quinta-feira, 17 de maio de 2018

19. criança também é gente

eu dou aula de inglês, né. e não é em uma escola regular, então eu tenho alunos variadíssimos de 06 a 70 anos. como eu não recebi absolutamente nenhum tipo de treinamento pra saber como lidar com eles e as suas diferenças, tive que aprender no dia a dia mesmo, na cara e na coragem, o que funciona e o que não rola pra cada um desses alunos.

lembrando que eu não sou formada em pedagogia, nem faço licenciatura, o que significa que a faculdade me preparou 0% pra lidar com crianças. pois bem.

tem esse menino que eu dou aula, o pedro. ele tem 07 anos. ele é um dos alunos que mais dão trabalho lá na escola (só não digo que é o pior de todos porque tem uma pequenininha que faz tanto escândalo chorando que alguns alunos já trocaram de horário só pra não estarem lá no mesmo momento que ela, mas ele fica fácil em segundo lugar no ranking).

quando o pedro começou as aulas de inglês, as professoras da matemática e do português vieram avisar que ele era uma criança difícil. e, realmente, nas nossas primeiras aulas ele me tirava do sério com uma facilidade impressionante. até que eu descobri como contornar a situação e, de repente, sem precisar de muito esforço, nossa relação ficou ótima e ele passou a ser uma criança fofinha e maravilhosa que nem as outras.

"e qual é o segredo?", você me pergunta. pois eu te digo: é tratar o menino com educação e respeito, em vez de perder a linha. simples assim. :)

no dia em que ele me fez chegar no meu limite, eu botei a mãozinha na consciência e pensei "eu não vou me descontrolar com esse menino, ele só tem sete anos. tem muito adulto que me irrita tanto quanto e eu mantenho a pose, por que com ele tem que ser diferente? o bichinho é pequeno mas também é uma pessoa, né? se sou capaz de me controlar com adultos insuportáveis, por que não com as crianças?". e aí o pedro se transformou. ele passou de reclamão irritante pra um menino incrível.

nesse dia, quando ele começou a dar show, em vez de eu "responder a altura" e perder a linha, que é o que ele tá acostumado a ver, eu sentei do lado dele e perguntei por que ele tava sendo mal educado. o menino me olhou confuso e disse "eu não sabia que isso era ser mal educado". a gente conversou e pronto, ele parou de dar piti e passou a se comportar bem. ele aprendeu que, se ele colaborar comigo, eu também vou colaborar com ele. depois que eu expliquei que a nossa relação é uma troca, ele nunca mais foi mal educado nas aulas de inglês. pelo visto, até aquele momento, ninguém tinha se dado ao trabalho de simplesmente dialogar com o menino.

pedroca realmente não é das crianças mais "fáceis" do mundo, daquelas que você manda e desmanda e a criança apenas te obedece, sem questionar. ele é inteligente e faz questão de saber os motivos de tudo o que acontece. por que aquela lição, por que ele tem que fazer as coisas de um jeito e não de outro, por que por que por que. e ele bate o pé e reclama sempre que não quer fazer alguma coisa, mas é só falar com o menino normalmente, respeitando a pessoinha que ele é, que tudo se ajeita.

antes o pedro ficava de cara feia a aula inteira, contando os minutos pra acabar e poder ir embora. ele mal respondia quando a gente perguntava alguma coisa. agora a gente conversa, brinca, dá risada e ele faz a aula feliz, porque se sente confortável naquele ambiente em que ele é bem tratado. pedroca virou uma das minhas crianças preferidas. <3  

terça-feira, 15 de maio de 2018

sentir-pensar

numa aula sobre literatura americana, falando sobre preconceito e racismo, a professora disse que a forma do romance que nós estávamos estudando (go tell it on the mountain - james baldwin) causava um distanciamento crítico entre o leitor e a obra, pra fazer o leitor pensar e não apenas sentir. então uma aluna disse que por mais que o beloved da toni morisson também se utilizasse de um recurso formal pra causar essa distância crítica, ao ler o livro ela quase não pensou - só sentiu.

