimento delas <3 não é o livro da minha vida, mas eu gostei bastante! (obrigada pelo presente, fefa!!! <3)

 AvóDezanove e o segredo do soviético - Ondjaki (2008)
ô gente, que delicinha esse livro! <3 é fácil de ler, a história é boa, o personagem principal é maravilhoso (não é nem a avó e nem o soviético, é uma criança!), tem várias referências à cultura de massa brasileira, tem uma coisinha de literatura fantástica, eu li em 2 dias... enfim, é um amorzinho! e é sempre bom lembrar que literatura africana de língua portuguesa é um troço maravilhoso de bom e se você não leu ainda, VAI FAZER ISSO AGORA ;)
(categoria 1 do desafio - um livro de capa azul ✔)

 Crônica de uma morte anunciada - Gabriel García Márquez (1981)
garcía márquez é incrível, simples assim. não que eu tenha me apaixonado pelo livro, inclusive nem me marcou tanto assim, mas ele vale a pena pela maneira como a história é contada. desde o titulo a gente já sabe que vai rolar uma morte, em poucas páginas a gente já sabe quem morreu, quem matou e por que isso aconteceu. mas a graça é descobrir o desenrolar dos fatos a partir dos relatos dispersos que o narrador foi coletando ao longo do tempo. e é curtinho também, só vejo vantagens :)
(categoria 2 do desafio - um livro com menos de 200 páginas ✔)

 O mistério da fábrica de livros - Pedro Bandeira (1988)
tive que ler esse livrinho no ensino fundamental, achei perdido por aqui e lembrei que eu tinha amado descobrir como funciona uma fábrica de livros, daí quis reler. não resisto a literatura infanto-juvenil :) lendo agora eu me espantei em como eu pude gostar de um livro chato desses, que relata o processo desde o corte das árvores até costura das páginas depois de impressas, mas na época eu achei incrível hahaha o livro tá meio desatualizado, já que nos anos 80 ainda se usava máquina de escrever, mas mesmo assim deve ser interessante pras crianças se sentirem mais próximas dos livrinhos, que foi o que aconteceu comigo no alto dos meus 11-12 anos..
(categoria 6 do desafio - um livro nacional ✔)



AGOSTO (5 livros)



 História do novo sobrenome - Elena Ferrante (2012)
olha nois aqui dando continuação à série napolitana da dona ferrante! achei esse livro mais arrastado que o primeiro, mas ainda assim continuei bem envolvida com a história. minha relação com as personagens principais é um misto de "amo você vamo ser migas" com "você é insuportável eu não ia querer você na minha vida jamais". eu fico tão impactada com tudo o que acontece com elas e com quem tá em volta que fico o dia inteiro remoendo os acontecimentos dessa história. não vejo a hora de ler o próximo! (ainda que o primeiro tenha terminado de um jeito bem mais impactante que o segundo, convenhamos)

 Hogwarts: um guia imperfeito e impreciso - J.K. Rowling (2016)
eu reclamo que a J.K. não consegue largar o osso e deixar harry potter terminar de vez, mas eu também não consigo deixar de ler essas coisas que a mulher publica hahaha mais um "livrinho" daqueles que o pottermore publicou com informações extras sobre alguns aspectos da série. esse fala de coisas como a sala comunal da lufa-lufa, o expresso de hogwarts, o mapa do maroto e a câmara secreta, por exemplo. os textos trazem coisas novas e interessantes? sim. eles são suficientes? com certeza não. mas não posso negar que amei estar dentro desse universo de novo :)
(categoria 8 do desafio - um livro com pontuação no título ✔)

 O papel de parede amarelo - Charlotte Perkins Gilman (1892)
eu não peguei pra ler porque esse é "um clássico da literatura feminista", porque na real eu nem sabia disso. eu quis ler porque vi em algum lugar que era um terrorzinho psicológico e tinha bastante gente falando sobre.. esse foi um livro que me exigiu reflexão, digamos assim. a princípio eu não gostei muito do texto, alguma coisa ali tava me incomodando, mas depois de pensar sobre ele, sobre o que ele significava e sobre a construção da narrativa eu passei a enxergar de um jeito diferente. só de saber que foi escrito no século XIX e já retratava tão bem essa questão da mulher silenciada em um relacionamento abusivo já dá pra entender o peso que a história tem!
(categoria 4 do desafio - um livro escrito por uma mulher ) ((eu podia ter escolhido qualquer outro, mas esse teve a vantagem de ser considerado literatura feminista))

