sábado, 6 de janeiro de 2018

laranja, amarelo e azul

2018 começou do jeito que eu menos gosto, mas que eu mais preciso: me lembrando que a vida é um troço maluco, incontrolável e sem explicação. levei um choque de realidade e, infelizmente, a bolha em volta de mim estourou. aquela bolha que me dava uma sensação falsa de segurança, que me colocava numa posição diferenciada, especial. percebi que eu não tenho nada de diferente, nada que me dê uma garantia extra. tô aqui como qualquer outro, suscetível a tudo como qualquer outro. e isso me deixa doida.


anteontem, quando vi esse pôr do sol incrível de tão bonito, minha cabeça tava fervilhando de coisas. eu queria escrever, queria tirar de mim esse monte de dúvida que tava me cercando. hoje, muitas horas depois, já bem mais calma, eu perdi o pique. é que eu funciono melhor quando tô inflamada, ou pelo menos minhas ideias fluem melhor. porque eu racionalizo menos. se eu começo a pensar demais, parece que eu fico travada. o que pega mesmo é que eu tenho medo de tudo que eu não entendo, de tudo que tá além da minha capacidade de raciocinar. e isso afeta desde a minha produção escrita até todo o resto, pra ser bem sincera. então eu não vou mais falar sobre o que eu queria, não vou mais tentar passar pro papel o que eu tava sentindo e pensando. vou deixar tudo isso guardadinho aqui pra uma próxima oportunidade, talvez. e vou falar de outra coisa, algo mais fácil, que me exige menos esforço. 


pôr do sol é um dos fenômenos da natureza (ou sei lá como a gente chama esse tipo de coisa) que eu mais amo. enche os olhos, enche a alma. é lindo, encanta, dá vontade de fazer durar por uma eternidade no céu. sabe quando o pequeno príncipe fala que tava num planetinha tão pequeno que viu o sol se pondo quarenta e três vezes no mesmo dia? que delícia que deve ter sido isso. sempre que eu vejo essa mistura de cores, eu agradeço. por estar aqui por mais um dia, por tudo o que eu tenho, por tudo o que eu ainda vou ter. e o que eu acho mais incrível é que o pôr do sol me faz sentir em paz. normalmente a natureza me assusta, a imensidão do universo me assusta, a força de tudo o que vai além do ser humano me assusta. mas as cores no céu quando o sol tá indo embora me deixam mais calma, elas me mostram que tá tudo bem. é como se fosse um dos únicos momentos do dia em que eu me reconcilio com o fato de a vida ser indomável, eu acho. é meio forte falar isso, talvez eu esteja exagerando, mas é a sensação que me dá.  


não sei de onde eu vim, não sei pra onde eu vou, não sei quanto tempo eu ainda tenho aqui. a única coisa que eu sei é que, se eu pudesse, eu também contemplaria o sol se pondo mais de quarenta vezes no mesmo dia. 

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

balanço das leituras de 2017

enquanto eu não pensar em nada melhor, vou continuar seguindo o esquema do ano passado. pra quem quiser ver o balanço de 2016, o post é esse aqui 😉

◇ ◇ ◇

como vocês puderam perceber, eu separei as leituras por trimestres. em algum momento do ano eu cogitei fazer posts mensais, mas isso ia acabar com o padrão que eu tava seguindo e aí eu desisti hahaha mas talvez pra 2018 eu mude o esquema, vai saber, fiquemos no aguardo dos próximos capítulos! pra ver cada trimestre separado, é só clicar nos links:






foram 56 livros no total, sendo que três eu abandonei. então, pra ser mais justa, foram 53 leituras completas no ano. é mais do que eu li no ano passado e, pra melhorar, dá mais do que um livro por semana :D (já que a gente tá trabalhando com números, segundo a calculadora, dá 1,019 ^^ hahaha)

anotei a quantidade de livros, o ano em que eles foram publicados, o país de origem dos autores, se a autoria era feminina ou masculina, se o livro era novo ou releitura, se li em papel ou no kindle e se terminei ou não a leitura. agora, vamos aos famigerados gráficos (porque eu sou uma pessoa visual e, sem eles, acho difícil de realmente enxergar a diferença entre as categorias):

 categoria 1: livros terminados x abandonados
vencedor: livrinhos que eu li até o fim, ainda bem!! :D

sendo que os livros que eu larguei mão foram, por ordem de leitura: Azeitona - Bruno Miranda, O Evangelho segundo Jesus Cristo - Saramago e Caetés - Graciliano Ramos. e seguindo o mesmo padrão do ano passado, apenas escritores homens me fizeram desistir das leituras. JUST SAYING.


