sexta-feira, 31 de julho de 2020

livrinhos de julho

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Outra dimensão para nós dois - Maria Freitas (2018)


conto curtinho e atualíssimo que se passa durante a quarentena do corona vírus!!!!! kkkkk é sobre dois meninos (um deles é trans) que são amigos desde sempre e moram juntos. durante o isolamento social, eles percebem que coisas estranhas estão acontecendo nessa casa onde eles moram. como o próprio nome indica, envolve diferentes dimensões e possibilidades do que poderia ser a vida deles caso outras escolhas fossem feitas. é bem bonitinho e divertido, mas achei que por ser tão curto a história não foi bem aproveitada. toda essa questão das dimensões tinha potencial pra ser muito mais legal, mas não deu tempo de explorar direito, sabe? de qualquer forma, é um romance fofinho (e talvez seja a primeira história que eu leio com um protagonista trans!)


Nosso Musseque - José Luandino Vieira (2003)


conheci luandino na faculdade, cursando literatura angolana. as aulas eram horríveis, mas eu gostei de tudo o que li e fiquei com vontade de conhecer mais! esse romance é construído como se fossem vários causos. o narrador conta episódios da vida das personagens e não tem exatamente um começo, meio e fim. a gente acompanha acontecimentos aleatórios da vida dessas pessoas que moram no musseque (que seria mais ou menos o equivalente angolano à favela, comunidade, algo assim), principalmente do narrador e dos amigos dele, que são crianças e adolescentes. por ter essa perspectiva mais infantil é um livro divertido, mas tem uma carga emocional bem grande e discute, mesmo que indiretamente, a questão racial. o que eu mais gostei foi da experiência de ler, não necessariamente do livro em si. gostei de entrar em contato com o português angolano, de conhecer palavras e expressões novas que fazem sentido naquela cultura, de sentir estranheza com algumas construções tão diferentes do que a gente usa no brasil... sabe? foi bonito :)


Lua nova - Stephenie Meyer (2006)


eu não tava esperando amar o livro, já tinha sido avisada que era ruim, mas não tava esperando uma BOMBA ATÔMICA dessa hahahahaha pra começo de conversa: a história desse aqui é ridícula. edward vai embora, bella entra numa crise depressiva braba e só melhora quando começa a andar com jacob, que depois vira um lobisomem. no fim das contas ela vai parar na itália pra salvar a vida do vampiro que tava tentando se matar e larga o lobisomem pra trás. SABE??? kkkk o desenvolvimento dos fatos é tosco, a bella tá insuportável, o romance entre ela e o edward me dá pavor (é só diálogo bizarro nível "se você morrer eu me mato"), uma cena é mais absurda e descabida do que a outra... não tem defesa, sério hahaha mas como boa maluca que sou eu quero ler o próximo pra saber qualé (só vi o filme 1x e já esqueci tudo) :P também preciso dizer que jake foi a única coisa positiva desse livro horroroso, sempre que ele aparecia me dava um quentinho no coração. mas boatos que depois ele também fica insuportável, então veremos se continuarei #TeamJacob nos próximos livros!!


Not about nightingales - Tennessee Williams (1938)


✩ favorito do mês! ✩
esse também é herança da faculdade! imprimi a xerox lá em 2015/2016 e nunca li. achei perdida aqui e aproveitei pra fazer minha primeira leitura em inglês do ano, finalmente :) essa peça é dividida em 3 atos e a história se passa dentro de uma penitenciária. resumindo bem, os detentos entram em greve de fome pedindo por melhores condições e o diretor, que é uma pessoa horrível, responde a isso trancafiando todo um pavilhão na sala das caldeiras, pra morrer ali sem ter como respirar. em paralelo a isso, uma moça começa a trabalhar ali como a nova secretária do diretor e acaba se apaixonando por um prisioneiro. ah, o título é inspirado em "ode to a nightingale", do keats (inclusive tem uma cena sobre isso). eu gostei muito, fiquei com vontade de ver a peça pra ter a experiência completa! eu recomendo bastante, mas acho que não tem tradução pro português, então fica o aviso: tem que ter bastante familiaridade com o inglês pra conseguir ler. precisei consultar o dicionário várias vezes e a oralidade tá muito marcada na fala das personagens, então acaba ficando confuso. mas vale demais a leitura!

