sábado, 23 de setembro de 2017

aos alunos do colegial: um apelo

já falei em outros posts aqui que eu não era boa em matemática e física (só era esperta o suficiente pra passar com nota satisfatória). mas pra mim é importante ir bem nas aulas, porque estudar é algo que eu gosto e que eu consigo fazer direito. então, pra compensar a falha nas matérias de exatas, eu me agarrei às matérias de língua como se não houvesse o amanhã. já que eu não conseguia entender os conceitos físicos de jeito nenhum, eu me contive em ser a melhor aluna possível em português, inglês e espanhol (apesar de meus conhecimentos em língua espanhola serem graças às músicas do rbd e não exatamente às aulas em si).

isso significa que eu levava as aulas de português a sério – literatura nem tanto, mas gramática e redação eram as minhas matérias do amor. eu estudava, fazia as lições, tirava todas as minhas dúvidas. e obviamente conseguia sempre notas altas, porque eu me dedicava. e assim eu realmente aprendi aquele monte de regra chata.

eis que hoje em dia, no meu quarto ano da faculdade de letras, eu já ganhei alguns dinheiros revisando texto alheio. e por mais que eu precise de gente que escreve mal pra garantir o meu sustento (afinal de contas se você escreve direito cê num vai contratar um revisor), eu imploro: gente, PRESTA ATENÇÃO NAS AULAS!!!!!

eu sei que é chato mesmo e que parece sem sentido estudar a nossa própria língua, mas o nível de conhecimento dos alunos universitários é surreal de tão baixo. e eu não tô falando dos alunos ingressantes, aqueles que acabaram de sair do ensino médio. tô falando dos belezinhas que tão entregando TCC pra se formar no ensino superior mesmo. ou pior, tô falando de quem tá no mestrado e não consegue escrever uma sentença coerente. EM PORTUGUÊS! (não vou nem entrar no mérito do inglês aqui, talvez outra hora eu fale sobre essa questão...)

cara, isso é TÃO sério. é o nosso idioma, é algo que a gente começa a aprender desde antes de nascer (segundo minha professora de psicolinguística, tem estudos que comprovam que o nenê escuta e, mesmo não entendendo o que tá sendo dito, fica habituado ao ritmo da língua que tá escutando <3)! já que a gente já sabe se comunicar, as aulas deveriam servir só pra nos ensinar a aprimorar nossas habilidades, certo? pra gente conseguir organizar as nossas ideias de um jeito mais “bonito”, digamos assim. não era pra ser algo que ninguém entende, que ninguém se importa.

revisar trabalho acadêmico e não conseguir identificar sobre o que a pessoa tá falando é um negócio muito ruim. eu sei o tema do texto, sei o que foi falado antes (afinal de contas eu li tudo o que foi escrito até aquele ponto) e não consigo entender qual é o sujeito de uma oração. simplesmente não dá pra saber sobre quem/o que a pessoa tá falando. o negócio é tão mal escrito, tão mal articulado, que fica absolutamente sem sentido algum. as frases ficam soltas, não tem coesão entre um parágrafo e outro. fica difícil até de corrigir, porque não tem como saber o que era pra estar escrito. bate até um desespero...

então se tem uma coisa que eu deixo de “dica” pra quem tá no ensino médio é LEVA AS AULAS DE PORTUGUÊS A SÉRIO! a redação tem um peso absurdo no vestibular, não adianta nada saber equação do segundo grau se seu texto vai ser tão ruim que cê vai perder sua vaga, né? -_-

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

memória olfativa e seus mistérios

as adversidades da vida acabaram me afastando da minha madrinha, já faz muitos anos que a gente não tem contato uma com a outra. as lembranças que me restam da época em que passamos juntas são bem pontuais, já me esqueci de muita coisa (por exemplo, lembro de estar passando a novela o cravo e a rosa em um dia em que eu estava na casa dela, mas já não sei mais o que fizemos além de ver tv). eu não consigo mais lembrar de quase nada. nem do som da voz dela, nem de como ela estava vestida da última vez em que a gente se viu. nada.

