quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

livrinhos de janeiro

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O conto da aia - Margaret Atwood (1985)



favorito do mês! ✩
pra combinar com a loucura que eu tô sentindo que vai ser 2019, já comecei o ano com essa pedrada. sim, mores, esse livro é tudo o que tão falando e mais um pouco ainda! a história é absolutamente incrível e a forma como ela é contada é melhor ainda, ver as coisas sob a perspectiva da narradora torna tudo muito verossímil, teve uns trechinhos que eu precisei parar a leitura pra dar uma respirada até. minha única ressalva é em relação ao final (tanto da história que a aia conta quanto do livro em si). é que eu não gosto de finais inconclusivos, então é óbvio que preferia que tivesse terminado de outra forma, mas tirando isso eu só tenho elogios a fazer. por mim o livro podia ter umas mil páginas que eu leria feliz da vida, tem tanta coisa que eu ainda quero descobrir sobre aquelas pessoas!!! ah, eu ainda não vi a série, mas quero muito fazer isso! margaret atwood, conte comigo pra tudo!!! <3


Pá de cal - Gustavo Ávila (2015)


pra continuar no tema "sociedades que deram errado", escolhi ler um conto de distopia e ficção científica. esse bonitinho tem umas 40 e poucas páginas e a vibe da história é meio jogos vorazes, aquela coisa de só um pode vencer etc. a escrita do gustavo é bem gostosa de ler e a história prende a gente rapidinho, porque o mistério já dá as caras logo no início do livro - e as coisas só se esclarecem no finalzinho. a gente vai descobrindo tudo junto com as personagens, então dá pra fazer mil suposições ao longo da leitura pra tentar adivinhar qualé que é. eu gostei bastante, li de uma vez só e recomendo pra quem curte desse tipo de história!


Um milhão de finais felizes - Vitor Martins (2018)


eu amo o vitor e tudo o que ele escreve <3 esse livro é tão gostosinho de ler que você: 1) não quer parar nunca, 2) quer entrar na história pra fazer amizade com todas as personagens, 3) fica pensando que seria bom se ele tivesse mais umas 200 páginas de duração :) é um romance lgbt leve e divertido, com bastante referência de cultura pop, mas discute problemas relacionados à aceitação, religião, culpa, autossabotagem... deu umas vontadinhas de chorar. se você é lgbt, enfrenta problemas dentro de casa e encontrou uma família nova no seu grupo de amigos, esse bonitinho vai falar diretamente com você. vai te passar uma mensagem positiva de que, apesar de toda a parte horrível, dá sim pra ser feliz. é um YA bem gracinha, recomendo :D (preciso dizer que fui com expectativas altíssimas porque as pessoas falaram que esse era ainda melhor que "quinze dias". daí eu me decepcionei um pouquinho, mas nada grave, só fiquei com a sensação de que o livro não era tudo o que me fizeram acreditar que seria. "quinze dias" ainda é o meu amorzinho <3)


Mensageira da sorte - Fernanda Nia (2018)


mais um jovem adulto brasileiro contemporâneo pra deixar o meu coração quentinho! essa história se passa no rio de janeiro, numa época conturbada e perigosa em que a população se revoltou contra uma grande corporação que controla a economia da cidade e tá rolando protesto a torto e a direito. é meio fantasia, tem elementos extranaturais (como são chamados no livros) e é bem divertido. mas também é pesado, porque aborda temas como depressão, culpa e responsabilidades. me fez pensar bastante nessa questão de a vida ser justa ou não e de a gente não poder controlar as coisas que acontecem (mas no caso do livro até pode sim hehe). eu gostei muito da leitura! e me lembrou um pouquinho "o ódio que você semeia" por causa do cenário violento que serve de pano de fundo pra história. ah, resolvi comprar porque achei a capa linda, mas eu não sabia nada sobre o livro, e foi uma surpresa muito feliz. mas eu achei que a edição deixou um pouco a desejar (por exemplo, passaram alguns problemas pela revisão), só não vou reclamar porque comprei na festa do livro da usp e paguei só 50% do valor real ^^ hahah 


Matéria escura - Blake Crouch (2016)


eu vivi uma relação intensa de amor e ódio com esse livro. até mais ou menos uns 70% da leitura era só amor mesmo, eu tava achando tudo absolutamente incrível. a história tava boa, as reviravoltas realmente me surpreenderam, a escrita tava gostosa de ler, a discussão proposta era interessante, enfim, só sucessos. daí começaram a acontecer coisas que, ao meu ver, não precisavam acontecer. acho que o autor quis dar um jeito de estender a história pra durar um pouco mais, sei lá. só sei que, a partir de uma cena específica e muito absurda, eu passei a achar tudo MUITO ruim e desnecessário e mal pensado e feito de qualquer jeito... a coisa degringolou mesmo. foi uma decepção tremenda, porque eu tava jurando que essa seria uma das minhas ficções científicas preferidas da vida. pena que o autor jogou esse balde de água congelante bem no meio da minha cara ^^ de qualquer forma, eu recomendo a leitura. o livro é bom, mas em relação aos acontecimentos finais eu achei tudo tão ruim que até doeu, terminei de ler com desgosto real oficial. mas vai que cê gosta, né? dá uma chance, talvez valha a pena ¯\_(ツ)_/¯


