sábado, 3 de outubro de 2020

a saga do armário de cozinha

quando o consagrado e eu resolvemos nos mudar, a gente só tinha uma tv, um guarda-roupa, uma cômoda, duas escrivaninhas e duas mesinhas de cabeceira (que serviram como nossas mesas pras refeições por um bom tempo, inclusive). ou seja, precisávamos comprar todos os outros móveis e eletrodomésticos. juntamos os nossos dinheiros com uma quantia que ganhamos de presente do pai do boy e começamos a pesquisar nossas futuras compras.

já com a chave do apartamento em mãos, depois de medir os cômodos todos, decidimos mais ou menos onde ficaria cada móvel/eletrodoméstico. a situação financeira não era tão ruim, mas ninguém é besta de gastar dinheiro à toa, pelo amor de deus. então nosso objetivo era encontrar coisas bonitas, de qualidade e que coubessem no bolso. de preferência economizando em alguma coisa menos crítica pra poder gastar mais com outra coisa mais importante :P aí a mãe do boy resolveu dar o armário de cozinha pra gente. a escolha seria nossa, ela só entraria com o dinheiro. SHOW.

procuramos em algumas lojas mais populares e o prazo de entrega era 45 dias úteis. absolutamente inviável ficar essa infinidade de tempo vivendo numa casa sem um armário na cozinha!!! até que achamos um que era um tantinho mais caro, porém: 1) não custava os olhos da cara, 2) era do tamanho que a gente precisava, 3) o prazo de entrega era normal. compramos! chegou em duas semanas, mais ou menos. (e já foi um caos pra organizar as coisas, imagina se tivesse demorado dois meses...)

só que a fábrica do famigerado armário não tem equipe de montagem, eles só entregam e você que se vire pra colocar o seu móvel de pé. já que não conhecemos ninguém da região, conversamos com o zelador do prédio e ele indicou um cara que costuma fazer serviços aqui. pois bem. marcamos pra ele vir numa segunda feira, bem cedinho, torcendo pro barulho da montagem não atrapalhar demais o tal do home office! eis que o homem chegou sozinho, só com uma única chave de fenda e um martelo na mão. sem ajudante, sem caixa de ferramentas, não tinha nem uma parafusadeira. mas quem entende dessas coisas é ele, né? devia saber o que tava fazendo. se o cara precisasse de ajuda pra alguma coisa, o leo tava ali. não que ele pudesse se ausentar muito da frente do computador, mas uns minutinhos longe do trabalho não fariam tão mal assim... :P

o cara começou espalhando as peças pelo chão da cozinha, meio sem critério, só foi colocando tudo visível na frente dele pra poder mexer com mais facilidade. como eu tava com prazo apertado pra uma entrega no trabalho, não vi nada disso ao vivo, mas tava escutando de lá do escritório. daí o moço disse que tinha peça faltando, que a gente precisava ligar na fábrica cobrando essas partes que não haviam sido enviadas. o consagrado respondeu que devia estar na caixa que o cara ainda não tinha terminado de esvaziar. depois de uns 5 minutos de "tá faltando peça" "deve estar ali", o cara resolveu conferir a tal da caixa: tava tudo lá mesmo, só esperando ele olhar. parei de prestar atenção nessa loucura que tava rolando na cozinha e me concentrei no trabalho, mas fiquei com uma sensação esquisita, sentindo que as coisas não iam acabar tão bem.

encurtando a história, depois de duas horas ali e não tendo completado nem três passos do manual, o cara DESISTIU E FOI EMBORA. ele chamou o boy e basicamente falou "foi mal, não vai dar pra mim". e aí ele vazou, deixando tudo espalhado pela cozinha e pelo corredor. a gente não sabia nem como reagir, então obviamente tivemos uma crise de riso. e aí ficamos com aquela encrenca na mão.

o cara era nossa única indicação, não tínhamos pra onde correr. falamos de novo com o zelador e ele não tinha mais ninguém pra sugerir. então o consagrado resolveu que ele mesmo iria encarar essa empreitada. ainda que o manual pra montar o móvel tivesse QUARENTA E CINCO passos pra seguir. ainda que um cara que disse "marcenaria é o meu forte" tivesse desistido de montar. ainda que eu fosse a única pessoa disponível pra ajudar na montagem. ainda que ele só tivesse poucas horas por dia pra se dedicar a essa atividade e que não pudesse fazer barulho depois das 18h. apesar de todos os apesares, ele achou que essa era uma boa ideia. e foi mesmo.