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em números, resumão do mês:

 livros terminados 4 x 0 livros abandonados

 literatura brasileira 1 x 0 literatura estrangeira (1 de angola e 2 dos eua)

 livros lidos no kindle 4 x 0 livros físicos (a peça foi xerox, né? kkkk mas não posso considerar um livro físico, sorry)

 autoras mulheres 2 x 2 autores homens

 releituras 0 x 4 livros novos

segunda-feira, 29 de junho de 2020

livrinhos de junho

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finalmente, após um longo e tenebroso inverno outono, chegou o fatídico mês, aquele que eu pensei que jamais chegaria. confesso que eu tava contando os segundos pra poder dizer que: EU TERMINEI OS MISERÁVEIS, meuza migos!

antes de falar do livro em si, deixa eu contar a via sacra que foi ler esse bonitinho e terminar a leitura ainda no mês de junho... senta que lá vem história ^^

assim... eu comecei em março, quando a quarentena passou a existir. achei que era a melhor - senão a única - oportunidade que eu teria pra efetivamente conseguir ler esse livro na edição física, que é a que eu tenho em casa. é IMPOSSÍVEL levar um livro de 1510 páginas na mochila, né? e eu sou (ou era) do time que só lê no transporte público ou na hora de almoço no trabalho, então eu olhava pra ele na minha estante e ficava me perguntando QUANDO eu conseguiria encaixar um negócio desse na minha rotina já muito bem estabelecida.

pois agarrei a oportunidade que o coronavairus me deu e peguei pra ler achando que eu ia arrasar, ia ler durante todo o meu tempo livre e sem dúvida nenhuma terminaria em um mês e pouco, no máximo dois. mas no alto da minha inocência de jovem sonhadora eu não considerei um zilhão de fatores, principalmente o fato de que nós ESTAMOS VIVENDO NO MEIO DE UMA PANDEMIA, pelo amor de deus. eu não tive estrutura pra ler um livro denso, que trata de um assunto sério, com a mesma frequência que eu leio normalmente. tanto é que passei o mês de maio inteirinho com ele pegando poeira em cima da minha cômoda, não abri o livro uma vez sequer...

daí me senti culpada, porque afinal de contas eu sou doida e me cobro a respeito de coisas que não fazem o menor sentido. então eu decidi que correria atrás do prejuízo e terminaria o livro em junho, simples assim, sem choro nem vela.

no dia 1º de junho eu estava na página 450. considerando meu ritmo de leitura nesse livro específico e a minha disposição pra essa história, eu também decidi que não ia dar pra ler nenhum outro esse mês. não ia dar pra intercalar com livrinhos mais leves como eu fiz nos meses anteriores, simplesmente porque eu não ia querer voltar pra esse, igualzinho aconteceu no mês de maio ^^ kkkk

pra conseguir terminar, eu tinha que ler 35 páginas por dia. pensei "poxa, tá tranquilo! já terminei livro de 200 páginas num dia só, agora eu vou arrasar sem dúvida!". realmente, em alguns dias eu li 60, 70 páginas, mas em outros eu sofria pra chegar em 20... foi uma leitura cheia de altos e baixos, digamos assim. mas o que importa é que eu cumpri minha meta!!!

e agora, sem mais delongas, vamos às considerações sobre esse livrinho tranquilo que deve pesar uns 10 kg no mínimo: 

Os miseráveis - Victor Hugo (1862)


(um breve parêntese: gente, que difícil resumir esse livro do jeito que eu sempre faço! escrevi e apaguei várias vezes e nada ficou bom... vou dar o meu melhor aqui e se você não entender nada ou se achar que tá insuficiente, descurpe mas é o que tem pra hoje! kk)

a história se passa entre 1815 e 1830 e pouco. a gente acompanha a trajetória do jean valjean, um homem pobre que passou uns 20 anos preso por roubar comida e depois acabou virando um foragido da polícia, teve que mudar de nome, se esconder etc. como consequência, também acabamos acompanhando as pessoas que, de alguma forma, cruzaram o caminho dele: o inspetor de polícia que é o maior inimigo do cara, a criança que ele cria como filha, o futuro marido dessa filha e por aí vai. no meio dessa narrativa, também tem umas passagens sobre a história de paris, umas pitadas de critica social, umas digressões que parecem meio sem pé nem cabeça mas depois acabam se explicando... afinal de contas, 1510 páginas, né? haja coisa pra contar.

gostei do livro e me impressionei todas as vezes em que as coisas se amarraram tão bem, mesmo que uma passagem parecesse completamente solta e aleatória. tudo tinha uma razão de ser, mas talvez isso só se explicasse duzentas páginas depois. por exemplo: victinho nos presenteou com, sei lá, 70 páginas sobre a batalha de waterloo. e tudo isso só pra falar, lá no final dessas páginas todas, que o personagem x salvou a vida do pai do personagem y. só que nesse momento da narrativa você nem sabe que o cara é pai do outro, muito menos que isso vai ter uma influência na história. então eu li tudo aquilo me perguntando POR QUÊ, VICTOR? e depois, quando isso teve uma influência enorme no desdobramento dos fatos, eu fiquei assim: 🤯

mas não nego que achei um saco essa pausa na narrativa pra falar da batalha, que se passou anos antes e, a princípio, não tinha nada a ver com o enredo... aliás, por causa desses desvios longos na história eu não consegui amar o livro. gente, pelo amor de deus, victor hugo gastou pra lá de cinquenta páginas falando sobre esgoto. divagando sobre o tema, fazendo metáforas e também explicando como era o sistema de esgoto de paris. beleza, em seguida realmente rola uma cena importante de dois personagens que se salvam fugindo pelo esgoto, mas sinceramente... quem aguenta, sabe?