Garota exemplar - Gillian Flynn (2012)



eu já tinha assistido ao filme, mas eu só lembrava de um resumão do enredo. então, apesar de eu já estar esperando o plot twist, ainda consegui aproveitar a história e me deixei envolver do mesmo jeito. esse livro é narrado de forma não linear sob dois pontos de vista diferentes, que se opõem e se complementam ao mesmo tempo. até a metade da narrativa, nós somos conduzidos a formar determinada opinião em relação aos personagens, até que a coisa se esclarece e você fica "eita porr@, e agora, o que é que eu faço em relação ao que eu penso de cada um deles??" kk os protagonistas são tão perturbados da cabeça que chega a ser assustador!!! o livro é quase um manual de o que não fazer de jeito nenhum se você não quiser arruinar o seu relacionamento, a sua vida e a vida de todos os que estão ao seu redor ^^ lembro que não gostei do final do filme, mas no livro eu achei que foi plausível, talvez tenha sido mais bem construído (ou talvez eu tenha me envolvido mais com a leitura). acho que gostei mais de ler do que de assistir. é uma loucura só, achei bem bom! 

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em números, resumão do mês:

 livros terminados 6 x 0 livros abandonados

 literatura brasileira 3 x 3 literatura estrangeira (1 do canada e 2 dos eua)

 livros lidos no kindle 5 x 1 livros físicos

 autoras mulheres 3 x 3 autores homens

 releituras 6 x 0 livros novos

sábado, 26 de janeiro de 2019

obrigada, meu bem

vi no canal da karol pinheiro esse vídeo dela com a maqui (que mulher!) contando o que aprenderam uma com a outra e incentivando as pessoas a fazerem o mesmo.

pois me inspirei pra vir aqui falar cinco coisas que aprendi com a minha pessoinha preferida na face da terra, o boy. :)

nós somos amigos desde 2010 e estamos juntos há mais de cinco anos. o tanto de coisa que esse menino já me ensinou não tá no gibi! mas escolhi as mais importantes, aquelas que tiveram um impacto maior na minha vida.

vamo lá:

1. tá tudo bem se eu não controlar todas as coisas ao meu redor

eu tenho dificuldades seríssimas de lidar com situações que fogem do meu controle. eu sei que elas existem e que, na verdade, eu meio que não consigo controlar basicamente nada do que acontece por aí, mas eu preciso dessa sensação de controle pra me sentir em paz. por exemplo, quando eu faço planos, já considero as mais variadas formas em que eles podem dar errado pra decidir de antemão o que fazer caso tais problemas aconteçam. mas o boy não é assim, inclusive muitíssimo pelo contrário. ele já nasceu sabendo que não há motivo pra querer controlar tudo, porque no fundo isso nem é bom. eu não preciso dessa carga extra nos meus ombros, eu só preciso viver e ir dançando conforme a música. ainda é difícil não me frustrar, mas já melhorei horrores nesse quesito. minha vida ficou muito mais tranquila, definitivamente.   


2. me amar mais e me aceitar do jeito que eu sou (fisicamente falando)

quando a gente começou a namorar, eu era encanadíssima com o meu corpo. não conseguia aceitar de jeito nenhum que meu peito era pequeno, que minha pele era oleosa, que meu rosto era cheio de espinha... eu chorava me olhando no espelho, me recusava a comprar roupa nova porque achava que tudo ficava horrível, enfim. era bem complicado. pois num é que foi ele quem me ajudou a me achar bonita e a olhar pra mim mesma com mais carinho? o empoderamento de verdade veio com o feminismo, mas o primeiro passo pra melhorar minha autoestima começou aqui, com ele. a cada defeito que eu botava ele me mostrava que não era bem assim, que não tinha nada errado comigo, que eu precisava me dar uma chance pra descobrir o tanto que eu era maravilhosa. até que eu realmente comecei a enxergar tudo isso e agora eu me acho a mulher mais linda do universo todo! (óbvio que não todos os dias, mas em uns bons 90% do tempo eu acho sim ^^)


3. não levar as coisas tão a sério

a coisa aqui é tão complicada que no meu aniversário de 18 anos meu pai me deu um livro chamado literalmente "não leve a vida tão a sério" (é autoajuda, claro). em compensação, o boy é muito mais tranquilão, quase nunca se estressa à toa, leva as coisas na esportiva. além de saber que a vida dele não vai acabar se ele se atrasar pra um compromisso, se ele não tirar 10 numa prova, se ele não fizer tudo 100%... e eu vivo pilhada e louca do cy, sempre meio tensa e apavorada. aprendi com ele a ser mais flexível e a entender que relaxar não significa me importar menos, só significa não surtar com tudo. bom, não que eu consiga efetivamente relaxar, né. mas agora eu vejo que isso não é uma coisa ruim, pelo menos. e agora já consigo me atrasar 10 minutinhos sem achar que isso é o fim do universo, YAY!!!!! 