essa brincadeira de montar o armário durou quase uma semana. eu achei tudo muito divertido, mas isso porque eu praticamente não fiz nada. pra mim o manual era impossível de entender (se eu fosse o cara que veio aqui, teria desistido muito mais cedo), então eu basicamente ajudava segurando coisas, apertando uns parafusos, procurando peças, dando apoio moral... mas o boy tava empenhadíssimo. o bichinho sofreu, fez um esforço danado, mas conseguiu: montou um armário de cozinha sozinho! se você perguntar, ele vai dizer que eu ajudei, mas todos sabemos que só o que eu fiz foi ficar ali do lado. no sábado, meu cunhado veio aqui pra ajudar o leo a pregar o armário na parede - e trazer a furadeira, porque não tínhamos uma ainda. mas como essa missão foi concluída com sucesso, é claro que o boy não apenas já comprou uma, como já montou/pregou várias outras coisas. 

esse armário é meu item preferido da casa inteira. é especialzinho demais saber que ele só tá ali, em pé, prontinho, por causa do meu digníssimo. :)

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

livrinhos de setembro

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As coisas como elas são - Laurie Frankel (2017)


✩ favorito do mês! ✩
eu amei essa capa!! 🤧 aqui, um casal tem 5 filhos homens e o mais novo deles, na verdade, é uma menina trans. é sobre a história dessa criança, claro, mas também dos familiares dela, que se reajustam pra tornar a vida da menininha mais fácil. ai, o livro é lindo! acontecem umas coisas meio nada a ver (tipo a mãe e a menina irem pra tailândia), mas achei muito bonita a trajetória de todas as personagens e a forma como a autora tratou o tema. vi uma galera falando que não gostou porque 1) o livro é feliz demais, ninguém sofre de verdade; e 2) a escrita é cansativa e prolixa. pois eu gostei justamente por ter essa perspectiva positiva!! a família acolhe a criança em todos os momentos (o que deveria ser a regra, e não a ficção absurda), as situações ruins se resolvem, as personagens são sensíveis umas com as outras... é muito bonito! mas não sei se uma pessoa trans se incomodaria, só vi gente cis comentando. e quanto à escrita, não senti nada disso. então, ponto pra tradutora que aparentemente melhorou o original nesse quesito! enfim, gostei bastante do livro. deu um quentinho no coração e me deixou com lagriminha nos olhos várias vezes, do jeitinho que eu gosto ♡


Eclipse - Stephenie Meyer (2007)


continuando a saga de ler essa série de gosto duvidoso depois de véia... 🤪 bella e edward estão mais juntos do que nunca, num relacionamento bizarro, enquanto jacob sofre tentando conquistar o coração dessa menina. em paralelo, um bando de vampiro "jovem" tá solto atacando as pessoas e os cullen e os lobisomens se unem pra acabar com essa palhaçada e proteger a vida da frágil humana que cismou em virar vampira, é isto. eu fiquei um tempão tentando decidir qual nota dar pra esse livro no goodreads, porque eu gostei de ler. não foi intragável igual o 2, eu me diverti! gostei de acompanhar de novo os lobisomens, de conhecer mais do passado das personagens, e ri demais com o plot da bella desesperada querendo >transar< antes de se transformar, pelo amor de deus! mas é tudo problemático DEMAIS. é todo mundo maluco e abusivo, não tem ninguém que se salve. jacob achou por bem fazer chantagem emocional e agarrar a menina à força, sabe? chega a dar raiva mesmo. sem contar que é tudo uma breguice sem fim, mas isso já tava estabelecido desde o primeiro livro. fico me perguntando se eu teria gostado desses absurdos se tivesse lido com 14 anos... enfim, não vejo a hora de terminar essa série!! kkkk (dedico esse aqui à tati, do limonada. um beijo, miga!)