também rola um dramalhão danado, as personagens têm sentimentos aflorados, tudo é um desespero. o mocinho ameaça se matar porque a namorada vai se mudar, o pai definha porque tá com saudade da filha, o cara entra em parafuso e perde o prumo porque fica em dúvida a respeito de algo que sempre foi uma certeza, essas coisas. é uma intensidade sem fim.

meu personagem preferido foi, sem dúvida, o gavroche. um menino criado na rua, por conta própria, que aprendeu a se virar sozinho pra tudo, porque os pais são falidos e não conseguem se importar com mais essa boca pra alimentar. ele tem muitas cenas ótimas, uns diálogos muito bons. é especialzinho demais. <3

terminei o livro com vontade de rever o filme (fiquei viciadíssima na trilha sonora quando lançou) e pretendo fazer isso assim que eu sentir saudade e ficar afim de voltar pra essa história - porque ela é bem boa, mas não pretendo reler esse livro jamé :P kk achei que foi uma experiência bem válida e dá aquela inflada no ego poder falar que já li esse aqui (não nego), mas não sei se recomendo a leitura. não me entendam mal, eu recomendo demais que se conheça a história!! mas né... 1500+ páginas, sabe... sem tempo, irmão.


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em números, resumão do mês:

 livros terminados 1 x 0 livros abandonados

 literatura brasileira 0 x 1 literatura estrangeira (da frança)

 livros lidos no kindle 0 x 1 livros físicos

 autoras mulheres 0 x 1 autores homens

 releituras 0 x 1 livros novos

domingo, 31 de maio de 2020

livrinhos de maio

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Céu sem estrelas - Iris Figueiredo (2018)


sempre quis ler esse livro, mesmo sem saber a história, porque acho a capa bonita demais! antes de mais nada, fica o aviso de gatilho: cecília, a personagem principal, é uma menina gorda que se corta e tem pensamentos suicidas. a história gira em torno da cecília e da vida dela: a família desajustada, a relação complicada com a mãe, as amigas que dão o suporte que ela precisa, o menino que ela gosta, o primeiro emprego, a faculdade, os problemas relacionados à autoestima e aceitação etc. é um romance YA bem xóvem e é bem previsível até certo ponto, mas isso não tira o mérito do livro e das discussões que ele traz. e a cecília é show, dá vontade de ser amiga dela!! achei que tem uns clichês meio difíceis de engolir que dão uma cara de fanfic pra história, mas é cativante, é gostoso de ler e terminei com vontade de saber mais sobre o futuro das personagens. bom sinal, né? :) 


Bem-vindos à Rua Maravilha - Gabriel Mar (2019)


esse aqui quem me deixou com vontade de ler foi o victor, do geek freak, que disse em algum vídeo que amou a atmosfera do livro (ou algo nesse sentido). é sobre um menino que ainda não se encontrou na vida, mas começa a se descobrir e se entender melhor ao escrever uma peça de teatro e se unir aos atores pra dar vida ao musical que ele criou. é realmente bem legal acompanhar essa rotina do teatro, os ensaios, as músicas e tal, mas pra mim o que valeu mesmo foi a junção de tantas personagens tão diferentes que amadurecem e mudam juntas. tem bastante representatividade também! resumindo, me cativei mais pela história pessoal de cada personagem do que pelo conjunto da obra em si, porém são personagens demais e o menino principal é meio irritante... então eu gostei, mas com ressalvas hahaha


Minha história - Michelle Obama (2018)


✩ favorito do mês! ✩
ganhei de presente do boy esse aqui. que baita livro bom, viu? não sabia quase nada da vida dela ou dos projetos que ela criou e coordenou durante os mandatos do marido e gostei demais de conhecer a história dessa mulher!!! e também de descobrir de onde michelle veio, conhecer a família dela e a sua trajetória de menina periférica que se tornou uma advogada de sucesso e largou a carreira porque escrever contratos não era tão satisfatório pra alguém que queria abrir portas pra pessoas com menos oportunidades. miche se apaixonou por um homem que virou presidente de um país racista e horrível e, mesmo sofrendo uma pressão surreal, ela usou seu lugar de destaque pra apoiar mulheres e crianças e ser uma primeira-dama com papel ativo. sabe? :~ vale dizer que ler michelle falando das mortes de pessoas negras bem quando george floyd foi assassinado bateu lá no fundo... enfim, além de a história ser incrível, a narrativa dela é bem gostosa de ler. recomendo muito!