aí outra aluna disse que com ela foi a mesma coisa. ela leu, sentiu e chorou. e depois, quando parou pra pensar, chorou mais ainda. a professora disse que a ideia de "sentir-pensar" era uma boa representação do que a gente sente quando se trata de discutir opressão. se você tiver um pingo de empatia, mesmo que o preconceito não te atinja diretamente, você sente. e depois você para pra racionalizar uma coisa tão absurda e o sentimento que brota é pior ainda. por exemplo, eu que sou branca e nunca sofri preconceito algum por causa da minha cor chorei fácil lendo livros que tratam do racismo, porque é surreal que alguém se sinta melhor que outra pessoa por ter menos melanina no corpo.

daí uns dias se passaram e eu tive um belo breakdown depois de conversar sobre preconceito e homofobia. chorei e entrei em crise pensando em como é que pode alguém ter a pachorra de dizer que não aceita que duas pessoas do mesmo sexo se beijem (a conversa não era nem sobre gênero, pra não complicar as coisas). e olha que eu beijo pessoas do sexo/gênero oposto, então não sofro as consequências da homofobia, mas ainda assim esse preconceito me ofendeu.

pode ser que você não se sinta mal com o preconceito e a opressão porque você se vale de zilhões de privilégios e nunca sentiu nada disso na pele. mas caso você ainda não consiga se sentir mal mesmo depois de pensar sobre isso, aí a gente tem um problema muito mais sério. e é um problema assustador.

me assusta pensar que pessoas ao meu redor não são capazes de descer do seu pedestalzinho, de se colocar no lugar do outro, de refletir a respeito do que tá acontecendo. e eu sofro quando tô em uma discussão e percebo que a outra parte não quer dialogar, não quer ouvir, só quer continuar afirmando a própria opinião, além de dizer de boca cheia que "minha opinião é essa, eu nunca vou mudar". como é que pode uma coisa dessa?

a gente tá caminhando a passos tão, mas tão lentos que às vezes eu tenho a impressão de que a gente sequer saiu do lugar.  

sexta-feira, 4 de maio de 2018

um baita de um vacilo

ou: o dia em que eu descobri que o kindle é mesmo o meu melhor amigo

todo santo dia antes de sair de casa eu confiro se peguei três coisas: meu celular, meu bilhete único e minha chave. o celular por motivos óbvios, o bilhete porque eu preciso circular pela cidade de sp e, sem ele, eu pago a tarifa inteira no transporte público (meu c* que eu vou pagar 04 reais pra andar nesses ônibus meia boca né, mores?) e a chave porque, apesar de eu ser a última a chegar em casa, VAI QUE meus pais resolvem sair e eu fico trancada pra fora? pois bem. isso é tipo um ritual, eu simplesmente PRECISO verificar se esses itens estão comigo quando eu tô me dirigindo pra sair de casa. 

(um pequeno parêntese: percebam que eu não falei da carteira, então é óbvio já aconteceu algumas vezes de eu passar >dias< sem ela e sequer perceber. teve esse dia que eu ia encontrar com o namorado no shopping, daí enquanto eu esperava por ele eu resolvi passar numa loja pra comprar umas coisinhas e, quando cheguei no caixa, CADÊ CARTEIRA CADÊ DINHEIRO CADÊ DOCUMENTO????? saí humilhadíssima porém metendo o louco e falando pra vendedora "opa, pera aí, vou sentar no banquinho ali fora pra procurar minha carteira, a mochila tá tão bagunçada kakaka". daí liguei pro boy apavorada e: tcharãm, a carteira tinha ficado esquecida lá na casa dele há quase uma semana e eu nem tchum. esse é Meu Jeitinho™ ^^)

daí que esses dias eu tava saindo de casa e, fugindo 100% do meu protocolo, eu só procurei o bilhete único. confirmei que o bonitinho tava lá e segui o baile, saí de casa pleníssima na companhia de papai (que, naquele dia, me daria uma carona até a faculdade. YAY!). passei o caminho todo conversando e escutando umas notícias meio bostas na rádio am que meu pai faz questão de ouvir e, quando a gente já tava chegando na faculdade, resolvi pegar o celular só porque sim. E CADÊ, gente? 