 Aventura em Bagdá - Agatha Christie (1951)
eu tinha uma quantidade x de dinheiro pra gastar com um presente de aniversário pra mim, daí escolhi um livro que eu realmente queria e me sobraram alguns dinheirinhos. dentro daquele orçamento, escolhi o que eu achei mais bonito pra complementar a minha estante :P dos quatro livros da agatha que eu li, esse foi o que eu menos gostei. o ritmo dele é bem diferente do que eu tava acostumada, porque não fica focado em descobrir quem foi o assassino da vez, mas mistura um zilhão de personagens diferentes e histórias paralelas que no final se juntam e viram tudo uma coisa só. é bem confuso, às vezes é meio absurdo até demais.. mas pelo lado positivo eu gostei de ler um livro ambientado no oriente, foi o que deu charme ao texto :)
(categoria 3 do desafio - um livro que você comprou pela capa ✔)

 Disgrace - J. M. Coetzee (1999)
gente do céu eu nunca vi um nome tão apropriado pra um livro. acontece tanta desgraça nessa história que eu fiquei sem palavras quando terminei, é pedrada atrás de pedrada do começo ao fim!!! é um livro bom, discute um monte de assunto complicado (tipo relacionamento entre um professor de 50+ anos e uma aluna de 20) e te faz pensar em vez de te dar só a resposta pronta. apesar de ter lido por obrigação e não por vontade própria - é pra uma matéria da faculdade -, foi uma experiência boa. ah, esse eu li em inglês, então o título vai assim também. ;)
(categoria 5 do desafio - um livro sem saber a sinopse, ou do que se trata ✔)


SETEMBRO (5 livros e meio)



 Caetés - Graciliano Ramos (1947)
eu tentei, mas não tive condições de terminar essa leitura. que livro chato da porra! eu dou um desconto pro autor (que eu amo) porque sei que nem todo mundo é abençoado a ponto de já arrasar logo no primeiro romance né, mas não deu pra chegar no final. o livro é arrastado e tem um zilhão de personagens que eu mal consegui decorar o nome de tão aleatórios.. passei da metade e NADA tinha acontecido ainda, daí desisti mesmo porque não sou obrigada hahah

 Sonho de uma noite de verão - William Shakespeare (circa 1590)
aaaa eu nunca pensei que fosse gostar tanto de ler shakespeare! (só um parêntese: sim, gente, tô no quarto ano do curso de letras português/inglês e não tinha lido o homem ainda. e não li no original não porque não sou obrigada!!! bjs) eu já conhecia o enredo, já tinha visto uma peça dessas bem despretensiosas encenando essa história e tal, mas achei tão divertidinho! as coisas que acontecem são um absurdo tão grande que dá até vontade de ler mais, vê se pode? hahaha :D

 Os papéis de Lucas: pequeno inventário de um adolescente - Júlio Emílio Braz (2005)
já tinha lido antes, quando tava na escola, mas já não lembrava mais sobre o que era o livrinho. resolvi reler e foi uma surpresa muito boa, porque por incrível que pareça eu tava num momento bem difícil e algumas passagens do livro acalmaram o meu coraçãozinho ^^ é bem daqueles livrinhos feitos pra ensinar O Jovem a não fazer merda na vida, tipo "não use drogas, não seja escroto, acredite em deus" etc. então não é nenhuma leitura maravilhosa que todo mundo precise ler, mas por ~motivos pessoais~ (hahaha) é um livrinho que eu sei que vou precisar reler no futuro, quando eu precisar colocar minha cabeça no lugar...

 Mayombe - Pepetela (1980)
que livrasso! só pra situar você que tá lendo, o livro conta a história de uns guerrilheiros que lutavam pela independência de angola. só imagina quanta pedrada a gente num leva ao acompanhar a rotina e a realidade desses caras! (e o autor realmente vivenciou isso, veja bem). eu AMEI as personagens, gostei muito das reflexões que elas trouxeram, li sem parar até o final. só fiquei me perguntando se, no mundo real, aquelas pessoas seriam realmente tão cultas e teriam uns diálogos tão com cara de textão do facebook hahaha mas tirando isso só tenho elogios a fazer :) 
(categoria 7 do desafio - um livro que se passe em um período histórico importante ✔)

 Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres - Clarice Lispector (1969)
toda  vez que eu leio clarice é a mesmíssima história: não gosto, mas tem alguma coisa ali que me prende. e esse livro particularmente me encantou um pouco mais, porque me reconheci em diversos aspectos da personagem principal - e eu não me orgulho disso, já que ela é cheia das dificuldades de viver. tirando o conto "a menor mulher do mundo" (que é meu texto preferido dela) e o livro "a hora da estrela", que eu aprendi a amar na faculdade, esse foi a obra que eu mais gostei. 