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em números, resumão do mês:

 livros terminados 3 x 0 livros abandonados

 literatura brasileira 2 x 1 literatura estrangeira (1 dos eua)

 livros lidos no kindle 3 x 0 livros físicos

 autoras mulheres 2 x 1 autores homens

 releituras 0 x 3 livros novos

domingo, 24 de maio de 2020

o primeiro namoradinho

3. escreva sobre o seu primeiro beijo e como se sentiu.

a primeira coisa que me vem à mente quando penso nisso é o tanto de beijinho que eu podia ter dado antes do primeiro, mas não tive coragem simplesmente porque ainda não era A Pessoa Certa. o fardo de ser uma mulher canceriana é romantizar tudo desde que nasci...

eu tinha 13 anos e já me achava super velha pra ser bv. enquanto quase todas as minhas amigas já estavam inclusive com os seus namoradinhos, eu ainda ficava apavorada com a ideia de beijar alguém. como que eu podia deixar uma pessoa que não era especial o suficiente enfiar a língua dentro da minha boca????? pelo amor de deus, sabe. inviável.

eis que um dia, de repente, não mais do que de repente, eu conheci esse menino. nós estudávamos na mesma escola, tínhamos amigos em comum, mas eu nunca tinha trocado nem uma palavra com ele. na verdade, eu não dava bola pra existência dele e nem ele pra minha. até que a gente se conheceu e as coisas mudaram com toda a intensidade que a adolescência permite. 

nos conhecemos no último dia de aula antes das férias de julho. não há adolescente que resista ao clima de euforia pré-férias e, ainda bem, os professores também compartilhavam desse mesmo sentimento. desde que ninguém extrapolasse e perdesse muito o juízo, a gente podia ir nas outras classes, interagir com os colegas pelos corredores etc. estávamos ali pra cumprir o calendário escolar, mas não tinha aula de verdade.

uma amiga de outra classe, um ano mais velha, me chamou pra ir até a sala dela. os alunos levaram comida pra fazer um café da manhã de despedida. morrendo de vergonha de invadir um espaço que não me pertencia, e mais ainda de comer uma comida que não era pra mim, eu fui. conheci os amigos dela, incluindo o famigerado boy, e comi uma coisa ou outra. fiquei ali por uns cinco minutos só, não sabia quanto tempo eu tinha pra ficar fora da sala sem o professor me dar bronca depois. na hora nós nem chegamos a conversar muito, mas nesse mesmo dia, de tarde, ele me adicionou no finado orkut. trocamos umas mensagens e passamos a conversar no msn. depois de uns dias também já estávamos trocando sms pelo celular. pois passei o mês inteiro de férias conversando com ele o tempo todo e, quando eu dei por mim, já tava apaixonada.

aí as aulas voltaram, a gente se reencontrou pessoalmente e chegou o fatídico dia de finalmente beijar a boca do menino que eu gostava. pra nossa sorte (assim não tivemos que planejar muito), teria um jogo de futebol da nossa escola contra uma outra do mesmo bairro numa quadra pertinho de onde a gente estudava, dava pra irmos a pé. fomos em bando, vários adolescentes juntos animadíssimos com o fato de os nossos amigos jogarem dali a pouco. e eu com o maior frio na barriga porque meu deus do céu eu ia beijar a boca do menino que eu gostava!!!!!

e é claro que foi tudo meio esquisito, eu fiquei super nervosa, mas não foi ruim não. beijar pela primeira vez alguém de quem eu gostava de verdade foi uma experiência tão gostosinha! valeu a pena esperar, fiquei bem feliz na época e é uma lembrança boa que me deixa de coração quentinho hoje. e depois não é que eu e o belezinha acabamos sendo um casalzinho por um tempo considerável? em meio a várias idas e vindas, alguns meses separados e ficando com outras pessoas aqui e ali, passaram-se uns dois anos desde esse primeiro até o último beijo que a gente deu.

perdemos o contato de vez há mil anos, mas às vezes rola uma troca de likes nas fotos um do outro no instagram. a modernidade, né, meninas? :)

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sexta-feira, 22 de maio de 2020

a melhor escola do mundo

2. escreva sobre a memória mais feliz da sua infância.

da primeira a quarta série, eu estudei numa escola construtivista.

na época eu achava tudo normal, considerando que aquela era a minha realidade e eu sequer sabia que dava pra ser de outra forma, mas hoje eu vejo como essa foi uma experiência diferenciada, incrível e completamente rica! muito do que eu aprendi ali se reflete em quem eu sou hoje.

a escola era toda aberta, muitas das nossas atividades eram feitas ao ar livre e as salas tinham paredes de vidro. assim a gente conseguia ver e interagir com as outras classes, inclusive algumas aulas eram dadas pra turmas diferentes ao mesmo tempo.

seguindo a dinâmica proposta pelo construtivismo, as turmas eram super pequenas. que eu me lembre, a maior delas devia ter, no máximo, umas 12 crianças. vários dos meus colegas tinham algum tipo de deficiência física ou intelectual e isso era absolutamente corriqueiro pra gente, não lembro de nenhum caso de criança sendo discriminada por não se encaixar em qualquer tipo de padrão. claro que os professoram davam uma atenção maior pra esses alunos, atendendo às necessidades de cada um, mas não era algo que se destacasse de forma ruim aos olhos dos colegas. sendo assim, fazer dupla com uma criança com síndrome de down, autista ou cadeirante não era uma questão pra nenhum dos alunos. era comum.