4. me arriscar e enfrentar os meus medos

pra começo de conversa, eu não suporto essa ideia de "sair da zona de conforto". a vida no geral já é tão difícil, por que razão eu vou querer me sentir desconfortável o tempo todo só pra achar que eu tô efetivamente fazendo coisas? não vejo razão nenhuma pra correr riscos, por menores que eles sejam. eu gosto de me sentir segura, simples assim. porém resolvi namorar um cara que pula de cabeça em tudo o que se propõe a fazer e não tem medo de nada. na maioria dos casos, eu tento me esconder atrás dele, deixar que ele se arrisque por mim também. mas o belezinha me dá a mão, me coloca na frente dele e me incentiva a, cada vez mais, tomar as rédeas da situação. ao mesmo tempo em que eu odeio quando ele faz isso (eu tenho medo de tudo, já mencionei? pois bem), eu também agradeço do fundo do coração por ele me dar tanta força.


5. fazer mais pelos outros

meu namorado é a personificação do conceito de pessoa boazinha e solícita. o boy faz sem problema algum tudo o que pedirem pra ele, não vê o menor empecilho em sair distribuindo favor por aí e simplesmente não espera nada de volta. ele faz e pronto, cabô. isso pra mim é um aprendizado e tanto. eu nunca me recusei a ajudar ninguém não, mas essa história de não esperar coisa em troca é algo que eu ainda tô trabalhando. às vezes até cobro isso dele, querendo que ele exija dos outros pelo menos um reconhecimento pelo que foi feito (eu considero que isso seja O MÍNIMO), mas pra ele não é necessário. ele fez porque quis, não porque tava esperando algo em troca. acho que esse é o ensinamento mais bonito dos cinco, mas também é o que eu tenho mais dificuldade pra colocar em prática. eu considero que todas as relações são vias de mão dupla, pra funcionar eu tenho que fazer a minha parte e o outro também. se eu faço um favor e a pessoa nem tchum, no meu ponto de vista ela não fez a parte dela. e isso me deixa inconformada. mas agora eu entendo que essa é a minha visão de mundo e que eu não posso esperar que todo mundo veja as coisas da mesma forma que eu... fácil num é tão, mas tô tentando!


minha vida ficou muito melhor depois que esse bonitinho chegou. me transformei numa pessoa mais feliz, mais independente, mais autoconfiante. e vivo 100% apaixonada.

agradeço ao universo todos os dias por ter feito os nossos caminhos se cruzarem. ainda bem. ♡

domingo, 6 de janeiro de 2019

2019: semana nº 1

2019 começou doido por aqui. pedi pra que ele não chegasse com os 2 pés na porta, mas o bichinho veio numa intensidade que me pegou desprevenida. 

a virada do ano foi completamente diferente do que eu tava imaginando que seria, as coisas já estavam esquisitas antes mesmo de o ano efetivamente virar. fiquei com uma pulga atrás da orelha pensando "que a deusa não permita que os próximos 365 dias sigam nessa mesma pegada", senão eu provavelmente num daria conta não. mas não tive tempo de me aborrecer com esse ocorrido, porque tava ocupada demais me controlando pra não vomitar de tanto nervoso e ansiedade.

no dia 2 de janeiro, o primeiro dia útil do ano, eu comecei a trabalhar. meu primeiro emprego de verdade mesmo, sem ser estágio. emprego com carteira assinada, com ponto pra bater, etc etc. tô trabalhando com coisa séria, numa empresa que tem clientes grandes e importantes. tô até me sentindo mais adulta.

mas ainda não aprendi a lidar com esse tipo de coisa. eu sofro de um jeito que só tratamento psicológico mesmo pra me ajudar. sempre que eu tenho que fazer alguma coisa pela primeira vez, principalmente algo grande assim, o meu coração acelera tanto que parece que a qualquer minuto ele simplesmente vai parar de funcionar, de tão ansiosa que eu fico. me dá enjoo, eu perco completamente o chão. dá a impressão de que eu vou morrer mesmo, tamanho o desconforto. mas vamo que vamo, já que a única opção é ir.

não tenho tanto pra falar sobre o emprego novo, ainda tô me habituando a essa nova realidade de pessoa que passa 9h por dia na empresa (passei a dar ainda mais valor pra minha casinha). só sei que já comecei trabalhando como se não houvesse amanhã! sinto como se tivessem depositando em cima de mim mais confiança do que eu mereço, até. mas isso é assunto pra outra hora, qualquer dia eu volto aqui com esse fim.

a loucura maior é que, passado o nervoso dos primeiros dias de trabalho, em vez de me dar uma sensação boa, de alívio por ter sobrevivido e estar dando conta do recado, eu tô é triste.

não com o emprego. com isso eu tô é bem feliz, que delícia que é ter VR de novo!!! mas tô aqui cheia de caraminhola na cabeça, remoendo coisa de mais de seis anos atrás que eu jurava já ter superado há tempos. aparentemente não sou assim tão bem resolvida quanto eu gostava de pensar que era, eu hein. tô com um aperto no peito por coisas que não fazem mais sentido nenhum, muito menos nessa altura do campeonato. tô com vontade de chorar, de comprar umas brigas, mas é tão surreal me incomodar com essas coisas depois de tanto tempo que sinceramente what's the point?...