categoria 2: livros novos x releituras
vencedor: livrinhos novos em folha!!!

não é segredo pra ninguém que eu amo reler livros, mas conhecer coisa nova é melhor ainda :D os bonitinhos que eu escolhi reler esse ano foram, em ordem de leitura: O mistério da fábrica de livros - Pedro Bandeira, Os papéis de Lucas - Júlio Emílio Braz, O guia do mochileiro das galáxias - Douglas Adams (que é +- uma releitura, porque eu abandonei na metade), Clube dos leitores de histórias tristes - Lourenço Cazarré e Harry Potter and the philosopher's stone - J.K. Rowling. 


categoria 3: livros lidos no kindle x livros em papel
vencedor: kindlezinho que não ocupa espaço e nem pesa na mochila


categoria 4: autoria feminina x masculina
vencedor: LI MAIS MULHERES DO QUE HOMENS!!!!! 

essa foi a minha maior vitória pessoal, principalmente em comparação com o ano passado. mas o projeto é: aumentar e muito esse número. vou deixar a meta de ler mulheres em aberto e, quando eu atingir, eu vou dobrar. eu vim nessa vida pra enaltecer as autoras mulheres cada vez mais!


categoria 5: livros nacionais x estrangeiros
vencedor: livrinhos de outros países, de lavada...


gostaria de dizer que eu não me orgulho nem um pouco por ter diminuído tanto o número de livros brasileiros que eu li, mas ano passado foi muito mais fácil de ler coisa nacional porque as minhas matérias da faculdade exigiam isso. é claro que já era de se esperar que eu tivesse lido mais coisas de todos os outros lugares do mundo juntos, porém vacilei ao ponto de deixar a literatura brasileira em segundo lugar no ranking. assim como no ano passado, separei os livrinhos por países:


apesar do fracasso em relação à literatura nacional, aconteceu uma coisa boa aí no meio: cresceu bastante o número de países de origem dos autores que eu li!!! :D claro que, assim como no ano passado, inglaterra e estados unidos continuam no topo da lista porque, por mais que eu tente, é difícil pra caramba de fugir do que é hegemônico. mas teve literatura africana, asiática e latina! pro próximo ano eu pretendo ler mais coisas das américas do sul e central e, se eu criar coragem, ler alguma coisa de literatura russa!

quanto ao ano de lançamento dos livrinhos, novamente, arrasei e li muita coisa contemporânea! me dá um quentinho no coração quando eu leio livros escritos nos anos 2000, vocês não fazem ideia! hahaha e assim como aconteceu no ano passado, dessa vez eu também li mais livros escritos em 1800 e pouco do que entre 1900 e 1949. VAI ENTENDER.


agora, saindo dos gráficos de coluna, tem o acompanhamento da quantidade de livros lidos mês a mês. janeiro é sempre um fracasso, mas se levarmos em conta que em 2016 eu só li 01 livro no primeiro mês do ano, em 2017 eu até que arrasei hahaha (ah, nessa conta entram inclusive os livros abandonados, porque pelo menos alguns dias eu perdi com eles né...)


só pra comparar (porque eu acho muito legal essas duas linhas se sobrepondo hahaha), os livrinhos de 2017 e de 2016:


eu li 45 autores diferentes em 2017 e, desses todos, 28 foram novos. descobri muita gente incrível nessas minhas leituras e repeti alguns autores que eu já amava de outros carnavais. quem eu mais li esse ano foi a elena ferrante, por causa da tetralogia napolitana que se fez presente da metade do ano pra frente (li o primeiro livro da série em junho e o quarto ficou pra dezembro).

agora vem a parte da avaliação, né. ano passado eu fiz um top 5 porque quis deixar tudo padronizado (porque eu abandonei 5 livros e, portanto, achei legal falar os 5 que eu mais gostei e aqueles 5 que eu queria distância), mas nesse ano eu chutei o balde e mudei tudo. e isso aconteceu porque dessa vez foi mais difícil de escolher! mantive o número 5 pros preferidos (por mais que eu quisesse ter escolhido mais), mas elegi apenas 3 como os piores por serem livros que eu não recomendo de jeito maneira. a escolha ficou complicada porque teve muito livro +- no meio de tudo o que eu li em 2017... bom, vamos a eles:

os menos preferidos do ano foram (em ordem de leitura):