Não leve a vida tão a sério - Hugh Prather (2006)


livrinho curto de autoajuda que ganhei do meu pai lá em 2013, numa época em que eu tava maluca das ideias por causa da ansiedade e tava tudo meio sofrido. lembro que abri pra ler meio relutante e no fim das contas foi uma leitura boa, que me ajudou a por a cabeça no lugar. eu não lembrava NADA do livro, mas guardava a experiência num lugarzinho especial no coração. daí resolvi reler agora just because e, no geral, achei tudo meio ruim kkkk a mensagem principal é que é impossível controlar tudo, então a gente precisa abrir mão disso pra ser feliz. realmente dá pra tirar coisas boas dessa leitura, mas pra isso a gente precisa abstrair uma boa quantidade de passagens meio sem sentido ou meio problemáticas... lá atrás foi bom, agora eu só terminei de ler porque é bem curtinho kk ah, ele propõe uns exercícios também, que em tese servem pra gente deixar pra trás memórias/pensamentos ruins e abrir espaço pra coisas novas e mais positivas. obviamente ignorei todos. ¯\_(ツ)_/¯  


Um conto de natal - Charles Dickens (1843)


primeira vez na vida que eu entro em contato com essa história, nunca nem vi as adaptações, e resolvi fazer isso justo >em setembro< porque eu perdi o rumo da minha vida, simples assim 😁 kkkk se você também tá por fora dessa, deixa que eu te conto o resuminho: um véio avarento, amargo e insuportável recebe a visita dos três fantasmas do natal e, depois disso, aprende a dar valor pros outros e se torna uma pessoa melhor e generosa. como era de se esperar, é uma gracinha! tem aquele tom típico das histórias com lição de moral pra ensinar a gente a ser menos babaca. é curtinho, fácil de ler e me deixou com vontade de ver o filme da disney haha eu gostei bastante, mas não me apaixonei a ponto de entender as pessoas que releem essa história todo natal... porém não julgo, acho mais é que a gente tem que se agarrar no que faz bem mesmo! ah, também é minha primeira vez lendo dickens!! achei que foi um começo muito bom :)

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em números, resumão do mês:

 livros terminados 4 x 0 livros abandonados

 literatura brasileira 0 x 4 literatura estrangeira (3 dos eua e 1 da inglaterra)

 livros lidos no kindle 3 x 1 livros físicos

 autoras mulheres 2 x 2 autores homens

 releituras 1 x 3 livros novos

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

adulta, eu?

digo com tranquilidade e sem o menor medo de ser feliz que eu sou uma das pessoas mais mimadas que eu conheço.

claro que já ouvi uns nãos nessa vida, mas sempre tive liberdade pra fazer, falar e pedir tudo. e sempre fui mais livre ainda pra não fazer o que eu não tava afim, o que eu acho que é mais especial. além disso, meus pais sempre fizeram por mim tudo o que eles podiam. desde ficar na janela me esperando quando eu voltava do trabalho à noite até passar no mercado só porque eu comentei que tava com vontade de comer alguma coisa específica, os mimos são muito diversos. agora, aos 25 anos, já pagando o meu próprio aluguel, continuo sendo a mesma filhinha de papai (e de mamãe, óbvio) que eu sempre fui.

pois bem.

eis que um dia dessa semana eu estava voltando do mercado a pé, com sacola na mão, acompanhada pelo meu digníssimo, quando pisei em falso num degrau despropositado na calçada e me estabaquei no chão. uma coisa assim meio regina duarte mesmo, mas sem ser por motivos de celular. olhei pro lado quando passamos por um salão de cabeleireiro e PLÓFT. não vi o degrau, torci o pé, cai bonito. aliás, pode ser até que eu quebrasse uns dentes se o boy não tivesse ali do lado pra me segurar na hora.

além da dor, que não foi pouca, levei um baita susto e minha pressão caiu. ignorei as recomendações sanitárias em tempos de coronavírus e sentei na calçada, eu não tinha condições de continuar em pé. coloquei a cabeça pra baixo, no meio dos joelhos, e tentei normalizar a respiração enquanto pensava "tomara que não tenha quebrado tomara que não tenha quebrado tomara que não tenha quebrado". ficamos ali por uns bons minutos, até que eu conseguisse me recuperar pra continuar o trajeto até em casa. por sorte, já estávamos na esquina da nossa rua. do ponto onde nós paramos até a entrada do prédio deve ter, no máximo, uns 150 metros. 