quando eu tava na quarta série, tinha uma menina autista na minha turma, a fernanda. eu não faço a menor ideia de onde ela se encaixa no espectro, o que eu sei é que às vezes ela sentia muita dificuldade de se envolver nas atividades em grupo e obedecer as instruções. daí teve esse dia que a gente tava no parquinho no intervalo das aulas e, quando acabou, a fernanda se recusou a sair de onde ela estava. a professora não conseguiu convencê-la a voltar pra classe e a ela ficou parada, agachada no meio do pátio, gritando e chorando. não lembro se por iniciativa própria ou a pedido da professora, mas eu fui lá falar com ela. nós eramos bem amigas. me agachei junto, conversei e estendi a mão. voltei pra sala na companhia da fernanda, de mãos dadas com ela. e foi uma cena normal pra todo mundo, ninguém achou esquisito. uma colega passou por um momento difícil, a outra ajudou, seguimos o baile.

além disso, todas as atividades eram voltadas pra fazer o aluno pensar e criar. fiz mosaico na parede da escola, montei casinha com tijolo feito de caixa de leite (a gente reciclava tudo), plantei couve e depois não apenas colhi como fiz recheio de esfirra com as folhas, me vesti de palhaço numa apresentação com temática circense pra escola toda assistir... e também tive a liberdade de dizer não quando me recusei a apresentar uma peça de teatro, porque tinha vergonha demais e não tava me sentindo confortável. em vez de me obrigar a atuar senão eu ficaria sem nota (nós não fazíamos provas, as avaliações eram diferentes), a professora me ofereceu o cargo de assistente de palco. cumpri minha tarefa e fui avaliada como todos os outros, sem precisar sofrer nenhum trauma pra isso.

os alunos eram incentivados a se expressar o tempo todo e isso já começava com o uniforme. existiam umas seis cores diferentes de camiseta (vermelha, amarela, verde, branca...) e a criança podia usar a que quisesse. era tudo divertido demais! na maior parte do tempo eu nem sentia que tava indo lá pra aprender, por mais que a gente tivesse o tempo todo desenvolvendo as nossas habilidades e conhecendo coisas novas.

e a escola era toda verde, cheia de arbustos com flores coloridas, várias árvores, inclusive uma jabuticabeira incrível que era o meu lugar preferido. também tinha um tanque com peixes e tartarugas, uns coelhos e uns jabutis. e a gente aprendia principalmente a respeitar o espaço dos bichinhos, não tinha essa de sair pegando no colo ou dar comida fora de hora. nossa relação com a natureza era muito bonita, interagir com ela fazia parte da educação que a gente recebia.

ai, gente...

é isso. eu podia ficar aqui por horas tecendo elogios pra esse lugar incrível, que tinha uma equipe 10/10 (e eu imagino que ainda tenha, porque a diretora é a mesma até hoje e ela é maravilhosa), mas vou parar por aqui antes que eu fique mais nostálgica e saudosa do que já tô.

fico feliz demais quando penso em tudo o que eu vivi nessa escola. agradeço aos meus pais do fundo do coração por terem me proporcionado essa vivência (e sei que não foi fácil, foi preciso muito planejamento e organização da parte deles). se eu tiver como bancar, faço questão de proporcionar algo assim pras minhas crias no futuro. 🌟

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domingo, 17 de maio de 2020

hoje eu não quis tirar o pijama

alguns dias são piores que outros, mas até que tô levando bem. 

considerando que tô presa na minha casa sem poder sair pra rua - e com medo de me contaminar com um vírus letal quando vou ao mercado - e que faz dois meses que não vejo meu namorado ou qualquer outra pessoa além dos meus pais... tá tudo sob controle.

sou uma pessoa de rotinas, me organizo melhor e me sinto mais confortável tendo um cronograma pra seguir. por isso, nos dias de semana eu acordo cedinho, tomo café da manhã com meu pai, faço 1h de exercício físico, tomo banho, trabalho, janto, leio livro ou vejo alguma coisa no youtube e daí já chegou a hora de dormir. já nos fins de semana eu acordo umas horinhas mais tarde, tomo café com mamãe (meu pai acorda muito cedo, então come antes da gente), ajudo com o almoço, faço faxina, me exercito, leio. os horários são mais bagunçados, mas é sempre mais ou menos a mesma coisa.

mesmo nos dias em que eu tô me sentindo mais triste, irritada ou frustrada, eu ainda me obrigo a fazer as coisas. mesmo sem vontade alguma, obedeço o meu cronograma e sigo em frente. não posso ficar parada e muito menos caminhar pra trás, então simplesmente faço o que preciso fazer. do mesmo jeito que eu sou obrigada, querendo ou não, a trabalhar todos os dias das 10h00 às 19h00, também preciso lavar o banheiro e seguir o calendário de exercícios. e é o que eu faço. respiro fundo e vou, com vontade ou sem.