procurei em todos os bolsos da mochila, inclusive naqueles em que eu obviamente jamais guardaria. procurei nos bolsos do moletom, no chão do carro, enfim. peguei o celular de papai, liguei pra mim e: nada. "é isto, larguei o celular em casa". meu pai é tão môzinho que até me ofereceu pra ficar com o dele, vejam só. mas falei que não precisava, que eu ia encarar a aventura de ficar das 07 da manhã até as 09 da noite sem o bendito aparelho. desci do carro, pedi forças pro universo e fui.

antes de entrar na aula, usei um dos computadores da faculdade pra avisar o namorado e a mamãe pelo facebook que eu tinha cometido um baita de um vacilo e, portanto, ficaria incomunicável o dia inteiro. eu não achei necessariamente ruim ter esquecido o celular, não fiquei apavorada quando percebi que tava sem, nem nada do tipo. no geral, eu sequer passo muito tempo usando o bichinho. o que realmente me incomodou foi a ideia de passar >o dia inteiro< sem falar com o boy. vejam só vocês, desde que o dia em que a gente deu a primeira beijoca, lá em 2013 (!), a gente nunca passou um dia inteiro sem conversar. eu não tava preparada pra esse desafio. daí que eu tive uma ideia: usar o kindle pra me conectar ao facebook e continuar mandando mensagem pelo messenger hehehe

eu tentei fazer isso usando o wi-fi da própria faculdade, mas é rede empresarial e o kindle não suporta esse tipo de conexão (pelo menos não o meu, que é do modelo mais velhinho, aquele que não tem nem luz própria e nem é touch!). mas tudo bem, persisti com a ideia e deixei pra tentar de novo quando chegasse no trabalho. já que eu tava sem celular, fui obrigada a prestar atenção na aula do começo até o fim (veja só que coisa), almocei minha marmitinha sem a interrupção das redes sociais, fiz meu caminho de ônibus 100% concentrada na minha leitura, comprei um sorvete de casquinha pra dar uma animada no meu dia e cheguei no trabalho normalmente, sem nenhum problema, sem estar tremendo de abstinência por já estar há 07 horas sem o celular. 

aí eu tentei me conectar pelo kindle ao wi-fi do trabalho e deu certo. aí eu tentei abrir o facebook pela opção "pesquisar em uma página da web" e deu certo. aí eu mandei uma mensagem pro boy avisando que tinha conseguido e ele achou incrível hahaha mas, como eu disse, meu kindle é véio. não teria A MENOR condição de eu ficar digitando por ele (faz até barulho!) durante o trabalho, serviu só pra dar um sinalzinho de vida de vez em quando (e pra acalmar o meu coração que já tava cheio de saudades. brega, eu sei. mas este é um perfil que trabalha com verdades ¯\_(ツ)_/¯).

terminou meu expediente, mandei mensagem pro boy falando que finalmente tava indo pra casa, fiz meu caminho de volta concentradíssima no meu livro de novo e só peguei no celular as 21h30. e o bendito estava com NOVENTA E NOVE POR CENTO de bateria porque eu desliguei o wi-fi de manhã HAHAHAHAHAHA a intenção era ter guardado na mochila e, portanto, deixo tudo desligado pra poupar bateria e conseguir durar o dia todo (não saio com carregador). mas acabei largando em cima da cama mesmo né, então o celular passou o dia todinho "desligado", sem receber notificação nenhuma. EU ACHEI MARAVILHOSO. aí liguei o wi-fi e aparecerem trocentas notificações, a maioria vindas do próprio boy que ficou o dia todo me mandando coisa no whatsapp porque é um bonitinho <3 e é isso. 

esse poderia ter sido um post sobre como a gente tá dependente de celular e que não aproveita a vida fora das redes sociais, poderia ter sido até um post de ~superação~ por eu ter ficado de boa sem o aparelho durante o dia todo, mas a real é que eu hackeei o sistema e usei O KINDLE pra conversar com o meu namorado. 

então, meninas, a lição que fica depois desse textão é: SEJAM CRIATIVAS. e tenham um kindle.

bom dia!