Harry Potter e a criança amaldiçoada - Jack Thorne 
 Vamos tentar! Buscando o potencial intelectual da criança - Toru Kumon
 Vá, coloque um vigia - Harper Lee

e os melhores do ano, aqueles que encheram o meu coração de amor e que eu recomendo sem pensar duas vezes (dessa vez não é por ordem de leitura, é por ordem de preferência mesmo - sendo que o primeiro é o que eu mais gostei e por aí vai):

 A guerra não tem rosto de mulher - Svetlana Alexijevich
 Dois irmãos - Milton Hatoum
 A amiga genial - Elena Ferrante
 Fangirl - Rainbow Rowell
 O guia do mochileiro das galáxias - Douglas Adams

(só um parênteses: como essas autoras já constam na lista dos preferidos, pre-ci-so recomendar a série inteira da elena ferrante e também o vozes de tchernóbil, da svetlana.)

e é isso, gente :D obrigada por terem me acompanhado por mais um ano e até a próxima!

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

livrinhos de 2017 - parte IV

pra ver o que veio antes, é só clicar: parte I, parte II e parte III 😊

* * *

OUTUBRO (4 livros)



 A história de quem foge e de quem fica - Elena Ferrante (2013)
3º volume da tetralogia napolitana e só o que eu tenho a dizer é: quanto mais velhas a lila e a lenu ficam, mais eu quero bater nelas duas até que as bonitas coloquem a mão na consciência e parem de fazer bosta hahaha esse livro fala da fase adulta dessas personagens, então trabalha a questão do casamento, da maternidade e tem bastante discussão política, luta de classes e tal. é mais pesado do que os anteriores, acredito que por causa do tema mesmo. terminei curiosa pra saber qual vai ser o fim da história! (mas não tanto, o primeiro ainda é meu queridinho ^^)

 Strange Fruit - Caryl Phillips (1981)
comecei o último trimestre do ano com uma leitura muito doida, só pra variar um pouquinho haha li essa peça pra uma matéria da faculdade também, então é em inglês e o tema é bem específico: uma família de imigrantes caribenhos vivendo na inglaterra. fala sobre não pertencimento, sobre se iludir com um lugar idealizado, sobre racismo e violência. é pesado, eu garrei ódio do personagem principal, mas gostei bastante de ler. além de ser curtinho né, o que é sempre um ponto positivo haha

 Vamos tentar! Buscando o potencial intelectual da criança - Toru Kumon (2001)
HAHAHAHAHAHA ai, ai. digamos que eu tenha sido obrigada pelo meu coordenador no trabalho a ler esse livro e: chato pra porra. o título parece interessante, né? cê pensa que vai aprender umas coisas legais pra trabalhar melhor na educação infantil, porém....... não recomendo, tá? segue o baile.

 Quincas Borba - Machado de Assis (1891)
uma das minhas metas de vida é ler todos os romances do machado, mas ele me complica. porque os livros são incríveis, os narradores são uma coisa de louco de tão bons, mas é CHATO DEMAIS de ler. e olha que eu gosto do cara! hahah mas enfim, esse tá longe de ser um dos melhores livros dele, mas tem umas passagens bem legais. principalmente o começo, enquanto a gente ainda acompanha um dos quincas borbas (tem que ler pra entender, hein :P), mais pro final a leitura vai ficando cansativa. mas ler machado é sempre uma oportunidade bem boa de aprender um pouco mais sobre as pessoas e a política do país na época em que os livros se passam, já vale a pena só por isso!



NOVEMBRO (5 livros)



 A guerra não tem rosto de mulher - Svetlana Alexijevich (1985)
até o momento esse foi, com certeza, o melhor livro que eu li no ano. e um dos melhores que eu já li na vida também. o livro é uma coletânea de relatos de mulheres soviéticas que participaram da segunda guerra mundial, ocupando os mais diversos cargos (desde a lavadeira que perdia as unhas de tanto lavar as roupas cheias de sangue dos soldados, até aquela que tava na linha de frente atirando na cabeça do inimigo). é uma visão diferente da guerra, elas narram as batalhas de um jeito que um homem não faria. e é absolutamente incrível conhecer esse outro lado, dá vontade de chorar e de fazer justiça a todas essas mulheres. recomendo muito a leitura, de verdade!