o bom é que, também por causa do bendito trabalho novo, não é como se eu tivesse muitas horas livres no meu dia a dia pra pensar nessas coisas. saio de casa cedo, leio meu livro no caminho de ida até a empresa, fico ocupada demais durante o expediente, continuo lendo meu livro no caminho de volta até minha casa, tomo banho, janto e já tô tão cansada que só quero saber de dormir. não tenho nem disposição pra ocupar a cabeça com coisa ruim.

minha esperança é que os fantasminhas do passado me deixem em paz agora que eu falei disso por aqui (na verdade quase não falei nada, mas pra mim já serve). tomara.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

balanço das leituras de 2018

pra quem quiser ver o balanço das leituras de 2017, é só clicar aqui! 😄

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OIE, FELIZ 2019 PRA NOIS!!!!

cês acreditam que aqui estou eu, dando início aos trabalhos do ano logo no dia 1º? se alguém me falasse meses atrás que eu realmente teria conseguido postar no dia que eu queria eu provavelmente daria risada, porque não acredito tanto assim no meu próprio potencial hahaha

bom, antes de começar, deixo aqui a lista dos posts mensais. se você perdeu algum deles, corre lá antes de conferir os números totais de 2018!














pra começo de conversa, eu li 62 livros esse ano. pros meus padrões, é um número bem alto. minha meta era de 55, fiquei bem feliz 😁 no quesito livrinhos, 2018 foi um ano lindo! eu li muita coisa boa, pouca coisa ruim e uma quantidade já esperada de leituras três estrelas (sabe quando você não ama, mas ainda acha que a leitura valeu a pena? então). e o saldo é mais positivo ainda, porque eu só abandonei 01! vou lembrar desse ano literário com um quentinho no coração, de verdade ♡

eu amo ler livros de ficção e os romances (o gênero, não as histórias de amor) são de longe os meus preferidos, mas até que eu dei uma boa variada nas leituras do ano! foram 4 quadrinhos, 6 de não-ficção (incluindo, por exemplo, biografia e análise literária), 8 livros de contos (dois deles eram um conto único, na verdade), 1 de crônica e 1 de poesia. em relação aos romances, teve infantojuvenil, ficção científica, jovem adulto, clássico... foi um ano bem diversificado, gostei bastante!

quanto aos idiomas, eu li em 3 línguas diferentes. no total, foram 54 livrinhos em português, 6 em inglês e 2 em espanhol. pro ano que vem, espero continuar meus estudos em língua espanhola e, se possível, aumentar o grau de dificuldade das leituras. :D

finalmente, vamos aos resultados de 2018:


CATEGORIA 01: livros terminados x livros abandonados

de lavada, os vencedores foram aqueles que me prenderam até o fim! só abandonei um livrinho no ano inteiro :D sendo assim, aqui não vai nem ter gráfico porque já que o resultado foi 61x1 eu nem me dei ao trabalho :P


CATEGORIA 02: livros novos x releituras:


mais uma vez os livrinhos novos ganharam o prêmio (ainda bem), mas eu juro que sou 100% fã de reler livros que eu amo e tenho muita vontade de separar um mês por ano só pra isso! nunca fiz porque fico com peso na consciência toda vez que eu me deparo com algum livro na estante que eu ainda não li - e são MUITOS -, aí perco a coragem hahaha mas assim que eu diminuir a pilha de livros a serem lidos, eu coloco esse plano em prática! ;)


CATEGORIA 03: livros físicos x kindle:


como já era de se esperar, o e-reader é o vencedor por aqui. e, curiosamente, a diferença numérica desse ano é a mesma do ano passado!!! será que eu tô cumprindo uma cota e nem sei? hahaha eu não precisaria nem falar isso, mas já que estamos aqui: livros no papel são o amor da minha vida, mas nada supera a praticidade de levar o kindle na mochila sem fazer peso e com mais possibilidades de leitura naquele mesmo espacinho. ^^


CATEGORIA 04: autoria feminina x autoria masculina


com dor no coração, sinto em dizer que li mais homens do que mulheres em 2018. sim, foi quase 50% pra cada lado, mas dava pra ser um resultado muito melhor, né? vejam só, em abril eu só li livros de autoria feminina e foi um dos melhores meses literários do ano. vamos juntos na missão de ler mais mulheres em 2019? essa é uma das minhas metas de vida, inclusive. (caso vocês estejam se perguntando "mas se você leu 62 livros, como que essa conta tá dando 66 autores?????" pois eu lhes digo: em dezembro eu li um livro escrito por 5 pessoas diferentes ^^)  


CATEGORIA 05: literatura nacional x estrangeira


é óbvio que li menos livros brasileiros do que livros de todas as outras nacionalidades juntas, mas já fiquei feliz ao comparar com os números do ano passado porque aumentei a quantidade de leituras nacionais! agora, vendo a relação dos países de origem dos autores que eu li, o que a gente tem é:


eu tento variar, juro, mas pra mim é quase impossível fugir dos livros escritos nos eua e na inglaterra. :~ a maioria dos livrinhos de 2018 foram escritos no continente americano, mas também teve bastante da europa e alguns poucos da áfrica e da ásia. não li nada escrito na oceania. e se for considerar que eu só li livro africano escrito no mesmo país, inclusive quase todos da mesma autora, também não posso dizer que investi forte na diversidade... pretendo melhorar esses dados em 2019! ah, vale dizer que no balanço de 2017 eu disse que, em 2018, queria ler mais coisas escritas nas américas do sul e central e também literatura russa. falhei miseravelmente, né? kkkk