mas hoje eu acordei e não quis nem tirar o pijama.

coloco meu despertador pra tocar às 9h00 de fim de semana, o que pra mim tá excelente. mas hoje acordei umas 6 e pouco, com cólica e frio. do lado de fora da janela tava uma neblina tão densa que não dava pra enxergar nada - sim, eu durmo de janela aberta. senti uma saudade enorme de dormir abraçada com meu namorado, jamais passo frio quando ele tá ali comigo. me enrosquei mais ainda na coberta, fechei os olhos e voltei a dormir. depois eu realmente levantei às 9h00, como boa obediente da minha própria rotina que sou.

curiosamente, hoje tomei café sozinha. depois de comer, botei a roupa pra lavar e fui ler um livro. meu plano era fazer meus exercícios antes do almoço, pra me livrar logo da obrigação, mas tava tão frio... não tive coragem. mamãe acordou, fiquei conversando, quando vi já era quase 11h e eu ainda tava de pijama. posterguei os exercícios pra mais tarde, tinha que criar coragem primeiro. mas pelo menos eu precisava me trocar. quando pensei nisso, senti um peso nos ombros. me trocar pra quê, afinal de contas? tirar o pijama e vestir uma calça de moletom, que é basicamente um pijama, não mudaria nada. e eu nem queria me trocar, só faria isso por obrigação. me recusei. assim como também me recusei a fazer os exercícios físicos do dia. hoje me dei um descanso.

me permiti não fazer nada além do que era obrigatório de verdade e tive um dia tranquilo - e muito confortável, porque meu pijama é incrível. amanhã, quando eu voltar a obedecer minha rotina sem tirar nem por, talvez eu tenha um pouquinho mais de fôlego depois desse respiro de hoje. tô torcendo pra isso.

domingo, 3 de maio de 2020

açaí e sorvete de frutas vermelhas

dia desses minha amiga bia postou no twitter sobre um desafio de escrita (tá nos destaques!) que ela ia encarar. quem tá por aqui há tempos talvez se lembre que lá nos longínquos anos de 2015 e 2016 eu participei do BEDA (blog everyday in august), postando todos os dias do mês de agosto durante dois anos seguidos. em 2015 foi divertido, mas em 2016 foi tão sofrido que eu prometi nunca mais cair nessa cilada outra vez. e aqui estamos nós... querendo beber da água que eu disse que nunca mais beberia. vou jogar mais essa pra conta da quarentena! 

mas dessa vez a coisa vai ser diferente, porque em 2020 quem manda no desafio sou eu. tô rebelde, não quero saber de seguir regras. vou fazer do meu jeitinho, TENTANDO seguir pelo menos a ordem dos temas propostos sem pular nenhum, mas vou postar na frequência que eu bem entender. e não necessariamente vou escrever sobre a minha vida, quero usar o tema como fonte de inspiração só. pode ser que venha um relato autobiográfico, mas pode ser que venha um conto de ficção, vai saber! ah, também vou desistir sem medo de ser feliz quando eu não tiver mais afim, porque não sou obrigada a nada. dito isso, vamos lá! :)

✽✽✽

1. escreva sobre o seu primeiro amor.

já fazia 6 anos que aline e rafael moravam no mesmo condomínio, o village das andorinhas, a poucas casas de distância um do outro.

com muito esforço, os pais de rafinha conseguiram comprar o sobrado de número 52 antes mesmo de ele nascer. quando rafael tinha nove anos, aline mudou-se para o village. ele a viu pela primeira vez numa quarta-feira à tarde. em frente ao sobrado 48, havia um casal de adultos e uma menina baixinha, usando vestido roxo e tênis laranja. ele ficou curioso - será que aquela família se mudaria para lá? suzy, a mãe de rafael, acenou para os novos vizinhos. ele também sorriu e acenou, mas a menina era tímida: escondeu-se atrás da mãe e ficou espiando enquanto ele entrava em casa.

a princípio, aline tentou passar despercebida. a menina estava apavorada com a ideia de conhecer tantas pessoas novas! mas em poucas semanas esse cenário mudou: ela conquistou tranquilamente o seu espaço em meio às outras crianças do condomínio. assim como todo mundo, rafael ficou muito feliz por tê-la ali. lica era a melhor jogadora de queimada do village todinho!

durante anos os dois encontraram-se quase todas as tardes. junto com os outros amigos, formavam um grupo de dez crianças que estavam sempre juntas. rafinha ensinou aline a andar de bicicleta - e correu desesperado pra acudir quando ela caiu e ralou o joelho. mas lica não se deixou abalar! limpou as lágrimas e tentou de novo e de novo, até conseguir. as amigas bateram palmas e gritaram de alegria quando ela finalmente pedalou sozinha, sem as rodinhas da bike, e sem perder o equilíbrio nenhuma vez. aline largou a bicicleta no chão e correu pra abraçar rafael, como forma de agradecimento. tantos anos depois, ambos ainda tinham esse momento guardado na memória com muito carinho.