 Clube dos leitores de histórias tristes - Lourenço Cazarré (2005)
minha professora do fundamental passava um livrinhos muito curiosos pra gente, né? olha esse nome!!!! hahah o livro conta a história de um clube de leitura formado por adolescentes de uma escola, mediado por uma mulher que escolhia quais seriam as tais histórias tristes que eles deveriam ler. tem bastante coisa legal nesse livro, mas o que eu acho mais incrível é que ele apresenta pras crianças (que são o público alvo, já que o livro é infanto-juvenil) uns escritores bem importantes, tipo o kafka, o ray bradbury e o gógol, por exemplo. é claro que num é um livro bom pra um adulto, mas vale bem a pena pra dar de presente pra um primo novinho que precisa aprender a valorizar mais a leitura ;)

 Como navegar em uma tempestade de dragão - Cressida Cowell (2008)
eu só vou me aquietar quando eu terminar de ler essa coleção (ainda faltam 6)! hahaha vou falar a mesmíssima coisa que eu falo em to-dos os livros desses: uma gracinha, super divertido, adorei, deem esses livros pras crianças de vocês! :) esse especificamente fala sobre os vikings chegando na america e é bem legal o desenvolvimento da história, os dragões são ótimossss hahaha


 Vá, coloque um vigia - Harper Lee (2015)
gente, olha... que livrinho meia boca, hein? convenhamos que sequer parece ter sido escrito pela mesma autora de "o sol é para todos" né, sinceramente. seria melhor que não tivesse sido publicado, na verdade. dava pra deixar o manuscrito na gaveta pra todo o sempre, de tão desnecessária que é a existência desse livro nos dias de hoje. talvez se ele tivesse sido lançado lá nos anos 60, junto com o outro, fizesse sentido. hoje não faz mais. a história é chata, o desenvolvimento das personagens de um livro pra outro é meio péssimo, eu peguei ranço de personagens que eu tinha gostado muito, ela aborda uns temas pesados - racismo e preconceito de classe - de um jeito que parece que ela tá dando razão pro racista... sabe? tá tudo errado. não recomendo jamé, mas "o sol é para todos" eu recomendo sim, finge que esse aqui nunca existiu e vai ler o outro porque vale a pena! 

 Harry Potter and the philosopher's stone - J.K. Rowling (1997)
só lendo o meu livro preferido da vida mesmo pra me ajudar a esquecer a decepção do livro anterior! esse que eu li é edição comemorativa de 20 anos, com temática da corvinal, então talvez seja o livrinho mais especial do mundo. ele é maravilhoso, todo azul, cheio de detalhes extras sobre a minha famigerada casa de hogwarts (ravenclaw pride! ♡)... sabe???? a cada página era uma lagriminha que queria escorrer. que delícia que é reler essa história e voltar pra esse universo de tempos em tempos, ainda mais no original! HARRY POTTER E A PEDRA FILOSOFAL EU TE VENEROOO!!


DEZEMBRO (4 livros)



 História da menina perdida - Elena Ferrante (2014)
aaaa eu não acredito que minha tetralogia acabou!!!! esse livro tá empatadinho com "a amiga genial" no posto de melhor da série. só não digo que esse é meu preferido porque a lenu sofrendo por macho me fez passar raiva d+ ^^ e porque eu esperava algo um pouco diferente no final, achei que faltou conclusão, mas entendi o propósito.. hahah essa tetralogia é incrível! <3 é uma história pesada, densa, cheia de conflito, com uns personagens MUITO reais. recomendo muito e peço a quem ler que venha conversar comigo depois porque eu precisooo falar sobre esses personagens!!!