quanto à data de publicação dos livrinhos, eu li muita coisa contemporânea e isso me deixa muito feliz ♡ pela primeira vez desde que eu comecei a fazer esse balanço a quantidade de livrinhos escritos na primeira metade do século XX é maior do que a dos livros escritos no século XIX. o que isso significa eu não sei, mas vou entender como algo positivo! hahah


como eu disse, pros meus padrões, eu li coisa pra caceta em 2018. acompanhando a quantidade de livrinhos mês a mês, os números são os seguintes:


esse ano foi bem atípico, porque eu li bastante em janeiro e em dezembro. normalmente esses são os meses em que meu desempenho é menor, porque pego menos transporte público (que é o meu principal momento de leitura) e também costumo ir viajar com a família, então me dedico menos aos livrinhos. mas como 2018 foi uma coisa doida do começo ao fim, eu nem me surpreendo com esses dados fora da curva ^^ 

só pra ilustrar o que eu disse, uma comparação entre os números de 2018 e de 2017:


saindo dos gráficos e voltando ao textão...

no total, eu li 57 autores diferentes ao longo do ano. desses, 40 foram novos pra mim. conheci muitos autores incríveis, mas também li coisas de quem eu já amava antes. os que eu mais li foram a chimamanda (aliás, em 2019 eu pretendo completar a leitura de todos os livros que ela já publicou!) e o roald dahl, que foi o autor do primeiro livrinho que eu li em 2018. li 3 livros de cada um deles. :)

agora, finalmente, depois de ter segurado vocês até aqui (ainda tem alguém aqui?), vamos aos melhores e piores de 2018!! eu tive muita dificuldade pra escolher, então chutei o balde e elegi meus 15 livros preferidos e os 5 que eu menos gostei (consequentemente, os outros foram aquelas leituras que eu gostei, mas não morri de amores).


PIORES DO ANO:
  1. dropz - rita lee
  2. a metamorfose - franz kafka
  3. neuromancer - william gibson
  4. frankenstein, ou o prometeu moderno - mary shelley
  5. outros jeitos de usar a boca - rupi kaur
(não que eles sejam ruins, eu é que não gostei mesmo. só o da rita lee que efetivamente é horrível e, inclusive, foi o bendito único livro abandonado de 2018. e a ordem é decrescente, do pior pro menos pior hahaha)


MELHORES DO ANO:
  1. beloved - toni morrison
  2. the hate u give - angie thomas
  3. a vida compartilhada em uma admirável órbita fechada - becky chambers
  4. a longa viagem a um pequeno planeta hostil - becky chambers
  5. americanah - chimamanda ngozi adichie
  6. no seu pescoço - chimamanda ngozi adichie
  7. nimona - noelle stevenson
  8. quinze dias - vitor martins
  9. extraordinário - r.j. palacio
  10. em algum lugar nas estrelas - clare vanderpool
  11. rita lee: uma autobiografia - rita lee
  12. ligações - rainbow rowell
  13. capitães da areia - jorge amado
  14. a livraria dos finais felizes - katarina bivald
  15. sapiens: uma breve história da humanidade - yuval noah harari
(em ordem de preferência mesmo, indo do que eu mais amei pro que eu amei um tantinho menos. também não posso dizer que esses são livros incríveis e maravilhosos e primores da literatura mundial, porque gosto literário é muito subjetivo e o que eu amo você pode odiar, mas esses aí me fisgaram de um jeitinho especial e eu recomendo todinhos ♡)

é isto, mores.

brigada pra quem me acompanhou durante 2018, espero que minhas recomendações tenham sido úteis pra pelo menos alguns de vocês. 

daqui um ano a gente se encontra pra próxima edição do balanço! 😘

domingo, 30 de dezembro de 2018

livrinhos de dezembro

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Grandes mulheres que mudaram o mundo - Kate Pankhurst (2016)


vocês sabem lidar com livro infantojuvenil que exalta mulheres? pois eu definitivamente não ♡ esse aqui traz um resuminho dos feitos de mulheres de várias nacionalidades, de amelia earhart a chiquinha gonzaga (sim, tem brasileira na lista!), e serve pra mostrar pras meninas que elas podem fazer o que quiserem e que devem ir atrás de todo e qualquer sonho que tiverem! também serve pros meninos verem que mulheres são incríveis e pros adultos aprenderem coisas novas. inclusive tem mulher aí nessa lista que eu nunca tinha nem ouvido falar. e como se tudo isso fosse pouco, as ilustrações são lindas!!! esse é daqueles livrinhos que merecem um lugar em todas as estantes do mundo :)


Pétala - Olívia Pilar (2018)


eu não conhecia a olívia, mas a solaine chioro (autora de "a rosa de isabela", que eu li em novembro) recomendou os livros dela nesse vídeo do canal da mayra. esse aqui é um conto, tem umas 35 páginas, e é pra ler de uma vez só e terminar com sorrisinho no rosto. é a história de um casal de moças bissexuais e, de certa forma, discute o que é um relacionamento, aceitação, liberdade e escolhas. é curtinho, mas é bonito. :) pra quem se interessar, tem no kindle unlimited!