até que esses dias a memória dela voltou nítida pra mim. sem mais nem menos, a imagem da minha madrinha brotou na minha mente assim que uma aluna sentou do meu lado. a princípio eu não entendi. elas não se parecem fisicamente, não têm o mesmo nome, a mulher nem falou nada que pudesse ser relacionado à minha madrinha. mas ainda assim a lembrança dela me atingiu em cheio.

a única coisa que eu consegui pensar foi que o cheiro de cigarro que a aluna exalava devia ser o mesmo da minha madrinha. e eu nem sabia que ela fumava (minha mãe confirmou que sim).

as bifurcações pelo caminho nos fizeram andar pra lugares diferentes (não a culpo por ter se distanciado e nem me culpo por ter aceitado isso tão bem), mas pelo visto ela continua comigo. fiquei feliz de constatar que ainda guardo um pedacinho dela tão presente dentro de mim - mesmo que ele esteja relacionado ao cheiro do cigarro, algo que eu não suporto.

madinha: onde quer que você esteja, espero que esteja bem. <3

quarta-feira, 26 de julho de 2017

eu caí no golpe do instagram

convenhamos que já faz muito tempo que eu tô na internet né, gente (não que fosse tudo mato quando eu cheguei, mas ainda era um lugar relativamente em construção). então me custa um pouco admitir que eu caí no golpe mais ridiculamente detectável de todos os que existem nessa famigerada rede mundial de computadores: o da vida perfeitamente feliz.

não é de hoje que a gente sabe que não dá pra confiar em tudo que a gente vê online, ainda mais no instagram. mas mesmo assim eu me deixei enganar. o twitter tá aí pra gente reclamar da vida, o facebook é um lixão a céu aberto, mas o instagram é uma desgraça!!! porque ali ninguém posta foto feia, ninguém coloca a parte ruim. é só comida gostosa, roupa bonita, role legal, viagem.. 

e que quantidade absurda de viagem, hein? eu fico com a impressão de que sou a única pessoa da história do brasil que tá em casa, absolutamente todas as outras tão viajando e se divertindo e conhecendo um monte de lugar lindo enquanto eu tô presa nessa rotina bosta de trabalho. 

só que a parte bizarra é que EU SEI que a vida de ninguém é assim tão maravilhosa. eu mesma só posto no instagram o que eu considero legal, não coloco foto minha em pé no ônibus às 20h30 chorando de fome. tem foto minha e do boy cheios de amor, tem selfie bonita de quando a autoestima tava alta, tem foto antiga de quando eu tava pagando de gatinha na praia. mas foto minha perdendo mais de uma hora no banco pra resolver um problema com o cartão é claro que não vai ter. a regra implícita do instagram é que ali a gente só expõe a parte boa.

e ainda assim, mesmo tendo plena consciência disso, eu fico mal vendo as fotos. mesmo que o meu próprio feed só tenha a parte bacana. parece que a vida de todo mundo é muito mais legal, muito mais interessante, muito mais divertida. a galera tá dando role na europa, tá conhecendo o brasil, tá indo pra restaurante caro. e eu tô na mesa do trabalho rolando as fotos e curtindo todas (todas mesmo, sou dessas que dá like indiscriminadamente) com aquele sentimento amargo de "não é possível que só eu tenha essa vidinha mais ou menos". 

já diria o ditado: todo mundo vê as pinga que eu bebo, mas não vê os tombo que eu levo. o problema é que, nesse momento, o que eu sinto é que só eu levo tombo. parece que a vida das pessoas só tem a parte da pinga. 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

sobre o que realmente importa

eu sou 100% meninas que não conseguem viver o presente e ficam pensando incessantemente sobre o futuro (ansiedade né, que coisa boa), então é óbvio que eu já tenho um milhão de planos - e que eu não tenho necessariamente a pretensão de colocar todos eles em prática, porque sou ansiosa mas não sou tão trouxa assim e já me basta de decepção nessa vida. 

daí que eu separo esses planos em algumas categorias. tipo: "meta de vida", "seria muito legal mesmo se de repente isso acontecesse em algum momento", "farei quando terminar a faculdade", "quero antes dos 30", e coisa e tal.