 Contando histórias em versos: poesia e romanceiro popular no Brasil - Bráulio Tavares (2005)
livrinho teórico sobre poesia feito pra quem é leigo mesmo. é a transcrição de um curso dado pelo autor, então tem aquele tom bem "professoral", mas isso não deixa o livro ruim de ler. pra quem manja de poesia ele talvez seja até meio ridículo, mas eu tenho um conhecimento mínimo então até gostei do fato de ele ser super didático. minha parte preferida foi conhecer um pouco mais sobre o estilo de poema dos cordéis e ler alguns famosos que ele coloca no livro, tem cada coisa incrível por esse brasilzão!!! não sei se eu recomendo a leitura desse livrinho em si, mas deixo aqui uma dica séria: literatura nordestina é SEMPRE um sucesso, de romanção famoso a cordel, leiam o que vcs encontrarem!!!

 Dois irmãos - Milton Hatoum (2000)
que LIVRASSOOO! é por causa de livros assim que eu exalto a literatura brasileira, meus amigo!!! se você não tem saco pra machado de assis e guimarães rosa, mas tem vontade de conhecer melhor a literatura nacional, se joga nesse aqui que é 200% de certeza que vai ser sucesso! amei a história, a forma como ela é contada, os elementos culturais que ela apresenta e a escrita do milton é incrível! o livro tem quase 280 páginas e eu li EM UM ÚNICO DIA, vejam bem. já tô doida pra ler todos os outros desse cara!!! <3

 Eu sou Malala: a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã - Malala Yousafzai e Christina Lamb (2013)
eu bem queria terminar o ano em grande estilo com o livro anterior, mas ainda faltavam 12 dias pra acabar 2017 então não rolou hahah daí que eu ganhei esse aqui de presente de natal do meu irmão e achei que seria justíssimo encerrar 2017 com essa história que, por sinal, é incrível! é claro que a escrita não é nada absurdamente maravilhosa, até porque o objetivo do livro nem é encantar por meio desse quesito, mas também é óbvio que eu gostei muito de conhecer essa história pela visão da própria malala. ceis acreditam que a bichinha já viveu tudo isso e é 2 anos mais nova do que eu? pois eu tenho dificuldades de lidar com esse fato.. preciso nem dizer que eu recomendo, né?

* * *

e os resultados parciais desse trimestre são:

 livros terminados 13 x 0 livros abandonados

 literatura brasileira 4 x 9 literatura estrangeira (2 da itália, 1 do caribe, 1 do japão, 1 da bielorrússia, 2 da inglaterra, 1 dos eua e 1 do paquistão)

 livros lidos no kindle 6 x 7 livros físicos

 autoras mulheres 7 x 6 autores homens

 releituras 2 x 11 livros novos

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

adeus ano velho

sai ano, entra ano, e toda vez a gente pode falar a mesma coisa sobre eles: esse foi um ano doido.

365 dias é um período muito longo, né? é surreal a quantidade de coisas que podem acontecer do primeiro ao último dia do ano. então é óbvio que do dia 1 de janeiro até hoje (ainda nem estamos no dia 31 de dezembro, hein) deu tempo de rir muito, de chorar um pouco, de passar raiva pra caramba, de acumular experiências novas, de repetir as coisas boas que eu já tinha vivido antes e de insistir em erros já antigos... assim como acontece em absolutamente todos os anos. o número é novo, mas o esquema é sempre igual. 

no geral, olhando por uma ótica bem otimista, eu acho que esse foi um ano bom.

mas como nem tudo são flores, 2017 também teve o seu lado ruim. esse ano eu passei por momentos de crise de ansiedade foda, daqueles de não conseguir pensar em nada além de “eu vou morrer a qualquer minuto alguém me salva pelo amor de jesus cristo”, de chorar por horas e só parar porque caí dormindo exausta e nem percebi, de sentir medo de absolutamente toda e qualquer coisa, de gritar falando que eu não consigo, de me sentir 400% culpada por coisas que não tem absolutamente nada a ver comigo, e por aí vai. foi o ano em que muita coisa pesada aconteceu na minha família e que eu vi meus pais passando por momentos meio desesperadores. também foi o ano em que eu confirmei que o meu problema é que eu quero controlar tudo ao meu redor e que, por isso mesmo, não entendo e não aceito que a gente foi feito pra morrer e não tem nada que eu possa fazer pra evitar que isso aconteça. em 2017 eu parei definitivamente de tomar hormônio pra controlar as minhas espinhas e vi minha pele voltando a ficar horrorosa, ao mesmo tempo em que eu ganhei peso e fiquei com o corpo inteiramente flácido, o que abalou ainda mais a minha auto estima já tão frágil. também me enchi de dúvidas sobre coisas que antes eram certezas absolutas e não conversei sobre isso com ninguém, porque tive receio de ser mal interpretada. em diversos momentos do ano eu fiquei com medo de pedir ajuda, mas por dentro eu tava implorando pra alguém me socorrer, pra me proteger da vida, do mundo, de mim. não sei, minha cabeça deu uma pirada em certos momentos.