Todas as cores do natal - 
Alliah, Bárbara Morais, Lucas Rocha, Mareska Cruz e Vitor Martins (2017)


pra quem não gosta de coletânea de contos, até que eu li bastante desse tipo de livro em 2018, né? ¯\_(ツ)_/¯ aqui são cinco histórias, todas com personagens lgbtq+ e, de alguma forma, relacionadas ao natal. eu fico mais confortável quando todos os contos da coletânea se passam no mesmo universo, ou pelo menos se existe alguma coesão entre eles. isso não acontece aqui, já que cada autor teve a liberdade de criar a história que bem entendesse. como o primeiro conto é bem realista, esse foi o parâmetro que eu estabeleci pro livro e, por isso, não consegui me deixar levar muito pelos contos mais fantasiosos (o conto "entremarés" me deixou incomodada, porque a construção da história era MUITO confusa e nada fazia muito sentido, mas depois de ler eu fui atrás de conhecer o autor e acho que a proposta era essa mesmo! hehe). eu gostei do livro, foi uma leitura gostosinha e as histórias foram bonitas, cada uma do seu jeitinho. não sou exatamente fã do natal, acho que é uma data simplesmente ok, mas o clima natalino deu um charme a mais pra essas narrativas ♡


Ao vencedor as batatas - Roberto Schwarz (1977) 


quando eu cursei um semestre sobre machado de assis na faculdade, a gente teve que ler alguns ensaios desse livro, que é de teoria literária. eu quis muito ler o livro inteiro, machado é o amor da minha vida e a análise do roberto schwarz é incrível, daí eu comprei e obviamente fiquei com preguiça de ler e enrolei por mais de um ano até criar vergonha na cara hahaha é aquilo, né, mores: é um textão teórico que analisa, como diz o próprio livro, "a forma literária e o processo social nos inícios do romance brasileiro", a partir de josé de alencar até chegar efetivamente no machado. não é uma leitura gostosinha, óbvio. é um texto denso, que discute a história do brasil e a contradição de se querer adotar os ideais liberais europeus num país escravista, além de analisar a produção textual do alencar e do machado, mostrando como esses autores retratavam a sociedade brasileira nas suas obras etc. eu não posso dizer que amei, porque esse termo é muito forte pra ser empregado aqui, mas é um livro importantíssimo pra quem quer estudar literatura brasileira!!!


Uma professora muito maluquinha - Ziraldo (1995)


eu era completamente apaixonada por esse livro quando criança!!!! já li umas 395x, aproximadamente. quando eu tinha meus 8 anos, na escola, a gente podia escolher um livro pra levar pra casa de fim de semana. eu queria esse todas as vezes, de tanto que gostava. eu achava incrível a história, a professora e, mais do que tudo, o jeito como o livro era estruturado (tem até uma mensagem codificada no meio da narrativa!!). reli agora pela primeira vez depois de crescida e voltei a ficar encantada com ele (deixando de lado os absurdos que eram considerados normais nos anos 90, né?). certeza que esse livrinho contribuiu muito pra fazer crescer a minha vontade de ser professora ;)


Hilda e o troll - Luke Pearson (2010)


fiquei tão feliz quando vi essa belezinha na estante da biblioteca do meu bairro!!! eu não conhecia os quadrinhos da hilda, fiquei sabendo da existência deles por causa da série da netflix (que eu não apenas amei como recomendo muito). em relação ao livro, ele é LINDO. os desenhos, as cores, a folha de guarda, os rascunhos no final.. mas fiquei com a impressão de que eu só entendi a história porque vi a série antes. parece que falta coisa pra gente efetivamente ter uma narrativa com começo, meio e fim. é como se a gente visse alguns flashes da história e tivesse que usar a imaginação pra juntar tudo aquilo hahah mas isso não significa que eu não queira ler os outros também, porque é muito bonitinho e eu amo essa personagem <3


Capitães da areia - Jorge Amado (1937)


favorito do mês!
tentei ler esse livro lá em 2012, quando eu tava no último ano do ensino médio, mas não consegui passar das cartas à redação que aparecem no começo da história. dessa vez, fui fisgada pela leitura logo no comecinho. me envolvi com a escrita, com a história e com as personagens. fiquei com raiva, me comovi, quis matar algumas das crianças e abraçar apertadíssimo o professor e o joão grande, que são os meus xodós. o livro é muito bonito, mas também é pesadíssimo. é sempre importante dar o alerta de gatilho: tem muita violência e cena de estupro. é um livro que faz a gente ter um zilhão de sentimentos conflitantes e considerar os vários lados de todas as situações, não dá pra ler e ficar apático (inclusive se você ler e não sentir nada saiba que cê já morreu por dentro, sinceramente). jorgito discutiu a questão da desigualdade social botando o dedo em todas as feridas possíveis! estado, igreja, os burguês safado... o cara não perdoou ninguém. só o que eu tenho a dizer é: literatura brasileira é tudo, mores <3