com o passar do tempo, o grupo de amigos mudou. algumas crianças foram embora do village, outras chegaram... mas lica e rafinha continuaram lá, juntos, mais amigos do que nunca. na sétima série, rafael ficou de recuperação em geografia. aline passou uma semana ajudando-o a estudar todos os dias, o que garantiu a ele uma nota 8.5! como recompensa, lica ganhou um pote enorme de açaí com leite condensado, morango e granola. ela ficou tão feliz que só se lembrou de oferecer quando faltavam pouquíssimas colheradas pra acabar. rafinha até queria sim, mas preferiu deixar tudo pra ela. dava gosto de ver a menina sorrindo daquela forma, ele não quis correr o risco de estragar o momento.

agora faltavam poucos meses pro aniversário de 15 anos de aline. ela não quis ganhar uma festa, preferiu viajar. na semana do seu aniversário, lica e seus pais iriam para um hotel no rio de janeiro. ainda que essa não fosse a sua viagem dos sonhos, a menina estava muito feliz. aline passava horas planejando a viagem e pesquisando passeios diferentes, ela estava muito empolgada! a avó paterna de rafael era do rio de janeiro, o menino já havia passado as férias muitas vezes nas praias cariocas. por isso, rafinha fez questão de dar a ela todas as dicas possíveis. no seu roteiro da viagem, registrado num caderno antigo, aline escreveu de caneta vermelha, no alto da página: "não deixar de conhecer a sorveteria preferida do rafa!!!".

um dia antes de viajar, a menina estava tão ansiosa que não conseguia se distrair. ela pegou o celular e mandou uma mensagem de texto pra rafael, perguntando se podia ir na casa dele jogar video game. rafinha demorou sete minutos pra responder. ela já estava impaciente, mas sorriu ao ver a resposta: "corre, estamos te esperando", acompanhada de uma foto do controle do video game e um balde de pipoca. sem perder tempo, aline calçou o primeiro chinelo que encontrou pelo caminho e deixou um bilhete escrito às pressas na mesa da sala: "tô no rafa, volto mais tarde. se precisar, me liguem!". quando chegou na casa 52, rafinha já estava esperando na porta.

foi uma tarde muito divertida! enquanto jogavam, os dois conversaram sobre vários assuntos, não apenas sobre a viagem. como sempre, com seu jeito mais tranquilo, rafael conseguiu fazer aline se distrair e relaxar. aliás, sempre que ela se sentia muito nervosa, era ele quem a ajudava a se acalmar. de noite, ao abraçá-lo na hora da despedida, lica lembrou-se do abraço que eles haviam trocado há tantos anos, quando ela aprendera a pedalar. naquele momento, seu sentimento de gratidão era o mesmo. antes de dormir, rafinha mandou uma mensagem desejando boa viagem. "não esquece, o sorvete de frutas vermelhas é o mais gostoso", ele escreveu. aline com certeza se lembraria disso.

aline voltou pra casa num sábado à tarde. quando chegou no condomínio, três amigas já estavam à sua espera. as meninas ajudaram-na a descarregar as bagagens do carro e foram convidadas por patrícia, a mãe de aline, a entrar em casa. juntas, enquanto conversavam sobre todas as novidades dessa última semana, as quatro adolescentes desfizeram a mala de aline, separaram as roupas para lavar e guardaram tudo o que precisava ser guardado. quando aline foi tomar banho, bianca correu até a sala para conversar com a mãe da amiga. enquanto isso, carol mandou mensagem pra rafael e tati foi até o salão de festas do condomínio. assim que o chuveiro foi fechado, bianca voltou para o quarto de aline e ficou conversando com carol como se nada tivesse acontecido. quando lica percebeu que tati não estava mais ali, estranhou. as meninas inventaram uma desculpa qualquer e convenceram aline a acompanhá-las até o parquinho do condomínio. ela não queria ir, sentia-se cansada da viagem e preferia ficar em casa. mas até mesmo os seus pais insistiram para que ela fosse se divertir e matar a saudade dos outros amigos, então ela aceitou o convite.

bianca e carol estavam agindo de maneira esquisita, mas como aline não conseguiu encontrar nenhum motivo pra isso, preferiu deixar pra lá. assim que passaram em frente ao parquinho, aline perguntou se elas não iam parar. carol respondeu prontamente que iam até a casa de tati, perto do salão de festas, para ver se a amiga podia sair novamente. quando elas estavam a pouquíssimos passos da porta do salão, as luzes se acenderam e, em uníssono, diversas pessoas gritaram "PARABÉNS, LICA!". aline levou um susto tão grande que quase tropeçou. com um misto de vergonha, alegria e irritação por ter sido enganada, ela começou a chorar. as amigas correram para abraçá-la - inclusive tati, que foi quem acendeu a luz do salão de festas.