um dos meus planos pra um futuro de preferência próximo (digamos que a categoria desse seja "o mais rápido possível mas tudo bem se for daqui a alguns anos a vida é assim mesmo") é pegar minha mochilinha, dar a mão pro boy e caçar um cantinho pra chamar de nosso em algum lugar longínquo desse mundão de meu deus. e na verdade nem precisa ser tão longínquo assim, ali no uruguai eu já me dou por satisfeita, mas o plano é que o nosso cantinho se encontre em terras estrangeiras. 

preciso fazer um adendo pra dizer que amo d+ a minha terrinha, então mesmo querendo muito ir morar fora (porque afinal de contas o mundo é muito grande e não tem a menor graça passar a vida inteira no mesmo lugarzinho sendo que tem tanta coisa incrível pra ver por aí) eu pretendo voltar obviamente pois brasilzão véio de guerra melhor país de todos apesar dos apesares etc etc etc.

eis que eu e o digníssimo senhor boy estávamos conversando sobre como seria a nossa vida morando em outro país e começamos a pensar em coisas sérias, tipo como a gente ia fazer pra pagar as contas, que tipo de visto a gente ia precisar pra entrar nesse tal outro país e ficar morando lá ("mas será que já dá pra entrar com visto de trabalho sem ter um trabalho antes???"), esse tipo de coisa. até que a gente se deparou com a maior das nossas agruras e já começamos a pensar em soluções pra superar esse transtorno, mas ainda não sabemos como driblar de vez esse obstáculo.

no momento a nossa maior preocupação é: E O PÃO FRANCÊS? COMO QUE A GENTE VAI VIVER SEM PÃO NA CHAPA DE MANHÃ MEU DEUS DO CÉU ISSO NÃO VAI SER NADA FÁCIL

porque convenhamos que não ter como se manter em outro país é um problema grave, mas não ter aquele pãozinho francês esperto pra matar a fome de manhã é um problema GRAVÍSSIMO!

sábado, 15 de julho de 2017

torta de climão

título alternativo: o dia em que três adultas não deram conta de convencer uma única criança de 5 anos

eu falei no post sobre a nina (melhor pessoinha que esse mundo já viu) que eu dou aula pra ela e pra giovanna, né? só que agora a nina já tá toda independente, não precisa mais de atenção exclusiva, ela senta junto com os outros alunos e eu faço meu trabalho normalmente, só fico do lado dela porque afinal de contas a menina tem 6 anos e ainda precisa de auxílio em alguns momentos.

mas a giovanna ainda tá um tantinho longe de atingir esse mesmo grau de independência. ela ainda senta separada e eu preciso ficar unicamente com ela, porque tem dias que nem no lápis a criança quer pegar direito. mas enfim, não entrarei em muitos detalhes sobre isso porque senão eu fico nervosa hahaha

o fato é que as duas tem aula de terça feira. a gi vem as 16h e a nina vem as 17h. as duas fazem inglês e matemática aqui na escola, mas elas não se encontram. enquanto uma tá no inglês, a outra tá na matemática. só que nessa ultima terça a nina precisou vir mais cedo e ninguém se deu ao trabalho de avisar essa mudança pra nós, professoras do inglês (organização mandou dois beijos!), então as duas chegaram ao mesmo tempo, as 16h.

pra facilitar a vida de todo mundo, falei com a coordenadora pra trocar o horário da matemática da giovanna - a nina já tinha feito, então não tinha como alterar nada dela. a coordenadora concordou e a professora da matemática foi comigo buscar a gi, mas a criança simplesmente se recusou a ir. não queria fazer matemática de jeito nenhum, tinha que ser o inglês primeiro. a mãe dela - que também faz aula - simplesmente se limitou a dizer “ah, ela é assim mesmo, bem sistemática”. e depois fez a pêssega, fingiu que a criança não era filha dela e fez a própria lição bem linda enquanto a menina causava um climão.