 O guia do mochileiro das galáxias - Douglas Adams (1979)
genteeee, preciso começar dizendo que: melhor livrinho pra eu fechar o trimestre!! <3 eu já tinha tentado ler uma vez e tinha ODIADO, sério, desisti real porque tava achando uma verdadeira porcaria ^^ mas eu sentia que precisava tentar de novo, todo dia ele me olhava lá da estante e me chamava... até que eu resolvi dar uma segunda chance ao livro e eu ameeei!! acho que antes eu não tava na vibe, só isso explica. achei os personagens absolutamente incríveis, a história é genial e é contada de um jeito muito bom! tá no meu top 3 ficções científicas da vida :D
(categoria 9 do desafio - um livro que é muito criticado ou que alguém não gostou ✔) ((nesse eu meio que roubei porque a pessoa que não gostou no caso fui eu mesma HAHAHAHA))


e os resultados parciais desse trimestre são:

 livros terminados 14 x 1 livro abandonado

 literatura brasileira 4 x 11 literatura estrangeira  (2 dos estados unidos, 2 de angola, 1 da colômbia, 1 da itália, 4 da inglaterra e 1 da áfrica do sul)

 livros lidos no kindle 6 x 9 livros físicos

 autoras mulheres 6 x 9 autores homens

 releituras 3 x 12 livros novos

sábado, 23 de setembro de 2017

aos alunos do colegial: um apelo

já falei em outros posts aqui que eu não era boa em matemática e física (só era esperta o suficiente pra passar com nota satisfatória). mas pra mim é importante ir bem nas aulas, porque estudar é algo que eu gosto e que eu consigo fazer direito. então, pra compensar a falha nas matérias de exatas, eu me agarrei às matérias de língua como se não houvesse o amanhã. já que eu não conseguia entender os conceitos físicos de jeito nenhum, eu me contive em ser a melhor aluna possível em português, inglês e espanhol (apesar de meus conhecimentos em língua espanhola serem graças às músicas do rbd e não exatamente às aulas em si).

isso significa que eu levava as aulas de português a sério – literatura nem tanto, mas gramática e redação eram as minhas matérias do amor. eu estudava, fazia as lições, tirava todas as minhas dúvidas. e obviamente conseguia sempre notas altas, porque eu me dedicava. e assim eu realmente aprendi aquele monte de regra chata.

eis que hoje em dia, no meu quarto ano da faculdade de letras, eu já ganhei alguns dinheiros revisando texto alheio. e por mais que eu precise de gente que escreve mal pra garantir o meu sustento (afinal de contas se você escreve direito cê num vai contratar um revisor), eu imploro: gente, PRESTA ATENÇÃO NAS AULAS!!!!!

eu sei que é chato mesmo e que parece sem sentido estudar a nossa própria língua, mas o nível de conhecimento dos alunos universitários é surreal de tão baixo. e eu não tô falando dos alunos ingressantes, aqueles que acabaram de sair do ensino médio. tô falando dos belezinhas que tão entregando TCC pra se formar no ensino superior mesmo. ou pior, tô falando de quem tá no mestrado e não consegue escrever uma sentença coerente. EM PORTUGUÊS! (não vou nem entrar no mérito do inglês aqui, talvez outra hora eu fale sobre essa questão...)

cara, isso é TÃO sério. é o nosso idioma, é algo que a gente começa a aprender desde antes de nascer (segundo minha professora de psicolinguística, tem estudos que comprovam que o nenê escuta e, mesmo não entendendo o que tá sendo dito, fica habituado ao ritmo da língua que tá escutando <3)! já que a gente já sabe se comunicar, as aulas deveriam servir só pra nos ensinar a aprimorar nossas habilidades, certo? pra gente conseguir organizar as nossas ideias de um jeito mais “bonito”, digamos assim. não era pra ser algo que ninguém entende, que ninguém se importa.

revisar trabalho acadêmico e não conseguir identificar sobre o que a pessoa tá falando é um negócio muito ruim. eu sei o tema do texto, sei o que foi falado antes (afinal de contas eu li tudo o que foi escrito até aquele ponto) e não consigo entender qual é o sujeito de uma oração. simplesmente não dá pra saber sobre quem/o que a pessoa tá falando. o negócio é tão mal escrito, tão mal articulado, que fica absolutamente sem sentido algum. as frases ficam soltas, não tem coesão entre um parágrafo e outro. fica difícil até de corrigir, porque não tem como saber o que era pra estar escrito. bate até um desespero...