quando achei que já dava pra tentar seguir em frente, me escorei no namorado e andamos uns poucos passos até a minha vista escurecer de novo. tava doendo bastante pra pisar e minha pressão tinha voltado a me deixar na mão, então pedi pra parar e voltei a sentar na calçada. nesse ponto, além de torcer pra não ter quebrado nada, também tava torcendo pra ninguém com coronavírus ter cuspido justo ali onde eu sentei... repetimos ainda mais uma vez esse processo de sentar + colocar a cabeça entre os joelhos + continuar andando, até que finalmente chegamos em casa.

sentei na cadeira da sala, conferi o nível do inchaço do pé e, como boa adulta que sou, liguei pra minha mãe. aliás, minha vontade era de ter ligado lá do meio da rua mesmo! queria ter pedido o resgate pros meus pais na hora que me estatelei, mas o boy não gostou dessa ideia. e ele estava certíssimo, porque a casa dos meus pais fica do outro lado da cidade, então isso não fazia sentido nenhum (e possivelmente meu pai teria vindo me resgatar, ainda por cima). mas pra mim, na posição de filha mais mimada do mundo, era a única alternativa possível naquele momento de dor feat. sofrimento feat. não sei o que fazer por favor alguém me salva.

no telefone, enquanto o digníssimo colocava gelo no meu pé, contei pros meus pais o que tinha acontecido. recebi dicas de cuidados (papai jogava futebol e vivia contundido) e, depois do tchau, ouvi os dois falando antes de desligar "mas ela é muito medrosa, né? essa menina não dá" kkkkk sim, infelizmente muito medrosa mesmo, não pude nem discordar. mas não temos carro, estamos no meio de uma pandemia e hospital era o último lugar onde eu gostaria de ir nesse momento. o estômago chegou a embrulhar só de pensar.

no fim das contas, aparentemente não quebrou mesmo. ficou muito inchado, completamente roxo e dolorido demais pra pisar no chão normalmente, então durante minha recuperação passei a maior parte do tempo com o pé bem paradinho, apoiado pra cima, evitando ao máximo piorar a situação. mas nada que gelo, pomada, analgésico e cuidados especiais do namorado não tenham resolvido!

lembrei que quando eu era mais nova, com uns 12 anos mais ou menos, eu jurava de pé junto que aos 25 a minha vida estaria 100% resolvida e eu já poderia ter filhos, porque sem sombra de dúvidas eu estaria muito bem casada, teria um emprego incrível com um salário ótimo e obviamente me sentiria realizada em tudo. 

agora que cheguei nessa idade eu vejo que, por mais que eu não esteja tão mal assim, estou absolutamente longe de ter tudo nos trilhos. deus me livre e guarde de ter um filho agora. ainda não consigo nem lidar sozinha* com um pé torcido, imagina criar outro ser humano?????? aliás, será que os meus pais já sabem lidar de verdade com os problemas deles ou só fingem muito bem pra acalmar o meu coração????

se eles estiverem fingindo, espero que eu também minta assim tão bem quando chegar a minha hora de ser chamada de mãe. 


______________

* falei pros meus pais no telefone que não sabia o que fazer pra me virar sozinha pós acidente e a primeira coisa que meu pai falou foi "ué, mas cadê o leo?". e a primeira coisa que o boy fez foi me perguntar "ué, mas e eu?". expliquei para todos que, naquele contexto, "sozinha" queria dizer "sem meus pais ou quaisquer outros adultos responsáveis que poderiam tomar conta da minha vida e decidir coisas importantes por mim". ¯\_(ツ)_/¯

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

livrinhos de agosto

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Antologia da Literatura Fantástica - Adolfo Bioy Casares, Jorge Luis Borges e Silvina Ocampo (1965)


nem acredito que finalmente li o livro mais bonito da minha estante!!!!! faz anos que esse bonitinho tá encalhado aqui, só esperando a vez dele chegar. comprei com um super desconto na feira do livro da usp quando a editora fechou, acho que lá pra 2015 :P já havia tentado ler antes, mas não rolou. daquela vez, eu tava lendo os contos despretensiosamente, tipo um por dia, mas não passei das primeiras páginas. agora cismei que leria tudo, um em seguida do outro, aí foi! essa coletânea tem mais de 70 contos, alguns com um único parágrafo, outros com mais de 20 páginas, outros que na verdade são só um excerto de uma outra obra, etc etc. alguns são contemporâneos (considerando a data de publicação, né?), outros são tão antigos que não dá pra estabelecer a data exata. tem conto árabe, chinês, argentino, britânico, estadunidense... enfim, de tudo um pouquinho :)

já disse outras vezes aqui que não sou muito fã de ler livros de contos, mas gosto demais de literatura fantástica e esse aqui é muito especialzinho! por mais que eu não tenha mesmo morrido de amores por todos os 75 textos, o livro tá recheado de coisa boa que me deixou impactada, de terminar o conto e ficar olhando pra parede por uns minutos digerindo o que tava escrito ali, sabe?