já que ela não queria fazer a matemática, a professora se ofereceu pra acompanhar a giovanna no inglês mesmo - assim eu conseguiria corrigir a lição dos outros alunos e a outra professora do inglês não ficaria sobrecarregada (tá difícil de entender como funciona a escola né, eu sei, às vezes nem eu entendo). pois a criança se recusou de novo. tinha que ser inglês primeiro e tinha que ser comigo, não aceitou fazer com a outra professora dela. pra vocês terem uma ideia, nem respondendo mais ela tava. parecia que a criança tinha travado, uma coisa meio piripaque do chaves e tal.

daí a coordenadora da escola tentou intervir conversando com a giovanna, mas não teve jeito de convencer a criança. no fim das contas a gente fez o que ela quis: primeiro a aula de inglês e comigo, sem ninguém pra atrapalhar. e, por incrível que pareça, esse foi o dia em que ela mais produziu. e ainda ganhei um abraço no final da aula. NÃO ENTENDI NADA.

é por causa dessas coisas que eu repenso umas milhões de vezes a minha vontade de ser mãe. se lidar com o filho dos outros já é difícil, imagina com a minha própria cria??? porque a criança alheia a gente devolve pros pais quando a coisa complica, mas a nossa não dá pra mandar embora, né? foda. 

sábado, 8 de julho de 2017

aplicando a técnica da surdez seletiva

eu poderia real abrir uma categoria aqui só pra registrar os diálogos surreais que eu tenho com os meus colegas de trabalho. o pessoal é legal, eu gosto deles, mas pra sobreviver naquela empresa eu preciso abstrair pelo menos uns 70% do conteúdo das conversas senão eu fico louca. é bem naquela vibe "sorri e acena", sabe? não dá, não consigo. fico concordando com a cabeça e de vez em quando dou umas risadas, mas sem realmente ouvir o que tão me falando, porque aquelas pessoas falam cada absurdo que nem parece de verdade.

só pra contextualizar, eu trabalho numa escola num bairro de gente rica. interpretem essa informação como quiserem.

tem uma moça que trabalha comigo (que será chamada mais pra frente de pessoa B) que mora praticamente na esquina da escola, é muito perto mesmo. e ela é a rainha das pérolas, a moça realmente fala umas coisas que eu fico absurdada. daí que a gente tava falando de uma aluna em específico que quer correr com o curso e vive pedindo pra fazer mais e mais lições, mesmo que a gente tente convencer a bonita de que esse não é o melhor jeito de levar os estudos dela etc etc etc. eis que ela foi viajar e levou uma quantidade absurda de tarefas pra fazer nesse período. quando ela voltou pras aulas, disse que não conseguiu fazer tudo (cê jura, linda? pena que ninguém te avisou, né!!!). a moça aproveitou pra abrir o coração e dizer que a vida dela ficou muito corrida na viagem, porque tinha que fazer tudo sozinha e o marido não prestava nem pra ajudar a cuidar das filhas (aquela velha história bem conhecida da gente né, de pai que não faz o mínimo porque a nossa sociedade patriarcal ensinou pra ele que é assim mesmo) e o único momento que ela tinha pra fazer as tarefas era antes de dormir. a maioria das lições foram feitas entre 23h e meia noite. 

eu não vou muito com a cara dessa aluna, mas fiquei sentida com esse desabafo. empatia, né, mores? você vê uma pessoa passando por uma situação complicada e você faz o que? isso mesmo, você se solidariza com ela. a menos que você seja escroto, aí você acha bom que o outro tenha se ferrado. POIS BEM. aí é que vem o diálogo surreal.

pessoa A: gente, e a aluna x, ela não conseguiu mesmo fazer tudo aquilo de lição, né? a gente bem que avisou
eu: nossa, mas ela disse que tava fazendo tudo sozinha nesses tempos, fiquei até mal pelos horários das lições. teve umas que ela fez de madrugada quase!
pessoa B: mas bem feito né, ninguém mandou
eu: tudo bem, ela levou muita coisa, mas a mulher disse que não tinha tempo pra ela, que o marido não fazia nada, nem olhava pras crianças pra ajudar. e ele é o pai, né
pessoa B: é, mas ele trabalha, não tem mesmo que ficar olhando filho
eu: grande bosta, né? como se a mulher não tivesse nada pra fazer da vida dela além de criar as crianças
pessoa B: e empregada, ela não tem não? deu férias pra todo mundo? bem feito

(só um pequeno adendo: a pessoa B tem filhos.)

daí ficou um climão, porque eu olhei pra ela assim 😨, e a pessoa B continuou tentando justificar o que tava dizendo, mas eu basicamente tampei os ouvidos e preferi ignorar o resto da conversa. 