mas eu disse que o ano foi bom, não disse?

depois dessa lista de coisa ruim nem dá pra acreditar que, colocando na balança, eu realmente tenha achado que as coisas boas venceram. ainda mais eu, que sou conhecida por ser uma pessoa negativa. mas eu juro que tô me esforçando pra começar a ver o lado positivo com mais frequência! enfim... por mais que tenha sido um ano pesado, foi bem bonito também. comecei a trabalhar efetivamente na ~minha área~, conheci a melhor criança do universo e ela realmente trouxe mais cor pra minha vida (nina, te amo!!!), tô a um passo de me formar na faculdade (só mais 3 matérias!) e finalmente me tornar a mais nova graduada do brasil, escrevi um conto em inglês que foi publicado pela revista da minha faculdade*, me senti amada em absolutamente todos os meus momentos de crise, li uma porrada de livro novo que me acrescentou muito enquanto leitora e enquanto pessoa, fiz viagens incríveis com a minha família e com o boy, tive mais um ano cheio de amor do lado desse homem que é a luz da minha vida e, apesar de eu ainda ter um caminho enorme pra percorrer nesse quesito, me tornei muito mais controlada em diversos aspectos que antes me tiravam do eixo e agora já não me causam mais tantos impactos negativos.

dessa vez a única promessa que eu faço pra 2018 é cuidar melhor de mim. esse já tá sendo o meu projeto há algum tempo, e provavelmente vou continuar com ele até o final da minha caminhada. acredito que estando bem comigo eu consigo ser melhor também pros outros. ou pelo menos assim espero!

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* a yawp é a revista dos alunos de graduação da área de estudos linguísticos e literários em inglês da fflch-usp. a edição atual é a n.9, voltada pra escrita criativa, e tá disponível no site da revista. o meu conto, escrito em inglês, chama "bittersweet day" e tá na página 105. tem muita coisa boa publicada aí, recomendo a leitura! :) 

sábado, 9 de dezembro de 2017

me livrei por pouco

eu fui num casamento mês passado, da prima do meu boy.

casamento costuma ser um troço brega, né? a cerimônia, eu digo. às vezes a decoração é meio duvidosa (por motivos de romântica até d+), ou o casal fica empurrando aqueles vídeos de retrospectiva pra cima dos convidados e tal. mas esse casamento especificamente tava MARAVILHOSO. foi de longe o melhor que eu já fui (não que eu tenha uma experiência muito vasta em casamentos né, mas olha: os noivos tão de parabéns).

como todo bom casamento tradicional, teve a parte do buquê. digamos que eu seja um pouco avessa às tradições, então é óbvio que eu acho isso uma bobagem sem tamanho ^^ então também é óbvio que quando chegou essa parte da cerimônia eu falei "deus me dibre" e tentei sair de fininho, SÓ QUE a minha cunhada me arrastou pra ir participar. eu não queria, mas pensei que não tinha problema, era só não fazer nem o mínimo de esforço que o buquê passaria longe de mim. SÓ QUE eu me enganei.

eu disse que o casamento tava incrível, né? pois então, isso significa que ele não tava 100% convencional. então a parte do buquê não foi tão simples assim, era uma brincadeira diferentinha. basicamente era o seguinte: tinham várias fitas coloridas amarradas no buquê, cada mocinha participante tava com uma fita na mão e a gente ia rodando em volta da noiva, que tava no meio, de olhos fechados e com uma tesoura na mão. quando ela cortava a sua fita, cê tava fora. no final, quem sobrasse com a fita na mão, "ganhava" o buquê. eis que a brincadeira foi indo e eu fui ficando, minha cunhada saiu rápido e eu continuei lá, com o pavor estampado nos meus olhos porém com um sorrisinho no rosto fingindo costume ^^

daí que, no fim das contas, sobrei eu e mais uma moça. troquei olhares com o boy e vi que ele tava tão em choque quanto eu. porque assim... a gente namora há quatro anos, né. imagina o tanto de pergunta sobre o nosso casamento que a gente já não ouviu nessa vida, principalmente da família dele. então imagina só se eu pego o buquê no casamento da prima do rapaz???? a gente já ia sair dali com a galera planejando o nosso, seria uma coisa de louco. e veja bem: a gente tem ZERO intenção de casar, então digamos que seria um constrangimento.