como eu li tudo seguido, algumas histórias acabaram se confundindo umas com as outras na minha memória. outras, menos marcantes, já foram até esquecidas. por isso não dei nota 5 pro livrinho no goodreads - dei nota 4, porque faltou um pouquinho pra ser arrebatador. mas recomendo demais a leitura pra quem gosta do gênero, é uma experiência show de bola! quem não curte literatura fantástica talvez ache cansativo, mas ainda assim eu acredito que vale a pena se arriscar e dar uma chance.

ah, essa tradução pro português é baseada na segunda versão do livro, por isso considerei a data como 1965 (a primeira edição é de 1940).


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em números, resumão do mês:

 livros terminados 1 x 0 livros abandonados

 literatura brasileira 0 x 1 literatura estrangeira (1 da argentina - na real os organizadores do livro são argentinos, né? os contos são de vários países diferentes)

 livros lidos no kindle 0 x 1 livros físicos

 autoras mulheres 1 x 2 autores homens (eu não sei se devia contabilizar essa categoria?????? socorro)

 releituras 0 x 1 livros novos

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mais uma vez, só li um livro no mês. me reservei o direito de ler menos (e de não me sentir pressionada por isso) porque não é toda hora que a gente sai da casa dos pais, né? ;) meu plano é aumentar a quantidade de leituras em setembro - se tudo correr bem, já terei me adaptado melhor à rotina nova. fiquemos no aguardo dos próximos capítulos!

sábado, 22 de agosto de 2020

home, sweet, home

no começo de agosto, saí da casa dos meus pais e passei a morar com o boy.

a gente namora há quase sete anos, já faz um tempão que falamos de morar juntos, mas nunca era a hora certa. "nossos salários não são bons o suficiente, podemos esperar mais um pouco, o imóvel precisa obrigatoriamente ficar num lugar assim ou assado", etc etc etc. porém agora, no meio de uma pandemia, depois de vários meses sem nos encontrarmos, decidimos encarar de frente essa próxima etapa. finalmente juntamos as escovas de dente.

viemos parar do outro lado da cidade, num bairro gostosinho e perto de tudo, numa rua sem saída e super tranquila! o apto não é grande e tá meio mal cuidado, mas era o que cabia no bolso. e vai ficar bonitinho (aliás, já tá ficando!), a gente só precisa se esforçar um pouco pra isso hehe

por aqui, as coisas estão tomando forma aos poucos. compra um eletrodoméstico aqui, um móvel ali, um negocinho acolá... agora até que já temos bastante coisa, mas chegamos só com fogão e geladeira na cozinha (gente, que caro geladeira, né? eu hein), nossas escrivaninhas pra gente conseguir trabalhar, duas cadeiras usadas dessas universitárias que meu pai arrumou e uns móveis que eu trouxe do meu quarto.

aliás, o boy e meu pai que desmontaram meu guarda-roupa pra transportar até aqui. pra montar, os dois contaram com a ajuda do meu cunhado. eu desacreditei do sucesso dessa empreitada, mas deu tão certo que até me surpreendi. não ficou 100%, até porque o bichinho já não era da melhor qualidade, mas ficou o melhor possível :)

passamos os primeiros cinco dias dormindo num colchão de solteiro no chão, esperando o novo chegar. o plano era dormir num inflável de casal, mas não rolou - tava sem a tampa que fecha o buraco por onde enche de ar. por sorte trouxemos esse aí de plano b, que na verdade era pra servir como sofá. e por mais sorte ainda tava um frio lascado nesses dias, porque seria inviável dormir tão juntinhos se tivesse calor. depois que o colchão de casal chegou a qualidade do sono melhorou de forma incalculável, mas ainda faltava a cama - que só chegou uma semana depois do colchão. se quiséssemos receber os dois juntos, só 14 dias depois da nossa chegada na casinha nova. melhor dormir no colchão de casal, mesmo no chão, do que passar duas semanas dividindo o colchãozinho que a gente trouxe.