SURREAL ter que escutar da colega de trabalho em pleno 2017 que quem cria é a mãe e o pai tá certíssimo em não fazer porra nenhuma. sem falar da parte da empregada, né? aí eu fiquei sem palavras. que a deusa me dê força pra continuar nessa luta, porque fácil não tá!

quinta-feira, 6 de julho de 2017

livrinhos de 2017 - parte II

ei, você aí: cê viu quais foram os livros do primeiro trimestre do ano? caso a resposta seja não, clica aqui pra você ficar por dentro das leituras: livrinhos de 2017 - parte I 😉


* * *

ABRIL (4 livros)

 Presente do mar - Anne Morrow Lindbergh (1955)
esse eu li por recomendação de mamãe. aliás, vocês já perceberam que minha mãe vive me recomendando uns livros que eu jamais pegaria pra ler de vontade própria, né? hahaha ela me disse "lê esse aqui, é muito bonito. por mais que você não esteja nessa fase da vida, acho que cê já tem entendimento suficiente pra entender o que ele fala". até aí eu não tava convencida, mas decidi ler quando ela disse que foi um livro importantíssimo na vida dela, que fez uma diferença tremenda na forma dela enxergar certos aspectos da vida. quer me convencer a ler/assistir/ouvir alguma coisa, é só me falar que ele teve um impacto sobre você e eu tô dentro! hahah enfim.. realmente eu não sou o público alvo do livro, mas gostei de ler. você aí, mulher casada e com filhos (e que consiga entender que a autora escreveu isso nos anos 50 e fazer as devidas ressalvas): vai que é tua ;)

 Mayrig - Henri Verneuil (1985)
li pra minha aula de cultura armênia e, por mais que não seja nenhum primor da literatura, é uma história bem emocionante. o autor narra a trajetória da família dele ao chegar na frança, quando ele tinha só quatro anos, fugindo do genocídio armênio. esse é um livro bem importante da literatura armênia da diáspora, o verrneuil mostra de um jeito bem cru (e meio infantil, já que ele narra os acontecimento da infância dele) qual era a realidade dos refugiados em terras estrangeiras. pra quem se interessa em conhecer um pouquinho de outras culturas, fica aí a dica ;)

 A obscena Senhora D - Hilda Hilst (1982)
livro curtinho, menos de cem páginas, que eu li rapidíssimo mas que me causou uma confusão tremenda. cheguei ao final da história sem entender exatamente quem é que narra o livro, achei uma loucura. senti como se eu estivesse lendo clarice: não tô entendendo muita coisa, não sei se quero continuar, mas não consigo parar de ler. alguns trechos me deixaram com vontade de chorar, outros me fizeram dar risada.. terminei querendo abraçar a senhora d, pra ser bem sincera. mas não é um livro pra qualquer um não, já deixo bem claro. foi meu primeiro contato com a obra da hilda e, ainda que eu não tenha amado a leitura, fiquei curiosa pra conhecer um pouquinho mais!

 Vozes de Tchernóbil: a história oral do desastre nuclear - Svetlana Aleksiévitch (2016)
primeiramente: que capa linda essa da edição da companhia das letras, hein? e segundamente: que livrão!!!! eu demorei um pouquinho pra ler e fiquei dias com um desgraçamento na cabeça, pensando no quanto o ser humano é horroroso, mas valeu tanto a pena! nesse livro a autora transcreve os relatos das pessoas que, de alguma forma, fazem parte da história de chernobyl: quem trabalhou pra combater a explosão, quem morava lá perto do reator, quem teve parente que morreu em decorrência do acidente, quem fazia parte da comunidade científica da época, quem foi pra lá fugido de algum outro lugar... enfim, são diversas histórias e perspectivas diferentes e é um jeito bem impactante de descobrir "um outro lado" dessa história, uma versão diferente daquela que a gente aprendeu na escola - o lado humano da coisa. é bem emocionante, mas tem que ter estômago pra ler alguns dos relatos, algumas histórias ali são bem pesadas..