quando a noiva cortou a minha fitinha e eu fui eliminada, corri pros braços de mozi pra gente comemorar nossa pequena vitória com gostinho de alívio enquanto a outra moça estava rodeada de amigas gritando "ela é a próxima, ela é a próxima!". 

olha, só o que eu posso dizer é: que delícia não ter sido a vencedora dessa brincadeira! :D

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

e as tais palavrinhas mágicas, hein?

a gente tá vivendo no meio de uma galera tão mal educada que quando alguém é minimamente simpático já parece muito, né?

por exemplinho, é MUITO COMUM eu ouvir de vendedores/funcionários que eu sou educada, que sou uma gracinha e isso e aquilo. mas assim.. eu obviamente não faço mais do que a minha obrigação. falo por favor, obrigado e dou um sorrisinho. SÓ. não é possível que isso seja tão raro que as pessoas se surpreendam a ponto de me elogiar, sabe? é uma coisa tão básica você agradecer depois que alguém te faz um favor/um serviço, como que pode eu ser considerada educada por fazer uma coisa dessa? a pessoa devia é levantar uma plaquinha escrito Não Fez Mais Do Que A Sua Obrigação™ em vez de ficar impactada..

fui num restaurante uma vez e o banheiro tava interditado, porque tinha acabado de estourar um cano. mas eu queria lavar a mão, então perguntei pra uma moça da limpeza se eu podia pelo menos usar a pia. ela deixou, eu fiquei 2 minutos dentro do banheiro e agradeci quando passei por ela de novo. escutei ela e um outro funcionário comentando como eu era fofa e educada, com um sorriso bonito (o que é uma vdd pois meus anos de aparelho valeram muito a pena). mas assim, sério agora, não teve nada demais nessa interação. e esses dias uma vendedora comentou com a outra quando eu tava indo embora “nossa, que boazinha, né? super educada, que coisa!” só porque eu disse “não precisa da minha via do cartão não, brigada, tchau!” e dei um sorrisinho. GENTE. o que tá acontecendo que isso é uma atitude diferenciada em vez de ser o procedimento padrão pra quando você se despede??????

eu fico pistola quando vejo o quanto a gente tá indo de mal a pior, puta que o pariu. se tem uma coisa que meus pais me ensinaram é “não seja escroto com ninguém, trate todo mundo bem e você só tem a ganhar com isso”, além das regras básicas da vida em sociedade né (que seriam “por favor”, “desculpa”, “com licença” e “obrigada”). mas aparentemente nem todos os pais tiveram o mesmo bom senso de ensinar essas coisas pros seus filhotes????? eu tenho uns alunos pequenos que simplesmente DESCONHECEM essas quatro expressões. a gente tem que ficar o tempo todo relembrando os belezinha de que ninguém é obrigado a fazer as coisas pra eles, é um troço meio desgastante. esses dias mesmo um bonitinho, que queria uma borracha emprestada, teve a pachorra de olhar pra minha cara e falar "borracha!" em vez de pedir. eu só entreguei depois que escutei "por favor" e ainda cobrei o agradecimento no final, porque isso é o MÍNIMO. e ele tem 9 anos, não é como se estivesse há pouco tempo nesse mundo...

depois eu falo que odeio conviver com pessoas e minha mãe fica chocada. mas convenhamos que não é possível viver feliz no meio de um bando de gente sem educação e, pra completar, sem um pingo de noção no meio da cabecinha vazia. deus me dibre!