os pais de lica, que sabiam da surpresa desde antes mesmo da viagem acontecer, também apareceram. visivelmente emocionados, eles abraçaram os amigos da filha, agradeceram a demonstração de carinho, disseram para aline aproveitar a festa sem hora pra voltar pra casa e foram embora. quando conseguiu conter as lágrimas e conversar com os amigos, lica descobriu que a ideia toda havia sido de rafael. ele e bianca combinaram os detalhes com os pais de aline e organizaram, junto com os outros amigos do grupo, essa festinha surpresa. "eu sei que você não queria uma festa normal, mas não dava pra gente deixar essa oportunidade passar", ele disse. aline sentiu seu coração bater mais forte. rafael puxou-a para um abraço e, dessa vez, foi diferente de tudo o que ela já havia sentido antes. até o perfume que ele sempre usava parecia mais cheiroso. lica sentiu as bochechas arderem.

já passava das dez horas da noite quando o grupo começou a arrumar o salão para ir embora. aos poucos, os amigos foram se despedindo e voltando para suas casas. quando tati percebeu que restavam apenas cinco pessoas ali, disse para bianca e carol que elas precisavam deixar lica e rafael sozinhos. "é hoje, gente, eu tenho certeza! rafinha precisa tomar uma atitude de uma vez por todas!". ao passar por rafael, carol lançou-lhe um olhar que dizia claramente pra ele não perder aquela oportunidade. assim que ficaram sozinhos, rafael respirou fundo. "lica", ele chamou. aline olhou pra ele com uma ansiedade quase palpável. seu estômago estava retorcido, como se houvesse uma família de borboletas morando ali dentro.

"vamos conversar lá fora?", rafael perguntou. eles apagaram as luzes, trancaram a porta do salão e  foram para o parquinho. sentaram-se lado a lado, um em cada balança. por regra do condomínio, maiores de 12 anos não poderiam ficar ali, mas eles sabiam que ninguém fiscalizava depois das 22h00. lica  pensava nisso enquanto olhava para os próprios pés, tentando controlar o nervosismo, quando percebeu que rafael a encarava. com muito esforço, ela o encarou de volta. por mais que sempre tivesse se sentido completamente à vontade ao lado dele, aquela era uma situação completamente nova. aline sequer entendia tudo o que estava sentindo. assim que percebeu que ele iria falar alguma coisa, por impulso, ela falou antes: "o sorvete de frutas vermelhas foi o melhor que eu já comi". rafinha começou a rir.

- eu tô há dez minutos criando coragem pra falar uma coisa séria e, quando eu finalmente consigo, você me diz uma coisa dessa. aline do céu!

- o que foi? - ela perguntou, querendo rir, porém um tanto constrangida. suas bochechas estavam queimando novamente. por sorte, a luz da lua não era forte o suficiente para iluminá-la naquele momento. - desculpa... o que você ia falar?

- você jura que não sabe? - rafael queria rir, mas dessa vez era de nervoso. ele estava olhando fixamente dentro dos olhos dela. eram os olhos mais lindos que ele já tinha visto, apesar do seu tom de castanho completamente comum.

sem dizer nada, aline caminhou até um banco de madeira e chamou-o para sentar-se ali junto com ela. o coração de rafinha batia tão forte que ele tinha certeza que aline podia escutá-lo. sentados de frente um para o outro, em silêncio, eles encararam-se por alguns segundos. lica estava muito ansiosa, ela ainda não se sentia pronta para ouvir o que quer que rafael tivesse a dizer. mas ela sentia que queria a mesma coisa que ele. sendo assim, a menina inclinou-se alguns centímetros para frente, chegando mais perto de rafael. "desde quando?", ela perguntou. rafinha abriu um sorriso, o que fez o coração de aline saltar até a boca. "acho que desde sempre... mas no dia que você comeu todo o açaí depois de eu passar na prova de geografia foi que eu tive certeza", ele respondeu. aline gargalhou, essa resposta foi muito melhor do que ela estava esperando! sem pensar muito, ela fechou os olhos e projetou o corpo para frente, encostando os seus lábios nos dele.

esse não foi o primeiro beijo de nenhum dos dois, mas com certeza foi o mais especial até o momento. aline percebeu que rafinha sempre havia sido mais do que um amigo. por mais que não tivesse identificado isso antes, ela realmente também gostava dele de um jeito diferente. eles ficaram juntos ali no parquinho por mais uns quarenta minutos, conversando, dando risada e trocando beijos e abraços. rafael não queria se separar, mas aline estava caindo de sono. ela precisava mesmo descansar depois de um dia tão intenso. caminharam de mãos dadas até a casa 48, onde lica morava, e despediram-se com um selinho tímido. antes de dormir, ainda trocaram algumas mensagens de texto. rafael adormeceu com um sorriso de orelha a orelha pensando na última mensagem que ela enviara. "amo açaí e sorvete de frutas vermelhas, mas prefiro você. boa noite, a gente se vê amanhã! ❤️".