Melancia - Marian Keyes (1995)


encerrei o ano com esse calhamaço que foi, ao mesmo tempo, uma leitura gostosinha e um show de horrores ^^ o livro é dos anos 90, né. então por mais que a intenção tenha sido boa, que a autora tenha mirado no empoderamento feminino etc, ele tá recheado de close errado. é chuva de machismo, gordofobia, competição feminina, vários preconceitos aqui e ali... é um erro atrás do outro, basicamente. mas eu não consegui largar a leitura, porque queria muito saber como essa história maluca ia terminar. aliás, quis pegar o marido da personagem principal e arrancar o fígado dele com as minhas próprias mãos, de tanta raiva que eu senti desse homem. eu queria muito ter gostado, porque sempre tive expectativas altas pra esses livros das irmãs walsh, mas não sei se tenho condição de ler os outros. bom, pelo menos valeu como entretenimento e, principalmente, pra eu poder dizer que o melancia eu já li :P 

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em números, resumão do mês:

 livros terminados 8 x 0 livros abandonados

 literatura brasileira 5 x 3 literatura estrangeira (2 da inglaterra e 1 da irlanda)

 livros lidos no kindle 3 x 5 livros físicos

 autoras mulheres 5 x 7 autores homens (são mais autores do que livros porque "todas as cores do natal" foi escrito por 5 pessoas diferentes)

 releituras 1 x 7 livros novos (eu não considero "capitães da areia" uma releitura porque da primeira vez eu não passei das primeiras 20 páginas hahaha)

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dezembro foi disparado o mês com o maior número de livros lidos em 2018! mas sejamos sinceros: fica fácil ler 8 livros se metade deles foram leituras curtas, pra começar e terminar de uma vez só, né? ¯\_(ツ)_/¯ janeiro já tá quase aí (sereno, confiante e cheio de si ♪), daí eu volto com o famigerado e tão esperado (por mim mesma hahaha) balanço das leituras do ano!



até lá! 😘

sábado, 22 de dezembro de 2018

stuck on a roller coaster

e 2018, hein, mores? que ano esquisito.

não foi exatamente ruim, mas teve muito momento baixo. por outro lado, não teve lá tantos altos assim, então não sei porque me fica essa impressão de que, no fundo, até que foi bom. acho que só pelo fato de não ter sido horrível eu já considero o saldo positivo. será que finalmente tô aprendendo a enxergar o copo meio cheio? ¯\_(ツ)_/¯

se eu tivesse que definir, diria que, mais do que tudo, esse foi um ano de encerramento de ciclos (uns mais felizes do que outros).

perdi minha avó. me formei na faculdade antes do tempo esperado e com notas muito boas. fiquei vários meses desempregada. trabalhei de casa por conta própria. arrumei meu primeiro emprego com carteira assinada. li vários livros bons. quase não chorei. tive menos crises de ansiedade, mas vivi por um bom tempo com o pensamento no futuro, sem conseguir efetivamente aproveitar o que o presente me oferecia. me senti inútil e despreparada em diversos momentos. não me arrependi de nenhuma das escolhas que fiz, mas questionei todas elas quando já não dava mais tempo de voltar atrás. me distanciei de pessoas que eu gosto, mas também me reaproximei de pessoas que tavam distantes e me fazem bem. escrevi com mais frequência. abandonei vários textos de ficção que eu comecei a escrever porque travei e não sabia mais o que fazer com eles (pode ser que uma hora eu termine, quem sabe...). consegui estabelecer uma rotina de exercícios físicos e minha autoestima cresceu. não cumpri a >única< meta de ano novo que eu tinha pra 2018. perdi toda e qualquer esperança em relação à sociedade brasileira, que se revelou ainda pior do que eu pensava. etc etc etc. 


eu tenho a impressão de que minha vida adulta tá começando só agora, que tô finalmente formada e dando início à minha carreira de verdade, como se todo esse tempo que veio antes tivesse sido só um teste, um período de adaptação pra eu me ajustar. tô com expectativas pros anos seguintes, não paro de fazer um zilhão de planos. mas daquele meu jeitinho: com os dois pés no chão, torcendo pra tudo dar certo, mas sem me decepcionar muito caso os sonhos não se tornem realidade.

pra 2019 eu só quero continuar fazendo tudo o que tá dando certo e parar de fazer o que não funciona tão bem assim. só isso. vamos viver sem grandes pretensões além de ser feliz. acho que tá bom, né? tomara que daqui um ano eu volte e diga que as coisas foram melhores do que eu poderia imaginar. :)

espero que, apesar de todos os altos e baixos que sempre se fazem presentes, o ano de vocês também tenha pendido pro lado positivo da balança. e desejo mesmo, de coração, que todo mundo seja cada vez mais feliz!

vem, 2019! (mas vem com carinho, não precisa chegar com os dois pés no peito não, tá? grata desde já.)