terça-feira, 1 de maio de 2018

livrinhos de abril

pra acompanhar os posts anteriores, é só clicar aqui 😄


◇ ◇ ◇


Carry on: ascensão e queda de Simon Snow - Rainbow Rowell (2015)



no livro fangirl (♡), a autora criou esse universo fictício do simon snow. daí não contente em mostrar pra gente só um pedacinho dessa doideira, ela resolveu >escrever o livro do simon e publicar<. pois bem. a história do simon é inspirada em harry potter, é pra ser tipo o harry potter do universo de fangirl, digamos assim. eu resolvi ler carry on porque eu quero ler tudo o que a rainbow publicar, e não porque eu tenha gostado tanto assim da história do simon.. comecei a ler sem muita expectativa e, apesar de não ser mesmo um primor da literatura, eu simplesmente não conseguia parar de ler. eu não resisto a livrinho podreira ^^ o que mais me incomodou é que a autora arrumou umas soluções MUITO FÁCEIS pra algumas coisas, dava pra ter se esforçado um pouco mais. mas ainda assim foi um jeito muito gostosinho de superar as leituras do mês de março :) hahah (só uma obs: só vale a pena se você tiver lido fangirl, tá? senão vai ler harry potter mesmo que é muito mais sucesso!)


Beloved - Toni Morrison (1987)


✩ favorito do mês! ✩
ESSE LIVRO É MARAVILHOSO!!!! eu não tenho palavras pra essa preciosidade. a toni morrison mereceu 100% o nobel dela, sinceramente. a história é pesadíssima, é um livro absolutamente denso e dá vontade de chorar do começo ao fim. em basicamente todas as páginas eu sentia vontade de entrar no livro e abraçar alguma daquelas personagens, quanta gente sofrida!! mas o sofrimento dessas pessoas é retratado de um jeito tão bonito, é tão poético.. ai, que vontade que eu já tô de reler! <3 resumindo muito, dá pra dizer que o livro é sobre as consequências psicológicas e emocionais da escravidão. e, consequentemente, isso significa que a história tem muito racismo, muita cena absurda de violência e muita reflexão dolorida de ex-escravos. eu li com um nó gigante na garganta. esse é fácil fácil o melhor livro do ano até o momento, mas tá longe de ser livrinho gostosinho pra quem quer ter um momento de alegria. é pra causar desconforto e pra fazer a gente repensar um montão de coisas. mas assim, sério: LEIAM!!! (em português o nome é "amada", mas se você tem inglês suficiente pra dar conta de um livrão desses: lê no original que vale bem a pena!)


Rita Lee: uma autobiografia - Rita Lee (2016)


depois da pedrada que foi o beloved, decidi pegar um livrinho mais leve pra espairecer hahah e olha só que coisa: logo eu, aquela que não tem a menor paciência pra biografia, venho aqui recomendar essa delicinha em forma de livro :D a rita, gente. que mulher maluca!!!! ela conta uns episódios BEM doidos da vida dela, desde a infância até a aposentadoria dos palcos. dá pra ter um panorama bem legal de tudo o que essa mulher conquistou - e, principalmente, de todas as besteiras que ela fez. como que ela tá viva até hoje é o que eu me pergunto, sinceramente hahaha o livro é muito gostoso de ler, ela escreve de um jeito bem divertido, se tivesse mais 600 páginas eu continuaria lendo com um sorrisin no rosto :)


The hate u give - Angie Thomas (2017)


calhamaço em inglês pra fechar abril com chave de ouro pois QUE LIVRO MARAVILHOSO MEU DEUS DO CÉU!!! outro livrão sobre racismo pra fazer parzinho com beloved, mas esse fala sobre os dias de hoje e a violência policial que a população negra sofre nos estados unidos. também dá vontade de chorar o tempo todo, de tristeza e de raiva. pra mim o ponto alto do livro foram as personagens. o tanto que eu amei família principal, aaaa!!!! mas o livro é todo bom. a forma como ele é estruturado é ótima, os diálogos são maravilhosos, a autora levanta uma porrada de questões relevantes. achei incrível, de verdade! (brigada miga fefa por sempre me recomendar apenas os melhores livros do mundo <3) ah, em pt-br o nome é "o ódio que você semeia" e eu espero que a tradução seja boa, mas sinceramente a linguagem é um show a parte nesse livrinho. assim como eu disse com o beloved, se você tiver inglês pra isso, pelo amor da deusa lê esse bonitinho no original!