MAIO (5 livros e 1/4)

 Terra sonâmbula - Mia Couto (1992)
tô cursando literatura moçambicana de língua portuguesa na faculdade esse semestre e fiquei bem feliz quando vi que esse livrinho faz parte das obras que serão estudadas, eu realmente tava só esperando uma oportunidade pra ler :D vocês viram que eu fiz algumas ressalvas ao livro de contos do mia couto lá em fevereiro, né? mas os romances dele são uma coisa impressionante, não dá pra não amar. eu gostei muito da leitura, tem umas passagens muito bonitas no livro. vale bastante a pena <3 (mas é daquelas histórias em que o final fica meio em aberto, e eu odeio isso, então se eu tivesse que fazer alguma reclamação sobre o livro seria essa haha)

 O Evangelho segundo Jesus Cristo - José Saramago (1991)
eu tenho a impressão de que alguém me disse que esse era o seu livro preferido do saramago. minha professora de literatura portuguesa do semestre passado, talvez. enfim, fiquei com isso na cabeça e resolvi ler. mas assim... que livro difícil!!!!!!!! a leitura não tava fluindo de jeito nenhum, eu fiquei uma semana pra ler menos de 20%.... daí eu deixei de lado e fui ler outras coisas, porque não queria ficar empacada numa leitura que não tava saindo do lugar. li uns três livros e peguei esse aqui de novo, aí li mais um pouco e desisti de vez. pode ser que num futuro próximo eu pegue de novo, porque acho a premissa do livro bem boa de verdade e tenho esperanças de amar muito no final das contas, mas nesse momento não rolou. ô saramago, pra quê dificultar tanto a minha vida, hein? :~

 Coraline - Neil Gaiman (2002)
vocês tem noção de que esse é um livro pra crianças???????? neil gaiman, larga mão de ser descaralhado das ideias!!!! gente, que medo dessa porra! hahahaha eu nunca tive coragem de ver o filme, porque aqueles botões no lugar dos olhos das pessoas me deixam apavorada, mas sempre tive curiosidade pra saber sobre o que se tratava. daí fui lá na maior inocência pegar o livrinho, que é super curto, e quase morri hahahaha a história é ótima, a coraline é maravilhosa, mas dá medinho real. recomendo, inclusive hahaha

 A vida na porta da geladeira - Alice Kuipers (2007)
o que esse livrinho tem de curto ele tem de triste, sinceramente. quis chorar umas 837x ao longo da leitura, de tão mal que eu me senti. e ainda terminei de ler com cara de besta, porque fiquei esperando o final feliz e ele não veio.. hahah o livro é bem pesado, mas eu gostei da leitura. é escrito por meio de bilhetinhos entre mãe e filha que não conseguem conciliar as duas rotinas e, por isso, quase não se encontram. me deixou com vontade de agarrar a minha mãe e não soltar nunca mais...

 Para educar crianças feministas: um manifesto - Chimamanda Ngozi Adichie (2017)
só tenho 01 única coisa pra falar a respeito desse livro: para o que você tiver fazendo e vai ler! é rapidinho e é bem bom pra fazer pensar sobre o que a gente tá fazendo com as nossas crianças ;)  

 Strawberry Fields Forever - Richard Zimler (2012)
não sei bem o que eu achei desse livro.. hahaha eu achei legal, porque o livro aborda vários temas complicados (depressão, homofobia, morte, xenofobia, suicídio, abuso sexual...), mas talvez justamente por isso é que eu não tenha gostado tanto assim. sabe quando parece que a intenção do autor era simplesmente se utilizar de um monte de assunto importante e pronto? não que as coisas tenham sido mal trabalhadas no livro, mas acho que não precisava de tudo isso. dava pra focar em só alguns desses temas, não era necessário colocar um problema fodido pra cada personagem. é só um romancezinho YA, sabe? mas é um livro bacana, apesar dos apesares hahah