demoramos um pouco pra ter o armário da cozinha (vou contar essa saga em outro post), então usamos umas caixas pra fazer uma despensa improvisada. cozinhar tava sendo um desafio. além de não termos espaço pra apoiar as coisas, também passamos alguns dias sem panelas, sobrevivendo com duas frigideiras e a panela de pressão. enquanto isso, como a sala tava vazia (só compramos sofá, mesa e cadeiras no fim de semana passado), ela foi eleita o cômodo oficial da bagunça. tudo o que ainda não tinha lugar definido ficava jogado por lá. tava um caos, meio desesperador mesmo, mas ainda assim dava um quentinho no coração de saber que aquela bagunça toda ficava na nossa casinha.

tá sendo incrível essa experiência de viver sob o mesmo teto que a minha pessoa preferida no mundo.

claro que sinto saudade de quando eu acordava e meu pai já tinha feito o café (e eu gastava bem menos dinheiro), mas dormir e acordar todo dia ao lado desse cara tá fazendo valer a pena demais os perrengues chiques que a gente passa todo dia!

em tempos normais, estaríamos aproveitando tudo o que o bairro novo tem pra oferecer - inclusive pegar metrô e descer na avenida paulista depois de três estações. por enquanto, o que a gente conhece se resume a: mercado, padaria, farmácia e a feira da rua de cima. como não dá pra passear, o que a gente tem feito é experimentar os restaurantes da região que fazem delivery. já tá sendo um bom começo ♡

sexta-feira, 31 de julho de 2020

livrinhos de julho

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Outra dimensão para nós dois - Maria Freitas (2018)


conto curtinho e atualíssimo que se passa durante a quarentena do corona vírus!!!!! kkkkk é sobre dois meninos (um deles é trans) que são amigos desde sempre e moram juntos. durante o isolamento social, eles percebem que coisas estranhas estão acontecendo nessa casa onde eles moram. como o próprio nome indica, envolve diferentes dimensões e possibilidades do que poderia ser a vida deles caso outras escolhas fossem feitas. é bem bonitinho e divertido, mas achei que por ser tão curto a história não foi bem aproveitada. toda essa questão das dimensões tinha potencial pra ser muito mais legal, mas não deu tempo de explorar direito, sabe? de qualquer forma, é um romance fofinho (e talvez seja a primeira história que eu leio com um protagonista trans!)


Nosso Musseque - José Luandino Vieira (2003)


conheci luandino na faculdade, cursando literatura angolana. as aulas eram horríveis, mas eu gostei de tudo o que li e fiquei com vontade de conhecer mais! esse romance é construído como se fossem vários causos. o narrador conta episódios da vida das personagens e não tem exatamente um começo, meio e fim. a gente acompanha acontecimentos aleatórios da vida dessas pessoas que moram no musseque (que seria mais ou menos o equivalente angolano à favela, comunidade, algo assim), principalmente do narrador e dos amigos dele, que são crianças e adolescentes. por ter essa perspectiva mais infantil é um livro divertido, mas tem uma carga emocional bem grande e discute, mesmo que indiretamente, a questão racial. o que eu mais gostei foi da experiência de ler, não necessariamente do livro em si. gostei de entrar em contato com o português angolano, de conhecer palavras e expressões novas que fazem sentido naquela cultura, de sentir estranheza com algumas construções tão diferentes do que a gente usa no brasil... sabe? foi bonito :)


Lua nova - Stephenie Meyer (2006)


eu não tava esperando amar o livro, já tinha sido avisada que era ruim, mas não tava esperando uma BOMBA ATÔMICA dessa hahahahaha pra começo de conversa: a história desse aqui é ridícula. edward vai embora, bella entra numa crise depressiva braba e só melhora quando começa a andar com jacob, que depois vira um lobisomem. no fim das contas ela vai parar na itália pra salvar a vida do vampiro que tava tentando se matar e larga o lobisomem pra trás. SABE??? kkkk o desenvolvimento dos fatos é tosco, a bella tá insuportável, o romance entre ela e o edward me dá pavor (é só diálogo bizarro nível "se você morrer eu me mato"), uma cena é mais absurda e descabida do que a outra... não tem defesa, sério hahaha mas como boa maluca que sou eu quero ler o próximo pra saber qualé (só vi o filme 1x e já esqueci tudo) :P também preciso dizer que jake foi a única coisa positiva desse livro horroroso, sempre que ele aparecia me dava um quentinho no coração. mas boatos que depois ele também fica insuportável, então veremos se continuarei #TeamJacob nos próximos livros!!