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em números, resumão do mês:

 livros terminados 4 x 0 livros abandonados

 literatura brasileira 1 x 3 literatura estrangeira (todos americanos.....)

 livros lidos no kindle 2 x 2 livros físicos

 autoras mulheres 4 x 0 autores homens (sim, gente, eu alcancei a graça de um mês composto única e exclusivamente por literatura feminina!!!!!! e que delícia de mês, sinceramente <3)

 releituras 0 x 4 livros novos

◇ ◇ ◇

pra compensar o fiasco literário que foi o mês de março, abril chegou arrasando com o meu coração e me dando quatro preciosidades em forma de livrinho. foi MUITO difícil escolher o preferido dessa vez, porque tanto o beloved quanto o the hate u give me deixaram chorando de tanto amor (e preciso confessar que, tivesse eu lido o livro da rita no mês passado, ele teria sido o favorito de março), mas beloved ganhou esse posto por ter sido um baita livrão. the hate u give é absurdamente bom, mas o trabalho da toni morrison em beloved é um troço que não se vê todo dia de tão bem feito. deixo aqui as minhas mais sinceras recomendações das quatro leituras desse mês (a primeira com ressalvas, vale lembrar). até o momento, abril foi fácil o melhor mês do ano no quesito literário :D

sábado, 7 de abril de 2018

machismo nosso de cada dia

uma vez eu fui com o namorado numa lanchonete e a atendente só falou comigo. a moça ignorou a presença dele. deu boa noite olhando só pra mim, tirou o pedido comigo, entregou a conta pra mim. na hora de irmos embora, se despediu só de mim. ele ficou mordido, nunca tinha passado por isso antes. "que mal educada, foi como se eu nem estivesse lá".

eu achei o máximo.

ele nunca tinha sequer percebido antes, mas isso é o que acontece comigo em 90% das vezes em que a gente sai. o garçom chega na nossa mesa e pergunta se ele tá pronto pra pedir, nem se dá ao trabalho de virar o rosto na minha direção. não me pergunta o que eu quero, pergunta pra ele. na hora de fechar a conta, entrega na mão dele. como se só ele tivesse o direito de escolher a comida, como se só ele tivesse condição de bancar a refeição.

depois desse dia, ele começou a reparar no tanto de garçom (é sempre homem) que faz essa distinção entre nós dois na hora de nos atender. dá pra perceber que ele fica desconfortável, porque sabe o tamanho do privilégio que tem nas costas. mas antes de ele sentir na própria pele, isso não era uma questão. era algo que passava completamente despercebido. em compensação, eu já estou tão acostumada a ser ignorada pelo garçom quando saio com ele que sequer me importo mais. 

não quer me atender, só fala com o homem da mesa? tranquilo, campeão. melhor pra mim que não tenho que interagir com você, um ser tão mal educado. mas que a gente se sente diminuída quando esse tipo de coisa acontece, ah se sente...

eis que namorado e eu fomos num bar, onde é mais comum que eu seja ignorada pelos garçons. o cara que nos atendeu sequer respondeu quando eu dei boa noite. então eu também ignorei o homem, comi feliz da vida, bebi drinks. na hora de pagar, o boy falou que dessa vez ia arcar com a conta toda (normalmente a gente divide). mas o garçom foi tão deselegante comigo que meu namorado me disse pra passar o cartão no lugar dele, como se eu estivesse bancando tudo. só pra gente ver a reação do cara.

como era de se esperar, ele entregou a conta diretamente na mão do boy. aí ele me repassou, eu conferi o valor e falei que podia passar tudo no meu cartão. digitei a senha, falei que não precisava da minha via, agradeci e dei boa noite. aí sim ele me respondeu.

ser mulher é isso. só me tornei digna de resposta depois de bancar a conta. antes disso, nem o mínimo da educação eu merecia.