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o post tá com cara de despedida, como se eu só fosse aparecer aqui de novo no ano que vem, mas juro que ainda volto daqui uma semaninha pra mostrar as leituras de dezembro! ;)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

beletrista

gente... EU ME FORMEI.

minha última aula foi em junho, porque teve greve na faculdade, mas em julho eu terminei de entregar todos os trabalhos finais e muito tempo depois, só em setembro, eu finalmente assinei minha colação de grau.

fiquei muito tempo pensando que eu deveria escrever sobre isso, porque foi um pedaço imenso da minha vida e porque eu não perdia tempo pra vir aqui falar mal do curso, dos colegas, dos professores etc. mas eu travei. comecei vários textos, mas larguei todos pela metade. eu não tava conseguindo me expressar, não sabia muito bem o que dizer.

mas basicamente é isso: depois de 09 semestres (um a menos do que o tempo padrão!) eu finalmente posso dizer em alto e bom som que sou graduada em letras pela usp, com habilitação dupla em português e inglês.

eu escolhi esse curso porque não sabia o que queria fazer da vida (agora eu acho que tô começando a descobrir). na escola, eu via meus amigos falando com certeza que queriam ser advogados, engenheiros, arquitetos, médicos... e eu só conseguia pensar "mas COMO você já sabe disso se a gente só tem 16 anos????". me senti pressionada a escolher, comecei a achar que o problema tava em mim, que talvez não levasse o meu futuro tão a sério ou sei lá.

fui pelo caminho mais óbvio: pensei nas matérias que eu gostava de estudar, vi em quais delas o meu desempenho era melhor e corri pro guia do estudante pra ver se me surgia uma luz no fim do túnel. no fim das contas, entrei na letras porque cismei que queria trabalhar com tradução. dei uma olhada na grade do curso e não entendi nem metade das matérias, mas achei que tava tudo bem. ia continuar estudando umas coisas que eu gostava e é isso, tava ótimo.

primeiro semestre e eu já tava querendo me esconder num buraco porque PELO AMOR DE DEUS NÃO É POSSÍVEL QUE É ISSO AQUI, socorro, alguém me ajuda etc. eram só quatro matérias: uma sobre ilíada e odisseia (eu nem sabia o que era isso), outra sobre linguística (eu também não tinha a menor ideia), a outra falava sobre a origem da língua portuguesa desde o protoindo-europeu (o quê?????) e sobre variação e preconceito linguístico, e a última era sobre poesia (que tinha tudo pra ser possível, estudar métrica, rima etc, mas o professor achou de bom tom colocar alunos recém saídos do ensino médio pra ler filósofo francês).

a carga de leitura do primeiro ano é tão grande que não tem aula de sexta feira, pro aluno dar conta de ler tudo o que os professores pedem.

eu não via a hora de começar logo a estudar gramática, mas esse dia nunca chegou. o primeiro banho de água fria com a letras veio quando eu descobri que esse tipo de coisa não fazia parte da grade curricular. aí você talvez esteja se perguntando: "mas se você não estudou gramática, você estudou o quê????". olha... muita coisa.

estudei livros clássicos gregos e latinos, muita literatura brasileira, muita literatura portuguesa, literatura americana, literatura inglesa, literatura africana de língua portuguesa e, de quebra, ainda li obras armênias, caribenhas e irlandesas. nesses quatro anos e meio eu li muitos romances, contos, poemas e peças de teatro nos dois idiomas. consequentemente, tive que ler muito texto teórico e de análise literária. e isso significa que também tive que estudar filosofia e história. cursei latim, cultura armênia, cultura italiana e pensamento da índia antiga. estudei sintaxe, morfologia, semântica, fonética e fonologia tanto em português quanto em inglês. também estudei teorias do texto e análise do discurso. cursei sociolinguística, psicolinguística e filologia. estudei teoria da tradução e tive muitas aulas práticas. fiz uma matéria de escrita criativa e, no final das contas, meu conto de ficção acabou sendo publicado na revista da faculdade (se quiser ler, tá aqui, na página 105).

por mais que eu tenha feito uma lista imensa, só dizer "os nomes" das matérias não faz jus a tudo o que eu aprendi nesse curso. estudar letras me enriqueceu muito como pessoa. tive contato com muita coisa que abriu meus olhos e me fez enxergar além do que eu conhecia. é óbvio que nem sempre eu gostava das aulas ou dos professores, mas o tanto de coisa incrível que eu estudei compensa as partes ruins.

não posso deixar de dizer que em determinado momento (talvez no segundo ano, agora já não lembro direito) eu questionei a minha escolha e pensei seriamente em sair e procurar outra coisa, mas eu tinha certeza que nenhum outro curso me faria mais feliz do que aquele. ainda que eu não soubesse o que fazer com ele depois de me formar, eu amava o que eu tava estudando. a bagagem que a letras me proporcionou é gigantesca e olha que eu não aproveitei nem metade do que a faculdade tinha pra me oferecer.

quando eu decidi que queria ser tradutora, eu não imaginava que mudaria de opinião tantas vezes a respeito da minha carreira. pensei que eu entraria na faculdade, leria uns livros, estudaria língua portuguesa e inglesa e terminaria focada em traduzir. eu não fazia ideia do tanto de coisa diferente e incrível que a letras ia me proporcionar. não foi por isso que eu escolhi fazer o curso, mas foi por isso que eu escolhi continuar até o final.

pode ser que eu tivesse mais sucesso financeiro se tivesse feito qualquer outra coisa. ou que eu tivesse mais prestígio, que as pessoas olhassem pra mim e pro meu diploma com mais respeito e admiração. mas nada disso supera o calorzinho no coração de ter concluído uma graduação riquíssima, que efetivamente me deixou realizada e orgulhosa de mim e do que eu escolhi.

apesar de toda a parte ruim, eu digo com tranquilidade que é uma delícia ser beletrista.