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

coisa de doido

todo mundo aqui já tá exausto de saber que se eu pudesse eu evitava interações sociais, mas como eu sou a rainha das contradições, vira e mexe me acontece um negócio que eu não controlo, que aparece do nada, vai embora sem maiores explicações e que também não consigo explicar: eu cismo com as pessoas. mas é de um jeito positivo, tipo o oposto do famigerado ranço que a gente vive pegando. sabe? 

não, né? tá, deixa eu desenvolver melhor essa ideia...

lembro que a primeira vez que isso aconteceu eu tava na sétima ou oitava série, por aí. tinha esse menino na minha classe que, por alguma razão que até hoje eu não sei, simplesmente não. falava. com. ninguém. ele estudava com a gente há uns 3 anos já e o bichinho não falava. não é que ele não tinha amigos na classe, é que ele não abria a boca mesmo, a gente nem conhecia a voz dele direito. e isso era uma coisa muito esquisita, porque meninos de 13 anos num geral tem tanta energia pra gastar que só num botam fogo na escola porque não conseguem. então ninguém entendia isso de o cara não falar, né? mas ele num sofria nenhum tipo de bullying, a gente respeitava o menino do jeitinho que ele era e pronto. ele ficava lá suave na carteira dele, ninguém incomodava o menino e a vida seguia sem maiores problemas. (ah, ele não tinha autismo nem nenhum outro tipo de distúrbio, era só falta de vontade de interagir com o resto da classe mesmo.)

até que um dia eu CISMEI que ia virar amiga dele. simples assim. não existe outra palavra pra expressar isso além de cisma, sério. um dia eu tava lá na escola, olhei pra cara dele e pensei "é isso, vou virar amiga do cara e ele NÃO TEM ESCOLHA, vai ser meu amigo e pronto". bem louca, né? hahaha e foram meses de esforço até que::: SIM, NÓS VIRAMOS AMIGOS REAL OFICIAL. a gente conversava normal, ele começou até a falar com o pessoal que andava comigo, mas continuava ignorando quem não fazia parte do nosso restrito grupinho de 5 pessoas hahaha ele até me trouxe presente quando viajou pra disney, olha só que amorzinho <3 daí o menino saiu da escola e a gente nunca mais conversou. ¯\_(ツ)_/¯

também rolou isso com um colega de faculdade. no primeiro semestre nós tínhamos aula de literatura clássica juntos (homero, virgílio etc). comecei a conversar com ele porque fizemos um amigo em comum, mas eu e o rapaz em questão tínhamos um total de 0 compatibilidade nos assuntos. o menino é católico fervoroso, só pra começar a indicar a falta de afinidade. mas enfim, por alguma razão desconhecida eu gostava dele. achava ele legal, mesmo que às vezes a gente não conseguisse conversar direito dependendo do assunto (tipo quando ele e um outro ficaram me falando "mas quando você namora é pra casar, né? namoro é isso, não faz sentido namorar sem ser pra casar depois" e tal). ele não era muito do contato físico, mas como eu cismava com o rapaz ele era obrigado a me abraçar sempre que a gente se encontrava, porque é assim que eu dou oi pros meus amigos. e é isso né, eu cismei que faria essa amizade se consolidar e ponto final. depois de uns três abraços forçados ele já vinha de boa vontade me cumprimentar como se fossemos Mais Do Que Amigos, Friends™, então meu plano funcionou. depois paramos de ter aulas juntos, eu não consegui mais seguir o rapaz no facebook porque não aguentava mais post defendendo as coisas boas do catolicismo e é isso, agora a gente se dá um oizinho de longe quando se esbarra no corredor e olhe lá. ¯\_(ツ)_/¯

e tem as pessoas que eu cismo que são bonitas, né. aí é todo um caso a parte, mas vale a pena mencionar. normalmente é alguém que eu até já vi antes e nem dei muita bola, mas de repente me dá uma coisa que eu fico "meu deus do céu essa pessoa é a mais linda do mundo inteiro puta que o pariu!!!!!!!!". e eu tenho plena consciência de que nem é verdade, assim como eu SEI que as amizades que eu cismo em fazer não serão verdadeiras e eternas, mas é inevitável. eu tô lá de boas e de repente me BROTA essa coisa, eu fico fissurada na pessoa achando ela simplesmente maravilhosa. costuma passar em uns 2 dias e depois eu volto a achar a pessoa normal como qualquer outra, mas durante aquele período é uma coisa de doido. e é com homem e mulher, não faço distinção. e esse tipo de cisma aqui não tem absolutamente nada a ver com achar a pessoa legal, na maioria das vezes eu nunca nem conversei com o ser humano, é só beleza física mesmo. não tem outra explicação, é coisa de doido mesmo. ¯\_(ツ)_/¯