Not about nightingales - Tennessee Williams (1938)


✩ favorito do mês! ✩
esse também é herança da faculdade! imprimi a xerox lá em 2015/2016 e nunca li. achei perdida aqui e aproveitei pra fazer minha primeira leitura em inglês do ano, finalmente :) essa peça é dividida em 3 atos e a história se passa dentro de uma penitenciária. resumindo bem, os detentos entram em greve de fome pedindo por melhores condições e o diretor, que é uma pessoa horrível, responde a isso trancafiando todo um pavilhão na sala das caldeiras, pra morrer ali sem ter como respirar. em paralelo a isso, uma moça começa a trabalhar ali como a nova secretária do diretor e acaba se apaixonando por um prisioneiro. ah, o título é inspirado em "ode to a nightingale", do keats (inclusive tem uma cena sobre isso). eu gostei muito, fiquei com vontade de ver a peça pra ter a experiência completa! eu recomendo bastante, mas acho que não tem tradução pro português, então fica o aviso: tem que ter bastante familiaridade com o inglês pra conseguir ler. precisei consultar o dicionário várias vezes e a oralidade tá muito marcada na fala das personagens, então acaba ficando confuso. mas vale demais a leitura!

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em números, resumão do mês:

 livros terminados 4 x 0 livros abandonados

 literatura brasileira 1 x 0 literatura estrangeira (1 de angola e 2 dos eua)

 livros lidos no kindle 4 x 0 livros físicos (a peça foi xerox, né? kkkk mas não posso considerar um livro físico, sorry)

 autoras mulheres 2 x 2 autores homens

 releituras 0 x 4 livros novos

segunda-feira, 29 de junho de 2020

livrinhos de junho

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finalmente, após um longo e tenebroso inverno outono, chegou o fatídico mês, aquele que eu pensei que jamais chegaria. confesso que eu tava contando os segundos pra poder dizer que: EU TERMINEI OS MISERÁVEIS, meuza migos!

antes de falar do livro em si, deixa eu contar a via sacra que foi ler esse bonitinho e terminar a leitura ainda no mês de junho... senta que lá vem história ^^

assim... eu comecei em março, quando a quarentena passou a existir. achei que era a melhor - senão a única - oportunidade que eu teria pra efetivamente conseguir ler esse livro na edição física, que é a que eu tenho em casa. é IMPOSSÍVEL levar um livro de 1510 páginas na mochila, né? e eu sou (ou era) do time que só lê no transporte público ou na hora de almoço no trabalho, então eu olhava pra ele na minha estante e ficava me perguntando QUANDO eu conseguiria encaixar um negócio desse na minha rotina já muito bem estabelecida.

pois agarrei a oportunidade que o coronavairus me deu e peguei pra ler achando que eu ia arrasar, ia ler durante todo o meu tempo livre e sem dúvida nenhuma terminaria em um mês e pouco, no máximo dois. mas no alto da minha inocência de jovem sonhadora eu não considerei um zilhão de fatores, principalmente o fato de que nós ESTAMOS VIVENDO NO MEIO DE UMA PANDEMIA, pelo amor de deus. eu não tive estrutura pra ler um livro denso, que trata de um assunto sério, com a mesma frequência que eu leio normalmente. tanto é que passei o mês de maio inteirinho com ele pegando poeira em cima da minha cômoda, não abri o livro uma vez sequer...

daí me senti culpada, porque afinal de contas eu sou doida e me cobro a respeito de coisas que não fazem o menor sentido. então eu decidi que correria atrás do prejuízo e terminaria o livro em junho, simples assim, sem choro nem vela.

no dia 1º de junho eu estava na página 450. considerando meu ritmo de leitura nesse livro específico e a minha disposição pra essa história, eu também decidi que não ia dar pra ler nenhum outro esse mês. não ia dar pra intercalar com livrinhos mais leves como eu fiz nos meses anteriores, simplesmente porque eu não ia querer voltar pra esse, igualzinho aconteceu no mês de maio ^^ kkkk

pra conseguir terminar, eu tinha que ler 35 páginas por dia. pensei "poxa, tá tranquilo! já terminei livro de 200 páginas num dia só, agora eu vou arrasar sem dúvida!". realmente, em alguns dias eu li 60, 70 páginas, mas em outros eu sofria pra chegar em 20... foi uma leitura cheia de altos e baixos, digamos assim. mas o que importa é que eu cumpri minha meta!!!