JUNHO (6 livros)

 Guia do herói para vencer dragões mortais - Cressida Cowell (2007)
livro 6 da série "como treinar o seu dragão" (que tem 12 volumes no total). a cada livrinho eu gosto mais ainda dessa história doida e das personagens <3 e pra deixar tudo ainda mais legal, esse aqui se passa dentro de uma biblioteca e o enredo meio que gira em torno de um livro - no caso, o tal do guia do herói pra vencer dragões mortais :D

 Harry Potter e a criança amaldiçoada - Jack Thorne (2016)
PIOR. HISTÓRIA. QUE. EU. JÁ. LI. NA. MINHA. VIDA! ! ! primeiro porque tem cara de fanfic, já que a história "não combina" com o resto da saga. segundo porque tem cara de fanfic RUIM, porque acontece uma sucessão de absurdos inverossímeis que definitivamente não iam aparecer em nenhuma fanfic decente. li até o final porque eu precisava saber como que aquela baboseira ia acabar, mas senti que só perdi tempo de vida. J.K., sério, COMO vc teve a coragem de autorizar um negócio desse?????

 A amiga genial - Elena Ferrante (2011)
ô gente, que livrasso! confesso que só conheci a elena ferrante quando deu aquela polêmica com a mídia expondo quem a autora realmente era etc, mas ainda assim não dei muita bola pros livros dela. "a amiga genial" não é um nome muito convidativo, sinceramente.. mas a capa do livro me convenceu a dar uma chance e eu amei completamente! as protagonistas da história são uma coisa de louco, fiquei apaixonada por esse universo meio fictício meio real e já quero ler os próximos volumes da série pra ontem!

 Ciranda de pedra - Lygia Fagundes Telles (1954)
é o primeiro romance da lygia que eu li, até então eu só tive contato com os contos, e eu gostei muito! esse livro é bem melancólico, tem horas que dá vontade de pegar a protagonista no colo de tão triste, mas é muito bom. e eu achei ousadíssimo pra época em que foi escrito, o que deixa tudo muito mais legal hahaha mas ó, dica séria: deem chances pras autoras brasileiras, tá? sempre vale a pena <3

 O diário da princesa - Meg Cabot (2000)
meninas que nasceram nos anos 90 e nunca tinham lido nenhum livro da meg cabot me add pelo amor da deusa porque eu não posso ser a única!!! hahaha eu só conhecia os filmes da disney e já adorava a princesa mia, mas ler o diarinho dela foi uma experiência bem legal hahaha obviamente tive que fazer vista grossa pra algumas bobagens escritas ali, mas nada muito grave. enfim: michael moscovitz, me liga!!! ;)

 2001: uma odisseia no espaço - Arthur C. Clarke (1968)
que loucura essa história, gente! hahaha eu sou meio burra em física, então tem coisa na ficção científica que me deixa bem confusa, e esse aqui foi um dos livros que eu não consegui entender 100%. mas isso não estragou a minha experiência com a leitura não, gostei bastante e achei incrível o jeito que o livro começa!! agora quero ver o filme pra ver se fica mais fácil hahaha



e os resultados parciais desse trimestre são:

 livros terminados 15 x 1 livro abandonado

 literatura brasileira 2 x 14 literatura estrangeira (3 dos estados unidos, 1 armênio, 1 bielorrusso, 1 de moçambique, 1 de portugal, 1 nigeriano, 5 da inglaterra e 1 da itália) ((digamos que eu ainda esteja deixando bastante a desejar na quantidade de leituras nacionais.....))

 livros lidos no kindle 13 x 3 livros físicos (não tô sendo capaz de levar livro pesado dentro da mochila ultimamente)

 autoras mulheres 9 x 7 autores homens

 releituras 0 x 16 livros novos