seguimos na luta.

sábado, 31 de março de 2018

livrinhos de março

YAY, fim da "maratona" de verão! pra acompanhar os livros/categorias dos meses anteriores, dá uma olhadinha nos posts de janeiro e fevereiro. tá tudo aqui no link do registro de leituras ;)

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Neuromancer - William Gisbon (1984)


gente do céu. por onde eu começo a falar disso aqui? hahahahaha eu me arrastei por VINTE DIAS pra terminar esse livro, pelo amor da deusa!!! em to-das as listas de “melhores livros de ficção científica” que eu vejo, neuromancer tá indicado. aí lá fui eu toda pimpona me aventurar por esse universo cyberpunk e: QUE DESESPERO NÃO ENTENDI NADA. tipo, a história eu entendi, achei legal até, mas às vezes eu lia páginas e páginas sem conseguir visualizar O QUE as personagens estavam fazendo hahahaha quis desistir da leitura várias vezes, mas persisti porque eu sou doida, simples assim ^^ AH, uma coisa: o que me ajudou a formar algumas imagens do livro na cabeça foi ter assistido altered carbon antes (série da netflix). eu senti q a série se baseou MUITO no universo de neuromancer e sinceramente isso foi bem útil pra mim. apesar de eu praticamente não ter entendido nada do que tava acontecendo por lá também, mas beleza né segue o baile vamo pro próximo livro hehe ¯\_(ツ)_/¯
(categoria 2 do desafio: ler um livro comprado em uma promoção ✔)


Go tell it on the mountain - James Baldwin (1951)


favorito do mês!
mais um livro em inglês pra minha aula de literatura canônica! aliás, dei uma procurada rapidinha e não encontrei uma versão em português desse aqui.. então, se alguém se interessar em ler, infelizmente tem que ser em língua estrangeira mesmo :/ essa leitura me deixou confusa quanto a gostar ou não do livro. deixa eu explicar: o livro é muito bem escrito, então é gostoso de ler, mas o tema principal é religião. e isso significa que eu não entendia as referências e não conseguia entrar muito nas cenas de oração na igreja, por exemplo. mas aí isso é um problema meu enquanto leitora e não do livro em si, né? a leitura é boa, mas eu definitivamente não sou o público alvo hahah
(categoria 3 do desafio: ler um livro que, aparentemente, só você conhece ✔)


Frankenstein, ou o Prometeu moderno - Mary Shelley (1818)


eu decidi comprar esse livro por dois motivos: 1) é um baita clássico da literatura de língua inglesa, então preciso disso pra minha formação 2) É A EDIÇÃO MAIS LINDA DO MUNDO INTEIRO e eu achei por um preço super bom hehehe mas gente, assim.. eu tenho pa-vor de toda e qualquer coisa, então nunca na vida me imaginei lendo um livrão de terror. ainda mais esse, que tem imagens bizarras de pedaços do corpo humano etc só que: O LIVRO NÃO DÁ MEDO NENHUM, minha vida foi uma mentira!!! inclusive dá até uma preguicinha, afinal de contas romantismo né mores? tem capítulos e mais capítulos do tal monstro de frankenstein narrando como foi a vida dele observando os humanos, por exemplo. é uma leitura beeem lenta. a compra ainda valeu a pena porque o livro é maravilhoso, mas olha: zZzz...
(categoria 4 do desafio: ler um livro que você sempre teve medo de ler ✔)


A metamorfose - Franz Kafka (1915)


fechei o mês com esse livrinho curtíssimo, que dá pra ler de uma vez, porém com o seguinte sentimento: QUE PORRA É ESSA, meus amigos? hahahaha eu entendo que essa história tenha sido uma coisa impressionante quando foi lançada, entendo os méritos do autor e tudo mais. mas assim.. que loucura, gente. e que final mais desgraçado, não acreditei quando terminei de ler hahaha fiquei descaralhada das ideia, simples assim. eu sabia qual era o resumão da história, afinal de contas todo ser humano sabe, mas não fazia ideia de como esses fatos se desenrolavam. acho que o fato de o livro ser tão importante etc me fez criar expectativa e aí, quando li, achei bem fuén. mas tudo bem, acontece, né?
(categoria 12 do desafio: ler um livro por indicação de booktuber ✔) 