então se tem uma coisa que eu deixo de “dica” pra quem tá no ensino médio é LEVA AS AULAS DE PORTUGUÊS A SÉRIO! a redação tem um peso absurdo no vestibular, não adianta nada saber equação do segundo grau se seu texto vai ser tão ruim que cê vai perder sua vaga, né? -_-

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

memória olfativa e seus mistérios

as adversidades da vida acabaram me afastando da minha madrinha, já faz muitos anos que a gente não tem contato uma com a outra. as lembranças que me restam da época em que passamos juntas são bem pontuais, já me esqueci de muita coisa (por exemplo, lembro de estar passando a novela o cravo e a rosa em um dia em que eu estava na casa dela, mas já não sei mais o que fizemos além de ver tv). eu não consigo mais lembrar de quase nada. nem do som da voz dela, nem de como ela estava vestida da última vez em que a gente se viu. nada.

até que esses dias a memória dela voltou nítida pra mim. sem mais nem menos, a imagem da minha madrinha brotou na minha mente assim que uma aluna sentou do meu lado. a princípio eu não entendi. elas não se parecem fisicamente, não têm o mesmo nome, a mulher nem falou nada que pudesse ser relacionado à minha madrinha. mas ainda assim a lembrança dela me atingiu em cheio.

a única coisa que eu consegui pensar foi que o cheiro de cigarro que a aluna exalava devia ser o mesmo da minha madrinha. e eu nem sabia que ela fumava (minha mãe confirmou que sim).

as bifurcações pelo caminho nos fizeram andar pra lugares diferentes (não a culpo por ter se distanciado e nem me culpo por ter aceitado isso tão bem), mas pelo visto ela continua comigo. fiquei feliz de constatar que ainda guardo um pedacinho dela tão presente dentro de mim - mesmo que ele esteja relacionado ao cheiro do cigarro, algo que eu não suporto.

madinha: onde quer que você esteja, espero que esteja bem. <3

quarta-feira, 26 de julho de 2017

eu caí no golpe do instagram

convenhamos que já faz muito tempo que eu tô na internet né, gente (não que fosse tudo mato quando eu cheguei, mas ainda era um lugar relativamente em construção). então me custa um pouco admitir que eu caí no golpe mais ridiculamente detectável de todos os que existem nessa famigerada rede mundial de computadores: o da vida perfeitamente feliz.

não é de hoje que a gente sabe que não dá pra confiar em tudo que a gente vê online, ainda mais no instagram. mas mesmo assim eu me deixei enganar. o twitter tá aí pra gente reclamar da vida, o facebook é um lixão a céu aberto, mas o instagram é uma desgraça!!! porque ali ninguém posta foto feia, ninguém coloca a parte ruim. é só comida gostosa, roupa bonita, role legal, viagem.. 

e que quantidade absurda de viagem, hein? eu fico com a impressão de que sou a única pessoa da história do brasil que tá em casa, absolutamente todas as outras tão viajando e se divertindo e conhecendo um monte de lugar lindo enquanto eu tô presa nessa rotina bosta de trabalho. 

só que a parte bizarra é que EU SEI que a vida de ninguém é assim tão maravilhosa. eu mesma só posto no instagram o que eu considero legal, não coloco foto minha em pé no ônibus às 20h30 chorando de fome. tem foto minha e do boy cheios de amor, tem selfie bonita de quando a autoestima tava alta, tem foto antiga de quando eu tava pagando de gatinha na praia. mas foto minha perdendo mais de uma hora no banco pra resolver um problema com o cartão é claro que não vai ter. a regra implícita do instagram é que ali a gente só expõe a parte boa.

e ainda assim, mesmo tendo plena consciência disso, eu fico mal vendo as fotos. mesmo que o meu próprio feed só tenha a parte bacana. parece que a vida de todo mundo é muito mais legal, muito mais interessante, muito mais divertida. a galera tá dando role na europa, tá conhecendo o brasil, tá indo pra restaurante caro. e eu tô na mesa do trabalho rolando as fotos e curtindo todas (todas mesmo, sou dessas que dá like indiscriminadamente) com aquele sentimento amargo de "não é possível que só eu tenha essa vidinha mais ou menos". 

já diria o ditado: todo mundo vê as pinga que eu bebo, mas não vê os tombo que eu levo. o problema é que, nesse momento, o que eu sinto é que só eu levo tombo. parece que a vida das pessoas só tem a parte da pinga.