e agora, sem mais delongas, vamos às considerações sobre esse livrinho tranquilo que deve pesar uns 10 kg no mínimo: 

Os miseráveis - Victor Hugo (1862)


(um breve parêntese: gente, que difícil resumir esse livro do jeito que eu sempre faço! escrevi e apaguei várias vezes e nada ficou bom... vou dar o meu melhor aqui e se você não entender nada ou se achar que tá insuficiente, descurpe mas é o que tem pra hoje! kk)

a história se passa entre 1815 e 1830 e pouco. a gente acompanha a trajetória do jean valjean, um homem pobre que passou uns 20 anos preso por roubar comida e depois acabou virando um foragido da polícia, teve que mudar de nome, se esconder etc. como consequência, também acabamos acompanhando as pessoas que, de alguma forma, cruzaram o caminho dele: o inspetor de polícia que é o maior inimigo do cara, a criança que ele cria como filha, o futuro marido dessa filha e por aí vai. no meio dessa narrativa, também tem umas passagens sobre a história de paris, umas pitadas de critica social, umas digressões que parecem meio sem pé nem cabeça mas depois acabam se explicando... afinal de contas, 1510 páginas, né? haja coisa pra contar.

gostei do livro e me impressionei todas as vezes em que as coisas se amarraram tão bem, mesmo que uma passagem parecesse completamente solta e aleatória. tudo tinha uma razão de ser, mas talvez isso só se explicasse duzentas páginas depois. por exemplo: victinho nos presenteou com, sei lá, 70 páginas sobre a batalha de waterloo. e tudo isso só pra falar, lá no final dessas páginas todas, que o personagem x salvou a vida do pai do personagem y. só que nesse momento da narrativa você nem sabe que o cara é pai do outro, muito menos que isso vai ter uma influência na história. então eu li tudo aquilo me perguntando POR QUÊ, VICTOR? e depois, quando isso teve uma influência enorme no desdobramento dos fatos, eu fiquei assim: 🤯

mas não nego que achei um saco essa pausa na narrativa pra falar da batalha, que se passou anos antes e, a princípio, não tinha nada a ver com o enredo... aliás, por causa desses desvios longos na história eu não consegui amar o livro. gente, pelo amor de deus, victor hugo gastou pra lá de cinquenta páginas falando sobre esgoto. divagando sobre o tema, fazendo metáforas e também explicando como era o sistema de esgoto de paris. beleza, em seguida realmente rola uma cena importante de dois personagens que se salvam fugindo pelo esgoto, mas sinceramente... quem aguenta, sabe?

também rola um dramalhão danado, as personagens têm sentimentos aflorados, tudo é um desespero. o mocinho ameaça se matar porque a namorada vai se mudar, o pai definha porque tá com saudade da filha, o cara entra em parafuso e perde o prumo porque fica em dúvida a respeito de algo que sempre foi uma certeza, essas coisas. é uma intensidade sem fim.

meu personagem preferido foi, sem dúvida, o gavroche. um menino criado na rua, por conta própria, que aprendeu a se virar sozinho pra tudo, porque os pais são falidos e não conseguem se importar com mais essa boca pra alimentar. ele tem muitas cenas ótimas, uns diálogos muito bons. é especialzinho demais. <3

terminei o livro com vontade de rever o filme (fiquei viciadíssima na trilha sonora quando lançou) e pretendo fazer isso assim que eu sentir saudade e ficar afim de voltar pra essa história - porque ela é bem boa, mas não pretendo reler esse livro jamé :P kk achei que foi uma experiência bem válida e dá aquela inflada no ego poder falar que já li esse aqui (não nego), mas não sei se recomendo a leitura. não me entendam mal, eu recomendo demais que se conheça a história!! mas né... 1500+ páginas, sabe... sem tempo, irmão.


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em números, resumão do mês:

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 livros lidos no kindle 0 x 1 livros físicos

 autoras mulheres 0 x 1 autores homens

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