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em números, resumão do mês:

 livros terminados 4 x 0 livros abandonados

 literatura brasileira 0 x 4 literatura estrangeira (2 dos eua, 1 da inglaterra e 1 da república tcheca)

 livros lidos no kindle 2 x 2 livros físicos

 autoras mulheres 1 x 3 autores homens

 releituras 0 x 4 livros novos

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até agora, março foi o mês mais fraquinho do ano. tanto que eu nem amei o livro favorito, olha só que tristeza. mas é isso, né? nem sempre a gente acerta. que em abril eu tenha mais sorte! 

quarta-feira, 28 de março de 2018

bodas de papel

esse mês eu completei 01 ano de casamento com a melhor invenção da humanidade: o coletor menstrual.

eu não lembro quando e/ou como eu conheci essa belezinha, provavelmente no vídeo da joutjout, mas relutei bastante até finalmente criar coragem pra comprar o bendito copinho. ô gente, mas esse negócio foi o maior divisor de águas da minha vida! minha relação com a menstruação mudou completamente depois que eu larguei mão dos absorventes e passei a usar o coletor. ELE É A MELHOR COISA DO MUNDO.

cresci ouvindo a minha mãe tentando me convencer de que menstruar era incrível. "você tem útero, isso faz parte de quem você é e é uma coisa linda. uma vez por mês você se torna ainda mais mulher, tem que saber aproveitar, é um ciclo muito poderoso do nosso corpo" e blabla. eu achava o discurso lindo, mas era incapaz de entender a parte boa sendo que, durante quase uma semana, eu sentia um incômodo tão grande. cólica, mudança de humor, inchaço e todo o resto do combo é horrível, mas pra mim a pior parte sempre foi o absorvente. coceira, calor, falta de higiene, desconforto. além de ser caro e péssimo pro meio ambiente, não podemos esquecer desse detalhe.

até que eu fui convencida a comprar o coletor menstrual e tudo isso absolutamente SUMIU.

assim... a primeira vez que eu usei foi um caos. quis desistir, chorei, mandei mil mensagens desesperadas pro namorado falando que foi um erro ter gastado tantos reais com um negócio que eu não era capaz nem de colocar, etc etc etc. até que eu finalmente consegui colocar direito, sem sentir dor, sem ficar com aquele incômodo tipo cólica e achei que seria tudo um sucesso. pena que na verdade tava tudo torto e eu descobri isso da pior maneira possível: tendo que trocar de roupa ¯\_(ツ)_/¯

mas tudo bem, a esperança é a última que morre e coisa e tal. tentei de novo, apavorada, achando que nunca ia conseguir usar esse troço de verdade. só que aí realmente deu certo e, desde então, há um ano, nunca mais usei absorvente nessa vida :D



e tenho uma história de sucesso que eu faço questão de contar pra absolutamente todas as pessoas, de tão maravilhosa que é: o dia em que eu fui pra um parque aquático usando o copinho.

só pra começar, eu tava no segundo dia de menstruação. no meu caso, é quando o fluxo desce com maior intensidade... pois bem. coloquei meu copinho, vesti meu biquíni e fui com a cara e com a coragem em absolutamente todos os toboáguas daquele lugar (menos aquele maluco que tem queda de quase 90º, porque não sou obrigada). fui algumas vezes ao banheiro pra esvaziar o coletor só por precaução, mas foi como se eu não tivesse usando nada. não me incomodou em nenhum momento, não vazou nem 01 gota, não atrapalhou em nada o meu dia de diversão. FOI INCRÍVEL, quero repetir essa experiência pra ontem!!!

e é isso, meninas.

sei que nem todo mundo se adapta ao coletor menstrual, mas pra mim foi apenas a melhor coisa que poderia ter me acontecido. se alguma de vocês ainda não usa, sério: dá uma chance pra esse bonitinho. pode ser que a história de amor entre vocês seja tão maravilhosa quanto a minha! ;)